Donnerstag, 31. Dezember 2009

O amor não dura

Do casamento naufragado chegaram as caixas como se fossem destroços. Vieram flutuando pelo espaço do tamanho do mar que se cria entre duas pessoas que não dividem mais nada. Nem a vida, nem a cama. Vieram repletas de objetos que nunca foram usados. Vieram como vêm as promessas para alguém que se lembra delas muito depois de terem perdido o sentido. São os talheres e taças que o casal usaria no jantar, os panos de prato bordados, o saleiro, o azeiteiro. Não são sequer espólios de guerra, porque ninguém brigaria por eles. São os restos mortais do que era amor; ossos da expectativa de um lar, de uma casa imaginada que não vai mais existir.


Ele não mandou as caixas por vingança. Mandou porque não as queria por perto. Ela não as deixou para trás, na casa da mãe, por despeito. Deixou por falta de espaço na mala, deixou porque nunca pretendeu levá-las. O desejo, a saudade, são coisas que não se desligam como uma luz se desliga. São coisas que desvanecem, como a água evapora, como a madeira incandesce e vira cinza. O amor, talvez, obedeça outras regras. Talvez um dia acorde morto sem ter dado notícias de sua falência, como se lhe estourasse por dentro um abscesso. E cada promessa com a qual se construiu a segurança vire um tijolo na muralha de palavras dadas a uma relação que não se quer mais, cujas portas são arrombadas por dentro.


Só o que resta é um amontoado de tudo o que ninguém quis. Sobras de um futuro, espalhadas por uma casa que não pertence a ambos, sussurrando com vozezinhas lamuriosas e inconvenientes a quem passar os olhos:


... o amor não dura...
... o amor não dura...
... o amor não dura...


Gutte Neu Jahr


J, M.

Mittwoch, 30. Dezember 2009

Trilhas

Eu não quero que você saiba o nome de todas as músicas que escuto quando chove. Muito menos que saiba-as pelas letras, reconheça-as pela melodia, lembre-se de mim quando começam a tocar e pense no sentido que fazem e que provavelmente estão cantando nós dois. Eu não quero pendurar nas paredes da minha casa os cartazes dos teus filmes mais queridos. Menos ainda... menos ainda quero ter visto esses filmes contigo.


Não quero os teus livros emprestados e nunca pegue os meus. Se algum dia eu te ouvir recitar poesia, por favor, me fale o nome do poeta, para que eu nunca o procure, nem o leia nem o escute. Que os lugares de nossos passeios jamais sejam no trajeto entre minha casa e meu trabalho. Que você não tenha uma flor favorita e que ela não seja dama-da-noite. Não decore o número do meu telefone. Não dê o endereço da minha casa para a sua correspondência.


E quando formos dormir e você me abraçar; não me conte histórias de povos distantes, de guerreiros honrados e de amores profundos. Não precisa falar seus segredos. Não deixe pegadas, nem farelo de pão nem barbante amarrado na porta do labirinto. É mais fácil de perder o amor assim.



J, M.

Dienstag, 29. Dezember 2009

Namorar me castrou

É que em vez de ser fértil, bonito, poético e inspirador foi simplesmente... aquilo. Não me trouxe nada de poderosamente transformador. Foram só seis meses. Ou um ano e 5 meses. Tempo agora é o de menos.

Fato é que pensar em amor, paixão, casamento, filhos, casa, pensar em tudo isso que só existia em energia desconhecida, foi emburrecedor. Porque fechei os livros, larguei as aulas mais chatas e enriquecedoras, parei de escrever à mão, não soube mais o que era escrever cartas pra alguém que nunca vi, não soube mais assistir televisão, não soube mais ficar bêbado e me divertir.

Namorar me ensinou a depender de alguém, a ligar pro mesmo número toda madrugada, a saber coisas que eu não queria, me ensinou sobre a ignorância alheia, me ensinou a gastar o dinheiro que eu não tinha, me ensinou a não ter pudor. Namorar também destruiu meu vocabulário e minha mente perspicaz.

Depois de namorar, eu acendo um cigarro, ouço a música e contemplo. Porque não namorar me permite enxergar o mundo de novo, o mundo novo. Sim, senhor, eu acendo um cigarro porque namorar é rápido, voluptuoso e aquela outra coisa que eu não sei descrever. Namorar acabou com isso também.

Sem namoro, não tem cerimônia. Você ama e pronto. Ninguém te pergunta se é muito ou pouco. Ninguém te pede a terceira via do formulário. Você bebe e fala o que quiser. Disso eu senti tanta falta.

O não namoro é como um espelho. Ou melhor, é um reencontro. Depois que você se livra da alma gêmea do ano, é obrigado a conviver consigo de novo. Mesmo que não goste, seu eu estará sempre bem atrás. E o pior: às vezes os fantasmas vão bem à frente. Nesse caminho não tem desvio.

Tem namoro que só serve pra te distrair. Quando acaba você pensa “Eu de novo?!”. Até entender o que aconteceu naquele espaço de tempo em que você mesmo esteve longe, parece tarde. Aí é a parte em que acende um cigarro e toma cuidado pra não queimar os velhos papéis que vai catar pelo quarto pra tentar se refazer.

Todo fim de namoro é uma oportunidade pra se reencontrar e limpar aquele espelho velho e persistente. E de emagrecer.



J, M.

Montag, 28. Dezember 2009

Evolução

Um certo macaco, a milênios antes de nós, chegou a dizer: vá tomar banho, criança! Quantas vezes vou ter que repetir? Uma? Trinta e três? Quarenta e cinco mil? Novecentos e trinta e sete vírgula nove meia dois? Ou seria uma questão não de números, mas de vogais, como iaeio, ou uiaoe? Para sua informação, eu já inventei as consoantes: são @%#¨$* e &. Meu querido, não fique zangado, mas em certos momentos, precisamos falar duro com você. Você precisa pentear os pêlos da consciência, e fazer tranças na honestidade. Seu rabo está maior que nunca, daqui a pouco vai tocar a lua! Meu filho, ninguém ensinou você a ir tão longe! Por que és assim? Me diga! Hein? Eu já não sei o que eu faço contigo, seu transgressor da matéria e de todos os elementos da mais pura e dócil realidade que nos cerca através do amor! O amor! E sou capaz de repetir ainda: o amor! Você deveria aprender com nossas parentes, as abelhas. Pois elas sabem lidar com os sentimentos. Nunca se envolvem com os homens, são todas lésbicas. Você deveria ser assim também, meu filho. Você deveria ser lésbica. A opção sexual do futuro reside na universidade mais próxima de você. Depois de dizer isso, nosso amigo Gorila Shun Peddy Siri cometeu um bárbaro suicídio, um suicídio em massa, um etnocídio, um genocídio, um antropocídio, um shunpeddycídio. Seu sangue escorreu pelas vísceras das calçadas da época - quando os vizinhos ainda colocavam cadeiras no meio da rua, para protestar contra a revolução automobilística - e chegaram aos esgotos, até que os ratos se tornaram radioativos, e, evoluíram, até se tornar o melhor amigo de um bicho, que hoje em dia, costuma dizer por aí que é racional.


J, M.

Sonntag, 27. Dezember 2009

O desespero ou você?

Você tem o cheiro de alguma coisa picante, como canela, só que mais velha e salgada, um cheiro antigo, que envelhece meio rançoso. E esse é o seu cheiro, eu sei. Se fizessem uma essência de você, ela teria esse cheiro. Combina perfeitamente com todo o resto, as camadas de perfume e óleo, os cheiros de castanhas e amêndoas doces, são todos cheiros da terra, sementes e grãos oleosos que falam de você exatamente o que você quer que os outros saibam: que você é uma proposta, uma promessa, uma possibilidade de qualquer coisa maravilhosa sem hora para acabar e de inícios súbitos, a surpresa simples no fim do dia, a conversa perfeita e a sensação de estar inteiro no mundo, compreendido, acolhido pela profundidade dos seus nutrientes, dos seus olhos que abraçam. É assim que você seduz, e isso é você também. Mas não é tudo. Nunca é. Há algo salgado, picante e antigo em você. Como uma dor envergonhada que virou segredo, como o embaraço de uma criança humilhada na escola, rejeitada. Além do desespero. Sim, há uma pequena dose, quase imperceptível nos seus dias bons, mas está ali, e quem se aproxima acaba vendo. O desespero gritando entre dentes: não me diga não.
Mas se dissolve na boca e acaba.



Jucksch, Márcio.

Samstag, 26. Dezember 2009

Cross-age

- E o que havia de errado com o rapaz?


- Nada. A percepção que tinha de si mesmo é que não combinava com a que eu tinha.
- Qual era a percepção dele?
- Achava-se irresistível.
- Sim, mas isso sabíamos todos desde sempre, não é possível que você tenha percebido só agora.
- Realmente. Só que acreditei que era uma proteção contra algum medo; uma camada apenas, para esconder coisas mais valiosas, que eu tomei como seus verdadeiros sentimentos. Ou melhor, o verdadeiro ele.
- Não era?


- Não. Era só ele mesmo.


- Você sempre acha que as pessoas são mais interessantes do que são.
- As pessoas são sempre interessantes, mamãe. Acontece-nos de procurar nelas só o que nos interessa.
- O que é a mesma coisa que eu disse. Está passando da hora de você deixar de confundir silêncios com profundidade. Às vezes a pessoa simplesmente não tem nada a dizer.


- Não acredita que possa haver uma essência por trás dos disfarces que não condiz com o comportamento?


- Para quê? Acreditar nisso não é prático. Somos nossas ações, independente das intenções. Para mudar, mudamos as ações. Não dá para sair à procura dos precedentes de cada atitude, da raiz de cada problema. Você chama a arrogância de máscara, mas há quem as use por tanto tempo que acabam por lhes deformar as feições e ninguém distingue mais o artificial do real. Do mesmo jeito que as crianças aprendem por imitação, nós também somos o que fingimos ser.


- Não sou prático, mamãe.


- Nem um pouco. Mas a gente só dá conta de se salvar, filho. Isso quando se salva.



Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 23. Dezember 2009

Über B.K.

Os anos ímpares têm certas tradições.

O 1º semestre é sempre lindo, divino, fabuloso. No 2º, por volta de setembro/outubro, a vida muda, desmorona.
Mudo de cidade, alguém da família morre, perco o amor da minha vida.
É sempre um FAIL bem grande, bem na cara.

E os anos pares? Imprevisíveis.



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 22. Dezember 2009

O menino que rompeu com adultos

Ficou com aquilo de ser quando crescer na cabeça. Foi para a frente da casa como quem sai de si um pouquinho, mas fica na porta, à espera, e se sentou no meio fio, olhando a poeira voadora da rua. Numa meninice muito séria e compenetrada. Era-se sempre uma coisa quando se crescia. Era-se médico, professor, tio, pai, namorado e era-se também entendedor das coisas todas. Mas e se nunca fosse? Cresceria? Mas e se nas provas de para-ser-grande não passasse? Que acontecia aos que nunca conquistavam o entendimento das coisas? Sentiu uma desilusão muito grande com os adultos, naquela tarde à porta da frente, porque deduziu nunca poder provar caso lhe estivessem mentindo. Se toda aquela espera fosse uma pregação de peça, feito a de perguntar a alguém como fazer um bobo esperar por um dia e então dizer “te conto amanhã”. E talvez nenhum adulto realmente fosse: Qualquer coisa. Só faz-de-conta que fosse. Ao crescer só se ganhava o direito de tapear os pequenos para lhes obrigar coisas.


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 20. Dezember 2009

2 semanas

É verdade que às vezes tento me contentar com a confusão entre raciocinar e intuir. Convencido de ser essa a minha jornada, caminhar no confuso e encontrar as verdades úteis no meio dele. Sempre mudando, sempre reciclando.


Jucksch, Márcio.

Freitag, 18. Dezember 2009

25 horas e meia

É engraçado nós esperarmos sempre que todas as reações nos atinjam de imediato, quando muitas delas, mesmo a raiva, e o medo, que são as mais apaixonadas, podem demorar horas, dias ou qualquer outra medida de tempo para se manifestar claramente. Através de uma imagem, ou de uma sensação, como uma paisagem, um vento no rosto. Um cheiro ruim. Já tive vezes em que desatei a chorar no meio da rua com uma lembrança que, na hora acontecida, não me provocou nada que me tirasse da indiferença. Há um imediatismo da nossa formação, a formação da nossa geração. Chega a ser possível que só percebamos o prazer das nossas relações muito depois, quando pensamos ou falamos sobre elas. Tão atribulados estávamos em fazer com que fossem prazerosas. Nesses casos não sei se está tudo bem o prazer vir depois, através da lembrança, ou se ele poderia ser parte do acontecimento, caso eu não estivesse tão ansioso pelo minuto seguinte. Ultimamente estou sempre em dúvida se é preferível dizer alguma coisa ou apreciar simplesmente o silêncio.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 15. Dezember 2009

Bloqueio

Onde coloquei esta história? Onde está, onde está? Onde a perdi, como ela sumiu de mim? Será que ainda a guardo comigo? Talvez eu a tenha deixado cair nos arquivos velhos e empoeirados, estranhamente reluzentes da memória esquecida.
Os arquivos trancados, emperrados com a falta de uso, empilhados uns sobre os outros, próximos demais, apertados demais. Prestes a cair daquela imensa janela circular remendada com toras de uma madeira apodrecida - o único lugar por onde o sol pode entrar.
Exageradamente afastados da escada. Pelo risco de que um visitante qualquer, vítima de um tropeção em um dos livros não lidos no tapete, usasse a alça de uma das gavetas para se sustentar.


Como outra vez aconteceu a minha tia Vera, no mezanino do meu avô, aleijando a velha empertigada, que passou o resto da vida conciliando aquele nariz empinado com um mancar ridículo. E nunca participou de aventura nenhuma, porque se recusava a "se misturar".


Será por isso que a história ficou aqui?



Jucksch, Márcio.

Montag, 14. Dezember 2009

Trecho

Alguns dias eu nem acredito das coisas das quais faço parte.
Veja o menino que fui; o que tinha certeza de que a vida passaria num quadro impressionista, retratando eternamente aquele mato orvalhado cobrindo a terra lamacenta do quintal. E o único lugar para o grande, para o notável, seria a tela daquela cabecinha de menino, de imagens rápidas, sólidas e surrealistas. É esse menino que se isola no quarto com outras telas repletas de artificialidades pontilhadas e digitais, a salvo dos sustos de notar a vida notavelmente grandiosa que construiu sem se saber construindo – pois de outra forma, inclusive, poria tudo abaixo -, para tomar algum fôlego, pois os anos passam e ele ainda guarda a sensação de que a felicidade é vertiginosa, estranha, expansiva. Que lhe descompressa os pulmões e exige ar, tomando espaço, ocupando; com um agir intuitivo de levantar a mão e se imprimir no mundo.

Mas essa felicidade é um sopro, está claro. Veja como escrevo: falando a você, sempre a você – querendo ser visto (bem, isso é humano, nós sabemos). Só que tão pequeno, tão comprimidamente. Um comprimido de texto. Como se diz das crônicas de humor, só que sem graça. Espere.

Eu sou simplesmente um produto do meu tempo (olhe que tolice: acabo de dizer “isso é humano”. Como se tudo mais, inclusive eu, não o fosse). Assim vivemos, sentimos e lembramos. Tudo junto. Pequeno e rápido, talvez não se viva. Mas certamente se fala assim. Economizando. Um ponto disso, um ponto disso e você já sabe o que quero dizer, então para que precisamos ter isso dito? Nós dois, você e eu, temos pressa, mesmo que seja uma pressa tranquila. É porque vamos apenas passar. E a sua vida na minha mente fica sendo um retrato impressionista.
Então temos tristeza. Eu noto tristeza; bom, na verdade, noto uma vaga sensação de perder algo e lembro da familiaridade, da expressão no rosto dos outros, do nome que ouvi: tris-te-za. É bonito. É a questão do impressionismo, existe sempre mais de uma sugestão, quando vi uma, perdi outra.
Seria bom poder escolher que impressão levar. Talvez a tristeza da infância esteja nisso: nós não escolhemos a impressão que trazemos, mas algo aqui soube das possibilidades. Que o mato orvalhado poderia ter sido uma selva e a lama, areia movediça. Sem telas voyerísticas do mato e contemplações surrealistas, eu teria sido mais feliz? Ou só teria sido qualquer coisa que não sou.

Falta sempre um fecho. Digo a mim mesmo quando isso acontece: “você está com medo de dizer tudo”. No entanto, quando é que dizemos tudo? Diz-se que deixar brechas é tão pseudo-profundo. Mas outro dia disseram de mim que, por sempre delinear tanto e trazer cada ponto, sou por demais didático. Como se isso fosse uma coisa ruim. Como se para imprimir tivesse de ser vago. Como a vagueza no notar a felicidade das coisas que andam e funcionam na vida.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 12. Dezember 2009

Senhor Deus,

Venho lhe pedir para me mostrar como errar erros novos. É que dos erros antigos, Senhor Deus, as pessoas já cansaram. Eu nem tanto, a maioria das vezes eu nem os percebo e, sabe, estou até tão acostumado a errar algumas coisas, que nem quero tanto assim mudar não, porque é cansativo.
Mas não quero que as pessoas que eu gosto cansem de mim; e dos meus erros já conhecidos e óbvios e piadas entre amigos.
Na verdade, Senhor, para ser totalmente honesto com sua Onisciência, preciso dizer que quero mudar sim, que é ruim não mudar, que entristece ver todos mudarem e a gente não – ficar assim, parado, olhando, e todos indo e a gente não -. Então quero mudar sim, mas é que não sei como.
Quando penso muito acho claro que o problema está aí: no ‘não saber como’, Senhor. Então penso mais um pouco e começo a achar que, sinceramente, eu não sei direito que erro é esse que tem que deixar de ser errado. E quando dou exemplo disso ou daquilo, dizem-me simplesmente “bom, então deixe de fazer isso”. É mais difícil não matar o pé de ipê quando somos nós os donos da rua.
Parece muito mais difícil descobrir o como antes do o que. Mas, um pouco que analisando, talvez se alguém simplesmente me dissesse o que fazer eu só não ouvisse. E se me disserem o que faço, eu não vou entender, porque não percebi sozinho. Nos metemos em cada sinuca por aqui, Senhor, o Senhor nem ia acreditar.

Senhor Deus, vai ver então que o Senhor nem precisa fazer nada não. Que quem tem que ver sou só eu mesmo. Mas, se o senhor não puder me dar uma dica, uma pista ou coisa assim, eu vou ficar muito grato só de saber que tem alguém olhando eu reclamar. Vendo.

Muito obrigado,


Jucksch, Márcio.

Freitag, 11. Dezember 2009

Tomada de consciência

Descobri recentemente que sofro de uma timidez crônica com personalidades e seus respectivos públicos.

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 10. Dezember 2009

Por capítulos

Capítulo 1:

Os desamparados tendem a colecionar figuras paternas.

Capítulo 2: Crônica prematura

Ah... pobre Virgínia, quisera sempre o melhor homem.

Capítulo 3:

Caminhei a vida inteira em beiradas de abismos e agora sinto-me viciado nas vertigens.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 8. Dezember 2009

Crônica urbana: Macabéio

Ele era um gay feio, do tipo que é melhor fingir que não vê. Morava ali na comercial da trezentos e onze, num daqueles apartamentinhos de um quarto e sala com varanda colada na do vizinho. Falo assim porque sou politicamente correto e não sei dizer coisas como bicha afetada e veado uó. Ele era feio, do tipo que não se repara a menos que um amigo incauto do mesmo grupo resolva namorá-lo, ao que logo se atribui baixa auto-estima e carência afetiva. Parecia-me sempre aquela estatueta da Deusa, baixinha, toda furada, com o corpo caindo sobre si mesmo, peitos sobre uma barriga redonda por sobre as perninhas rechonchudas. Ele era mais ou menos do mesmo jeito, só que tinha pêlos, as pernas eram mais finas e usava umas bermudas desbotadas curtinhas para ficar na varanda sem camisa. De modo que tinha também um tom de pele ao qual não se vê com bons olhos em gente desse perfil; era um bronze avermelhado, mistura de índio com negro, que logo se fazia notar nos pêlos do peito e no cabelo que não era exatamente ruim, mas era crespo. Era uma figura medíocre e eu não gostava dele porque toda vez me fazia gracejos embaraçosos e de baixo nível quando me via passar.


Pensei sempre que devia ser algo como vendedor em loja de importados; com aquela pele azeda, sempre suada, e uma cara que eu nunca teria coragem de beijar de tão oleosa. Mas não era, era contador. Passava o dia num escritório apertado, com um andar discreto e falando baixo, coisa que eu nunca desconfiaria, visto que não me parecia um homem elegante. Era muito efeminado e de um jeito ruim, do tipo que não cai bem ao porte, fazia pose e vestia roupas de atacado, naqueles tons de verde e vermelho e com aqueles tecidos de que fazem camisa de time de futebol. As falsificadas.


E, quando chegava em casa, eu esperava que passasse as tardes ouvindo música ruim e vendo novela, mas assistia os jornais e gostava dos documentários do mundo animal. E tinha um amor. Ele o visitava umas quatro vezes na semana e dormia por lá, e ia embora na manhã seguinte porque tinha trabalho e morava com a avó. Faziam amor de noite e de tardinha – já tinham trepado um bocado e aprenderam que na cama não é lugar de serem comedidos ou fingirem. Às vezes invertiam, mas geralmente era certo quem dava e quem era penetrado. Trocavam juras de amor no colchão e falavam coisas bonitas. Bonitas no meu entender também. E depois voltavam a suas vidinhas que me faziam pensar em formigas, porque nunca vou olhar com ardor para o sangue que não corre azul.


E foi assim até ontem quando ele foi encontrado lá na setecentos e seis, com formigas na boca e hematomas na cara oleosa do sangue, não mais de suor. Entrou em coma depois do espancamento, disseram. E ainda vivia só que morreu no caminho para o hospital e a ambulância fez volta para o necrotério. E a mãe teve que pagar três passagens de ônibus. Foi currado também, o legista notou. Quem me contou foi o parceiro, depois de pegar as coisas no apartamento hoje cedo, viu-me na padaria – essas coisas não são para jornais. Nos jornais, a discriminação é coisa que a gente vê nos outros e que se discute nas aulas o motivo da TV tentar esconder, mas que agora já está mudando, porque os gays são capa de revista e queridinhos nas novelas das oito. Onde são bem-sucedidos. Casados. Dão-se bem com a família e os vizinhos. Não se beijam nem trepam antes do almoço e nunca, nunca são feios. Gay feio não existe, é lenda urbana. Esse aí, aliás, eu que inventei.



"[...] de herói porque somos covardes, o de santo porque somos maus. E o de assassino porque sempre existe alguém que gostaríamos de matar [...]"
Jean Paul Satre



Jucksch, Márcio.

Montag, 7. Dezember 2009

E corta

Aquela música não pára. A voz canta tudo que ela quer no ritmo bailante. Inacreditável. É o cd certo?


The emotion it was, electric
And the stars, they all aligned
I knew I had to make my, decision
But I never made the time
No, I never made the time


Três carros vermelhos, quatro pretos, um branco, ela do outro lado da rua. Ela não é carro, tira um. Ela não é carro, então pára! Ela não é carro, respira, sabe ler, fica em pé esperando o sinal fechar, calça sapatilhas, veste jeans, blusa de algodão cru, óculos gigante, enrola uma revista na mão, o cabelo num coque mal feito, ensaia um espirro, ela avisa que não é carro.


In the dark, for a while now
I can't stay, so far
I can't stay, much longer
Riding my decision home


Difícil chegar do outro lado assim. Ela tem que dar licença, porque carro não pode ficar na calçada. Será que vou ter que levar pela mão mesmo? Ah, Brandon Flowers, por favor! Se não parar de cantar assim... In the dark, for a while now, I can't stay, so far... não vai dar. Ela olha direto, bem reto, para a frente, observa uma outra que canta baixinho aqui desse lado. O vento traz o perfume bem dos seus segredos indolentes até aqui, pra mim e pro Brandon. Se você ao menos pudesse estar perto o suficiente pra sentir.


There is a majesty at my doorstep
There is a little boy in her arms
Now we'll parade around without game plans
Obligations, or alarm


Os carros param. Eu posso passar. Aí tudo engata e olho para o céu, depois para ela. Brandon me convence e começa a sair um cantar raro de se ver:

- In the dark, for a while now... I can't stay, very far...

O silêncio. Ela leva a revista na direção da boca e antes de pensar que além de ser carro, ela engole publicações inteiras, ouço:

- I can't stay, much longer... Riding my decision home!

E corta.




Aquela música não pára. A voz canta tudo que ela quer no ritmo bailante. Inacreditável. É o cd certo?


The emotion it was, electric
And the stars, they all aligned
I knew I had to make my, decision
But I never made the time
No, I never made the time


Três carros vermelhos, quatro pretos, um branco, ela do outro lado da rua. Ela não é carro, tira um. Ela não é carro, então pára! Ela não é carro, respira, sabe ler, fica em pé esperando o sinal fechar, calça sapatilhas, veste jeans, blusa de algodão cru, óculos gigante, enrola uma revista na mão, o cabelo num coque mal feito, ensaia um espirro, ela avisa que não é carro.


In the dark, for a while now
I can't stay, so far
I can't stay, much longer
Riding my decision home


Difícil chegar do outro lado assim. Ela tem que dar licença, porque carro não pode ficar na calçada. Será que vou ter que levar pela mão mesmo? Ah, Brandon Flowers, por favor! Se não parar de cantar assim... In the dark, for a while now, I can't stay, so far...não vai dar. Ela olha direto, bem reto, para a frente, observa uma outra que canta baixinho aqui desse lado. O vento traz o perfume bem dos seus segredos indolentes até aqui, pra mim e pro Brandon. Se você ao menos pudesse estar perto o suficiente pra sentir.


There is a majesty at my doorstep
There is a little boy in her arms
Now we'll parade around without game plans
Obligations, or alarm


Os carros param. Eu posso passar. Aí tudo engata e olho para o céu, depois para ela. Brandon me convence e começa a sair um cantar raro de se ver:

- In the dark, for a while now... I can't stay, very far...

O silêncio. Ela leva a revista na direção da boca e antes de pensar que além de ser carro, ela engole publicações inteiras, ouço:

- I can't stay, much longer... Riding my decision home!

E corta.




Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 2. Dezember 2009

Full Disclosure

Hoje, eu acordei sorrindo. Quase gargalhando, na verdade. despertei e tive a consciência de que faltam partes da minha vida. As pessoas entram na minha vida, se divertem comigo, sentem raiva de mim, dizem me amar. E se vão. Por obrigações pessoais, sonhos, ironia, tédio, fome. Ou o que seja. Aí, fico assim. Vez ou outra acordo consciente. Consciente da falta, da solidão, das vozes, dos conceitos, do que já não é. Consciente de que a minha essência se espalhou por esse mundo, sem ter noção do inicio; e que eu vou ficando lúdico, sentindo o gosto pueril, a preguiça esperta e cínica. Achando que som tem cor, pedindo estórias para dormir, me preparando para partir.

Masquerade



Jucksch, Márcio.

Montag, 9. November 2009

Citrique

You must already be wise to love the wisdom


É um outro tipo de sofisticação. Gritante. Único e insubstituível. Não é amor, ainda que tenha sol.

Eles dizem que é a vida como frase de efeito.
Replicante. Desgastado, preto, com fundo. De posse. Criado em 1915...
Mas sim... você encontra mesmo?
Abdica. Clássicos fundamentais. Tédio. Todo mundo aqui é alguém, ou tenta. É o valor das coisas. Longe. Cansado, muito cansado. Até amanhã, ok, ok. Nor do I... ao extremo.
Semi morto. Se quiser falar comigo usa a mesa branca.

Você morta e eu congelado, você morta e eu congelado, você morta e eu congelado!


Get this: you're dead and I frozen



Jucksch, Márcio.

Samstag, 7. November 2009

G

E mais um ano (...) e nesta data tão querida eu (...) contento-me (...) ainda que a minha vontade fosse de lhe dar (...) beijos e abraços pra que? Dedicar-lhe algumas palavras? (...) mal? Desejo-te um dia intenso. Mais do que tudo que compõe um ano (...) seja riso constante, receba telefonemas, cartões de crédito... e muito do carinho daquele lá (...) amam, amam, amam. É você de coração, ali, a cada passo uma gota, partindo, debaixo de tudo, forçando o momento, acumulando empatia (...) te ilume e dê saúde? Paz, paciência e fé? Pra que? Tudo isso para alcançar seus objetivos...

G



Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 4. November 2009

Período

Ainda não lembrei o nome.
Deve ser o inconsciente.


No fim de tudo, uma boa valvula de escape é o Lego. Sempre tive muitos baldes de lego.

Onde montava robôs quadrados, suas cidades quadradas e suas vidas quadradas.

Meus pobres robôs não tinham muito o que fazer em suas vidas tediosas, a não ser se apaixonar pelos seus inimigos.

Sempre terminava a história com o protagonista desmontado em pedaços.

O vilão violava a esposa do herói.

Transformava os filhos do herói em escravos.

Dilacerava a paz do seu reino.

No fim da história, todos morriam num terremoto.


Vivia imundo de ficar deitado no chão, brincando com lego.
Lego é melhor que qualquer companhia. Dá pra montar e desmontar quando quiser.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 3. November 2009

Sobras

Sobras de um futuro? - ele perguntou.

Na minha vida o que há em excesso é passado. Passado morto, mesmo depois de enterrado, fede.

(almost 28 years)


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 1. November 2009

Marília

Mar de si mesmo
Mar de si mesma


Corria campo adentro porque não tinha mar
Abria o verde num mergulho e bebia o sal do vento
Porque não tinha mar
Também nunca encontrou nem cais
Nem porto
Velejou na grama
E sem parar falava de amor


Em meias palavras e cantigas de moça


Porque não tinha amar



Jucksch, Márcio.

Freitag, 16. Oktober 2009

22/05/07

Queria cruzar distâncias como cruzam meus pensamentos.
E que todo dia fosse novo.
Que o mundo não estivesse feito, mas cru; feito massa de bolo, onde a gente enfia o dedo para ver o ponto do açucar. E pode pôr nescau, e umas migalhas (?!) e laranja. Depois mudar de idéia e fazer bolo de cenoura.
Outro dia a gente se preocupa se a massa vai crescer.


Outro dia a gente se ocupa de crescer.



Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 14. Oktober 2009

Ingrata, faminta

Ah, vida ingrata, vida faminta.

Julho é saudade e lembrar é como "arrumar o quarto do filho que já morreu". Porque nada vai ser igual aos dias frios e à escola acolhedora de todo-santo-dia-9horas-de-aula.
Não teve saudade, choro, balela. Tudo era lindo, pois logo acabaria. Estava acontecendo, sabem? Era o nosso momento, nosso talento.

O dia da volta foi solitário, doente, hesitante.
Foi triste, babaca, silencioso, errante. Eu deveria nunca ter acordado. Nem te conhecido.



Jucksch, Márcio.

Freitag, 9. Oktober 2009

Adulterado

No passar dos anos, só Deus sabe o porquê, ficamos mais e mais convictos de que o mundo nada tem a ver com nossos delírios narcisistas, nossas esperas, nossas promessas e dores sem razão. Com o passar do tempo e com o cotidiano, nos tornamos escritores maduros. E péssimos poetas.


Meus versos eram tão belos quando eu só imaginava que sabia do que tratavam. Ser poeta exige antes de tudo a arrogância de dizer que o mundo é sim culpado, que a vida é sim doída, que o poeta é sim herói. Numa poesia não há espaço para “eu acho”s.
O poeta, até quando vacila, tem certeza. Aliás, é na dúvida seu estado de maior confiança. Mas, quando nos convencemos de sermos adultos e de que como adultos é que vivemos e decidimos e escolhemos, pronto, a vida nos adultera. E agora nada mais de imitar Clarice. Nunca mais começar um texto com ponto e vírgula. Agora sempre disparar a espingarda no fim do capítulo, se ela estiver no início.


Porque é assim que os adultos fazem, é assim que os adultos lêem. E há tão pouco tempo entre o tempo que se aprende a ler e o tempo de não ser mais criança. Vai levar tanto tempo para voltar a ser jovem.



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 6. Oktober 2009

Pâncreas

Como um sonho, líquido; como o tempo, insólito; como a passagem, rarefeita; como o gelo, prático; como sua mão, dois minutos; como a imagem, mútua; como vitrola, escaldante; como a passagem, psicosomática; como o passo, indelével; como o aroma, pueril; como o espelho, pareado; como a morte, lôbrega.

De você, limítrofe; no dia, lodo; no cartaz, malopéia; de requinte, marajá; o enfeite, marfim; o pé, marítimo; a hierarquia, marquês; de espírito, máculo; com voz, metafísica; na noite, metódica; o quadro, mítico; o vento, mórbido; a saliva, mutável; a náusea, sempre; a negligência, avisada; de natureza, néscia.


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 4. Oktober 2009

Outros demônios

Assim que se abriu a porta do amor, passaram por ela todos os demônios vestindo ternos de linho do velho mundo. Pularam com seus sapatos pontudos para o lado de cá, batendo os saltinhos no chão da realidade segura. Saíram um atrás do outro, andando apressados com suas pastas de couro preto agitando o ar macabramente. Olhavam-se entre si, bruxuleando em círculos, reconhecendo-se as feições de palhaços negros, com as maçãs duras maquiadas saltando por cima dos sorrisos iguais.


Virando a cabeça mecanicamente de um lado para o outro, como se o queixo de todos fosse puxado por linhas de um titeriteiro sádico, indagaram-se quem era e onde estava o que abrira a porta enferrujada. Sozinhos no recinto da metáfora, pararam os movimentos ridículos lentamente, até se tornarem absolutamente imóveis e então, sem aviso algum, viraram-se para as letras formando seu mundo de página, estenderam a mão para abrir um espaço, como quem afasta dos olhos uma cortina. Olharam para mim.


Falamos desonestidades à príncipio.



Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 30. September 2009

Hoje, eu posso tudo


Cocunut Skins



Estou procurando Deus e ele não está em lugar nenhum. Não nas conversas em bares, nos aniversários dos amigos, nas caronas à meia-noite. Não vejo como achá-lo, não há placas, não percebo indicações. Eu o procuro nos céus de meus sonhos; sobrevôo as nuvens de dúvidas, sobrevôo as tempestades, os relâmpagos, muito além das cidades oníricas. Mas não acho Deus. Não tenho uma pista de como ele deveria parecer, mas não aparece para mim. Não reponde às mensagens que envio pelos deuses pagãos que me visitam à noite. Os espíritos dos mortos não trazem recados dele. Eu procuro por Deus em minha casa, também não está aqui. Olhei nas outras casas e não me encontrou lá. Já o procurei nos meus pecados, mas pressenti que isso não fazia sentido.
Não sei exatamente o que lhe diria se o encontrasse, mas isso não importa. Preciso dele para me dizer algo, estou ficando surdo. Procuro Deus e não consigo encontrá-lo.


-Estou procurando um sentido para o meu aniversário também; que não seja parabéns, abraços e beijos atrasados.


-Meu avô morreu. Eu não vi. Ainda espero isso não ser verdade. Não me aproximei do seu caixão, nem o acompanhei durante o funeral. Mas ainda assim ele fez questão de me deixar um peculiar gosto de morte. Não foi maldade, foi uma singela explicação de sua ausência. No momento da partida eu estava distante, estou sempre distante. Todos entendem. Descobriram seu álbum... e lá, que ele amava a todos incondicionalmente, sem obrigação. Principalmente os netos. Porque em fotos todos sempre estão felizes. Sorrindo, sem dores, jovens e o espírito nunca abandona o corpo. Sei que você está bem, vô. Muito melhor do que muita gente quer estar. Mas eu sei, sempre faltou algo. No futuro, eu compenso.
Agora, se eu tivesse um coração, juro que chorava por você. Saudades!



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 27. September 2009

That and more

Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio

Você morreu por não abrir a porta, sozinho
Eu vivi por conter o grito em mim


Jucksch, Márcio.

Freitag, 25. September 2009

since XX

Não sei como consigo ficar tanto tempo longe de você. Não, realmente eu não sei!
Mas quando te vejo e te abraço, tenho certeza que ainda sinto o mesmo ou até mais que sempre senti... e que também esse tempo foi pouco, nem foi tanto assim!
Sempre estarei do seu lado. Seja em momentos difíceis, que você precisar desabar ou em momentos corriqueiros que costumávamos ter. Ou que eu precisar doar meus orgãos pra você, ou eu mesmo te ferindo pra te fazer desabar. Momentos que eu vomitaria minhas culpas, apunhalando seu amor, adoecendo as suas vontades e que eu até trocaria tanto do que tenho hoje pra voltar a tê-los, com você!

É só você chamar. Por meio do último suspiro de quem pára de correr. Com a força de quem sufoca a própria dor de uma fratura. E espero que sempre queira fazê-lo, como eu sempre quero! E sentaremos no chão da cozinha, comendo pão de queijo com nutella. Tomaremos sorvete de rosas, de cinzas ou de sujo, faremos remakes de filmes clássicos, você vai me ajudar a vestir aquela calça linda do brechó que não quer entrar e eu vou rir das suas imitações e de você puxando o cabelo da Isabelle!


Jucksch, Márcio.

Samstag, 19. September 2009

A encruzilhada está em nós mesmos

Há uma bondade; uma bondade primordial, uma bondade intensa e clara e simples que se contrapõe - pois a natureza tem essa regra de dois pesos, um para cada prato de sua balança - à crueldade inata dos desejos primitivos de vida e morte.

Essa bondade da velha ordem, esse cavalheirismo natural, de regras óbvias para quem as vive, cada dia mais esquecidas, cada dia mais estapafúrdias para o nosso tempo, tão reinventadas noutros nomes que nem as sabemos mais reconhecer, em você se mantém.

A bondade dos golfinhos que protegem a cria alheia, talvez por serem bons ou por meramente as confudirem com as suas (o que é só outra forma de ser bom). Ou mesmo a das abelhas, das pernas repletas de pólen que proliferam a vida das flores, talvez por amarem a beleza, ou meramente por assim serem e o estarem sendo.

A sua bondade é assim.
Que bom que retorna.


Jucksch, Márcio.

Montag, 31. August 2009

Somewhat

I miss 120 minutes of our love...


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 25. August 2009

Dizendo "I go to"

Eu sempre ouvi de outras bocas que eu era do tipo tímido, porém rispido e muito, mas muito frio.
Lembro de ter assistido esse seriado, ao menos, umas cinco vezes. Chorei em todas - isso o que importa. Sim, a história era impressionante; o ar funebre sempre me mantia ligado. Dialogos abertos, em outros planos, que me levavam, sim, a pensar melhor.
No máximo três ou quatro personagens me chamaram atenção. Me senti um deles em certo momento. Pra mim era o melhor, escutei de outras pessoas que também era o melhor que já tinham assistido. Mas pra mim era uma sensação única.

Não interessa, a música do final sempre foi a melhor e que me encanta até hoje.



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 11. August 2009

Final do episódio 6


Eu nunca serei amado por alguém mais doce que você; eu nunca precisarei de alguém mais doce que você.





Jucksch, Márcio.

Sonntag, 9. August 2009

8.1 em escala mundial


Era uma vez você, de camisa florida, no balanço cada vez mais alto


Era uma vez você, na sala de aula, com o lapís na mão, absorto, esperando o sinal


Era uma vez você, de calça verde, camisa cinza, não combinando, irritado


Era uma vez você, no último dia, dançando com ela, antes da meia-noite


Era uma vez você no carro, tomando café, perdido nos documentos, falando ao celular


Era uma vez você, em casa, tentando fazer faxina, tentando assar um bolo


Era uma vez você, na TV, falando sobre macroeconomia, com aquela gravata horrível


Era uma você, sem nunca me notar, sorrindo ao esbarrar em mim


Era uma vez você ali, uma merda... esperando?



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 6. August 2009

H.W Rent


Era apenas um casal dançando e um fundo azul atrás; era apenas um trio conversando e um fundo vermelho atrás.



Jucksch, Márcio.

Montag, 3. August 2009

Ok


3 de Agosto, férias naquela margem pouco convincente da esperança; se eu estivesse no deserto, como dizem, veria muitas miragens, mas seria preocupante a partir do momento que achasse que areia é água... só resta aquela pergunta:



- Mas por que ele se tornou tão difícil de encontrar?! É impossível você ter provas mais que concretas que ele existe e, simplesmente, ele se fazer uma reles personagem do seu profundo desejo. Por favor, bróder, estamos na era digital. Nem MSN mesmo? Sua sorte que sou extremamente inteligente, sensual e que Macapá nunca sai desse corpo que vos escreve.



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 23. Juli 2009

Parabéns, Amor


23 de Julho, e é aniversário do Meu Amor mais AMOR!!!


E já se vão 6 anos de amizade, né? Apesar das brigas e desentendimentos da minha parte... eles se vão mesmo assim.


E ano que vem Macapá vai estar bem mais agradável desde a última vez... e todos se reencontram. Que bom!




Jucksch, Márcio.

Montag, 20. Juli 2009

Have a little faith in me


O velho xamã precisava viajar velozmente entre os países necessitados de sua mística presença. Assim, por meio dos sonhos, chamou o aviador que, numa casualidade do destino, acabou por precisar pousar seu zepelim na mesma clareira em que o velho bruxo acampava.

Ao ouvir o pedido daquele senhor, o homem-dos-céus, usualmente orgulhoso de seu ceticismo bem cultivado, não encontrou em seu coração qualquer impedimento para satisfazer a vontade do ancião. E, assim, partiram.

Já navegando entre as nuvens, contudo, o aviador não resistiu à tentação de fazer ao velho um pequeno gracejo acerca de sua fé inabalável. "Posto que é engraçado" - começou o aviador - "Toda a vida acreditei que os magos como vós podíeis voar"

"E com razão", sorriu o ancião.

"No entanto, cá está o senhor, no meu zepelim..." - riu-se o aviador

"Voando" - riu-se o xamã.


Alguém reconhece?



Jucksch, Márcio

Donnerstag, 16. Juli 2009

300 segundos


Procrastinação.

Mais cinco minutos. Convencer-se de que há mais cinco minutos. Deixar para depois. Fingir dar importância e não fazer.

Procrastinar é a forma dos tímidos rebelarem-se. É como os covardes se recusam. É a dança dos preguiçosos, dos desacreditados, dos inseguros. Cujo ritmo é muito difícil de desaprender, mas é terrivelmente contagiante. E tem um sabor deveras familiar.

Um quê de liberdade e um quê de “pra sempre”.

Ambos ilusórios. A procrastinação é uma jaula mental. E, já dizia Winston Churchill, vem logo seguida das conseqüências. O tempo não pára.

Aquele que hesita, perde tudo.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 11. Juli 2009

11.7.09


Na numerologia existe uma coisa chamada "Grande Amor". O Grande Amor é uma espécie de contrato assumido pela alma em vidas anteriores; diz-se dele que é avassalador, que precisa ser vivido a qualquer custo nesta vida, que nutre sua força de uma profunda mudança na vida dos dois envolvidos. Um que amará desenfreadamente, sem poder esperar nem conseguir retorno pleno. O outro que deverá aceitar esse amor muitas vezes sem ter como retribuí-lo de todo.


O grande amor tem regras específicas, potentes, de duras penas para quem as infringe. Virá numa certa época da vida. É uma grande lição. Da maior importância. Não espera. Não permite o gozo de outras relações a menos que tenha sido esgotado; que a lição tenha sido aprendida, que um tenha tudo entregue, o outro aceito. Que se tenha crescido, passado adiante. E, então, que se finde. Dessa forma. Os dois saem da relação marcados para sempre. E não haverá outra igual. Mas ela acaba. Finito e inescapável. O grande amor se morre, é substituído. Possui um prazo. É terrível. Tudo marcado, como gosta a numerologia. Essa sabedoria sem o menor sentido e absurdamente fascinante.


Eu não tenho o grande amor. O amigo que estudou meus números, minhas vogais e consoantes, disse-me, quase sentindo alívio por mim. Ele. Não eu. Eu sempre quis o grande amor. Amei-o mesmo antes de saber qualquer coisa, sem acreditar em coisa alguma. Sem fé, sem crença. Amei essa mudança absoluta a partir da entrega de dois seres humanos que nisso e apenas nisso, não se podiam governar. Eu, como naquele filme das bruxas, erguia os braços e rodava pelo pátio da casa, até cair tonto. Eu, sem juízo, sem limites. Eu merecia o grande amor.


Corroí-me de inveja. Que graça tinha a vida, perguntei ao amigo numerólogo, agora que não era só o combustível para se queimar nessa paixão fulminante. O amigo, esse sim, tinha o grande amor marcado em seu destino, como uma promessa apavorante, agravada pelo fato de ter conhecimento dela. Andava receoso de seu tempo, temia pela liberdade dos seus sentimentos, dos seus gestos. Em poucos anos, aos 28 numa esquina, ele perderá o coração. Para alguém que não conhecera, regra essa essencial.


Eu não. Para os números, meu coração será sempre meu para dá-lo a quem quiser, com toda a responsabilidade por isso. O grande amor, o amor romântico, a velha idealização, todos têm o mesmo rosto. Cujo aspecto mais agradável é a loucura de ser possuído por um amor governante de si mesmo. No qual se entra sem escolha, para se perder. Todo amor é para perder pelo menos um pouco. Mas só no Grande Amor faz sentido culpar os outros.


R



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 9. Juli 2009

9.7.09


Debaixo do meu teto, o machismo é às avessas.





P.s.: Será que em janeiro realmente acontece?





Jucksch, Márcio.

Dienstag, 30. Juni 2009

Laissez faire


-Como você é má!
Por isso eu adoro.



-Você é como o pus, que infecta a mucosa, que destrói os fungos, que se alimentam dos detritos.



-Você sabe quem e o que você é para mim.
Não importa como, não importa quanto, não importa onde.
Você é sempre você.
De um jeito que só a gente sabe como é.



E quanto mais o tempo passa, mais eu sei que te conheço; que você gosta de uva itália, e que sou apenas 19 DIAS mais velho que você; que você só gosta de banana e maça. E eu nem gosto de banana; e que você morena e eu sou 'loiro'; que você é sossegada e eu sou fresco; que você é X e eu sou Y.
E por isso tudo dá tão certo.



-A vadia das vadias.
Amiga das amigas.


E por que eu escrevi isso?



Jucksch, Márcio.

(x + y)


Nada de tiros. Nada de desgaste. Nada de espelhos. Nada de azul. Nada de duplas. Nada de frio. Nada de olhos. Nada de sexualidade. Nada de Coca-Cola. Nada de 'inhos'. Nada de janelas. Nada à quatro. Nada de significado. Nada de ABC.



Nada!



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 21. Juni 2009

Na torre mais alta, à noite


Real e inelutável era a sensação terrível que comprimia o seu peito...



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 18. Juni 2009

Série: escrituário


Os segredos são nossas moedas nacionais. Seu valor é relativo a quem os recebe. Ter muitos segredos dá ao Estado-País do eu a estranha sensação de estar seguro, a sensação de saber o que ninguém mais sabe. Colecionar segredos alheios é como fazer pilhagens, retirar e retirar das pessoas sem dar nada em troca. E os segredos próprios guardados demais inflacionam as relações. Deixam cada gesto de amor caro demais, custoso demais.


Adoece quem guarda segredos se deitando sobre eles como se deitavam os dragões sobre as pilhagens de ouro e diamantes, no centro de suas montanhas impenetráveis. Gigantescas e imponentes montanhas de cobre. Em covis abertos por caminhos misteriosos, onde era coberto, às vezes por séculos, o brilho das jóias acumuladas.


O ouro dos dragões servia-lhes apenas pela beleza de tê-lo e jamais o usavam, jamais o trocavam, nem permitiam a ninguém que o vissem. Amavam juntar esse ouro, acima de tudo, e, pelo medo de perdê-lo, afastavam-se de toda e qualquer forma de vida. Tornavam-se orgulhosos, tempestuosos dragões, acostumados à satisfação de contemplar a sós o seu tesouro. Esses dragões raramente voavam, suas guerras eram tolas e sofriam com trapaças maldosas.


É preciso proteger nossos segredos das especulações, verdade. Existe o mal. Existe o descuido. Mas então existe todo o resto. Um segredo é valioso, isso é inegável. Um segredo contado altera uma verdade. Nós dizemos de algumas verdades que elas são difíceis. Contudo isso não existe, não há verdades difíceis, há segredos que não se querem dar. O segredo de que tenho medo da morte. O segredo de que não gosto quando meus planos falham. O segredo do abandono. O segredo da dor que causei e o segredo de que mereço amor.


Vejamos a Argentina com todos aqueles dólares: Uma hora a crise vem, não tem jeito. Vem para todos. E ter muito guardado não é garantia de nada. Por outro lado, também é muito doloroso dar a alguém um segredo e ver o valor dele desfalcado na troca. Mas é um risco, um risco inevitável. Daí a troca precisar ser justa. Ninguém quer ser arriscar sozinho.



Jucksch, Márcio.

Freitag, 29. Mai 2009

Seu principal meio


Às vezes, acho que esse espaço ou sua secretária eletrônica funciona como qualquer comunidade de relacionamento virtual. É tudo muito curto, muito evazivo, em poucas linhas, faltando a verdadeira intenção.

Não sei se te disse... mas hoje te liguei.



Jucksch, Márcio.

Azul, laranja, cinza


Com sorrisos, com tortura, com suor, com sede, com vergonha, com reciprocidade, com água, com ácido, com carne, com leitura, com poeira...


Com metade disto, doravante nosso apego, não seria estranho.


Since 1995



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 24. Mai 2009

Raum für Reue


Ninguém sorria pra mim igual ao meu pai.


Não é uma vaga lembrança, eu lembro muito bem. Está entre as melhores lembranças.
É pueril. Não sei como definir muito bem, talvez saiba. Era uma ação segura, natural, era constante e intenso. Sempre!
Próximo a nós estava a minha mãe, sem questão de indiferença. Delicada, doce, gentil, porém, pulso firme; questão de honra, claro. Mas alguma coisa, em mim, ficou lá no fundo. Causou mágoa. Me deixou triste. Me incomodou bastante... isso era a minha mãe. Me falavam que isso agia negativamente sobre o meu estado de espírito. Que me deixava mau em questão de suma urgência.


Eu senti ódio... ou melhor... eu sinto ódio. É constante a partir do momento que tudo isto gerou toda minha insconstancia. Eu senti ódio dela, eu fiquei triste por ela, ela me causou e perpetuou essa mágoa profundamente; isso tem a ver com cada trejeito, com cada roupa, por tudo feito com carinho, com a minha raiva, minha estupidez e não esforço pra tentar aceitar que tudo tem sua hora, ainda que eu não queira entender. E eu realmente jamais quis aceitar...
Eu nunca quis entender o porque de ela ter partido. Eu sempre a culpei por isso, mesmo sabendo de sua não culpa. Na época eu não tinha um entendimento tão claro como hoje, mas eu já ouvia falar sobre o percurso da vida. Mas sempre a culpando, sempre sentindo raiva por lembrar dela, de lembrar do seu suposto fracasso. Que ela quis me deixar pra trás, nos deixar; que estávamos sendo um peso, atrapalhando seu crescimento, sufocando sua vontade de viver.
Lembro também de um longo tempo depois ter me jogado ao mar e nadado o mais distante possível pra tentar partir como ela, e falar sobre todas as minhas dores, as quais ela era a causadora. Era uma vontade de me suicidar, sim. Eu parei! Mas ainda tinha vontade. Bem grande. E a gente sabe que, por mais que o cansaço seja excessivo, o sentimento de vazio e tristeza sempre nos induz a continuar. E é bem mais tentador. Por algum motivo eu voltei.
Ah, mãe, eu sempre estive errado. Muito errado. Como você me faz falta, uma grande falta. É horrível, desesperador. Como eu queria você aqui, eu preciso tanto. É o arrependimento.


Teve também meu irmão. Com todas as brigas, as desculpas, as disputas e o apoio sincero e único. Ele morreu aos 14 anos... não será demais mencionar a eterna saudade. A que eu guardo em algum lugar que tento esquecer e que sempre vai doer.


Apesar de tudo eu sempre sinto que não estou só. Nem triste... nem vivo.
Não sinta raiva de mim.



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 17. Mai 2009

Primeiro ato


A primeira coisa a ser feita: abra a cabeça, o coração e o zíper. O resto deixa comigo.



Jucksch, Márcio.

Freitag, 15. Mai 2009

Porta Afora


Marcelo e sua suinguêra


Há um mundo lá fora. Não é o melhor mundo. Não é o mundo que nós gostariamos de ver, nem é tão mágico, nem é tão sujo. É basicamente um mundo para se dar adjetivos, não virá adjetivado e as pedras no chão doem nos pés. Mas é um mundo real. E mesmo que o mundo real não ensine nada nem possua trilha sonora, é refrescante. Porque nossas fantasias, por mais belas que sejam, criam mofo com o tempo.


P.s.: Porque tu é, sim, meu negón cabrón. Tem a Jaca, eu sei. Mas tu é gostoso também. Hahaha.


Jucksch, Márcio

Montag, 11. Mai 2009

Engolida à seco


A dureza da vida, engolida à seco, a dureza da vida. Que era isso? Não se comparava a um suco de cupuaçu bem forte, nem a nenhuma limonada suíça. A besteira que passava e ela não via, nunca via. Do alto não dava pra ver, só se ela chegasse bem na janela. Às duas da madrugada os olhos ardiam e ela não sabia o porquê de ainda não estar dormindo. E também queria saber qual o problema. Devia ser glicose.
O açúcar que embaçava a vista, trazia a fadiga e deixava tudo mais molenga. Podia ser doença, mas quem ligava? Já dizia o poeta do senso comum, da opinião pública, da indústria de consciências: a vida tinha de ser doce. Talvez com mascavo, pra ter mais graça. E nesse mais de demasiadas soluções ninguém arregalava os olhos. Abri-los era estar adormecido... e vigiado. Quem olha para o lado entende o que eu digo. Quem acorda de um pesadelo inexplicado, no escuro, atordoado, procura, não acha, entende o que eu digo.
O ar vai. E volta. O açúcar fica. O pesadelo vai. A escuridão vem. As horas seguem ligeiras.



Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 6. Mai 2009

O não suicida, o gentil cavalheiro


A gente quer morrer... mas se tenta e não consegue concluir se cala pro mundo todo. Sem óbvias excessões. Não conversa com ninguém sobre. É proibido. É o protocolo. A gente segue, não é?
Se consegue só joga todo o peso do remorso a quem não vai parar de pensar, por um bom tempo, sobre o que poderia ter feito pra ajudar; isso acontece com quase tudo. Eu disse quase tudo mesmo. Não com todos. Acontece, é o curso da vida. A consequência, os outros entendem. A gente aceita e descansa, não é? (...)


Esquece. Está bonito. Você é o que minha mãe chama de Gentil Cavalheiro.



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 5. Mai 2009

If I were...


E nesse jogo de gato e rato... o que eu sou e o que fui?



Jucksch, Márcio.

Montag, 4. Mai 2009

Encantou


Me encantou a sua encenação fingindo se importar...
Poderia ser, também, o típico Beijo de Filme. Mas não. Ainda assim me senti encantado; você acabou se importando.


É essa mania de querer sempre alguém alimentando o ego... concorda?




Jucksch, Márcio.

Freitag, 1. Mai 2009

Não é engraçado?


Sonhei que dava uma bitoca em você. Não é engraçado?


Eu andava por toda a faculdade, com meus amigos, procurando alguma coisa.
Encontrava o professor Dutra e perguntava se ele podia me orientar na elaboração do artigo. Ele dizia que sim, que tudo bem.
E você tava lá com ele, conversando. Não entendi.
Me despedia dele e quando disse tchau pra você... um abraço, um beijo gracioso. Na boca.


Você disse:
- Ei, aparece. Tu nunca me ligas!
Respondi sorrindo:
- Eu sempre te ligo.


Sonhei que dava uma bitoca em você. Não é engraçado?




Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 23. April 2009

X


Sim.

Definitivamente, pra mim, nada precisa ser um terror explicito, desses que te assustam, não deixam dormir. Não. É fato que é bem mais assustador o que me atinge psicológicamente - sendo isso não muito extensivo.
É bem mais assustador algo que se mostra um infinito de "nada" a minha frente do que estar no escuro e pensar que algo pode estar por trás de mim, tentando puxar meu pé. Se sentir num vazio é o verdadeiro terror. Hoje, acordei com medo. Meu peito apertou por qualquer coisa que seja, que prefiro enconbrir com fantasia.
Não estou gostando nada do rumo que o tempo está me fazendo seguir, da velocidade estagnante do mês de marasmo que é Abril, de como tudo está parando a cada hora.
Não queria tratar nada com o alto teor psicológico, antropológico, físico. É apenas estar incomodado. Ultimamente, aliás, me sinto não muito inteligível, tentando trocar seis por meia dúzia.



Eu só queria tentar passar o que é assustador pra mim, o que assusta... que tudo está tão assustador quanto essa garotinha psicótica na imagem acima.




Jucksch, Márcio.

Sonntag, 19. April 2009

Outros espaços no mesmo plano





Lar...

O espaço privado que nos abastece para o político e público. Esse fundamento cuja construção e existência se celebra. Porque, de tão poderoso, sua mera expressão em palavra escrita ou falada já revela uma energia escondida; uma reserva inusitada de calor e acalento, nem muito e nem pouco, só o bastante para finalizar o ciclo. Até que possamos voltar.








Espaço...

É provavelmente o que há de maior para se dar em uma relação. É também a coisa mais complexa a se pedir. E, no entanto, é o que pode se tornar de mais excessivo, no caso desses dois procedimentos – dar e pedir - terem sido repletos de equívocos. Se os relacionamentos fossem um mercado, espaço seria mercadoria de alto-risco.





Jucksch, Márcio.

Escute aqui...


"É tudo uma questão de como você vai juntar os cacos. De informação, de sentimentos. A vida não existe de fato. Ela existe de invenção. Toda consciência é na verdade uma ficção, um fio de ordem para o caos e “fato” é simplesmente a ficção com a qual os outros concordam. Isso não a torna “menos” qualquer coisa. A concordância é algo muito importante. Pois cada nova consciência destrói uma antiga. Assim só pode ser uma questão de como se organiza o seu vitral, quando termina o dia".




Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 9. April 2009

Uma memória triste...


No dia 8 de Setembro de 2007 eu me permiti morrer. Assim como minha antiga família, pai e trajetória.


No dia 9 de Abril de 2008 minha mãe comemorou mais um aniversário. Com menos um lugar à mesa.


No dia 8 de Setembro de 2008 eu nem mesmo compareci à missa de 1 ano do nosso mútuo falecimento.


No dia 30 de Setembro de 2008 eu completei 19 anos.


Hoje, 9 de Abril, é aniversário da minha antiga mãe. Ou devo dizer mesma, contemporânea... ou apenas mãe?


Eu nem sei mais a quanto tempo foi que foram nos buscar, todos de branco, pela última vez. E também nem queria saber da angústia, do amargo enfático da morte aos 13 anos.


E a inquietação nem é por esse pouco de lágrima que insiste em cada pesamento, mas, sim, por a saudade nunca explicar se ela é pior quando se está distante... ou perto.


Você pensa que é uma conta simples, mas não sabe se eu quero fazê-la.


Esses números não são capazes de ser apagados... então parabéns, Mãe!




Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 1. April 2009

Come crashing in


Há tanta coisa por fazer. Que o mundo me traz e que eu proponho a ele.


Eu faço. Nem tudo que ele me traz, mas o que eu proponho e ele me permite fazer.


E as coisas que eu espero de julho podem ser um sinônimo de vencer os limites do que eu quero e do que o mundo quer pra mim. Ou não. Pode não significar nada. Mas eu tenho que tentar.



P.S.: Eu odeio futebol, acho.



Jucksch, Márcio.

Montag, 30. März 2009

Ad.


Eu a quero. Assim... não para mim, mas assim. E quero que saiba.




Jucksch, Márcio.

Samstag, 28. März 2009

Mandamentos de mim


E alguns dias eu serei imaturo. Ridiculamente imaturo. Assim, tremendamente mesmo. E esses dias serão bons, mesmo que sejam bem chatos. Bons para eu ver que não há crime nenhum nisso. E que as crianças são bem-vindas.




Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 19. März 2009

Qual a minha certeza? Qual a sua certeza?


Certeza De Que


O encanto de um perdularice altivo é inegável



A pasmaceira e parvoíce frente aos hábitos notívagos é enjoativa



A comédia na austeridade e freqüência de voz daquela época pode ser gentil

A aquiescência em ser a personificação do ranzinza acontece sem perder o brio



É bom não ser bom com delongas e chato deixar escapulir uma palavra aqui, um riso alto ali e um olhar torto lá



É ótimo se permitir tudo, viver, ser o impensável, se confrontar consigo mesmo e fazer disso a maior das piadas



Se cansar do excesso de detalhes, aceitar que a tragédia é você mesmo e que ela tem um belo sorriso ainda que um olhar carregado de ânsia, mágoa e pouca experiência... é feio e bonito





E às vezes eu até lembro de perguntar "Agente morreu?"



Jucksch, Márcio.

Freitag, 20. Februar 2009

When, today, technically... and the fear


Quando criança eu costumava ter sempre um mesmo pesadelo. Havia uma criatura maligna perseguindo quem eu amava e os matando todos, roubando-os de mim, e eu não conseguia vê-la. Eu sabia que ela estava atrás de mim, mas toda vez que se aproximava, tornava-se um vulto indefinível. Uma noite, decidi me virar subitamente para trás e olhá-la. E a criatura tomou forma. E nunca mais sonhei com ela.



Hoje me pergunto: qual é? O seu grande medo, qual é? O que é? O que te espreita nas sombras e te segura? Se você pudesse descobrir qual é o seu maior medo, você poderia enfrentá-lo? E você deveria? Ou será que o grande medo, o monstro debaixo da sua cama, é exatamente o que te segura no chão? E se isso for bom? E se ter medo for bom?



Tecnicamente o medo é um instinto de proteção. Gerador de duas reações básicas: ou ficar paralisado, ou atacar. O alerta desse instinto pode ser real, é possível estar a caminho de uma enrascada quando nosso instinto nos diz “pare!”. E pode não ser. Talvez você esteja só vendo semelhanças em uma situação segura, com uma insegura. Contudo, o cérebro não foi adaptado a todas as possibilidades do mundo. Numa perspectiva evolutiva, nossa estrutura neurológica emocional é muito mais velha que a racional. Ela recebe os sinais do ambiente primeiro, e sua reação tende a suprimir a razão. Embora esses sinais não estejam necessariamente bem interpretados, podem significar uma vida salva. Ou uma preocupação inócua. Em ambos os casos, você precisa da sua cabeça para decidir isso.



“A vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem”, de acordo com Horace Walpole.



E o medo pode ser tão burro, desconectado da realidade, reagindo a estímulos sem ligação com um perigo. O medo pode ser tão parecido a um gatinho silencioso; bastante assustador numa noite escura, com seus olhos arregalados e se confundindo às sombras. Mas tão só um gatinho. Que se você se aproxima devagar, pedindo permissão e ele permite ser tomado no colo, acaba por descobrir nele uma parte sua precisando ser tranqüilizada. Se o medo é como algo dessa pequenez, dessa carência de afagos e tolice, então... então deve haver algo melhor para te segurar. Assim o medo deve ser só um alerta. Não uma base. Não um princípio.



Bases e princípios são coisas que nos guiam. Coisas que podem estar erradas. De modo que o medo pode ser muito útil se lhe dermos ouvidos. Mas ele precisa sair da esguelha, precisa ser olhado de frente, em sua verdadeira dimensão, e receber um nome. Às vezes, para o seguirmos, quando ele tem algo realmente importante a dizer. Às vezes, não. Só para dizermos a ele que estamos à altura do desafio. O nosso medo precisa ser visto.



R







Jucksch, Márcio.