Donnerstag, 18. Juni 2009

Série: escrituário


Os segredos são nossas moedas nacionais. Seu valor é relativo a quem os recebe. Ter muitos segredos dá ao Estado-País do eu a estranha sensação de estar seguro, a sensação de saber o que ninguém mais sabe. Colecionar segredos alheios é como fazer pilhagens, retirar e retirar das pessoas sem dar nada em troca. E os segredos próprios guardados demais inflacionam as relações. Deixam cada gesto de amor caro demais, custoso demais.


Adoece quem guarda segredos se deitando sobre eles como se deitavam os dragões sobre as pilhagens de ouro e diamantes, no centro de suas montanhas impenetráveis. Gigantescas e imponentes montanhas de cobre. Em covis abertos por caminhos misteriosos, onde era coberto, às vezes por séculos, o brilho das jóias acumuladas.


O ouro dos dragões servia-lhes apenas pela beleza de tê-lo e jamais o usavam, jamais o trocavam, nem permitiam a ninguém que o vissem. Amavam juntar esse ouro, acima de tudo, e, pelo medo de perdê-lo, afastavam-se de toda e qualquer forma de vida. Tornavam-se orgulhosos, tempestuosos dragões, acostumados à satisfação de contemplar a sós o seu tesouro. Esses dragões raramente voavam, suas guerras eram tolas e sofriam com trapaças maldosas.


É preciso proteger nossos segredos das especulações, verdade. Existe o mal. Existe o descuido. Mas então existe todo o resto. Um segredo é valioso, isso é inegável. Um segredo contado altera uma verdade. Nós dizemos de algumas verdades que elas são difíceis. Contudo isso não existe, não há verdades difíceis, há segredos que não se querem dar. O segredo de que tenho medo da morte. O segredo de que não gosto quando meus planos falham. O segredo do abandono. O segredo da dor que causei e o segredo de que mereço amor.


Vejamos a Argentina com todos aqueles dólares: Uma hora a crise vem, não tem jeito. Vem para todos. E ter muito guardado não é garantia de nada. Por outro lado, também é muito doloroso dar a alguém um segredo e ver o valor dele desfalcado na troca. Mas é um risco, um risco inevitável. Daí a troca precisar ser justa. Ninguém quer ser arriscar sozinho.



Jucksch, Márcio.

2 Kommentare:

Jess hat gesagt…

ô, meu amor, ninguém quer ser riscado à toa...

que saudadinha!

como você anda? à passos firmes e pausados?

um cheiro,

Jess.

____ hat gesagt…

hum.......bem Márcio Pão na usando gravata mesmo.

Tá rindo a toa, de bolsos vazios!!
ahahahaha

...Ou tá rico e comendo pela beiradas ??!