Freitag, 31. Oktober 2008

Vertreibung

Mon Luiza e Ich

Atopias. Distopias. Não queria que o tempo parecesse tão linear em certos momentos. Não queria ter que pensar na palavra "irreversível". Não queria não poder mudar uma escolha errada feita. Não queria magoar as pessoas. Não queria nunca reconhecer que nesses jogos todos, quem tem dados na mão por vezes se fere. Não queria que nada fosse desse jeito. Não queria que alguém se apaixonasse por mim. Não queria que alguém não se apaixonasse por mim. Não queria me apaixonar por ninguém. Não queria poder amar. Não queria que os sentimentos não fossem recíprocos. Não queria ter terminado um dia tão divertido vertendo lágrimas na frente da multidão. Não queria, nunca quis, como a janis joplin, que se rasgassem por mim e tivesse que voltar pra casa sozinho. Não queria ser frio, de forma alguma. não queria ser brinquedo, utilitário, comodidade, joguete, leva-e-traz. Não queria ter apanhado. Não queria sentir essa dor, que não é só da perna, é coisa que vem de dentro, sufoca, inebria, enche os olhos e não transborda, não passa. Já dizia Ana C.: fica boazinha, dor. Uma hora fica. Ou eu acabo como a Ana C. o mundo, meu bem, não vale o mundo.

Danckwardt, Márcio.

Donnerstag, 30. Oktober 2008

[3]

Decadence Mode On

Um número recorrente. Sempre. Nunca duplo, sempre com um lado escuso, atrás da porta. Partes do show: a preparação, o vinho, as cervejas. Danças do tipo loveshack, beijos, abraços, carinhos, risadas. Perder a dignidade na boite, sempre, faz parte. Trocas. Uns vão, uns voltam, passa pra cima e pra baixo. Cada vez mais socado. Há quem se decepcione, há quem se anime nas probabilidades. Cardigan. Cabelos molhados de suor, cabelos recém-lavados, cheiro de cigarro. As marcas no outro dia. A casa na seqüência, o aprendizado dos cliques. As risadas, a inocência. Tudo que partilho. Tudo quanto quero sete horas da manhã. Vermelhos, negros, nossos olhos gris. Quando bati a porta no teu pé, me olhaste e acenaste com a câmera. 3. Creio que transpus a crise. E agora, 3 ou até mais de 3. Tipo quatro horas para acordar.

Jucksch, Márcio.

Montag, 20. Oktober 2008

Alles gut, "okay"?


Eu vivo às vezes uma besteira de achar que só posso sair para ter diversão garantida. Para ser diversão garantida.

Só sei ser sorriso.

Para quê isso? Quem escreveu que, se não é para rir e dançar loucamente, melhor ficar em casa? Tem dias que eu quero meus amigos por perto, minha gente risonha ou chorosa e seus fardos e relatos de caso; quero ficar presente, mas não quero brincar. A gente vive uma ditadura de mostrar para o outro que tudo está bem, tudo ótimo, consertado, vou levando, vai levado. E não precisa.

Sabe? Não precisa. Posso sair, estar em muitos e ficar tranqüilo; sem fingir divertimento, sem fingir entusiasmo. Só estando ali, basta. É maravilhoso quando acontece de estar todo mundo alegre e vibrando junto - a gente faz um samba. Se não acontece - tudo bem. Só é maravilhoso porque é espontâneo, do contrário é coação.

E eu sou livre. Para sair com o pessoal e decidir que quero voltar antes, até à pé – quem sabe? – ou com uma música velha no carro e ir mais cedo para a cama. Tem vezes que não está tudo certo, mas eu quero um bocado de carícia positiva, nem precisa ser muito, um bocadinho já deu para dormir abastecido.

Eu ia dizer “foi sorte encontrar quem entenda”. Mas nem foi questão de sorte.





Jucksch, Márcio.

Freitag, 10. Oktober 2008

Nicht heute

Robson et Moi

Ah não! Hoje não; hoje não quero saber porquê você se atrasou, porquê não retornou, o que achou do meu texto e que pensou em mim, mas não pára de ligar. Nada pessoal, amor, te juro. Eu também não quis ouvir da roupa que a menina deixou jogada no chão, que tinha que descer com o cachorro, do sabão que a empregada se esqueceu de comprar, do bolo que não subiu, do dinheiro que sumiu e de como que o frango queimou.

Hoje ninguém me suporta, meu bem. Deixei o telefone tocar, mandei minha irmã se calar, não liguei pra mamãe pra perguntar como tá, por puro despeito não quis discutir e meu cunhado se espantou.

No meu colo eu não deixei ninguém deitar, cobrei cada conselho e até os amigos menos carentes me acharam um tanto...

Não fui no mercado, não entreguei o trabalho e tirei a pilha do despertador. Não paguei as contas, matei a terapia e joguei lixo no chão.

Tem uma semana que a mola do meu colchão se soltou e eu não falo direito com a Rosa; o mendigo de ontem tinha dito que ia chover e mentiu, agora o dia acabou e eu não fui doar sangue. Então não me dê nenhuma desculpa, só fica quieto e me abraça que hoje foi um dia ruim e eu não vou pro céu.

P.s.: Esse texto é pra Jaiana, porque não nos falamos há quase um ano... e também pro Robson - ele foi muito em dias tão fodas!

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 9. Oktober 2008

Esquina da Ipiranga com a São João, SP


Existe um certo estigma em relação a médicos e seus filhos. Acham que temos muito dinheiro e podemos comprar o que quisermos.
No caso da minha família, temos o suficiente pra viver bem. E só. Mas esse post é apenas pra dizer da sensação boa que tenho de pensar nos lugares que o dinheiro já me proporcionou a oportunidade de estar.
Sim, eu gosto do meu dinheiro.
P.s.:Ah! Ando me sentindo um FUDIDO... mas isso foi só pra constar mesmo.





Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 1. Oktober 2008

Eltern verkaufen


Vendemos Pais. Dos bons. Daquele tipo que já não se encontra no Brasil. Temos Pais, senhoras e senhores, com P maiúsculo, para espanto de todos. Aqui temos mestres sem medo da responsabilidade, homens para ensinar outros homens e para amar meninas que não temerão seus maridos e amantes. Encontramos - quem sabe (?) - a cura para algumas depressões. Há pais de todos os tipos. Mais velhinhos e barrigudos, de pouco cabelo e muito saber. Há mulatos e negros, dançantes e brutos - mas não dos que batem, que desses o mercado já se saturou - Pais sorridentes, com sorrisos canalhas que conquistam mulheres ou homens com o canto do olhar. Até os mais tímidos, calados e sábios, que ensinam com suspiros e atos o que outros precisam falar.



Tem também os viajados, que é preciso ganhar dinheiro; para tristeza dos seus pequenos – verdade - que aprendem desde cedo o valor de mostrar todo o amor ao homem que volta, ao invés da raiva que fica por medo dele nunca mais retornar. São todos presentes, contudo. E cobrantes, não se iludam, rapazes. Estes Pais não dão mole em serviço, nem se contentam com pouco, nem nos permitem nos enganar.



Hão Pais, meus amigos. Hão Pais neste país. Para nos lembrar o que são leis, o que é respeito, o que é o dinheiro dos outros e qual é o valor do nosso próprio dinheiro. Dos que dão bengaladas nos maus exemplos para seus filhos, aos mestres que erguem a voz sem receio do ódio dos jovens. Pois sabem que, quando mais odiados, é que são mais necessários.



Poetas, atores, músicos, e todo tipo de médicos para curar. São os salvadores desta nação ferida, que ao contrário do que se pensa, precisa agora de limites para descobrir como seus sonhos podem se realizar. Advogados, engenheiros, contadores, e todo tipo de artistas para tocar nossas almas e trazer nossos gênios à tona, ensinando-nos a estar uns com os outros, conhecendo nossa solidão, sem, por isso, ter medo de amar.



Estão à venda para oferecer à próxima geração. O preço é nos educar.



P.s.: Ahh, Mein Gott! Acho que estou meio despirocado... estou com mania de "meio" também, sácoé?





Jucksch, Márcio.