Freitag, 7. Januar 2011

Tratamento da inocência

Um tipo de terapia, é o que começo a fazer. Eu agora acordo todos os dias. Que horas? Não importa, tempo é apenas uma questão de cor. Eu começo chupando gelo. Algo que dói na boca e vai se alastrando pela garganta; às vezes, o sentido é inverso mas nunca agride, refresca. Derrete e vira parte da gente. Começa sólido e agora não é mais nada.


Depois eu dou uma volta e me entrego para as plantas. Faço sexo e carinho nelas. É diferente, é legal. As roseiras cuidam para não me ferir mais do que já estou. Com a urtiga já não existe esse cuidado, pois ela sabe que vai doer e avermelhar sem sangrar. A dor nós conseguimos suportar, desde que o algo que nos machuca fique dentro de nós.

Agora chega um período crítico: o de escrever. É mito difícil e prazeroso. Existem dias em que eu não aguento de tanta paixão para e pelo que escrevo. Em outros eu choro até desmanchar o escrito. Nem sei o motivo pelo qual esse método ainda está contido na terapia, ele é um vício camuflado em sensação e me trato justamente para não ter vícios (o que é impossível). Não gosto muito de comentar sobre o escrever, ele é incomentável, pode apenas ser lido e na releitura você pode até enxergar a loucura que é.

O almoço é belo, alivia. Eu como muito, tudo que absorvo vira parte de mim, por isso tomo cuidado e seleciono muito bem meus alimentos. Tento embelezar a comida para os olhos aumentarem o apetite e eu poder me entregar mais à fome. Isso é demorado e sei que ainda não sou capaz de ser perfeito nesse quesito. Perdoem-me, mesmo não fazendo de forma exímia eu continuo já que tenho fome.

A tarde eu reservara para conversar. Acabei desistindo porque, quando você não sabe com quem nem o que falar, é algo possível então de se fazer sozinho. Então esse é o momento do pensar. Quando penso demais, durmo. Acordo tarde demais e, às vezes, irritado. Os planos esvaíram-se todos por causa de uma tarefa que não traz nada a não ser perguntas. A hora do jantar passou, o dormir é trocado pela insônia, a caminhada vira angústia rolando pela cama.

Amanhã vai ter tudo isso e um pouco mais, com cores diferentes e sabores iguais. Existem raras ocasiões em que o gosto das tarefas muda e é nesses momentos que aproveito para ir no fundo do sentimento e o poço não tem fim, jamais, nunca. A terapia é constante e agradável para quem não sabe o método “correto” para se tratar e nem ao menos o que tratar, sem saber se é doente ou mais saudável do que os outros. Sigo então espalhando a receita do meu experimentar.

 
J, M.

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