Samstag, 29. September 2007

É que tanta gente


E a gente sempre diz que quer sempre o melhor, que faz tudo por amor, que a vida é o nosso maior presente, que família é tudo... Ah! Tinha um tempo que eu até repetia todo esse discurso esfarrapado de reunião familar. Mas é que hoje eu acordei um pouco cansado, com vontade de procurar algo que, penso eu, ter esquecido em cima da mesa; acordei com vontade de uma faxina "daquelas" no quarto, de riscar meu nome na parede. Liguei convidando meus sobrinhos a virem passar o final de semana jogando video-game, eles adoraram. A bateria do celular estragou, minhas roupas estão a ser passadas, meus tênis no varal. No varal? Por quê não atrás da geladeira? Ah, menino, você continua com manias de grandeza. Só te digo uma coisa: quem bela cama se faz, nela se deita. Você sempre querendo as coisas da "moda quatro estações", mas você não pode. Ei, chega desse assunto! Já passou o tempo em que eu dependia de voces, pobres de mentalidade e espírito. É, nós só aprendemos com os tapas da vida. Te digo somente outra coisa, guri: o milho pipoca, mas quem leva o fogo é a panela. Ora, francamente! Desde que me entendo por gente, nesta cidade, esse papo não funciona, minha cara. Paciência, vó, você está repetindo aquela velha história "você saiu do interior, mas o interior continuou em você; deixo claro que, o que começou em voces, acaba em voces!
Ô, guri pouquista e apresentado, nunca escuta os mais vividos! Mas ainda acredito nas suas vontades.
-Sua benção, vó.
-Vá com Deus, meu filho!

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 27. September 2007

Sobre?


Eu?
-Carente de provas e declarações de amor, mas feliz com mais limites de crédito.
O que me convém?
-Talvez atitudes de grau tendencioso.
O que eu estava a fazer?
-Um prato com: uma saladinha de confusões, temperinho de fofoca das 11:00h, três colheres de desejo semi-contidos, 2 colheres de sopa de austeridade para momentos simples, 3 copos e meio de parcimônia sexual. Dieta mista de humanidade.
Qual a roupa de hoje?
-Acho que aquela em que eu uso em quase todos os momentos felizes. Uns diziam que eu pareceria, depois de alguns anos, um pouco cafona; na verdade, eu me sentia bem trajando o que, futuramente, determinaria um suposto "tempo".
O que eu escrevi hoje às 14:14h?
-Palavras de gente de comportamento e ideais de meia-idade. Me preparo para os fins; eles justificam os meios. Ou talvez os meios que me atribuo justificarão meu fim.
O que penso sobre sociedade e família?
-Ah! Eles sempre confrotam minha juventude... no fundo digo que é inveja.
Se eu durmi bem?
-Não sei. Não está sob minha jurisdição o momento de inércia e quase morte.
O que eu estava a pensar?
-Que o mundo (no pensamento de um cretino como eu) deveria ser um pouco melhor; as pessoas deveriam me notar, me amar, me presentear. Eu mereço me sentir vivo e desejado.
Para onde eu vou?
Não sei, meu ônibus ta atrasado; na pressa, posso pegar aquele que não é habitual e parar uma quadra antes ou depois daquela que me presentearia com um dia completamente maravilhoso e sem reclamações no final ou, simplesmente, salvou minha vida de um atentado, haha. Tu sabes que sempre pensamos besteiras nesses momentos que estamos sozinhos, nervosos, com pressa, com muito sono após o almoço...
Eu quero dormir. E tu?

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 25. September 2007

Sofrimento


Se ele soubesse que assim que abri os olhos até o momento em que, no ímpeto de insanidade consumida e formalidades jogadas fora na ocasião de "declaração desesperada", eu só desejei um olhar mesmo que de puro ódio... Talvez ele não tivesse batido a porta daquela forma, não sei; é, foi de uma forma estúpida. Parecia que jamais voltariamos a nos ver por aí!
Acho que se tivesse seguido o roteiro sem interrupções de gente de comportamento provinciano, talvez ele entendesse que as minhas lágrimas e a surpresa de ser deixado como um "nada" eram a causa de minha sandice...

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 18. September 2007

Remorso?


Vi você crescer, fiz você nascer. Nada irá, nesse mundo, apagar o nosso desenho. Nem todos esses erros e remorsos. Vão sumir. Nada nem que morramos desmente o que agora está na minha escrita. As pichações no muro e o pingo de sorvete que manchou a sua blusa. Ainda lembro, era listrada e você tinha acabado de comprar. Saibas que eu não me arrependo de você.

Jucksch, Márcio.

Somewhere


Pés no chão, e olhos vão
Procurar, procurar
Onde eu me pedi
Perdi-me dentro de mim, pois eu era labirinto
E hoje quando me sinto é com saudades de mim.


Jucksch, Márcio.

Firmamento


Quando eu cabia nos braços de meu pai, ele me consolava dizendo para não ser tão triste que nesse mundo somos todos iguais. Um tem asa para voar, outro pernas ligeiras que correm. Uns sólidos, outros liquidos, todos em estado. Eu pensava que era uma verdade, sempre será. Na guerra do dia-a-dia. Dia em dia o homem é bicho feroz e sempre acaba 'vencendo' aquele que é mais veloz. Meu vencer é relativo, pois para chegar lá, temos de ultrapasssar aqui. Na batalha morre o homem e a flor, mistura todos os sangues, mas o preto não tem cor.


P.S.: Ah, senhor meu pai não de sangue, essa foi pra você. Apesar de ter conhecido o filho aos 11 anos e termos não nos visto decentemente esse ano... Mas daqui a pouco te vejo mais, né? Amo você.


Jucksch, Márcio.

Um drink


É um fluxo que exorbita para o fora-dentro do meu estar. Eu não penso, nem faço. Angustio nas origens da ação e revejo que o conceito é a ponte das icógnitas desfeitas. Austeros astros que jazem na vacina. Minha terapia é observar. Sem benzedeira, chá de erva cidreira. Incapaz de curar a gripe do amor.


Jucksch, Márcio.

Peripécias


Esconda-se entre as minhas unhas. Beija minha sujeira e me diz lindamente "porco". Um grito mesmo, desses tão altos que nos fazem abrir a boca e gritar junto. Porque todos estão numa revolta incontida, você não acha? Há aqueles vírus junkies que se apoderam do seu corpo, fazendo-o suar de febre, delirar e afins. Esses vírus têm nomes. Às vezes são pessoais, às vezes tão vagamente complexos como: amor. Esse aí, me corrompem os sentidos. Rasga minhas entrelinhas e arreganha o meu peito. Fratura exposta. Você tenta e tenta esconder. Coloca band-aids, esparadrapo, gaze, algodão, qualquer coisa. Mas aquela ferida pulsante que parece nariz vermelho em cara de palhaço fica ali, em relevo, pro povo todo ver e perguntar sem pensar: o que foi isso? Você tenta disfarçar. Cof cof... Huumm... Ah... O que? Isso? Bem... É... Ah, como você vai? E pronto, mudou o assunto sem precisar asfixiar a resposta. É bem assim que as coisas acontecem por aqui. Mon chér, mon chér...

Obs.: Sim, eu consegui um teclado decente. Entederam?

Jucksch, Márcio.

Freitag, 7. September 2007

Fascínio


Eu só posso dizer que um dia o conheci... Mais nada, me desculpe!

Tá, ok. Eu assumo que depois que o conheci, eu fiquei bastante interessado em toda aquela situação repentina, e principalmente nele; são essas coisas de atração que acontecem do nada, com uma pessoa até o momento patética, numa festa tosca cheia de jovens bêbados, com muito cigarro e papo besta. Jamais poderei explicar de uma forma consciente.
Uns dias atrás, saindo da faculdade, encontrei com alguns amigos que tinhamos em comum. Perguntei sobre a "pessoa secreta". Eles me falaram que jamais voltaria a encontrar aquele rosto novamente... A curiosidade foi aumentando!
A noite, no meu quarto, lendo um pouco de Drummond e Lispector, fixei o telefone. Foi nessa hora que liguei pra Ricardo exigindo que ele me passasse o número do garoto, ou ao menos me desse o endereço completo dele. Ele tornou a dizer que não mais o encontraria. Mas dessa vez me explicou que o garoto era um tanto "diferente"; mudava o rosto com freqüencia, nunca era a mesma pessoa todos os dias.
Numa dessas tardes de aulas chatas, eu resolvi tomar um sorvete na praça. Sentou ao meu lado um senhor que me deu um agradável "bom dia"; não achei nada esquisito, gostava de conversar com pessoas idosas, e aquilo nada mais era que um válido gesto de educação. Ele começou a contar que, na juventude, era bem popular, teve várias namoradas e aproveitou bastante tudo o que a natureza em seus dias mais generosos, resolveu presentea-lo. Disse também que em uma dessas noites de diversão conheceu um jovem, assim como eu, que despertou uma gama de sentimentos pouco valorizados hoje em dia, de uma maneira transcendental. Depois disso, apertou minha mão e disse que tinha que levar o pão para seu neto que estava esperando em casa.
Eu o segui. Descobri que o velho habitava em uma linda mansão; o estranho era que a casa estava toda aberta dando acesso a quem quisesse entrar. Era como se não temessem a nada. Mas não encontrei ninguém. Isso me deu um pouco de medo, confesso. Subi as escadas, olhei para o corredor e, quando prestei atenção, diante de toda aquela bela estrutura, enxerguei a porta do último quarto; era velha, feia e continha uma plaquinha com um cachorrinho amarelo segurando um coração na boca, escrito "seja bem-vindo".
Abri a porta e encontrei uma diversidade de brinquedos... E uma criança deitada na cama. Aquela cena foi linda. Calma. Dormia como se estivesse esgotado toda sua energia nas brincadeiras.
Escutei um barulho!
Isso me fez sair rapidamente do quarto, deixando a porta aberta. Quando já estava fora da casa fiquei, ali, observando por vários minutos. Nada aconteceu, até que... Saiu um lindo jovem vestido de terno e gravata, com uma maleta na mão. Entrou no carro, foi embora.
Aquilo estava me matando. Virou uma obsessão. Passei dias e noites, noites e dias observando o movimento naquela casa. O impressionante era que um só aparecia depois que outro sumia; uma mulher, um jovem, uma velha, um velho, um garoto (...)
Até que um belo dia, num desses que ficava observando a movimentação, eis que aparece, por trás de mim, o garoto que conheci naquela mórbida festa. Fiquei sem reação; estava me sentindo ridículo. Ele disse que não precisava me preocupar, ele só queria saber o que eu estava fazendo olhando pra sua casa. Eu disse que não era nada, não conseguia explicar nada. Estava com medo de falar algo que pudesse me complicar mais. Ele apenas sorriu... Disse: Vamos dar uma volta na praça?
Sentamos no mesmo lugar que havia conversado com aquele senhor. Ele deixou escapar: Esse lugar não me é estranho, e você também não. Mas é agradável estar aqui.
Eu comecei a entender e liguei os fatos. Já sabia de tudo... Ah! Eu sou um idiota, bobo! Me apaixonei, supostamente, por alguém de múltiplas faces, por um I-N-F-I-N-I-T-O!
Eu perguntei seu nome, mas ele disse que não vinha ao caso, no momento, responder tal pergunta. Ele era calmo nas respostas, tinha parcimônia. Sabia o certo e o errado, tinha certa postura austera. Isso era fascinante! Me sentia cada vez mais lazy-lazy, confesso novamente.
Comecei a rir, ele perguntou o por quê. Foi minha vez de retribuir o "não vem ao caso, no momento, responder tal pergunta". Impávido!
Ele disse que gostava de mim. Me pediu certa ajuda para tentar lembrar de onde nos conheciamos; omiti dizendo que nada sabia. Era a primeira vez que estávamos nos vendo, respondi.
Tinha consciência do que os "amigos em comum" me falaram. Não cheguei ao ponto de ser víl, e acabar com algo tão belo. Ele tinha várias faces, mas jamais viria a ter conhecimento sobre essas experiências. Cara, eu estava amando; na verdade, estou amando!
Eu sabia que esse amor poderia me causar bastantes supresas desagradáveis do tipo: eu não vê-lo por muitos dias, meses, anos, séculos. Mas só conseguia pensar que estava no controle do maior amor do mundo. Eu estava amando o infinito. Eu aprendi que, na vida, nada é perfeito; nunca ambiciei mesmo. Eu queria o que estava ali e agora. Em uma só pessoa encontrei todos os tipos de amores aos quais podemos estar, a qualquer dia, a mercê.
Eu apenas olhei para ele, dei um demorado beijo em seu rosto e apertei sua mão sorrindo bastante...
Dali para o sempre, dormia com a certeza que meu coração agora estava protegido eternamente pelo mais bravo dos amantes.

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 2. September 2007

Interno


E todos os finais de semana ele ia ao mesmo barzinho.
Não aparentava cansaço, mas pegava no sono muito fácil. Seus amigos semprem tiravam sarro por esse seu comportamento "meio adolescente", como costumavam chamar.
Todos os dias ele fazia o mesmo percurso. Em termos de trabalho, não deixava a desejar. Era um ótimo neurologista, e agora freqüentava a faculdade de jornalismo; ninguém sabia explicar essa sua diversidade.
Apesar de ainda ser jovem, com seus 30 anos, já era casado, pai de um lindo menino e sua esposa esperava o segundo filho. Os amigos falavam que ele tinha tirado a sorte grande no amor e na vida. Ele não era o tipo de ser humano extraordinário, apenas pragmático em suas ações. Considerava-se uma pessoa abençoada e feliz, fora dos princípios filosóficos impostos por outrem.
Não costumava pensar no futuro, gostava de aproveitar o hoje. Mais do que aproveitar o hoje, que lhe cabe muitas horas e variadas situações, era aproveitar o agora; na verdade, o que ele estava a fazer naquele exato momento. Tinha a sensação de ser uma máquina, na qual, fosse controlado por alguém através de um chip. Mesmo que fosse isso sentia-se feliz, pois sabia que aquela era uma "pessoa de bem".

Ele, lá no fundo, deseja doses homeopáticas de bom senso. Tinha certeza que fora afetado por osmose por algum tipo de senso ético-crítico insuportável.
Talvez ele nem fosse tudo aquilo que a reputação fofocava aos quatro ventos.

Jucksch, Márcio.

Samstag, 1. September 2007

Lili


Acabei de lembrar...

Lili estava no seu quarto. Lembro que tinha várias revistas científicas espalhadas pelo chão; o notebook, como sempre, sua companhia em cima da cama.
Conversando com sua mãe, dona Marta, mulher branca de assustadores olhos azuis profundos, que aquele dia trajava um lindo vestido vermelho, descobri que Lili resolvera pintar seu quarto de verde. A mãe estranhou a mudança de comportamento repentina. A menina meiga, de também profundos olhos azuis, cabelos negros... Agora mostrava seu jeito introspectivo, absorto; no momento, tinha preferência pela cor verde e laranja.
Dona Marta pensou que a filha estava sofrendo de depressão. Apesar das cores vivas, muitos de seus amigos comentavam a mudança de Lili. Ela não mais participava de nada, não mais namorava.
Num dos dias chuvosos e cinzentos do inverno, Lili sentou-se no quintal de sua casa e olhava fixamente para as suas árvores preferidas. Ficou ali pouco mais de 5 minutos, quando a chuva passou e apareceram os primeiros raios de sol; as nuvens mudaram o aspecto, ficaram com um tom alaranjado, rosa. Ela voltou para seu quarto.
No seu mundo particular, Lili era feliz. Sempre se divertia entre cores vivas, ausentes, aglutinadas; ela sorria como nunca o tinha feito. Os lábios vermelhos provando a qualquer um, sua felicidade. Mas sua mãe jamais soube disso... Acho.
Lili gostava de pensar que, nesse ponto, era uma pessoa egoísta. Gostava de ser feliz sem ter que dividir o que era temporário e de propriedade de raros momentos. Lili caminhava por sua diversidade, imensidão; sempre tentando imaginar o por quê das pessoas se preocuparem com a mudança de seu jeito.
Tinha decidido apartir do dia (que ninguém jamais soube) que não se importaria tanto com as pessoas e, sim, com seu próprio "eu". Mais tarde, no quarto, Lili apaixonou-se pelo quadro velho, de dez anos, que há muito habitava sua casa; namorava-o sem parar.
Mas dona Marta é mãe. Ela sabe o que se passa a seu redor. Nem Lili conseguia esconder tudo o que queria.
Mais tarde Lili dormiu... Isso me acalmou. Sabia que ali ela estava apenas perpetuando aquilo que jamais viria a ter; ou mesmo eu, não desejasse que ela passasse por perigos na busca desse "algo".
Lili era meu tesouro mais íntimo. Perde-la seria minha degradação, meu crime, meu suicídio... Era o que jamais poderia ser exposto ao mundo externo.

Und dann... Vamos.

Jucksch, Márcio.