Montag, 28. Februar 2011

Addicted to you

Não que eu seja um viciado, nem você. Mas é o vício que nos faz presença. Todos têm algum. Vícios não têm mínimos e os máximos podem ser fatais. O segundo gole de água é uma overdose. Ao menos se fossemos viciados teríamos objetivos. Somos usuários, passageiros que não tripulam na viagem.
Características são marcadas por vícios, sem eles não há definição. Nada nesse mundo é absolutamente irreversível - nem o vício. Um dia acaba.
Mostrar-se um viciado é fatal, corrompe os espectadores e nubla a personalidade. Temos de suar escondidos na sombra do que usamos. Não há julgamento cabível para um viciado, tudo não passa de opção e opto por não falar mais, pois ao falar do vício posso me tornar viciado.

"Vicio-me no odor das flores mortas no inverno que não vivi. Andei sem ver as coisas e cai de um muro alto, quase Berlin. Passo por aqui sempre, a observar teu minucioso processo de estar. Tu estás e isso me alegra. Quem és tu, não sei. Talvez tudo, poeta"

J, M.

Freitag, 25. Februar 2011

Espectrus

Eu encarava aquela parede. Não podia ser só isso. Teimo em dizer, eu vi!
Não sei se dentro ou fora, mas passou por ali. Mesmo que tenha sido ontem e escuro, mas foi. Tenho certeza, uma certeza não total, mas como se eu já tivesse visto isso e soubesse que realmente isso existe. Eu voltei lá hoje, agora estou aqui em partes. Perdi-me por lá. Não era escuro ainda quando (re)visitei o local, era dia. Olhei, sentei, refiz meu percurso e nada de encontrar aquilo que eu já vi. Talvez seja uma vez na semana que isso ocorre. Ou num ano, quem sabe até num século. O importante é que eu presenciei e de olhos bem atentos, justamente por não acreditar.
No momento, eu não reagi. Nem sequer dei muita importância para com a sua mensagem subliminar, prendi-me na sua forma errônea e obtusa, mas ela se importava comigo ou não apareceria. Agora, eu quero de novo a chance de agarrar e questionar. Será que vai voltar? Tomei uns remédios hoje durante a tarde... Quero tentar ver isso de novo, aquilo de novo. Talvez eu deva tentar sonhar com isso, ou quem sabe eu deva esquecer. Não, esquecer eu não posso. Não conhecia até ver e quando se vê estamos amarrados no visto, tentaremos assimilar o que era - o que é. Às vezes não saberemos nunca, mas já vimos. Pode parecer que ter visto aquilo seja um fardo, não se engane, estou radiante (creio que só eu vi).
Se alguém mais viu não se manifestou. Eu tenho vontade de contar, mesmo que não acreditem. Ao menos se alguém conseguir enxergar novamente poderei dizer que também vi, e vi antes. Mas ao mesmo tempo eu irei perder a dignidade ilusória, pois os outros podem tentar procurar, aí não serei mais exclusivo. Não que eu seja único, são tantos por aí, mas talvez eu tenha algo de especial. A coisa me viu! Tenho certeza da reciprocidade, foi algo como amor a primeira vista. Talvez sejamos parte da mesma música. Tenho dúvidas quanto a pertencer ao mesmo mundo, entretanto sei que posso me adaptar a qualquer circunstância, desde que ela esteja ao meu lado.
Já não sei mais onde comecei, queria poder (re)ver agora, começar o meu plano sistematicamente para não me perder nos detalhes. O importante, amigo, é que eu desejo que tu vejas. Não precisa acreditar, mas agora quando tu enxergar sei que vais lembrar o que eu te disse, mesmo que seja assim no anonimato. Aliás, é nesse mistério que a coisa aparece. Deve ser. Também não tenho certeza de nada. Mas veja...


J, M.

Mittwoch, 23. Februar 2011

Elis

Flor de coca que desmama o meu irônico gargalhar musical. Indiferente ao problema carnal se armazenava em estado espiritual de canção desarmada. Engajando no social, esperava uma nova retomada e sabia da incessante empreitada. Morreu de overdose de realidade e nós ficamos aqui na sabatina musical com a honra da readmiração pelo que se foi no desastre mental.

Sem muito que escrever. Na verdade, cansa não saber fazer a coisa lida e ser na vida um astro doido que ultrapassa os limites da palavra (espero que seja isso). Por isso digo: não escrevo, narro.


J, M

Montag, 21. Februar 2011

Amor-amar

Amor-amar é necessário. Ardência de galho-em-galho. Opressão do sistema poético. Gerador do caos epilético.
Amar-amor. Parte do ciclo. Na sua roda sou gigante. No menor dos egos. Embaixo dos pés elefante. Respondo narrando palavras. Desejo. Amar-amar. A tua busca pelo eterno sonhar. Entrada fria dificulta o respirar. Amor-amor. Sangue jogado na calçada. Das janelas o grito do objetivo. Amar-amor-amar. É sem pensar. Acontecido sem esperar. Flutua nos olhos, resvala nas bundas. Amor- amado. Não te quero ao meu lado, mas sim no mim do dentro onde não posso salvar.

- Começou como resposta, acabou em solução.

Algo cálido do escrever da gente. Pombinha branca logo a frente. Semente que brota no quintal ausente. Figura tua na face minha. Fulgura nua na carne ardente. A gente entende que se precisa, distancia crua da imprecisão. Preto-e-branco da eternidade mútua. Repousam as flores da sociedade. Jogada curta de blefe tolo. Amarelo-ouro. Tendência oculta da lua aflita. Sagrado boto das rosas-mil. Fumaça ecoa nos sem navio. Metade aberta no espaço alerta. Verdade amante em sensualidade esperta. Pluma sua na entrada esguia, o corpo esbelto de pomo quente.

- Sábado a gente se encontra lá, na mesma esquina do sempre amar.

Bem de mansinho. Devagarzinho que é para eu sofrer e te abraçar. Beijo quente na velha mente que já não sabe andar sem teu passo para guiar. Insinua-mente desenvolvida em berço do encontrar. O amor celeste que se veste branco para não encarar. Risos à toa na frondosa árvore do gesticular. Calados vamos de mão juntinhas para trás do mato regorgizar. Energizando e alavancando a promessa do estar.


J, M.

Samstag, 19. Februar 2011

Double

Aquela que me acompanha nos sentidos múltiplos da falência cardíaca agora me ajuda no erguer da escalibur atraente. Enciclopédia do falar intacto perdido nos provérbios antigos reencontro a minha essência. A dela.
Um tropical encantador que cega de verde. A poesia do seu beijo, arfar de terrorismo lírico. Destruiremos a pátria juntos para parirmos a rima. No pescoço as marcas do corte, nas esquinas a força do marco. Atendo ao que você me insinua no grito da oportunidade. Seus seios envolvidos no setim da onda balançam no olhar do corpo.
Por o acaso sobre a mesa e julgá-lo. Você não tem razão.
Tardando a seguir, piso na areia que marca meus pés, supera a força do calcanhar e atinge o vital dentro do organismo. Organizo um plano de destruição epilética onde o alvo sou eu e o atingido é você. Suicida duplo do rejeitar pensante. Double attack.


J, M.

Donnerstag, 17. Februar 2011

O que fica

Pesado como cruz de asas abertas retalhando em postas na noite de verão que está na cicatriz da nossa corrosão. Marco frio no ferro do fogo em carne viva. Nossa vida. Corações despejados no ralo da saudade onde brotam as serpentes que me rabiscam. Nossos olhos ainda estão naquele vidro tão próximo de mim que posso sacudir e ver seus olhos nublarem novamente, ao lado da minha errada estática. Entrevado no pedaço que falta, metade do exílio no infinito pela metade. Barco na onda na significância. Tratamento de choque. Arrancar o rabo do gato no desespero do ronronar. Um parto. Parto.


“Socorrendo vias de sangue eu te leio. Me sinto vendo meu reflexo na língua de um boi a tomar água. O líquido corrompendo o meu músculo. Colorida como bile. Uma página a menos e um dedo fora do botão power. Stop”


J, M.