Donnerstag, 20. Januar 2011

Nuances

Era um festa, um brinde à nova vida que aparecia dentre as vulcanizações proletárias de uma realidade pobre em desejos. Celebração de corações vazios que se doam numa entrega arrepiada de inocências bem-cuidadas. As vozes caminhavam rumo ao recém nascido. O que surgia era uma mistura. De tudo que existe e do que ainda haveria de surgir. É um monstro de conhecimento.
Os olhos nem precisam enxergar quando se tem o complemento de uma felicidade assolando todos num mesmo tempo, num mesmo resíduo de ilusão. O tilintar da espera assume formas bestiais, luzes, câmera, ação! Os clichês necessários também estão presentes, pois nem tudo que é bom é feito de bondade.
A possíbilidade daquilo ser premetitado era impossível. Apenas um sabia. O que que relata, aquele que se joga do abismo no compromisso da mensagem. A ponte ligação dos destinos era reforçada pelo sorrisso falso da nomeação. Deveria o algo ser nomeado?
Optaram pelo não, pois é sempre mais fácil negar-se ao mundo que está a sua volta, ao menos assim existe a história que é recontada por milhares de corpos: a história da impossibilidade da paz.
Num grito interminável, os presentes começam a aparecer. Acasalamentos geram novos frutos estéreis. Maldições recaem sobre quem os fazia. O que era fato, agora se desenrola em membro fátuo. O comércio de bijuterias sempre muito bem pago é relíquia nesse mundo de desdém.
A animação é feita de indiferença mútua. O que consola a todos numa frustração menina. Os cacos da noite que transbordava luzes por todos os cantos já começava a ser recolhido. A besta seguia seu ritmo, numa aniquilação prazerosa, todo fim é bem-vindo quando o começo foi bem realizado. Costumavam dizer as coisas que faziam, agora dizem o que vão fazer. O monstro não liga para o que ocorre, o ocorrido é ele. Segue, estilhaçando os tetos de vidro dos desprotegidos. A contaminação está realizada e cada momento do seu ler é agora ilusão de um ser que te carrega nos ombros por pena do tamanho da sua caminhada. Caminhemos unidos da feiúra do nosso esplendor, correndo com o fluxo migratório de andorinhas pardas. Nosso trajeto é desconhecido, mas nossa trajetória está agora em nosso peito de onde brota um novo feixe de luz que acalenta os dedos carregados pela besta do saber.

J, M.

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