Samstag, 29. Januar 2011

Por conta

Eis que resolvi escrever a nossa história. Significa? Você há de saber.

J, M.

Sonntag, 23. Januar 2011

Conciliação

Mosquitos em volta da lâmpada clamando por piedade energética. Nós dois logo abaixo, no mesmo patamar. Talvez, sem voar, mas sempre com asas tortas pelo suicídio ultrapassado.

- O que foi?
- Minha cabeça está doendo.
- Venha comigo para fora.


Lá, encontramos os caracóis silênciosos arrastando-se na sua velocidade premeditada que dispensa um olhar e quando vê, já foi. Grilos cri-cri-cri. Num tom violino despachado na véspera. Aqui fora eu realmente me sentia melhor, sem vidros. Nossos pés estão descalços e tenho medo de pisar na vida diminuta que está em todo pó de terra. Um mistério meio absurdo, estou diferente. Não tem luz, só um monte de flor, mas vale, valida, valeu. Não sei se estive realmente fora, pois agora vejo que o vidro está embaçado.

- E onde estavam vocês?
- Nós só estávamos passeando, senhora.
- Pensamos que estávamos na hora.
- Está tentando me dizer.
- Sim, senhora. É claro.


Sempre temos de concordar com a madame casca do avesso. Sei que ela parece uma barata, isso é muito frágil apesar de todo o resistir. Nem ligamos de não contar para ela o que fizemos, desde que não tenhamos de trabalhar na cozinha com ela. Ela tem uns pés tão pequenos, nem sei como anda. Tá cheio de mosquito. Tá cheio ali também, nem sei para onde vamos nem sei o que fazer. Você sabe?

- Ela vai se desculpar?
- Só porque você é um juíz?
- O que significa isto?
- Você é um ianque.
- Mas eu não julgo ninguém.
- Claro que julga, você tem orelhas, olhos e um cérebro. Claro que julga.


Eu não gostaria de ter ouvido tudo isso. Não agora. Não hoje. Sempre sincero comigo, meu amigo. Ele devia se controlar um pouco mais, parece muito absurdo tudo isso, mas eu sei que ele não mente, jamais. Acho que ele está me julgando...

- Não devias ficar bravo comigo.
- Não é que estou bravo. Tenho ciúmes.
- Mas todos tem xales. Alguns até casacos! Porque terias ciúmes?


Novamente uma incontestável verdade. Muito frio aqui fora, muito escuro lá dentro. A casa está toda suja, o pó toma conta, a televisão está engraçada. Tão suja que, quando aparecem personagens nela, nem podemos indentifica-los, mas eles ainda falam. Umas vozes esganiçadas. Acho que é um programa de humor. Eu não rio. Queria sair daqui, não sei para onde, só queria.

- Não há nada para rir. Você vem?
- Eu te amo tanto. Nem posso entender o significado para você do fato do meu pai falar num menino que sempre me segue na escola, cuja mãe...
- Não quero ouvir dele! Não quero saber mais nada sobre ninguém que você algum dia conheceu. Bom, era isso que eu queria te dizer.
- Você não dorme há uma semana, estou preocupado com sua aparência. Não quer me contar?
- Talvez seja só por você estar se sentindo só. O natal está chegando e você longe da sua família. Quantos anos você tem?
- Não sei. Não vou embora.
- Não vai? O que vai dizer quando a estrada estiver terminada?
- Sempre posso encontrar alguma coisa.
- Aqui é diferente dos lugares onde você já esteve. Eles precisam conhecer você.
- Ouvi dizer que o mar é bonito.
- Não mais do que as planícies.
- Você já viu o mar?
- Não preciso, já vi as planícies.
- Você nunca vai saber quantos anos eu tenho, então. Estou com medo.
- De quê?
- Não sei.
- Você de nada sabe. Nem sabes quantos anos eu tenho! 33! 33!
- Essa não foi a coisa mais inteligente que ouvi.
- E eu sei que logo você vai seguir em frente, você se acostumou com o movimento.
- Idiota, eu vim para cá no inverno. Quando é frio, não há movimento, não existe nem razão. Eu não sabia que você era tão velho, eu tenho apenas poucos anos de vida, por isso eu corro tanto. De você, daquilo, das pessoas. Eu tenho medo até de me apaixonar, tenho medo dele, dela. Os dois juntos são um corpo que não podemos penetrar. Eu tenho medo de me conformar, você gostas de fazer sexo já. Daqui a pouco o céu vai desabar, o seu nariz está escorrendo gripe, olha a sua idade! Seu pêlo, sua coxa. Eu não sou daqui, eu não sou. É inverno, eu sou você, estou contigo, mas sou só desde que eu sei que sou . É inverno e eu vou continuar aqui, depois quero ver o mar e a planície.
- Você fala demais. Da planície é possível ver o mar. É inverno mesmo, até sinto frio, agora que você disse.
- Você tem uma cicatriz no olhos.
- É, eu sou cego.
- Então, vamos ver o mar.


J, M.

Donnerstag, 20. Januar 2011

Nuances

Era um festa, um brinde à nova vida que aparecia dentre as vulcanizações proletárias de uma realidade pobre em desejos. Celebração de corações vazios que se doam numa entrega arrepiada de inocências bem-cuidadas. As vozes caminhavam rumo ao recém nascido. O que surgia era uma mistura. De tudo que existe e do que ainda haveria de surgir. É um monstro de conhecimento.
Os olhos nem precisam enxergar quando se tem o complemento de uma felicidade assolando todos num mesmo tempo, num mesmo resíduo de ilusão. O tilintar da espera assume formas bestiais, luzes, câmera, ação! Os clichês necessários também estão presentes, pois nem tudo que é bom é feito de bondade.
A possíbilidade daquilo ser premetitado era impossível. Apenas um sabia. O que que relata, aquele que se joga do abismo no compromisso da mensagem. A ponte ligação dos destinos era reforçada pelo sorrisso falso da nomeação. Deveria o algo ser nomeado?
Optaram pelo não, pois é sempre mais fácil negar-se ao mundo que está a sua volta, ao menos assim existe a história que é recontada por milhares de corpos: a história da impossibilidade da paz.
Num grito interminável, os presentes começam a aparecer. Acasalamentos geram novos frutos estéreis. Maldições recaem sobre quem os fazia. O que era fato, agora se desenrola em membro fátuo. O comércio de bijuterias sempre muito bem pago é relíquia nesse mundo de desdém.
A animação é feita de indiferença mútua. O que consola a todos numa frustração menina. Os cacos da noite que transbordava luzes por todos os cantos já começava a ser recolhido. A besta seguia seu ritmo, numa aniquilação prazerosa, todo fim é bem-vindo quando o começo foi bem realizado. Costumavam dizer as coisas que faziam, agora dizem o que vão fazer. O monstro não liga para o que ocorre, o ocorrido é ele. Segue, estilhaçando os tetos de vidro dos desprotegidos. A contaminação está realizada e cada momento do seu ler é agora ilusão de um ser que te carrega nos ombros por pena do tamanho da sua caminhada. Caminhemos unidos da feiúra do nosso esplendor, correndo com o fluxo migratório de andorinhas pardas. Nosso trajeto é desconhecido, mas nossa trajetória está agora em nosso peito de onde brota um novo feixe de luz que acalenta os dedos carregados pela besta do saber.

J, M.

Mittwoch, 19. Januar 2011

Em tudo

Vazou feijão dentro da minha mochila. Feijão no carregador de celular. Feijão nos óculos escuros. Feijão nas anotações. Feijão na minha vida.

J, M.

Montag, 17. Januar 2011

Mancha

Eclipse lunar. Fantasia do mistério na junção dos corpos contentes no quente-frio sem compromisso, atrás de uma idéa em teia que repassa na cadeia do pensamento. Unção dos enfermos que transmitem a translucidade em forma de touro no labirinto da paixão. Paixão-sexo em expectativa de espera no pensar do dilúvio monocromático vermelho que bomba o suco dos hormônios na porra do pau em pomba.
No assassinato da trangressão a morte é incerta, contente e gata ronronante do podre em garras fortes de unha. Sombra no opaco, com o dedo no nariz retira a impureza do respirar nicotina e no ventre habita o anticristo em forma de útero arredio. Sem separação no até do dia raiar. Até da noite em talvez e quem sabe no você da fantasia sem saudade. O de repente não mais sabe que o para dentro pretende seguir fingindo, seguir seguindo. Obscura poesia do ir. Com mais você sem menos de tu, querendo pendência da balança leve em pluma. Deitados no ninho do tapete em roda fulgurante. Bolero te quero em capim de bem-te-vi perto um do outro. Outronum. Verde vê o capim do pio do bem-te-vi no cerrado em pássaro sobrevoa a cascavel arredia no instinto agarrar. As mãos escorrem na flor do espeto trazido na nuca. Irmã no salto de rã que pula em sentido único acasalando-se com o coaxar dos entregues. Acaba em sopro onde a proximadade é deserta, irmão-irmã de couro unido nas mãos desgarradas do melequento jantar. Bocas abertas no espaço dos dentes. Áurea formigada no grito da tua pleura, as escapadas furtivas do toureiro em meio em minotauro. Chifres ar. Agarram-se no grito do rosto canção e vão à caminho do lunar-solático dos seus corpos eclipsados no embaraço do ver.

J, M.

Samstag, 15. Januar 2011

Resguardo

Você verá os primeiros quando o som da música que alimenta o monstro de dentes carniceiros vier falar contigo. Estou fadado a te contar essa história para todo o sempre. Uma rainha das águas que busca a águia da salvação imaginária. Ela necessita da sua ajuda, é indefesa e sem coragem mesmo possuindo o poder. Ruivacidade de olhos extremos que anda sobre a grama ainda orvalhada. O senhor da justiça precisa ser invocado. Você irá reconhecê-lo pela sua feiúra. De tão terrível ele mantém as coisas em ordem pelo medo do não-existir.
O músculo que se desenvolve apenas de um lado é forte e controlador, ainda que não o saiba. Na sua direita estraditada as aplicações de endorfina regeneram toda uma pesquisa inscrita no poder das estrelas agudas. O pacífico mestre aguarda, sabendo que o poderio reside na paz. Da amófica curandeira de cabelos brancos escorrem as palavras que serão passadas em forma de semente brotando o equilíbrio.
No agradecimento pala salvação ela cai nas garras do monstro novamente, na certeza do teu salvar. Os olhos encerram a noite dos astros alinhados.
O desjejum foi realizado e o movimento do teu astro sonhador guia a humanidade perdida. Creio que irás ouvir uma negativa muito forte, mas jamais te entregas pois a única verdade é aquela que te faz sentir bem.
No jardim das costas espinhentas o dono do mundo repousa sobre o choro da eternidade. Ajude-o, num conselho de profetas já citados e reviva a palavra fogo que arde no lago da inspiração.
Assim, no presente momento das icterícias abertas diga as formas da salvação e serás levado para o paraíso do morto sem nome. Residindo lá até que a sua benção torne-se sagrada e o teu humano renasça na forma de agulha que sai do dentro para o fora . Sem divindades, apenas na crença.

J, M.

Donnerstag, 13. Januar 2011

Terminal de continuidade

Num descaso meticuloso pelo tempo da linha torta a visão se embaralha pelo não importar das mentiras que se esvaem quando a porta se fecha. Não entra, não sai. A lilás invenção do salvamento me aflige, não serei convencido do medo, do tarde, do erro. Aqui por de trás das minhas paredes existe apenas o meu infinito particular de desastrosos abismos calados que vivem ao lado direito do meu peito. Queda de avião, fim de festa. Não existe morte, pois esse fim só é cabível aos que socialmente se jogam no mundo. Sem saudade não há.
O carregador do celular ao lado do bidê da cama de onde não me levanto faz horas (anos? meses ?), aumenta o poderio de energias no recinto. Assim que o dia ascendeu do outro lado do mundo eu me reencostei no travesseiro novamente, longe do ti parado, perto do esquecimento. Embaixo da cama residem meus aflitos-fritos. Complementos rídiculos de um deserto onde estou rolando na areia da vida que reside cada grão do meu corpo calorento. Nada para no meu semblante de amor, um oceano de idéias apagadas pelos sóis que estão na minha lua decadente. Tudo em exagero, tudo em demasia. Algo provoca asia rimada, demência, doença. Tic-tac. Tuc. O som do tempo que perpassa nas minhas veias acorrentando-me ao pé que desliza sobre os lençóis. Levanto no aqui e agora, e digo: nada do que for eu será teu, pois o nosso prazer foi escondido na ala das tuas asas que voaram sem minha autorização.
Dedos aflitos e rígidos são o único sinal de certeza por perto. Gelado no parar eu volto a dormir lembrando do carinho amanhecido do outro lado do poente. Não há mais nada sobre o que dizer nem quero mais rezar. Presumo estar salvo nos braços do finito ambiente acalentador de seres, sumo na palavra não dita e nos lençóis que ainda estão brancos apesar do sangramento.


J, M.

Mittwoch, 12. Januar 2011

Jardináceo

Elas residiam aqui, ao meu lado, naquele jardim imenso e descuidado. Enormes, majestosas confusas. Rosas. Alheias ao meu pensamento eu tinha a certeza da sua vivência. O perfume clichê exalado por elas fixava-se em minhas mãos. O poente dos seus acúleos residiam fixos e paralelos ao meu peito. De folhas verdes como deve ser eu me alegrava na noite escura e rosa.
Cada uma com sua peculiaridade, toda ela com sua dor. Caminhando na terra seca onde suas raízes residem a sete palmos de distância dos meus pés suculentos. Vez ou outra eu era ferido, algo que não machuca quando você está encantado, a dor esconde um algo de prazer no íntimo.
Tentavam comunicar-se com a ajuda do vento, tinha a impressão de que a qualquer minuto eu seria expulso dalí num jato de coloração indefinida, não fui. Deixaram-me na impressão e conquistavam-me com seu balanço. As sépalas rijas que ostentavam o pseudo-fruto florido jaziam no caule das incertezas duras. O destino delas era me servir de alimento.
Uma a uma eu fui cortando, num pudor ressecado pelos anos de solidão. Em luz do dia que começava a brilhar eu podia observar o término/realização do serviço que me fora predestinado ao nascer.
Um apanhador de rosas num campo de ervas-daninhas.
Amontoadas num canto da peripécia do meu lazer, elas mordiam seus lábios de compressão na vagina do polén. As mais pequeninas tentavam abrir-se para me entregar o resto de vida que jazia nos seus furúnculos de grito contido.
As mais venenosas se derramavam no chão para eu nunca mais poder encontrar. Todas as roseiras continuavam ali, sem colorido. O verde era parte da minha nova cútis e minha cabeça inchava em detritos de pétala. Nos meus pés as raízes traídoras que haviam deixado serem arrancadas me enlaçavam. Agora, os espinhos me amedrontavam, eu não tinha proteção, tranformara-me na rosa dentro da rosa. E lá no jardim eu era o único amaldiçoado. Florescendo eternamente no meio do vazio. Sem um admirador ou nem mesmo jardineiro que pudesse apaziguar a menina que existe dentro da mais bela flor do ego. O eu.


J, M.

Dienstag, 11. Januar 2011

Alcance

Meio que comentei... e obrigado por interferir no meu aprendizado com essa imagem misteriosa revelada a pouco.
Isso lembra uma poesia de um autor muito ruim. O ruim nao tem a ver com o seu texto, só o fato da natureza nos sequestrar... ou melhor... nos resgatar do humano demais.


"Agora, explícitas, as plantas fazem do meu corpo seus campos
e regam meus poros com seu choro de lótus,
abraçam meu pescoço com raízes e suplicam, aos prantos,
que um dia eu seja natural como elas, gotas de gozos.

A terra, em um gesto descarado, povoa e invade as correntes
sanguíneas através das unhas espaçadas com resquícios
da fauna que inebriam as raízes que já dominam, ó serpentes
da natureza e suas garras: espécies de deliciosos suplícios.

E, com a água das matas invadindo meus olhos, como quem compensa,
todas as lágrimas das nuvens de ódio no céu do meu pensamento,
construam lagos e oceanos imensos. A alma é um infinito relampeio!

Ora, pureza, tu és os troncos infestados de vida; as flores de menta,
os sabores da língua do vento que prova os adornos sangrentos
e incita, provoca a tormenta na alma; erupções seguidas de um beijo!".


J, M.

Montag, 10. Januar 2011

Efeito placebo

Flores petrificando o meu estado eufórico. Comendo pétalas com mel de abelha morta. Sob meus pés o verde chora e abraça meus dedos frios. Na alma, grita poesia inconteste. A ponta do dedo dormente contra os gritos loucos do âmago púrpura. Rosas, lírios, margaridas, giraluas. Colho e entrego no revelar dos cérebros. Boneca com aids. Flor sem espinho.


J, M.

Sonntag, 9. Januar 2011

Julietos de amor


Chá de melissas ressecadas ao sol sebastiano de uma quinta-feira vazia, como todas as outras de todo mundo. Há muito de poesia em tudo quando não se sabe a definição de algo. Escrever liberta de maneira que a sua prisão é abstrair e, num fluxo descontínuo, os exercícios transformam-se em prática de uma obra de arte manuscrita, que não liga para padrões ou concessões.
Não existe controle, todos vivem num sarcasmo a esmo do sol escaldante, das areias terrenas do meu coração eternamente inebriado pelo sorrisso jacarelado de Camila (a minha pequena e eterna pastora vestida de branco, cheirando a rosas extintas).
E era de Camila que gostava Alberto e Alberto que Camila amava. Cambaleantes despertos em meio a escuridão fogosa das noites atrevidas naquela cidade gelada e mesmo assim regada pelas bebidas refrescantes dos trópicos. As juras de amor tontas como baratas ao se defrontarem com a comida, receoassas sabem sempre haver um perigo, mesmo assim atacam o alimento como se aquele pudesse ser seu último regaço de vida. E realmente é, pois cada momento é único e a tentação de cada comida é diferente .
De dinherio não sabiam nada, nem o tinham para querer saber... Tinham era um cão, sem nome; aliás, todos nessa cidade têm um cão, é como um guarda, é uma lua, é um maçã em forma de câmera secreta que filma cada momento com polpa e semente ao léu ficando preta com a passagem dos dias até o apodrecimento consumir-se em inexistência.
Não olhavam para trás, não havia motivos para isso. As mãos enroscadas na certeza de quem faz a coisa certa. Eles seguiam o fluxo de que eram obrigados a aceitar para poderem julgar-se fiéis. E nisso eles andam e desandam naquele amor apelativo de gente mesquinha, que logo tem filho, depois trabalha, sustenta, cresce , olha o neto pedindo colo e a vida se foi sem mesmo ter existido. Sabiam que todo seu futuro iria ser assim, até eu sabia. São coisas que todos sabem, porque as coisas conversam coisas entre si e nós as consideramos estranhas, já que não possuímos a capacidade muito menos a vontade de ouvir.
Lá, segue o casal casado. Rumo ao destino onipresente de cada sensação humana que lubrifica a passagem neste mundo sobrepujado de realidade, deformando as costas e massageando os pés com porretes de ódio e no escalda-pés do amor a paciência aflora.
Lá se iam, viam, riam. Cotovias afoitas de formas desertas que tentam controlar-se, mas para que controlar algo que é tão inconsciente e nos faz delirar em suspiros eternos por vários minutos? A satisfação brejeira do amor total. A multidão nem percebe de tão discreta a forma desse sentimento, nascido, floresce e seus frutos vão autosemear-se mais e mais, sempre mais. Demais. De tanto que há, perde a essência. E nessa vai o nosso casal amante que já perdeu faz tempo a inocência.


J, M.

Samstag, 8. Januar 2011

O possuir

“Certo dia acordei numa empolgação, decidí escrever um livro, algo completo. Sim, com capítulos, temas inspirados em Clarice. Desisti logo no primeiro dia. Aí, está tudo que escrevi sobre o tal romance ou sobre o que ia ser um romance, um algo que fala sobre si mesmo, com vida própria e que vida mágica”


A interpérie bárbara do segredo é tudo que possuo. De uma grande montanha vejo todos vocês e digo no intuito de explorar, tentando chegar à uma forma sem fôrma e de luz envolvente, mesmo sem possuir qualquer resquício de energia. Não mais.
Até a minha negritude planar, não cessarei. Tenho ainda muito crédito para jogar, basta achar quem aceite o desafio. Brumas etéreas repousam sob a casa de telhado pontiagudo, plantas ornam a entrada para que ao entrarmos nela possamos ser envolvidos pela forma que tudo reveste na tentativa do conteúdo.
A estética é das mais barrocas, o anjo é o mais hermafrodita. Sussuro aos seus ouvidos o nome-que-não-deve-ser-nomeado. Ele arrepia, arrepio. Numa beleza infernal apunhaladora (tudo sempre continuará belo, isso dói).
Podes falar de satisfação e ainda assim vais enxergar os olhos do mistério cada vez mais próximos. Os tremores da tentativa pingam sob minha testa e os dedos cansados atestam minha idade avançada.
Do ventre imaginário (imaginação?) brotam dizeres proféticos do algo perto do fim, deve ser o parto. Esquecendo regras, sigo na tentativa da demonstração. A regra é indiscutível e repousa sobre nossas faces. Tentam quebrá-la, redimi-la. Ela continua, pois essa é a regra da regra; como a rosa dentro da rosa, comandante espinhenta das dores. Num gosto basílico as asas ouviam a frustração do estranhamento.
Velocidade dos corpos variável para que possamos nos encaixar. Nem o direito de sermos únicos nós temos. A perfeição, nosso modelo de vida existe e situa-se sempre do lado de fora. Enquanto isso nos perdemos em nosso labirinto, fugindo do minotauro, do eu.
Os traços dessas palavras sempre são retas por mais tortuosas que pareçam ser, pois se não fosse assim, como poderiam elas atravessar meu peito com tanta precisão?
Como língua de mariposa à procura de néctar, colocando seus ovos lagarta pelas esquinas, sem conseguir absorver o que diz, apenas sabe que acontece. Continuo sentado no verde com o grilo símbolo da esperança ao meu lado anunciador do verão.
Abaixo de tudo existe a terra vermelha, ressecada pela própria cor. Os pardais fazendo seus ninhos em meu ouvido com os restos de vida frutífera. Morros, colinas, ladeiras. Passagens difíceis de serem atravessadas, desafiam as pernas e perco o equilíbrio estilhaçando a taça diamantada que era promessa de vida, agora não é mais do que caco de ilusões.
São águas do dilúvio, são sapos e rãs. Distante a cidade luzidia com seus crimes banais comparados com o assassinato da trangressão que ocorre nos habitantes da sensibilidade. Esponjas amareladas de tanto se esconderem absorvem sem divisão todas as possibilidades de sonho.
Vejo cada vez mais a febre da minha maçã encefálica quando observo a tua certeza perante o balde de emoções esbanjadas pela arte.
Espetacular o receptáculo de investigações corpóreas que realizo com teu sexo brincalhão. Os morangos mofados quase no apodrecimento geram discórdia e continuo aqui, na descoragem de mexer no estragado. Planta de folhas enormes que de tanta sombra estrangula-se matando tudo à sua volta, afinando seu caule, enforcando suas raízes. Tudo, na chance de fazer uma fotossíntesse infinita, prosssigo. Em forma de cloaca manipuladora de sonhos, descrevo. Na hora do tocar, tento. Se nada ocorrer, continuo.


J, M.

Freitag, 7. Januar 2011

Tratamento da inocência

Um tipo de terapia, é o que começo a fazer. Eu agora acordo todos os dias. Que horas? Não importa, tempo é apenas uma questão de cor. Eu começo chupando gelo. Algo que dói na boca e vai se alastrando pela garganta; às vezes, o sentido é inverso mas nunca agride, refresca. Derrete e vira parte da gente. Começa sólido e agora não é mais nada.


Depois eu dou uma volta e me entrego para as plantas. Faço sexo e carinho nelas. É diferente, é legal. As roseiras cuidam para não me ferir mais do que já estou. Com a urtiga já não existe esse cuidado, pois ela sabe que vai doer e avermelhar sem sangrar. A dor nós conseguimos suportar, desde que o algo que nos machuca fique dentro de nós.

Agora chega um período crítico: o de escrever. É mito difícil e prazeroso. Existem dias em que eu não aguento de tanta paixão para e pelo que escrevo. Em outros eu choro até desmanchar o escrito. Nem sei o motivo pelo qual esse método ainda está contido na terapia, ele é um vício camuflado em sensação e me trato justamente para não ter vícios (o que é impossível). Não gosto muito de comentar sobre o escrever, ele é incomentável, pode apenas ser lido e na releitura você pode até enxergar a loucura que é.

O almoço é belo, alivia. Eu como muito, tudo que absorvo vira parte de mim, por isso tomo cuidado e seleciono muito bem meus alimentos. Tento embelezar a comida para os olhos aumentarem o apetite e eu poder me entregar mais à fome. Isso é demorado e sei que ainda não sou capaz de ser perfeito nesse quesito. Perdoem-me, mesmo não fazendo de forma exímia eu continuo já que tenho fome.

A tarde eu reservara para conversar. Acabei desistindo porque, quando você não sabe com quem nem o que falar, é algo possível então de se fazer sozinho. Então esse é o momento do pensar. Quando penso demais, durmo. Acordo tarde demais e, às vezes, irritado. Os planos esvaíram-se todos por causa de uma tarefa que não traz nada a não ser perguntas. A hora do jantar passou, o dormir é trocado pela insônia, a caminhada vira angústia rolando pela cama.

Amanhã vai ter tudo isso e um pouco mais, com cores diferentes e sabores iguais. Existem raras ocasiões em que o gosto das tarefas muda e é nesses momentos que aproveito para ir no fundo do sentimento e o poço não tem fim, jamais, nunca. A terapia é constante e agradável para quem não sabe o método “correto” para se tratar e nem ao menos o que tratar, sem saber se é doente ou mais saudável do que os outros. Sigo então espalhando a receita do meu experimentar.

 
J, M.

Donnerstag, 6. Januar 2011

Do salto em salto

E sobre o seu salto corria no corredor das ilusões. Via extraterrestre na sua terra, variando de acordo com a intensidade do passo, não imaginava a loucura que estava fazendo na sua sociedade decadente. Fissurado por enigmas imcompreensíveis, acreditava que a crise ia passar sem saber que não havia crise nenhuma fora do seu exterior. Abaixo, cada vez mais para baixo ia de encontro com o chão, sem descer do salto. Tudo estava ficando estrangeiro, cheio de patrulheiros omissos que intervinham no controle da população.
Sobre pressão estava, cantando melodias inanimadas num ritmo fotográfico frenético, pirado e oscilante. Sendo puxado pela gravidade com as pessoas passando pela rua. É a terrível realidade que assume a forma de concorrente do destino. Fecha os olhos e cospe. Do resíduo saído de seu organismo, organismos procriam-se assumindo formas grotescas, dominando as paredes oleiras. Nem imaginava qual era a composição do planeta, mas haviam também pessoas cegas na rua que corriam rumo ao invisível.
Quando de repente a pressão estourou na forma de uma nova chance indivizível que foi agarrada sem dúvidas. Os namorados e as namoridas abraçavam-se como se aquele fosse o último instante de suas vidas - e era. Doenças predestindas para a humanidade recaiam todos. Sobre seu ser ainda mais, com a certeza incontestável de que aquele lugar iria sumir do mapa.
E na situação de um bêbado equilibrista seguia no caminho dos sonhos, sempre irrealizáveis mas existentes! Passou a hora de acordar, já caia a tarde feita de violão. Um luto envolvido nas sensações lunares pedia para cada estrela que brilhasse mais para o momento ser inesquecível. As manchas de tortura jaziam por todas as partes, de olhos tortos e reverências de cavalo treinado.
Uma volta, duas voltas e volta tudo ao "normal" (as aspas, nesse caso, não passam de um clichê poético). Uma dor dessas não é inútil, pois é sentida por todos inclusive pelos que não existem. Na linha bamba da predestinação as asas de borboleta bêbada ruflavam sem objetivo, a não ser o de manter-se no céu.
Babaquice. Tudo é uma tremenda inversão invetada para fugir da sua própria rosa espinhenta. Ele havia dado todo seu amor e em troca recebeu o tempo. Tempo de dizer adeus, pois a reviravolta é constante e vai do início até o fim sem pensar no seu bebê. Você pode até trazer a esperança, mas as palavras já estão perdidas num espaço tridimensional.
E todas as coisas existentes conversavam entre si coisas surpreendentes, lembrando o que havia sido dito ao invés de ser feito. As crianças continuavam a brincar escondidas da tecnologia. Os lobos caçavam em pares obtusos de seis em seis, e as pressas não paravam de diminuir no número de seis. Tudo se movia na forma de cabeça pensante e nessa noite que nunca aconteceria novamente - uma coisa inacreditável ocorre somente uma vez, o resto é repetição tranformada em modo diferente.
Os batimentos cardíacos desaceleraram, a hora está próxima do minuto. Do lado existe um ser alado que nunca irá falar de liberdade. Outro ser estranho vem dizer que todos os poços são profundos demais para uma volta. O bom volta em forma de samaritano excluso da sociedade, a medicina avança também para o bem mesmo tendo de fazer o mal. Você irá voltar e eu continuarei fluindo em forma de espirro esvoaçante rumo as estrelas inaudíves do seu sol apagado. Sempre.


J, M.