Sonntag, 27. Juli 2008

Jag vill inte


Não. Não quero!

-Mas é preciso. Aprenda-me.
-(...) Numa tentativa, frustro-me. Noutra, mal espero por desligar-me, não posso. We do it for run (...)

-Fato é que tu me juras implicância dois minutos antes de nosso dia acabar e, o outro, começar em branco.
-Sério... então... "quando você sabe que o desconhecido existe e aceita-o sem tormento, o que ainda falta é o você para guiar o tu".

-Eu sempre te vi como meu arquétipo, minha imensidão lôbrega, de um inefável momento. De uma idiossincrasia meramente copiada; porém, penso, probo, não é?!
-Eu só penso que te amo. Eu não consigo e nem quero pensar na possibilidade de te demonstrar isso. Eu sei, fica parecendo indiferença... e a cada 'eu te amo' que te digo, tu pensas mais na possibilidade da banalização dos meus sentimentos e, conseqüentemente, na tentativa de querer fazer o mesmo com os teus. Mas isso seria de um cinismo ocasional que eu não acharia graça alguma. Mas eu te amo e pronto, não procuro passar dias construindo o que se acaba em segundos, assim que eu encontro conforto em algo que pode proporcionar o que eu desejo; não me apego em pensamentos fanáticos. Eu te amo nesse exato momento, sinta-se feliz. Em outro, não mais nos amaremos e tu... só irá seguir em frente com uma dor, talvez, gostosa dentro do peito, e as seguintes palavras no pensamento: "eu poderia te dito a-q-u-i-l-o".
Mas eu te ofereço - como prova prosáica de sarcasmo - esse trecho:
"Ele havia dado todo seu amor e em troca recebeu o tempo. Tempo de dizer adeus, pois a reviravolta é constante e vai do início até o fim sem pensar no seu bebê. Você pode até trazer a esperança, mas as palavras já estão perdidas num espaço tridimensional".


"Fato é que era muita coisa 'jogada fora'. Muita coisa que me incomodava. Gente que tolerava as palavras erroneas de outrém, gente besta que tentava um anacronismo pra tentar ser aquela cujas palavras vinham da profundidade de sua alma dilacerada. Aquilo me incomodava. Incomodava, sim!"


Jucksch, Márcio.

Samstag, 19. Juli 2008

Semester: dekadans


Poxa, eu sou bem do tipo vagaba, cara. Consertarei isso nos próximos dias (ou não).

2:08 da manhã, insônia broxante, vamos atualizar o blog. Na foto, sou eu super sensual (meio que escondido), com uma galera quase tão sensual quanto eu na escandinavia, o qual é fortemente sensualismo puro - ainda mais agora que eu estou em solo subdesenvolvido, manja? - na Suécia. Poxa, eu tenho sentido uns espasmos de saudade da Suécia, assim, inacreditáveis. Se eu não fosse forte pra caramba, diria que estou virando emo (coisa que TODOS que estou revendo andam alegando. Aqui é só tu ter uma franja, um vans e se vestir diferente e já te classificam como viado).

Voltei há dois dias. E foram os dois dias mais estranhos, EVER. Acho que acostumar aqui foi mais estranho que acostumar na Alemanha. Eu cheguei e vi os prédios, os buracos nas ruas, a quantidade de nordestinos, o trânsito e o preço do Bono - o biscoito mais tezão - e me peguntei: "bróder, foi sempre assim?". Mas agora até que tô acostumando. Acostumando entender 100% o que as pessoas falam na rua (porque, no caso, uma das coisas que eu mais fazia na Alemanha era fechar meu cérebro pro resto do mundo. Eu sei, é difícil de entender), ver gente morena (tipo, BEEEEEEEEM morena!), não ser mais o gringo que pode falar o que quer e ninguém compreender, ver tanta piriguete... porque não sei se é só eu, mas eu ando notando um aumento na população de biscates nessa São Paulo, cara.

De qualquer modo, minha vida agora vai ser somente repouso. Vou tentar não reclamar. Poderia ser pior. Eu poderia ter que... ahn... sustentar 7 irmãos e uma mãe enferma. Ou... ter que fazer malabares nos faróis enquanto tá 10 graus lá fora. Ou... ter minha perna comida pelo Chuck, meu crocodilo de estimação (oops, isso aconteceu mesmo!).

P.s.: post feito da grande São Paulo - que não passa de uma cidade de merda. Pensei que ia ter uma recepção mais calorosa, mas não foi bem assim. Só o que encontrei foi uma cidade fria, seca, cheia de gente meio que sem axé baiano. Hoje a tarde, Macapá; segunda, cirurgia. To extremamente estressado, agressivo, destrutivo e depressivo. Mas como será minha chegada? Segundo meu PAPAI: cheia de alegria bolo e guaraná. Sim, igual a festa da Xuxa, bróóóóóder!!!

P.s.: IRE, DU GEILE SAU! Wenn du voll braun bist, werd ich ECHT sauer. Ich sag's dir, fang schon jetzt an, ein paar tezões zu pegar! Du hast so viele sachen mit mir gelernt, mach mich stolz auf dich, ja? hahaha und hier... also, ich hab auch nich soooo viele shorties gesehn, aber wenn mein kurs anfängt kann ich dir weiter erzählen hohoho. E AÍ, TAMO NESSA CARNE? hahahaha.

Ao som de: Jürgen Paape - so weit wie noch nie



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 15. Juli 2008

Någon annan?

Ah, look at all the lonely people!
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Eleanor Rigby - Beatles


Preciso ficar bêbado e dançar Barbarism Begins At Home como nos velhos tempos. Ou This Charming Man, Where Is My Mind?, Superafim.

Na verdade, é vontade de dançar com os velhos amigos dos 14 anos. Atualmente, o que é o mesmo que dançar sozinho. Ainda somos muito amigos, mas estamos muito longe uns dos outros. Então, danço e bebo por todos.

;)

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 13. Juli 2008

Marcelo

Meu menino de contos de fada.

Marcelo é tudo o que se precisa numa terra fria.
Marcelo é herói. É príncipe encantado que salva. É lenhador forte. Fiel escudeiro. Dragão. Às vezes donzela em perigo, só pra que eu me sinta útil - aliás, sempre pois eu sou mais forte. É confidente.

O menino é como eu. Sente como eu. Liga 22 vezes atrás, como eu. Briga por coisas bobas e por coisas sérias. Sente ciúme. Finge que não existe. Finge que está na Antartica.

Eu me apaixonei pelo Marcelo há cinco anos. E não vejo jeito desse sentimento parar.
Eu me apaixonei pelo menino das fotografias. Da voz grave e bonita. Do falar baixinho. Dos desenhos com nanquim. Eu me apaixonei pelo pouco de Marcelo que eu conhecia. E hoje eu me apaixono por esse menino todos os dias. Porque existe sempre uma palavra. Uma ação, grande ou pequena. Carregada de delicadeza. De singeleza.

O Marcelo poderia ser árvore. O Marcelo poderia ser floresta. Poderia ser casa.
Mas, para mim, o Marcelo é o Má. Meu homem de confiança.

Meu menino de conto de fadas.

(...)

Invejo sua sensibilidade de percepção.

O Marcelo vê as linhas que constroem a realidade.
Tira fotos delas e nos mostra. Tem gente que não vê, mas ele vê.

Tenho certeza disso.

Marcelo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Faz sombras lindas pros dias de calor.

Marcelo fala pouco.
Mas quando fala...

Algumas considerações disformes. Segue...

"O Marcelo, na minha visão, como eu descrevi, é o menino de contos de fada. Mas não somente isso. Não.
Marcelo se tornou especial na minha vida há 5 anos. E eu o odeio por isso, às vezes. É fato, sim. Quando eu gosto de alguém e essa pessoa não está perto de mim quando eu preciso, eu odeio e pronto. Fico com raiva, xingo, desejo o mau e prometo que nunca mais olharei na cara... mas o problema é que esses sentimentos explosivos e efêmeros são a causa da minha sandice com todos que eu amo. E eu amo o Tamma - sim, eu o chamo de Tamma e talvez por isso metade de muita gente sem criatividade e afim de explorar um verdadeiro mano sangue bom como eu, resolveu adotar este singelo apelido.
O marcelo é branco, 1.90 de altura, olhos azuis (que um dia irei roubar e vender no meu mercado negro), têm um corpo de tchutchuco, só namora gurias idiotas pra caralho, têm uma inteligência fora do comum (que vai fazer com que eu venda o cerébro dele também no meu mercado afrodescendente) e, pasmém, estuda Direito. E isso vem me acalmando e, ao mesmo tempo, me irritando. Eu sei que eu vou estar numa sala com outras pessoas na concorrida busca por se dar bem na área jurídica daqui há uns meses. E o marcelo vai iniciar seu 8º período de Direito... ele entende muito, bróder. O que me faz pensar: meow, esse truta sempre vai ser melhor que. E como eu vou ter que advogar por um longo período, eu sei que ele vai tornar minha vida um inferno nos tribunais. Mesmo porque ele vai ser juiz.
Ele entende tudo sobre Direito! Ele dorme com o Médi Vácão, transa com o MD, come o MD e tem lazer com o MD... cara, que guri mais expert em acabar com meu tezão. Fuck-se!
Mas acontece que hoje eu senti uma saudade filha da puta de ti, Tamma. É aquela saudade que me fez chorar muuuuuito. Assim, de gritar teu nome na minha cabeça como se eu nunca mais fosse te ver, mexxxmão! E eu peguei o telefone e te liguei, te liguei, te liguei e... me joguei no chão e chorei mais ainda. Porque eu lembrei que, em uma certa despedida, eu tava muito afim de chorar pra ti, e tu apenas me disse, olhando sorrindo, leve e solto: Márcio, não precisa disso. Tu sempre vai tá comigo, guri. Tu sabes que meu amor por ti é imenso, mais que o meu amor por minha namorada - apesar de ter chorado, eu senti uma forte vontade de ter te levado pra cama, brincado de 'true or dare' (até eu ter tirado toda minha roupa por ter te desafiado), requebrar até o chão com o dedinho na boquinha e outra na cintura, cantando sandy e junior... porque a Sandy é virgem como eu, manja, brow?!
Eu soquei tanto a porta do meu quarto, Tamma. Eu procurei companhia, mas não encontrei. Sério. Eu queria te esquecer, mas ninguém me ajudou. Mesmo a pessoa que eu mais confio aqui. Sei lá, acho que é meio proibido eu tentar te esquecer. Porque um dia a gente vai brigar nos tribunais, mesmo. Tu é o homem da minha vida, bróder! Eu nunca quis aceitar essa idéia. Mas agora eu sei que eu vou ter que me vestir de noiva pra ti um dia, né? Caraca, mano, vou pagar esse beneficio só na malemolência baiana que eu tenho naturalmente.
Eu tenho falado muito em ti com a mamãe e sempre ela ri dizendo que acha incrível essa nossa amizade a distância ser tão forte. Ela gosta muitão de ti. E eu tenho tolerado mais a idéia de que eu não posso ter todos voces, meus tezões, perto de mim quando eu quiser.
Acredita no que eu digo, Tamma! Eu te amo mesmoooooo!
Eu sei que o inicio da nossa amizade foi muito conturbada - isso com quase o mundo, eu sei -, mas é que eu sou assim mesmo. Chato, mau-humorado por sono profundo, antipático, realista. E sei também que tu me acha muito frio, como muito já me disse. Mas eu sempre tenho uma idéia boa de ti, em que tu me curti pra chuchu e eu te escravizo, porque eu não sou de ferro, né, chérie?! Maldade, eveeeer!
Mas acredito, outra vez, apesar dessa minha frieza constante, humor ácido e afro-brasileiro... eu te curto a lot! É justamente por tu ser esse estereótipo de High School Music mesmo, tá? Ainda bem que eu vou te dar um abraço logo, espero. E tu vais ter que dizer que me ama muito, tá? Porque eu vou fazer um grande escândalo quando te ver".

Acho que é melhor ficar por aqui, né? Daqui a pouco vou acabar com a tua fama de pegador das minas sangue bom daí de PoA.

Adieu, Mein Preto Sensualidade!!!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 10. Juli 2008

No blog a gente pode contar um pouco do dia, né?

Então, nem sei que foto postar aqui. Whateva!

Weeeeell, eu adoro postar aqui quando estou estressado, porque voces são uns sensuais que me dão apoio moral. GOSTOSOS =) Obrigadinho.

Bom, eu realizei que whatever se eu não estou todo party-party esses dias, porque isso é normal, de algum modo. Primeiro: eu to cansado de party-party do ano inteiro. Segundo, eu to ficando velho e esclerosado de qualquer modo. Acho que me sinto ate uma pessoa mais sábia, irgendwie.
Bom, o post de hoje será só com perolas. O chato é que é muito mais engraçado quando a gente VIVENCIA, então talvez voces achem super tosco, mas schnuppe.

Marxenhu, comendo pastel com Ilona e reparando na loja da frente.
- Meeow, como tem filial essa loja, né? Até em Hiroshima. Pow, achei que só tinha morto lá, cara...
(IRIS, NÃO ME MATE)

Tempos depois, Chelsea e eu vendo filme da Jennifer Lopez:
Jennifer Lopes bêbada diz: Sabe, eu nunca achei que eu fosse o bastante pra ele, sabe?
Chelsea interrompendo ela: - WTF, com ESSA bunda? Ela é demais pra qualquer um, eu acho.

Dez minutos mais tarde no segundo filme com a Jennifer Lopez.
Marxenhu - Cara, ela me faz sentir bem, sabe? Ela é tipo um modelo pra mim, o tipo de pessoa que fala: Ei, você ai, você tem uma bunda grande, mas você também pode ser feliz, sabe? Keep it going, brow.

Terceiro filme da noite: Hooligans.
Marxenhu - Adoro filmes com violência gratuita, principalmente se tiver muitos shoooooorties* e überhaupt nenhuma história interessante. Assim, simplesmente gente apanhando e essas coisas.
Chelsea - Eu também. É simplesmente tanta adrenalina que eu não consigo me conter. *shorty, ou seja, tezão. É tipo aqueles clipes de cantor negro americano que sempre fala um "shoooorty" pras nega deles, manja?

Steve aparece no filme sem camisa:
Marxenhu e Chelsea em unissono: DAAAAAAAAAAAAAAAMN, SHOOOOOOOOOOORTY!

Steve morre no fim.
Chelsea: tá tudo errado. Por que só morre gente quente nos filmes? Quero dizer, lembra do 300? O cara mais gostoso morreu também. Como se não bastasse só ter gente feia no mundo, os shorties morrem, cara!

E vai ter festival de ska na sexta =) To animadeeeenhu. Vai ser super tezão =D Quem estiver interessado, entre em contato, pra eu besorgar o ingresso com um precinho negritude ;) Vai ter Dr. ring ding, king django, chris murray e regatta 69 ^.^

P.s.: "ich". Ok... du bist WITZIG, ey? sag einfach wer du bist, und lass uns interessante unterhaltungen anfangen, z. B. über Globaliesierung oder so.


Aaaaaaaahhhh! Pow, Dresden é um lugar do caramba, vai dizer? Fiquei pouco tempo lá, mas paguei um pau. É bem o tipo de coisa que tu pára e fala, se estiver com um carioca (ou só pra zoar meixmu) "Bróóderrrrr, tamoxxx muito na Europa". Estou bem idiota esses dias.

Então essa semana teve Projekttag na faculdade e a gente teve a idéia de apresentar tipo um teatro (que eu tava XUUUUUUUUUPER a fim de fazer, né, amiguenhoxx?) de merda lá. Acontece que o, no mínimo imbecil do ator principal, resolveu faltar por falta de tezão de apresentar a parada... então quem teve que ser o guri principal lá? ECZACTO, AMIGUEEEENHOS. E aí, ó, sem modestia nem nada, eu fiz o negócio bem pra caramba. hahaha Pow, o professor chegou assim depois e disse "Puxa, você já fez teatro? Foi MUITO bom mesmo". Gosto de ser idolatrado heuhuehueh

A noticia mais bombástica ever: tem uma guria, do primeiro período de psicologia, apaixonada por mim HAHAHA. Me divirto. Tipo, eu percebia que ela sempre parava do meu lado quando eu tava falando em português com um amigo meu (que chegou pra morar na Alemanha na mesma época em que eu cheguei!) e sei lá, ela me seguia pelos corredores e coisas assim. Aí hoje, ela finalmente tomou coragem e me disse "hallo" HAHAHA. Aí eu respondi, óbvio, pra mostrar a elegância dos nórdicos brasileiros, e as meninas da minha classe perguntaram: "guri, você conhece?". Aí, eu disse que não. Aí a Nina, uma guria bem chica, coisa e tal, falou "Huuuuuuuuuum, é paixão." Tudo se esclareceu. Andrey, declaro em meio público que vou te largar e construir minha vida com a pirralha. Se bem que eu acho que devo virar freira (ou melhor, padre) antes disso.
Ai, bróder, acho que ela não levou em consideração que eu sou um mano do gueto super negritude que só pensa em levar a vida passeando pela quebrada ao som de um funk da comunidade, né? Mas não posso ser antipático, apesar desse meu bom-humor-afro-descendente, meow! Eu sou muito sóciopata. Fora que estudantes de psicologia deveriam ser todos como a Cássia e tramar aniquilações em massa junto comigo.

Aliás, teve tempestade lá, né? Achei muito tezão hahahaha. Nunca vi uma parada tão violenta e talz. Falou no noticiário que tava com pressão de orkan umas horas ae. Hum, tava até imaginando a catástrofe toda, manja?!

Tengo que irme. Escrever uma xuuuuuuuuuuper dissertacäo a respeito de universitários que tem que jobben. E eu achando que teria que sofrer com essa parada só no terceiro ano... minha prof. é muito gente fina, mas às vezes ela fica bem sem noção =P

Adieu, meine Loves (sou muito poliglota, meow)


Jucksch, Márcio.

Montag, 7. Juli 2008

texten har namnet ändrats


Vocês sabem como é dividir um táxi, numa viagem rápida, com alguém que já foi muito da sua vida e agora não é nada? Como se fossem completos estranhos, vocês não querem se ouvir e não querem falar. Você olha para o outro alguém como se tentasse reconhecer alguma coisa e nada. Nada acontece, poucas semelhanças com o passado, porque ninguém mais está mergulhado na mesma ilusão.

É triste, tão triste. E só. Tem vários porquês, mas não consigo falar deles da forma apropriada. Só incomoda lá no fundo e toda vez que você encontrar com ele, algo vai despertar. Não estou falando de intensidade, apenas de existência. Você sempre vai lembrar que algo esteve ali e nunca vai entender plenamente porque não está mais.

Aceitar as coisas não é conforto, não é solução. É apenas uma forma de lidar com os fatos. E quando sei que nunca aceitei aquilo? Ainda que o silêncio impere, não é o mesmo que aceitação. A compreensão é muito mais importante. Enquanto não compreender, não aceitarei. Me pergunto se ainda estou falando da mesma coisa que no princípio do texto...

Já faz quase 1 ano e eu ainda lembro de como machucou. E ainda não sarou. Nada fica mais fácil só porque o tempo passa. O conforto não vem com o passar dos meses. Quem ensina são essas situações inusitadas e desconfortáveis.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 5. Juli 2008

Slukade allt


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-x. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unha, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto, mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde, irrefletidamente, eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
P.s.: João Cabral de Melo Neto sabia das coisas, né, bróder?!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 3. Juli 2008

rökning


Olhava pela janela do prédio e repetia consigo o aviso que estava ao lado: proibido fumar. proibido fumar. Chegou até a musicalo, quase num ritmo de samba, perto de um gingado quente: prooibiido fumarrr, proibiiido fumar... todas aquelas informações sempre requisitando ser assimiladas o mais rápido possível e só conseguia captar as nuances, os lances mais efusivos das palavras, aqueles que tocam. Os que descortinam a imagem e o excluem.
Nessa manhã, havia acordado com sono - como todos os outros dias da sua vida. Preguiça é mais do que incapacidade ou defeito: é característica. Há momentos em que a retórica é simplesmente o complemento da individualidade que se permite enxergar.
Aquele sol lá fora, não sabia ao certo se realmente havia o sol de todos, entretanto, todos os poréns levavam a crêr que aquela luz, aquele mínimo feixe de luz que vinha pela fresta da cortina era fruto do grande sol dissecador de ventres. Ao sair, viu-se certo. Para afligir os desapegados, um vento. A firmeza do nascente que se exala pelas flores e distancia-se em fascinação que nada mais é do que o último suspiro do distanciamento.
No escritório, a vontade. Fumar era tão necessário quanto absorver: inala-exala-inala-exala. Quando tragava fundo, como num último apego pelo material, sentia um desconforto e simulava um segundo de náusea. Não sai nada além de fumaça. E parou diante daquela janela ensebado pelo aviso que havia desrespeitado há poucos minutos atrás. O sol já se punha e os dedos estavam pregados na beira da janela. Não equilibrava-se para viver, mas para sobreviver em liberdade.
Desceu as escadas e, ao chegar em casa, colou o cartaz que havia arrancado: proibido fumar. Só para ajeitar-se no cômodo, contemplar aquele limite e admirar o desrespeito que é a aflição do contente perseguido pelos enxames da vitória. Antes de dormir, fumou uma carteira de cigarros, mas não há janelas quando se está permeando dentro do seu próprio espaço e as portas estão todas trancadas a chave. A era do futuro está trancafiada dentro do sorriso próximo da palma da mão, o paraíso dentro do que achava que não, e onde está o chão é céu sem razão inutilmente discursado pelo entrevistado Deus que simula uma pandorga ao vento, só que sem linha.


Jucksch, Márcio.

I mitt huvud är följande

(...) Tenho a impressão de que nunca mais encontrarei a moça que me roubou. Aliás, era uma velha. Uma jovem breve velha. As pessoas demoram a entender que não tenho todo o tempo do mundo. E Ele gira por debaixo das minhas pálpebras.


É assim que se voa?
Eumeupróprioalimento
E finalmente o ser humano voou
Uet ue
Eu teu


"Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto ". Girassóis de verdade.
A salinha do alistamento militar é uma coisa terrível. Sinto-me até bem tendo meu pai ao lado. Bilac é o patrono. Me olha fundo e parnasiano. Bilac não tem nada a ver com aquelas mulheres de voz de ganso que lá trabalham. São descontentes. E repetem: Venha tal dia, tal hora fazer o juramento a bandeira. Não pode usar bermuda nem camisa regata. Oras! Juramento. Jurarei com figa. Acho ri-dí-cu-lo. Nunca farei nada por essa tal bandeira. Sabe, época individualista essa. Pátria é passado. Pátria é coisa para alemão.



Jucksch, Márcio.

Särskilda

Voces não são de nada. São uma merda, de cor inferior, de sofrimento retraído, de cor amarelada e de perdão passageiro.
E por aí...

Eu: não digo nada.
Tu: me tira o sono.

A borboleta no frasco: guardando promessas.
Os alfinetes: alfinetando algodões.

E o retrato: good old times.
E o olhar mais próximo e escuro: I haven't got anything better to do.

E a pessoa sentada, sem rosto: eu estou tentando acender de novo, de novo.
E a pessoa de olhar distante, na janela: ele está assim, só que agora perdeu o corte da franja.

E o desenho no papel: eu tenho medo de gente.
E a sombra: quem falou de primavera sem ter visto teu sorriso, falou sem saber o que era.


Jucksch, Márcio.

En pojke


Um menino meio seco e azedo esperava por alguém. Ele, que odiava esperar, pois dizia que já tinha sido muito devagar e agora tinha pressa, sentava-se todos os dias no mesmo lugar do banco – num canto a esquerda, na extremidade mais distante, quase caindo. Esse garoto, que nas outras vezes que passara por esse banco, olhava sua integridade física sem esperanças de um dia sentar-se ali, por não ter por quem esperar, agora sente-se exausto.
Ele encontra-se ali justamente no horário mais aflito da cidade. Tem o inverso do ritmo em seus olhos quase estagnados. Seu olho parece desfocado do mundo em que pisa, mas tem em seus ouvidos a música romântica e triste de quem amou em demasia sem saber que não era amado.
O som que vinha do walk-man era justamente o que o impedia e revelava as coisas do mundo. Para ele todas as pessoas pareciam mudas, pois ao falarem ele não as podia ouvir; apenas tentar ler em seus lábios algo de palavra. Entretanto, ele não o fazia. Era tímido e não achava palavra coisa interessante.
Ao passar das tardes ali esperando - os mistérios iam se repetindo - e apesar de não gostar de esperar, a rotina não o incomodava. Pois a vida era assim mesmo. Fora muito infeliz no passado irregular e novo a cada dia. Agora preferia o segredo das coisas banais e cotidianas. Nisso avista-se um pássaro.
O estrabismo não o deixava muito confiante em olhar as coisas do mundo, pois por mais que observasse, nada era muito verdadeiro. Porque olhar é um desejo de olhar.
O pássaro avistado pousou ao seu lado direito como um companheiro mudo que espera um pouco de felicidade. Bebeu daquela água da fonte e, rapidamente, como um espasmo, voou longe. O menino ficou espantado com tal velocidade.
Dia após dia, o pássaro, nos dias de sol que se faziam, ao lado daquele menino, vinha beber daquela água permanente. Não sei se era a água que sempre estaria na fonte ou as pessoas correndo ou o pássaro mudo que davam segurança ao garoto. Este permanecia ali, com aquele lábio contraído e seu jeito miúdo de ser.
Certa vez, num dia nublado em que os pássaros não tomam água, chegou quem o homem esperava – pois de tanto esperar, o garoto vira homem - ele quase caiu no chão ao se levantar para abraçar a razão do passar de seus dias. Desaprendera a usar as pernas.
Tinha a certeza de que seria tudo diferente daquele momento em diante. Pois era domingo e, nos domingos, a cidade era só de silêncio e pedras. Também era nublado e nos dias cinzas os pássaros desaparecem. E ele estaria sem os fones de ouvidos, já que agora tinha a quem ouvir.

Pareceu-lhe estranho a desrotina num primeiro momento, mas, estranho mesmo, era perceber que, as poucas pessoas que ali passavam, mexendo os lábios, realmente só mexiam sem emitir som algum. O som da água era ainda mais esquisito, pois dela havia sido feito o homem e a água-viva. E o pássaro em seu enigma dizia:

"bem-te-vi"


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 2. Juli 2008

(Im)pressões


Se eu continuar contigo...
A poeira comeria nossos dias, lenta. Vagarosamente se infiltraria por nossas narinas causando uma reação alérgica que não nos moveria, pois nesse tempo de amargura em que vivemos... tu nas trevas e eu vendo tudo cinza. Vamos ficar lentos feito estátuas. Estaremos duros e sérios de mãos dadas, plantados de enfeite em frente a um prédio público qualquer e serviremos de fundo para fotos turísticas.
Eu te avisei, como uma forma de me proteger, que nosso fim estava próximo. Essa maneira que encontramos de sobreviver era demais claustrofóbica, e egoísta. Esse modo que nos vestimos é estranho demais até para os nossos corpos.
Aquele dia que tu caiu no chão, em praça pública, foi o começo de tudo isso que agora vai chegando ao fim. É certo que eu te empurrei, mas foi tu quem disse (depois de eu ter fugido) que eu era irresponsável, falando do amor dos pais, dizendo que era mais forte que o seu e que nada nem ninguém poderia me amar da forma como eles me amavam. Falou de como eu deveria agir e disse para parar de negar as delicadezas e palavras bonitas de esperança que meus amigos sussurravam ao meu ouvido.
Todas as lembranças depois daquele junho são irreais. Inventei bons momentos contigo para não me arrepender de te amar e tu, cada vez mais dentro de si mesmo, me perguntando qual era o modo mais rápido e indolor de suicídio. Eu repetia que desde junho eu estava morto e não queria te levar comigo. Aqui do outro lado não há nada legal.
Copiasse a chave da tua casa para eu poder entrar quando quisesse. Mas por que tu te esquecias de trancar a porta? Lembro do velho abajour feito com coadores de café usados, que ficava ao lado da tua cama, impregnando aquele quarto com vestígios de todos os nossos dias juntos. O abajour é nosso único porta-retratos. Depois de transarmos, enquanto tu dormias, eu podia ver naquelas manchas nossos rostos, paisagens e até palavras. Como se fosse um labirinto de nós. Ainda antes de dormir eu tinha que me levantar para arrumar a casa, pois no outro dia eu voltaria para de novo arrumar a casa, querendo economizar meu tempo, namorar mais contigo.
Costurei teu velho casaco marrom e pus botões em todas as tuas camisas de cor suja que iam do rosa, passando pelo cinza até o verde caqui. Fiz questão de que tu usasses calça jeans, mas isso tudo foi antes da gente despirocar.
Tenho confusas lembranças do que foi feito com nosso passado. Queimamos as blusas e rasgamos as calças, e o que mais? Ah, jogamos pela janela as roupas de baixo e, para me divertir, eu tentava mirar na cabeça de alguém; e tu, tão instantâneo, jogou logo as malas pela janela.
Não existe perdão e nem desculpas para quem, como nós, deixou de acreditar na única palavra digna inventada pelo homem.
-Veja o lado bom das coisas, deita aqui do meu lado que eu vou te abraçar. E se é para tudo isso acontecer mesmo... deita aqui do meu lado. Não preciso de nada do que tu estás falando, agora vem cá. Vou te contar o que havia naquela mala que atirei pela janela.


"E isso realmente me marcou... agora adivinha porquê? Vai, tenta"

A som de: Cocoon (microwave, cliffhanger, june)


Jucksch, Márcio.