Mittwoch, 31. Dezember 2008

O que se guarda na memória


“Usamos uma moeda: quando cair cara, eu falo de mim; coroa, você fala de você. Tudo devia ser recíproco desse jeito, mas não é, mas aqui pode ser”


Decidi este fim de ano que minha vida tratará da história contada. Eu serei um guardião da memória. Meu decreto interior é que nada do que amo ou amei poderá partir sem registro. Minha batalha impossível é contra o esquecimento; pois todos deveriam saber contar suas vidas e nunca o ir podia ser um roubo das possibilidades de conhecer, de entender. Tudo que foi vivido merece ser contado e precisa. Precisa tanto.
Pois nenhuma tristeza, por mais imensa que seja deve permanecer escondida, pois toda alegria é um pequeno milagre que precisa de ar. E o milagre da morte - esse que me desperta a raiva e clareia que não há potência que com ele possa -, talvez assim seja ponto e vírgula, que eu tanto gosto, uma pausa nem tão curta, nem tão longa, seguida, às vezes, de um esclarecimento. Que aquele que foi, ocupe mais nossa mente do que o que poderia ter sido.


Dizem que não há lugar para ir, que não há destino, que nessa vida apenas se anda. Não sei se é verdade, e estou me dando um.


Aqui, no meu peito, eu quero poder contar numa frase como é um sorriso e como os olhos brilham, a substância magnífica que existe nos silêncios, a gravidade e a freqüência da voz. E o que dói, quero mostrar um pouco de dor também, pois isso torna a felicidade mais grandiosa.


“Guess what, guess what”


Ainda não dou conta. Mas tenho um destino.




Jucksch, Márcio.

Dienstag, 23. Dezember 2008

A felicidade parece com um segredo mal-guardado


É mesmo muito triste o homem que não enxerga coincidências.


sou um monte de experimentos individual e autônomo e posso sair por aí experimentando o que eu bem quiser. Mas, a cada vez que faço isso, torno algo real, algo completo. Permito que algo exista além de si mesmo. E quando isso é retribuído, então eu existo também, como se assim o movimento estivesse completo. A cada vez que uma pessoa me ouve, me toca, me lê, me ama ou faz amor comigo eu ganho mais cor, mais contorno. Torno-me menos opaco e minha impressão no mundo se fortalece.


E cada coisa que dou amor se torna maior no mundo.



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 18. Dezember 2008

Culpa e manipulação


Chore bastante,
Ele não vai perdoar você, ele não pode perdoar você. Isso seria tão grandioso e tão além da humanidade para esse nosso rapaz que, menina, é como se não houvesse nada a perdoar. Ele não pode perdoar você. E, por isso, a lembrança que você deixou vai estar sempre atrapalhando a sua história. Chore rios. Ele é nobre demais para odiar você por tê-lo deixado, de modo que o perdão está ainda mais distante. As pessoas chamam de amor o que não passa de uma prisão. É esse o problema com os heróis; eles não sabem que a raiva é redentora e liberta. Bom, na verdade, esse é o menor dos problemas, porque ele não vai odiar você. Mas você vai.
Chore para sempre.



Jucksch, Márcio

Sonntag, 14. Dezember 2008

E vai passando


- Eu estou morrendo.

- Por quê?

- Eu sinto.




Jucksch, Márcio.

Sonntag, 7. Dezember 2008

Consciência


Nossa
Eu adoro escrever!



Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!



e você imaginou um grito.


Talvez tão forte que tenha de fato ouvido-o tal qual ondas sonoras de verdade tivessem movimentado em uma grande amplitude e alta freqüência os músculos minúsculos e com nomes engraçados que te fazem ouvir. Ou tão pequeno e ralo, como todos os gritos abafados dentro do poço profundo de qualquer que seja a sua tristeza.


Só não o meu grito
Nunca o meu grito


Mas um grito seu que não é um grito qualquer, pois esteve dentro de você durante muito tempo

e

esteve o tempo todo esperando por mim e meu grito sem voz de - papel virtual e pseudo-tinta - para poder ser gritado.

E isso é lindo; como é lindo os transplantes de coração e os aparelhos respiratórios e toda sorte de artificialidades que nós, humanos, criamos para que a vida possa existir, para que você tenha UM instante, UM grito.

E isso é tão lindo quanto eu posso ser. Ou pode chegar a ser tão lindo, se eu me esforçar bastante. Eu escrevo, e isso reverbera. Mas não poderia reverberar sem você. Então obrigado. Muito obrigado. Eu amo você.





Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 4. Dezember 2008

Abre aspas, fecha aspas


"Hoje vi numa estante um livro sobre a felicidade duradoura. Mais ou menos a sinopse anunciava um auto-ajuda para pessoas que não conseguem relacionamentos duradouros, empregos seguros e, enfim, vidas felizes. Dizia que ninguém tem "muita sorte" por ter conseguido aquele namorado maravilhoso... e que todas as pessoas felizes fazem um puta esforço contra vulcões sedutores, perdularices, exageros, cosmos. Fiquei achando tão bonito, apesar de apolíneo. Fiquei achando que é uma sabedoria esta de a gente se achar um pouco, de a gente se calar um pouco, de a gente aquietar".


Season



Danckwardt, Márcio.

Montag, 1. Dezember 2008

Somos


Nós que somos amigos não entendemos das escolhas dos outros. Não somos amigos por isso.

Não realmente. Não sabemos o que faz o outro não dizer, que é que lhe dá preferência pelo silêncio. Nós, amigos, não temos um amor especial pelos amigos dos nossos amigos; que não são nossos, mas que conhecemos, pois ser amigo é também ter vidas íntimas em comum.

Não há para nós explicação dos sumiços que dão, das dores que sentem ou das fugas que fazem.

Não fazem sentido as opiniões políticas controversas, atiradas como balaços para refutar ou reforçar alguma súbita atitude. Por vezes nem se encaixam seus hábitos notívagos, ou suas necessidades criativas, a boêmia adotada ou mesmo seus amores de grandes proporções, com que quer que lá seja nosso estilo de vida - ou nossa fase.

Não, não.

A gente amigo possui acesso a mais fatos, claro; mas, na verdade, é raro realmente concordar com como vive o outro. Ou onde, em alguns casos. Nem sempre uma amizade significa uma compreensão especial ou um entender mágico onde as palavras são desnecessárias, nem sempre.

Pode também se tratar de esforço, puro e simples trabalho.

Um dia talvez isso signifique esperar, em outro sair de onde é confortável e estamos seguros. Não somos só amigos por termos um perfeito encaixe, às vezes é simplesmente porque queremos sê-lo.

Porque queremos entender, por tentarmos ouvir e desfazer os nós ou por estarmos lá (de verdade, presentes).Só que tem dias em que não damos conta. E ainda somos amigos.



P.s.: Dezembro começa de forma chata; cheio de imaginações, dando pista tortuosas. Acontece que é dezembro, mas não que esteja envelhecendo. Porém mudei, hoje sou mais pragmático. Que merda!





Danckwardt, Márcio.

Sonntag, 23. November 2008

avec tout mon amour, mon amour


Quero dizer que nos amemos sem dor; sim, eu ouvi falar das implicações malditas, cantadas por todos os poetas infelizes, esperançosos, infiéis e potencialmente suicidas (ou suicidas de fato), que dizem esta exigência costuma trazer. Sim, já me contaram que esse amor traz consigo um assustador cheiro de tédio, que é inverossímel, que só se acha no fim do terceiro bloco dos filmes, após os comerciais, mas quero esse aí.


Quero que o grande risco para essa nossa relação seja não correr risco algum. Pelo menos não mais que os riscos naturalmente corridos por duas pessoas que largam o conforto de estar a sós para deixar entrar as manias do outro, aquele ronquinho suave da apnéia, o andar encurvado, o tique de jogar o cabelo pra trás no meio da conversa e estalar um por um os nós dos dedos.


Acho que eu e você temos vocação para um amor de velhinhos. Velhinhos que dormem exaustos e acordam um pouco antes para "dar mais uma", por que não? Somos "modernos". Dos que brigam por bobagens, também, pois passam o dia inteiro um com o outro e precisam se enjoar um bocado, para irem fazer outras coisas da vida e voltarem anciosos de saudade.


Como isso faz parte de você ou por quanto, não sei; sei que me enfadei de vulcões, fundos do poço e caminhar em beiras de abismos. E, se faço umas tempestades, respeita, sem levar em conta, que tem muita força no hábito.



Danckwardt, Márcio.

Freitag, 7. November 2008

Por que estou postando isso?


Ultimamente só tenho pensado em políticas monetárias. Câmbio, tributos, recolhimento compulsório, liquidez dos ativos, meios de pagamento, inflação, juros, taxas de redesconto, gastos, arrecadação, divisas, dólar.



Tá tudo meio complicado e interessante. Um conteúdo bem aplicável, já que a crise financeira mundial nos dá vários exemplos atualizadíssimos desses processos.



Estudem Economia, recomendo!



(Vocês sabiam que a Rede Globo é uma das 10 maiores empresas do mundo?)





Danckwardt, Márcio.

Mittwoch, 5. November 2008

Mega


Granitos. Estranha propriedade granulada de aglutinação dissoluta como um alto-falante em interferência. Aqueles dois fones que não saem dos ouvidos. A ordem direta: de um ao doce. Escondido em dia de chuva por detrás das córneas.



O barco treme. Pensa nas velas. Outras lentes perdidas correndo sob a tempestade. Uma mancha no colete. Nos joelhos.



O barulho abafado de um saco de gatos. Instantâneo acusa objetivas abertas por tempo além.



When I think that I'm over you, I'm overpowered.





Danckwardt, Márcio.

Samstag, 1. November 2008

Revirando Baús


"Eu queria te ter dito. Mas quando pensei a respeito não tinha nada a dizer. E sobrou vazio, sobrou silêncio. Não aquele de palavras que querem sair, sofridas, esquartejadas, entre sal de lágrima e secura do vento. Não era esse. Era aquele silêncio de quem foi falar e percebeu que já disse tudo. Que nem entendia o que tinha dito, nem o que precisava dizer, mas já disse tudo o que sabia. Eu te beijei nessa hora. Aí tu foi. E sobrevivi. Queria te contar que fiquei arrasado, que caí em prantos, que me arranhei, que corri, que ia te pedir pra voltar. Mas tu foi embora e eu voltei. Eu sobrevivi. Doeu, sim. Aquela dor do machucado que a gente só sente na hora do banho. Aquele frio interno que só esfria de noite e com Chico. Mas nem foi toda a dor que eu queria e me disse então que nunca tinha te amado, porque se não me matou, não era amor. Foi isso que me salvou. Eu virei um cínico. Por ser romântico demais."




P.s.: Fio de prata, crônica de 31 de julho que eu já nem lembrava mais. E não, eu não sou alcoolatra!




Danckwardt, Márcio.

Freitag, 31. Oktober 2008

Vertreibung

Mon Luiza e Ich

Atopias. Distopias. Não queria que o tempo parecesse tão linear em certos momentos. Não queria ter que pensar na palavra "irreversível". Não queria não poder mudar uma escolha errada feita. Não queria magoar as pessoas. Não queria nunca reconhecer que nesses jogos todos, quem tem dados na mão por vezes se fere. Não queria que nada fosse desse jeito. Não queria que alguém se apaixonasse por mim. Não queria que alguém não se apaixonasse por mim. Não queria me apaixonar por ninguém. Não queria poder amar. Não queria que os sentimentos não fossem recíprocos. Não queria ter terminado um dia tão divertido vertendo lágrimas na frente da multidão. Não queria, nunca quis, como a janis joplin, que se rasgassem por mim e tivesse que voltar pra casa sozinho. Não queria ser frio, de forma alguma. não queria ser brinquedo, utilitário, comodidade, joguete, leva-e-traz. Não queria ter apanhado. Não queria sentir essa dor, que não é só da perna, é coisa que vem de dentro, sufoca, inebria, enche os olhos e não transborda, não passa. Já dizia Ana C.: fica boazinha, dor. Uma hora fica. Ou eu acabo como a Ana C. o mundo, meu bem, não vale o mundo.

Danckwardt, Márcio.

Donnerstag, 30. Oktober 2008

[3]

Decadence Mode On

Um número recorrente. Sempre. Nunca duplo, sempre com um lado escuso, atrás da porta. Partes do show: a preparação, o vinho, as cervejas. Danças do tipo loveshack, beijos, abraços, carinhos, risadas. Perder a dignidade na boite, sempre, faz parte. Trocas. Uns vão, uns voltam, passa pra cima e pra baixo. Cada vez mais socado. Há quem se decepcione, há quem se anime nas probabilidades. Cardigan. Cabelos molhados de suor, cabelos recém-lavados, cheiro de cigarro. As marcas no outro dia. A casa na seqüência, o aprendizado dos cliques. As risadas, a inocência. Tudo que partilho. Tudo quanto quero sete horas da manhã. Vermelhos, negros, nossos olhos gris. Quando bati a porta no teu pé, me olhaste e acenaste com a câmera. 3. Creio que transpus a crise. E agora, 3 ou até mais de 3. Tipo quatro horas para acordar.

Jucksch, Márcio.

Montag, 20. Oktober 2008

Alles gut, "okay"?


Eu vivo às vezes uma besteira de achar que só posso sair para ter diversão garantida. Para ser diversão garantida.

Só sei ser sorriso.

Para quê isso? Quem escreveu que, se não é para rir e dançar loucamente, melhor ficar em casa? Tem dias que eu quero meus amigos por perto, minha gente risonha ou chorosa e seus fardos e relatos de caso; quero ficar presente, mas não quero brincar. A gente vive uma ditadura de mostrar para o outro que tudo está bem, tudo ótimo, consertado, vou levando, vai levado. E não precisa.

Sabe? Não precisa. Posso sair, estar em muitos e ficar tranqüilo; sem fingir divertimento, sem fingir entusiasmo. Só estando ali, basta. É maravilhoso quando acontece de estar todo mundo alegre e vibrando junto - a gente faz um samba. Se não acontece - tudo bem. Só é maravilhoso porque é espontâneo, do contrário é coação.

E eu sou livre. Para sair com o pessoal e decidir que quero voltar antes, até à pé – quem sabe? – ou com uma música velha no carro e ir mais cedo para a cama. Tem vezes que não está tudo certo, mas eu quero um bocado de carícia positiva, nem precisa ser muito, um bocadinho já deu para dormir abastecido.

Eu ia dizer “foi sorte encontrar quem entenda”. Mas nem foi questão de sorte.





Jucksch, Márcio.

Freitag, 10. Oktober 2008

Nicht heute

Robson et Moi

Ah não! Hoje não; hoje não quero saber porquê você se atrasou, porquê não retornou, o que achou do meu texto e que pensou em mim, mas não pára de ligar. Nada pessoal, amor, te juro. Eu também não quis ouvir da roupa que a menina deixou jogada no chão, que tinha que descer com o cachorro, do sabão que a empregada se esqueceu de comprar, do bolo que não subiu, do dinheiro que sumiu e de como que o frango queimou.

Hoje ninguém me suporta, meu bem. Deixei o telefone tocar, mandei minha irmã se calar, não liguei pra mamãe pra perguntar como tá, por puro despeito não quis discutir e meu cunhado se espantou.

No meu colo eu não deixei ninguém deitar, cobrei cada conselho e até os amigos menos carentes me acharam um tanto...

Não fui no mercado, não entreguei o trabalho e tirei a pilha do despertador. Não paguei as contas, matei a terapia e joguei lixo no chão.

Tem uma semana que a mola do meu colchão se soltou e eu não falo direito com a Rosa; o mendigo de ontem tinha dito que ia chover e mentiu, agora o dia acabou e eu não fui doar sangue. Então não me dê nenhuma desculpa, só fica quieto e me abraça que hoje foi um dia ruim e eu não vou pro céu.

P.s.: Esse texto é pra Jaiana, porque não nos falamos há quase um ano... e também pro Robson - ele foi muito em dias tão fodas!

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 9. Oktober 2008

Esquina da Ipiranga com a São João, SP


Existe um certo estigma em relação a médicos e seus filhos. Acham que temos muito dinheiro e podemos comprar o que quisermos.
No caso da minha família, temos o suficiente pra viver bem. E só. Mas esse post é apenas pra dizer da sensação boa que tenho de pensar nos lugares que o dinheiro já me proporcionou a oportunidade de estar.
Sim, eu gosto do meu dinheiro.
P.s.:Ah! Ando me sentindo um FUDIDO... mas isso foi só pra constar mesmo.





Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 1. Oktober 2008

Eltern verkaufen


Vendemos Pais. Dos bons. Daquele tipo que já não se encontra no Brasil. Temos Pais, senhoras e senhores, com P maiúsculo, para espanto de todos. Aqui temos mestres sem medo da responsabilidade, homens para ensinar outros homens e para amar meninas que não temerão seus maridos e amantes. Encontramos - quem sabe (?) - a cura para algumas depressões. Há pais de todos os tipos. Mais velhinhos e barrigudos, de pouco cabelo e muito saber. Há mulatos e negros, dançantes e brutos - mas não dos que batem, que desses o mercado já se saturou - Pais sorridentes, com sorrisos canalhas que conquistam mulheres ou homens com o canto do olhar. Até os mais tímidos, calados e sábios, que ensinam com suspiros e atos o que outros precisam falar.



Tem também os viajados, que é preciso ganhar dinheiro; para tristeza dos seus pequenos – verdade - que aprendem desde cedo o valor de mostrar todo o amor ao homem que volta, ao invés da raiva que fica por medo dele nunca mais retornar. São todos presentes, contudo. E cobrantes, não se iludam, rapazes. Estes Pais não dão mole em serviço, nem se contentam com pouco, nem nos permitem nos enganar.



Hão Pais, meus amigos. Hão Pais neste país. Para nos lembrar o que são leis, o que é respeito, o que é o dinheiro dos outros e qual é o valor do nosso próprio dinheiro. Dos que dão bengaladas nos maus exemplos para seus filhos, aos mestres que erguem a voz sem receio do ódio dos jovens. Pois sabem que, quando mais odiados, é que são mais necessários.



Poetas, atores, músicos, e todo tipo de médicos para curar. São os salvadores desta nação ferida, que ao contrário do que se pensa, precisa agora de limites para descobrir como seus sonhos podem se realizar. Advogados, engenheiros, contadores, e todo tipo de artistas para tocar nossas almas e trazer nossos gênios à tona, ensinando-nos a estar uns com os outros, conhecendo nossa solidão, sem, por isso, ter medo de amar.



Estão à venda para oferecer à próxima geração. O preço é nos educar.



P.s.: Ahh, Mein Gott! Acho que estou meio despirocado... estou com mania de "meio" também, sácoé?





Jucksch, Márcio.

Dienstag, 30. September 2008

In our head all beauty is a bit of sin

Na cabeça da gente toda beleza é um pouco pecado. Dá azar e tem algum preço. Beleza mesmo não presta para amar, é ruim. É difícil ser muito belo sem deixar de ser outras coisas, eu acho, presumo - nunca fui.
Num romance da Isabel Allende, a protagonista fala assim: “Decidi que eu era bonita, porque queria sê-lo”. Deu-se por aí comigo também, acordei um dia, olhei-me no espelho e disse “Pois bem, cansei. Você é magro, é pardo e seus cabelos são secos e se recusa a mudar, mas vou ter que conviver com você pelo resto da vida ou, pelo menos até os trinta, de modo que vamos ter que nos entender”.
Aí tirei a roupa e sentei no chão. Então levantei, curvei, virei, torci. Mexi em tudo ao alcance – e no fora de alcance também – até as coisas fazerem sentido. Foi o mais longo exercício narcisista que já experimentei. Repito-o em alguns domingos. No dia seguinte dei a cada parte do corpo um novo significado, até me reinventar. Coluna torta e coxa fina, joelhos ossudos e peito baixo, fiz tudo contar algum segredo.
Já quem nunca foi feio não conta história. Nem precisa se esforçar para ser interessante, de modo que se interessa pouco pelo outro, parece. Tem, bem verdade, um quê meio sobrenatural, de gente não existente. E nunca vai precisar descobrir do que é feita a beleza inventada.
Hoje acredito tão piamente nessas mentiras que conto, que logo passo a ser lindo. Mas não lindo dessas belezas que doem um bocado, feitas para satisfazer os sonhos dos outros, às custas dos prazeres da gente. Lindo desses que se convencem e um dia acordam e são.

P.s.: Estou muito impressionado e triste comigo. Isso é meio meu... meio Isabel Allende também. Hahahaha.
E Feliz Aniversário para mim, né?!



Jucksch, Márcio.

Samstag, 20. September 2008

Passionate way


Estive pensando e acho que me apaixono assim: pego um fragmento de gente e faço dele um todo apaixonante. É de idealizar; e nisso não vejo problema, que gosto de idéias. Enxergo num alguém um conceito: de liberdade, carinho, coragem ou desprendimento. O conceito apaixona. É cobiça, desejo, qualquer coisa que prende e que guarda. Num dia ou no outro aparece e dispara seja lá o que estivesse trancado e aí pronto. O conceito faz pular um muro, quebrar a cara, superar distâncias. Ele chama chama chama e então se esvai com a proximidade, de perto todo mundo é vitral.
Porque amor não é assim. Amor é coisa de quem já viu demais para se satisfazer com um fragmento. Amor precisa de mais segurança, de trato e tem, sim, a ver com hábito. Se a paixão é a idéia que dispara a criatividade, o amor é o projeto em vias de ser realizado.



Meu amor exige cumplicidade. É amor de companheiros que já têm subentendido que ao chamar um o outro é convidado. É amor de duas lanternas, cada um com a sua, iluminando o mesmo caminho. É sempre um amor de dois.



É para vir em dupla! Pelo menos comigo: idéia e projeto. Sonho e execução. Paixão e amor. Ninguém conhece de longe, mas, francamente, para que sair da solidão confortável sem boa proposta? A paixão é meu convite.





Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 10. September 2008

Prudence, dear!


Hoje sê prudente. Que os ritos têm força e evitam mal-entendidos. E maus entendidos também.





Agora que conhecestes o fim do mundo, tenta algo novo. Pisa no chão já andado. Bebe em águas antigas e cresce com o bom-senso dos sábios. Já sabes que é permitido de tudo e isso te torna teu único responsável. Hoje respeita teu medo, ele é um bom aliado; são teus sentimentos que percebem o mundo, é bom manter-se em contato.





Desacelera e relaxa, o tempo acaba virando instrumento. E, é mesmo, o que tem demais em evitar um ou dois machucados?





Jucksch, Márcio.

Montag, 1. September 2008

Today I let you all


Hoje eu te permito tudo.
É teu dia de voar, estás autorizado.
Hoje, a contar de já, terás vinte e quatro horas para viver sem amanhã. Para que grites, para que chores. Para dizer a teu pai todas as palavras engolidas, para estepear tua mãe, fazer as malas. Para quebrar a casa. Para arrumar a casa. Nestes mil quatrocentos e quarenta minutos podes fazer o que amas ou te estarrece, como aquela humilhante ligação que só prova que não conseguistes esquecê-lo. Quanto tempo isso vai levar? Talvez tu retornes, deixe quinze, vinte mensagens desesperadas para ele te ligar. Para te amar de novo. Para te amar primeiro. Não importa - tudo pode.
Mas não perdes tempo, que tens um dia inteiro. Ou melhor, perde! Não levanta da cama, dorme de roupa, termina com tua linda namorada sem cérebro. Eu, com toda minha autoridade, hoje deixo tu fazeres o impensável. O que é? Trepar com um desconhecido? Amar de cara? Ou - deus, até isso - dizer um não?! Tens minha garantia: pode negar sem deixar de ser amado. Nada de jogos, nada de medos. O que quiseres, vale. Te confronta com a morte, vive de paixão, dança um funk. Cobra da vida as tuas carências.
Mas vive sem pensar hoje!
Para que possas descobrir o valor de acordar no dia seguinte ao fim do mundo.


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 31. August 2008

Det är bra att jag vet inte agera

É bom que eu não saiba atuar.
De repente o grande talento do ator é saber represar o que sente. Mais importante que sentir o mundo é ter a medida exata do que entra, do que passa. Não sou bom com esses domínios. Sou da palavra escapulida, dos risos altos e olhares tortos. Sou de tropeçar. Nem sei onde termina o meu corpo e começa o dos outros, minha mãe não soube me dar limites. Escrever é melhor; as palavras eu doso, apago, virgulo. Tem suas dificuldades, que engulo letras e não digito rápido, daí o pensamento tem de aprender a ir devagar. Se fosse ator, estaria perdido: não sei sentir sem tornar meu.
Há quem faça coisas por paixão, sim. Mas tudo quanto é escritor que conheci tem necessidade. Começo a achar que é regra geral: escritura é artifício egoísta. Escrevo para a língua poder descansar, para dominar o que sinto, ser de novo o dono de mim. E quero ser lido por pura vaidade, que gasto um tempo precioso nessa empreitada. Aí faço-me parecer nobre, obra de alma grandiosa, citando o Mia Couto "(...) - Escrevo conforme vou sonhando (...)" para " - Ensinar alguém a sonhar".


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 27. August 2008

En gammal lögn


Desfaço aqui uma velha mentira: eu nunca escrevi poesia. Sim, quando criança, fiz uns versos bobos; feito qualquer menino que descobre naquilo um jeito de arrebatar elogios da mãe. Mas, com umas poesias roubadas que nunca entendi, convenci a família inteira de ser poeta. As poesias me faziam torcer o nariz, nem românticos, nem simbolistas me conquistavam. Moleque atrevido; eu via aqueles velhos narigudos e pensava "Que diabos, essa gente é doutor em rima?". Dedicava-lhes a todos o devido respeito de minhas leituras, citações e cândidos olhares perdidos. Tudo balela: fui a criança mais insensível que já conheci e nunca tive paciência para aqueles bichos falantes. É que eu era sábio. Com os anos a gente vai sabendo menos.
Tampouco tristeza, quanto dor de amor. A poesia me veio na raiva feito um rugido. Foi a cara rachada, o pé torcido e a coluna entortada que trouxeram a poesia. Eu a busquei com falsa humildade, e encontrei a porta fechada. Chutei e continuei do lado de fora. Então sentei no umbral e a li. Sem mágica, sem truques: estou lendo portas. Algumas serão sempre portas, umas se abrem com o tempo, outras, de poucos, ensinam. É que eu vivi quase um nada e errei erros de jovem. Mas tenho aprendido em fechaduras.
Aprendi, por exemplo, que poesia precisa ser lida em voz alta e para dentro, primeiro. Que a mente precisa estar vazia, porque as imagens vêm de fora. E que preciso tentar ouvir a voz de quem escreveu. Preciso ficar quieto...
O resto ainda não descobri. Mas já sei que é preciso de tempo e, se não houver, paciência, não foi escrito para mim.
Poesia me acalenta. Sacia meu leão escondido.

Essa fera que ruge tanto, mas só pede amor.



Jucksch, Márcio.

Freitag, 22. August 2008

Ett hjärta

Eu tenho um coração apertado com cordas em nó. Vou te contar: tenho disfarçado tudo com essas tempestades; passo apressado pela cidade, encontro os amigos, despeço, chego inesperadamente em teatros e risos, saio das mesas com um beijo e passo pouco tempo a sós. Tenho rido maldosamente e usado casacos escuros, conto histórias e faço romances. Giro garrafas, jogo verdades. São dias de porres homéricos, sono inquieto e muitas espinhas e poucos cuidados. Estou um egoísta polêmico.
Então eu desabo.
Como sempre desaba quem espera em filas da vida alguém que lhe diga "Cheguei, pode acalmar".
Não sou muito bom com delongas.


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 20. August 2008

Lite mer om män

As palavras dos homens são ásperas. Os carinhos dos homens têm barbas. As peles são rigídas e os pés, calejados. Eu sou um homem que anda demais. Tem dias que acordo uma moça; sensível, choroso, quero colo, quero sexo, fazer amor. Que as palavras sérias dos meus amantes machucam, que seus prazos e datas e estréias... tem dias que quero trair. A mim mesmo, aos pais, ao homem, garoto, rapaz com quem durmo.

Quero o amor de mulheres, seus lábios suaves, suas vozes doces. Quero também as emancipadas, lésbicas, descabeladas e rudes.

Tem dias que queria falar com meu pai; perguntar o que diabos é um homem, se é feito de pedras. Se é feito de lágrimas. Se é feito eu.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 19. August 2008

Talar om män

Aos dezenove anos, me sinto no direito de falar sobre os homens. Mas não sei bem o que.



Era algo sobre como somos entre nós, aquilo que nenhum de nós conta. Sobre nos temermos e amarmos, era algo sobre força: Sobre sustentarmos às farças uns dos outros em nossos ombros largos. Mas sobre como nos apoiamos também, como nos admiramos em estrondo ou silêncio. E disputamos uns com os outros por admirarmos e para sermos admirados uns pelos outros. Como achamos importante ter o respeito de um homem que respeitamos.
Sobre sermos leais e guardarmos nossos segredos; de quantas imbecilidades fazemos pela risada do outro, do quanto nos dói o olhar decepcionado do homem amigo e engrandece o elogio em voz forte.

Que é sim, escondidos, em mãos e olhos de outro que nos descobrimos meninos, para depois, com mulheres ou não, nos descobrirmos homens.

Que são tempos dificeis para nós também, que carecemos de quem nos conte como se ama, se anda e se fala, respeita e guerreia. E buscamos nos da nossa idade tais descobrimentos. E tão companheiros às vezes somos que certos de nós se fazem irmãos.
Outros, errados ou certos, fazem-se amantes.


Jucksch, Márcio.

Lekfull

Não sei o que estou fazendo; talvez o objetivo seja esse mesmo. Lembra quando te falei de presentes, que a vida nos dava presentes de uns jeitos estranhos, que por vezes precisávamos nos perder para encontrar algo valioso? Eu falei a verdade. Mas não sei o que acontece quando esse algo valioso parece nos tirar do caminho onde nos achávamos, e nos arrasta para um desconhecido com a promessa de encontro. Você não mora aqui. Eu sei, você acha essa frase óbvia e a conversa vai continuar. Mas você não mora aqui, e a obviedade disso é o que encontro todas as manhãs no lado da cama em que você não dormiu, em todas as despedidas que não são pausas para nossos compromissos, mas retorno à realidade. E no fim de cada ligação, tenho de perceber que um minuto a mais seria um furto de nossas vidas, porque não vivemos juntos. Não pertencemos ao mesmo mundo. Estamos sendo irresponsáveis e tolos por achar que estarmos cientes da dor nos torne imunes, não torna. Estou cada dia mais assustado e cada dia confio mais a você. Será a ânsia de todos os amantes confiarem de si ao outro para estarem sempre lá, feito os trejeitos que nos percebemos tendo, muito depois do fim?
Eu tenho dormido dias inteiros, como se minha cidade nem merecesse ser vista e o ápice das vinte e quatro horas são os teus telefonemas.
Decidi livre e conscientemente existir só nesse nosso planeta impontual e imaginário, e fico mesmo indignado quando ele se auto-destrói tantas vezes ao dia. Ontem te provoquei até brigarmos, confesso. Até eu sentir a tua raiva e ouvir tua voz ficar firme “estou apaixonado! É diferente”. Precisei desligar ali, porque era com isso que eu queria dormir. Não uma despedida condescendente que me permite a vida, que me entende as horas e me compreende os fardos. Não a confiança do amor simples, eu queria a insegurança apaixonada. Que é inimiga das horas, não perdoa atrasos e odeia a ausência, porque ontem eu tive medo.

Tive medo de bruxas.


Jucksch, Márcio.

Montag, 18. August 2008

Kärleksstigen

De recente pesquisa, devo dizer que um amante é essencialmente insaciável, que todos os amantes deviam ganhar na primeira viagem, senão manual, no mínimo a seguinte instrução: Não vai ser suficiente. Não me foi dado, farei isso pela sociedade, portanto, eu mesmo:


Não haverá mágico momento de desligar o telefone depois de atingido o número preciso de “eu te amos”, manhas, vozes chochas e equivalentes. Não haverá vitória ante o cansaço do outro, sua voz dura do longo dia, seus calos de trabalhador. Nem ressarcimento por seus atrasos destas vias oriundos. Não ganharás respostas que contentem tuas palavras, as que dissestes e as que querem ser ditas, poupe garganta. Pouco se compreenderá da tua própria súbita dureza, do teu cobrar ingrato que fala com o corpo e faz ir quando quer ficar. Amadureça; já estás cobrando ao achar que não deves cobrar. Use a garganta. Tampouco existirão músicas e filmes e culpa que preencham o vazio na tua cama quando teu amor não aparecer, nem, na manhã seguinte, serás acometido de uma vontade divina de viver. E creia sempre: para cada infeliz jogado entre travesseiros, há um insensível ganhando fama e dinheiro. E sim, são eles os saudáveis. A segunda ligação não mudou o mundo, a terceira também é punida com realidade. Ninguém te roubará a vontade de retornar, nem mesmo já ter retornado. Tuas faltas não serão compreendidas; porque soa como doença, sente como doença e, em certos casos, até cheira feito doença, mas estás obrigado a superar. Em alguns minutos, de preferência já. E só, que a insatisfação é também científica que, além das próprias abobrinhas, plagia a arte a proclamando que nada melhor à mente e corpo que se apaixonar.

P.s.: Hahaha. Há melhor entendedora que Carol, gente?


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 17. August 2008

Idag

Hoje eu acordei com um grito
Deitado ao meu lado na cama,
ironicamente sorrindo ao me encarar.


Era um grito de homem, vi seu rosto;
mesmo sem ver teria sabido no momento que senti sua perna peluda nas minhas costelas,
empurrando meu corpo da cama,
num golpe certeiro, sem receio de machucar


Antes que eu pudesse reagir, pulou sobre mim, engalfinhou-me no chão até que eu abrisse minha boca para arfar. Então se atirou goela à dentro, desestrangulando a garganta que eu não sabia mais como usar. Encheu os pulmões no limite do que o coração conseguiu bombear.


Virando-se louco no meio do estômago até que eu entendesse sua mensagem de grito:
Não só as mulheres dessa família devem lutar.


E já que os homens vieram castrados, a natureza encaminhou um diferente para gritar


Deu-me sim uns olhos ternos e um riso fácil, nutrido de muito amor, escolas caras e uma BMW.
Deu-me um caminhar etéreo de quem parece não ter fardos.


Mas deu-me muitas mães, a vontade de ser pleno,
uma tesoura para as mordaças e o amor por machos,
para que eu visse o ódio no rosto dos outros
e, no meio do medo, tivesse de escolher entre me esconder ou brigar.

E eu, Márcio Jucksch, filho do rio e neto da chuva, que já fui calmo, que já fui plácido;
agora carrego no ventre uma semente de tempestade.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 12. August 2008

Den perfekta par

Voces conhecem o casal perfeito? Pois bem, vou apresentá-los. Eles se encontram lado a lado, no último andar de um bolo em cima de uma camada de glacê. Eles não precisam necessariamente se olhar, mas somente manter um sorriso idiossincrático que, conseqüentemente, resultará em questionamentos sobre a real felicidade.

P.s.: sem comentários óbvios, ok?

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 10. August 2008

Var ett skämt


Ontem eu, definitivamente, não consegui brincar. Não entrei na brincadeira. Talvez seja essa a idéia do teatro: entrar na brincadeira. Não quero virar o menino da história que diz "mãe, o rei tá nu!"

P.s.: é quase igual ao que, certa vez, meu avô me disse: quando me sinto confuso ouço fogos sabe Deus de onde e em seguida a chuva.


Jucksch, Márcio.

Titta där

Olha ali... era vidro e se quebrou.
Ainda estou acostumando com meu quarto sem espelho; mais tarde vou ter que me acostumar com meu quarto em outra casa. Isso realmente me deixa triste. Não que eu tenha problema em mudar de casa, se fosse outra... mas essa?! As minhas lembranças estão nessa casa, aqui eu posso visitá-las sempre. Mas e quando eu não puder mais vir aqui, sentar na mesa da cozinha de tarde com a luz que entra pela porta, que é a mesma desde quando eu nasci?! Ou subir no terraço para ver os fogos e as estrelas, e o quintal lá de cima?! Ou... tem mais tantas outras coisas mais... depois só vou poder visitá-las na memória, mas a memória vai se misturando com os pensamentos e se perdendo na imensidão deles. Não quero chorar, mas já chorei algumas vezes; e até a gente sair daqui já serão muitas.
Eu sempre tive a impressão de que eu iria viajar pelo mundo todo, mas sempre voltaria para essa casa e para casa dos meus avós. Sabe o lugar que te dá a impressão de que tuas lembranças são enternas? - se é que é isso que eu estou tentando dizer.
Agora estou sentido o mesmo que eu senti quando li cem anos de solidão... uma nostalgia que dói muito.
Ai, ai...


Jucksch, Márcio.

L.Y.

Apatia e sutil segurança podem gerar desdém (você não precisa saber do que estou falando).
Esse fim de semana passou arrastado; divertido por ter começado na quinta e lacônico por ter terminado do jeito que terminou. O intermédio disto foi um festival de... nada que seja mesmo interessante. Faz tempo que aprendi a diferença entre provocar e sacanear. Infelizmente, certas pessoas ainda não. Mas agora eu só estou cansado de ter andado o dia inteiro, ter me frustrado nas tentativas tímidas de começar algo e isso só desanima diante da noite inteira que terei para não pregar os olhos - tentando de novo, quem sabe. No entanto, alguns fatos como usar o elevador da Big Ben, pensar seriamente em trocar risole de queijo por steaks com arroz, querer tirar foto no meio da rua enquanto os ônibus estão bem longe e subir uma ladeira com promessa de um copo d'água no fim da jornada - sendo que não teve foi porra nenhuma, apenas 'bafões' - me deixam mais conformado por gastar tanta sola de tênis velho.
Dica: só conheça seu próximo após um grito reconfortante e F.D.P. de lealdade a tudo que você considera possível de um sentimento, digamos, pródigo. Nem tanto amador.

P.s.: no envelope estão também as antigas fotos que tiramos após aquela tarde quente naqueles terminais abandonados que, ludibriados por nossa inconseqüência intangível, chamamos de... nossa casa!


Jucksch, Márcio.

Jag vill gå tillbaka

Eu quero voltar para ficar, porque lá é o meu lugar.
Quero voltar para as coisas que deixei.
Por onde ando não dá para ficar, porque lá é o meu lugar.
Será que tem alguém à minha espera? Quando os dois braços abertos me envolverem como antigamente vou chorar.

P.s.: alguém se habilita a comentar?


Jucksch, Márcio.

En bekännelse till Sidney

Existe algo compensador em toda futura e (aparente) presente mazela possível: a terna e presente felicidade.
É, eu te amo.


Jucksch, Márcio.

En skrivelse till uppvaknande

Não, não tenho uma foto bonita, cool e arrasadora para postar. Estou com preguiça, com dor nas costas, com várias consultas médicas marcadas para semana que vem e não rematriculado em nenhuma das faculdades. O último caso se resolverá em breve.
Afetivamente estou satisfeito de um jeito estranho de entender e passando por mudanças. Tudo bem, é natural. O importante é a sensação de bem-estar que se tem nas horas mais inesperadas. Uma prova da felicidade? Hum...
E a saudade dos velhos amigos e a necessidade de poder compartilhar com eles as novidades que são velhas para mim, mas que serão interessantes pra eles e vice-versa...
Estou com vontade de escrever cartas pra cada um com o intuito de lidar melhor com o passado.
Amei e ainda amo alguns de voces com o melhor da minha lealdade e amizade. Aos do presente, que sempre façamos o possivelmente melhor. Nós arrasamos!


Jucksch, Márcio.

Behöver inte vara för evigt

Não precisa ser pra sempre.
Pode ser agora e bem junto ao âmago; pode ser no instante seguinte e que você possa sorrir comigo.


Jucksch, Márcio.

Bara vill ha ett foto

Quando tu chegas em casa depois de uma noite inteira por aí... uma noite surpreendente, escorregadia, cheirando a vômito, colônia de priprioca, enxergando várias histórias estapafúrdias tomando forma ali adiante, mas fixando-se num ponto cada vez mais longínquo. As melodias de canções confusas, dispersas na escuridão que vem do alto. O vento frio não dá conta de manter em pé quem está inconsciente. Água, água, água mineralíssima para escorrer garganta abaixo, apoiar-se no concreto novo e rígido. Caminhar seguindo a rota, os sinais que apontam a direção: o oposto do sol nascente bem atrás de nós. Dividir uma cama sem saber quem é o outro. Alcançar o lar sentindo a energia esvair-se langüidamente, os portões abrindo pelo favor que tuas mãos deviam às tuas pernas. Observar seu próprio reflexo e desejar apenas um retrato.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 5. August 2008

Bisarr - sarkasm


Sucesso no sertão semi-árido do Nordeste brasileiro, Neide Aparecida (a Neidoca do grupo de forró mais conhecido do Brasil, o "Coentro com Sal Grosso"), foi surpreendida pela minha equipe de reportagem que estréia o quadro "segredos dos artistas". Siiiiiiim! Queremos saber os segredos de Neidoca. Sua beleza é incontestável, belíssima.
Mesmo surpresa Neidoca foi finíssima e abriu a porta de sua Choupanã que fica em Piriri do Caráio à 4, onde a Maria rezou o terço e o João comeu pamonha, para nossa equipe desfrutar das belezas e saber tudinhoooo sobre seus segredinhos.

MAIS SOBRE NEIDOCA

Além de dançarina do grupo "Coentro com Sal grosso" Neidoca é atriz, modelo/manequim, apresentadora de programa infantil e canditata a participar da 'Danças dos Famosos' do programa do Faustão!
Ela tem 1, 45 de altura e pesa 38 kg.
Suas experiências anteriores vem desde o tempo que era pequena, onde ela junto com uma burra, carregava água para sua cidade.
Foi descoberta por um olheiro que ficou em dúvida se levasse a burra ou a Neidoca para ser a dançarina do grupo Coentro com Sal grosso... ele resolveu levar Neidoca, já que a burra recusou o convite.
Neidoca manda um beijo para os fãs e diz que logo lançará um passinho novo pra novo sucesso do grupo.

MOMENTO BELEZA

A DICA: Neidoca recomenda aos seus fãs um banho de Jacuzzi diariamente. A aguá deve ser do poço e meio barrenta, isso eliminará todas as estrias - ela indica tomar o banho de biquineco ou 'maiozão' preto, e sempre que possível usar arruda pra espantar o mau olhado.

OUTRA DICA: Para caber na jacuzzi compacta que nem a de Neidoca, é necessário fazer algumas aulas de introdução ao contorsionismo!!! Que lushoooooo!!

CABELOS: Creme Rinse colorama rosa!!! E mensalmente amacia com Hennê ou Marú!!!

PELE: Nas palavras da própria Neidoca "Cê cata a laranja e casca... ae ucê aproveita e chupa até o bagaço, dae ucê pega as casca e esfolia no rosto e fica com pele de jaca" -> palavras de Neidoca.


A DECORAÇÃO: Neidoca salienta que a decoração da casa a inspira muito, então um recado aos fãs: tijolo baiano é o que há!!! Tendência!!! Moda!!! Glamour!!! Vamos, gente, pegaremos os "tijolo", juntamos a cambada e sentamos um muro. Depois tem a churascada e ainda aproveite o sol pra ficar bronziadis... que chiqqqqqqqqqq!!!

* Neidoca não quis comentar sobre seu affair com um ex BBB, ela disse que isso é algo pessoal!!! *

Comentem, fãs. O que acharam da vida íntima de Neidoca????


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 3. August 2008

Hon var? Ja, det var

Atípica.
De jeito envolto em camadas e mais camadas de suspense. Não era do tipo 'inefável' pra causar desconfiança. Não. Gostava de viver... só.
Não sei se era atípica. Sempre me confundo ao querer rotular; é isso que sempre acabo fazendo. Desculpe.
O mau-humor nunca variava. Era sempre o mesmo que não tinha hora certa pra começar - das 10h da manhã ou se não, às 16h da tarde. Era incrível como mantinha hábitos detestáveis pelos pais. A distimia sempre a levava a confrontar-se com aquele 'eu' pouco interior. Era de uma esquizofrenia ímpar, como disse uma tia morimbunda um dia. Era uma pessoa triste, mas tentava ao máximo deixar isso passar despercebido.
No dia, com pessoas próximas, era agressiva. Gostava de machucar, mas no fundo sentia a culpa pesar. Tenta dia-a-dia matar essa humanidade que, entendia, a deixava fraca. Porém, outras vezes, entendia que ter essa parcela de humanidade não era tão ruim; por ser humana o suficiente era que podia despertar seu lado mais grotesco, mais animal.
Tinha paixão pelo sadismo, sarcasmo, humor negro. Gostava de sentir prazer com a dor de outrem. Ela podia, não se considerava uma pessoa boa. Não era boa o suficiente para isso. A vida social era pouca, e fazia o máximo pra diminuí-la. Não era misantropa, era intolerante - entende?
Sabia ser benevolente com quem merecia. Odiava a educação nos seus extremos, ela gostava de ser insultada a todo momento. Tinha espasmos de raiva de quem, pasmém, não a fazia nada. De quem não queria ser mau. Deixou muita coisa para trás. Deixou muito coisa passar a frente. Hoje em dia pensar em se desligar de tudo que já foi relevante na sua vida.
Ela só não quer se apegar para depois ter que se tornar a pessoa mais destrutiva por pura falta de paciência.
A inépsia dos outros, a todo momento, a incomodava e lhe provacava pensamentos assassinos. Uma solução drástica sempre seria mais cômodo.

Eu gosto dela. Ela me atrai. Ela sempre aparecia pra mim no mesmo momento, na mesma hora, no inevitavel momento de contraste com a realidade.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 2. August 2008

Denna text har ingen titel

Ontem sonhei com lagartas. Daquelas que nos queimam
Estavam por toda a parte
Eu não me queimava.
Mas fingia que sim, para poder pedir ajuda
E alguém atrás de um vidro me observava, estático. Não como uma pedra, mas como uma nuvem que passa e mantém a forma. Sumindo sem você notar.

O que eu senti depois?!

Eu não senti, eu acordei. E vi a parede verde do meu quarto e minha mãe gritando cinco minutos depois dizendo que o café estava pronto e que se eu não me apressasse eu perderia o ônibus.


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 27. Juli 2008

Jag vill inte


Não. Não quero!

-Mas é preciso. Aprenda-me.
-(...) Numa tentativa, frustro-me. Noutra, mal espero por desligar-me, não posso. We do it for run (...)

-Fato é que tu me juras implicância dois minutos antes de nosso dia acabar e, o outro, começar em branco.
-Sério... então... "quando você sabe que o desconhecido existe e aceita-o sem tormento, o que ainda falta é o você para guiar o tu".

-Eu sempre te vi como meu arquétipo, minha imensidão lôbrega, de um inefável momento. De uma idiossincrasia meramente copiada; porém, penso, probo, não é?!
-Eu só penso que te amo. Eu não consigo e nem quero pensar na possibilidade de te demonstrar isso. Eu sei, fica parecendo indiferença... e a cada 'eu te amo' que te digo, tu pensas mais na possibilidade da banalização dos meus sentimentos e, conseqüentemente, na tentativa de querer fazer o mesmo com os teus. Mas isso seria de um cinismo ocasional que eu não acharia graça alguma. Mas eu te amo e pronto, não procuro passar dias construindo o que se acaba em segundos, assim que eu encontro conforto em algo que pode proporcionar o que eu desejo; não me apego em pensamentos fanáticos. Eu te amo nesse exato momento, sinta-se feliz. Em outro, não mais nos amaremos e tu... só irá seguir em frente com uma dor, talvez, gostosa dentro do peito, e as seguintes palavras no pensamento: "eu poderia te dito a-q-u-i-l-o".
Mas eu te ofereço - como prova prosáica de sarcasmo - esse trecho:
"Ele havia dado todo seu amor e em troca recebeu o tempo. Tempo de dizer adeus, pois a reviravolta é constante e vai do início até o fim sem pensar no seu bebê. Você pode até trazer a esperança, mas as palavras já estão perdidas num espaço tridimensional".


"Fato é que era muita coisa 'jogada fora'. Muita coisa que me incomodava. Gente que tolerava as palavras erroneas de outrém, gente besta que tentava um anacronismo pra tentar ser aquela cujas palavras vinham da profundidade de sua alma dilacerada. Aquilo me incomodava. Incomodava, sim!"


Jucksch, Márcio.

Samstag, 19. Juli 2008

Semester: dekadans


Poxa, eu sou bem do tipo vagaba, cara. Consertarei isso nos próximos dias (ou não).

2:08 da manhã, insônia broxante, vamos atualizar o blog. Na foto, sou eu super sensual (meio que escondido), com uma galera quase tão sensual quanto eu na escandinavia, o qual é fortemente sensualismo puro - ainda mais agora que eu estou em solo subdesenvolvido, manja? - na Suécia. Poxa, eu tenho sentido uns espasmos de saudade da Suécia, assim, inacreditáveis. Se eu não fosse forte pra caramba, diria que estou virando emo (coisa que TODOS que estou revendo andam alegando. Aqui é só tu ter uma franja, um vans e se vestir diferente e já te classificam como viado).

Voltei há dois dias. E foram os dois dias mais estranhos, EVER. Acho que acostumar aqui foi mais estranho que acostumar na Alemanha. Eu cheguei e vi os prédios, os buracos nas ruas, a quantidade de nordestinos, o trânsito e o preço do Bono - o biscoito mais tezão - e me peguntei: "bróder, foi sempre assim?". Mas agora até que tô acostumando. Acostumando entender 100% o que as pessoas falam na rua (porque, no caso, uma das coisas que eu mais fazia na Alemanha era fechar meu cérebro pro resto do mundo. Eu sei, é difícil de entender), ver gente morena (tipo, BEEEEEEEEM morena!), não ser mais o gringo que pode falar o que quer e ninguém compreender, ver tanta piriguete... porque não sei se é só eu, mas eu ando notando um aumento na população de biscates nessa São Paulo, cara.

De qualquer modo, minha vida agora vai ser somente repouso. Vou tentar não reclamar. Poderia ser pior. Eu poderia ter que... ahn... sustentar 7 irmãos e uma mãe enferma. Ou... ter que fazer malabares nos faróis enquanto tá 10 graus lá fora. Ou... ter minha perna comida pelo Chuck, meu crocodilo de estimação (oops, isso aconteceu mesmo!).

P.s.: post feito da grande São Paulo - que não passa de uma cidade de merda. Pensei que ia ter uma recepção mais calorosa, mas não foi bem assim. Só o que encontrei foi uma cidade fria, seca, cheia de gente meio que sem axé baiano. Hoje a tarde, Macapá; segunda, cirurgia. To extremamente estressado, agressivo, destrutivo e depressivo. Mas como será minha chegada? Segundo meu PAPAI: cheia de alegria bolo e guaraná. Sim, igual a festa da Xuxa, bróóóóóder!!!

P.s.: IRE, DU GEILE SAU! Wenn du voll braun bist, werd ich ECHT sauer. Ich sag's dir, fang schon jetzt an, ein paar tezões zu pegar! Du hast so viele sachen mit mir gelernt, mach mich stolz auf dich, ja? hahaha und hier... also, ich hab auch nich soooo viele shorties gesehn, aber wenn mein kurs anfängt kann ich dir weiter erzählen hohoho. E AÍ, TAMO NESSA CARNE? hahahaha.

Ao som de: Jürgen Paape - so weit wie noch nie



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 15. Juli 2008

Någon annan?

Ah, look at all the lonely people!
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Eleanor Rigby - Beatles


Preciso ficar bêbado e dançar Barbarism Begins At Home como nos velhos tempos. Ou This Charming Man, Where Is My Mind?, Superafim.

Na verdade, é vontade de dançar com os velhos amigos dos 14 anos. Atualmente, o que é o mesmo que dançar sozinho. Ainda somos muito amigos, mas estamos muito longe uns dos outros. Então, danço e bebo por todos.

;)

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 13. Juli 2008

Marcelo

Meu menino de contos de fada.

Marcelo é tudo o que se precisa numa terra fria.
Marcelo é herói. É príncipe encantado que salva. É lenhador forte. Fiel escudeiro. Dragão. Às vezes donzela em perigo, só pra que eu me sinta útil - aliás, sempre pois eu sou mais forte. É confidente.

O menino é como eu. Sente como eu. Liga 22 vezes atrás, como eu. Briga por coisas bobas e por coisas sérias. Sente ciúme. Finge que não existe. Finge que está na Antartica.

Eu me apaixonei pelo Marcelo há cinco anos. E não vejo jeito desse sentimento parar.
Eu me apaixonei pelo menino das fotografias. Da voz grave e bonita. Do falar baixinho. Dos desenhos com nanquim. Eu me apaixonei pelo pouco de Marcelo que eu conhecia. E hoje eu me apaixono por esse menino todos os dias. Porque existe sempre uma palavra. Uma ação, grande ou pequena. Carregada de delicadeza. De singeleza.

O Marcelo poderia ser árvore. O Marcelo poderia ser floresta. Poderia ser casa.
Mas, para mim, o Marcelo é o Má. Meu homem de confiança.

Meu menino de conto de fadas.

(...)

Invejo sua sensibilidade de percepção.

O Marcelo vê as linhas que constroem a realidade.
Tira fotos delas e nos mostra. Tem gente que não vê, mas ele vê.

Tenho certeza disso.

Marcelo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Faz sombras lindas pros dias de calor.

Marcelo fala pouco.
Mas quando fala...

Algumas considerações disformes. Segue...

"O Marcelo, na minha visão, como eu descrevi, é o menino de contos de fada. Mas não somente isso. Não.
Marcelo se tornou especial na minha vida há 5 anos. E eu o odeio por isso, às vezes. É fato, sim. Quando eu gosto de alguém e essa pessoa não está perto de mim quando eu preciso, eu odeio e pronto. Fico com raiva, xingo, desejo o mau e prometo que nunca mais olharei na cara... mas o problema é que esses sentimentos explosivos e efêmeros são a causa da minha sandice com todos que eu amo. E eu amo o Tamma - sim, eu o chamo de Tamma e talvez por isso metade de muita gente sem criatividade e afim de explorar um verdadeiro mano sangue bom como eu, resolveu adotar este singelo apelido.
O marcelo é branco, 1.90 de altura, olhos azuis (que um dia irei roubar e vender no meu mercado negro), têm um corpo de tchutchuco, só namora gurias idiotas pra caralho, têm uma inteligência fora do comum (que vai fazer com que eu venda o cerébro dele também no meu mercado afrodescendente) e, pasmém, estuda Direito. E isso vem me acalmando e, ao mesmo tempo, me irritando. Eu sei que eu vou estar numa sala com outras pessoas na concorrida busca por se dar bem na área jurídica daqui há uns meses. E o marcelo vai iniciar seu 8º período de Direito... ele entende muito, bróder. O que me faz pensar: meow, esse truta sempre vai ser melhor que. E como eu vou ter que advogar por um longo período, eu sei que ele vai tornar minha vida um inferno nos tribunais. Mesmo porque ele vai ser juiz.
Ele entende tudo sobre Direito! Ele dorme com o Médi Vácão, transa com o MD, come o MD e tem lazer com o MD... cara, que guri mais expert em acabar com meu tezão. Fuck-se!
Mas acontece que hoje eu senti uma saudade filha da puta de ti, Tamma. É aquela saudade que me fez chorar muuuuuito. Assim, de gritar teu nome na minha cabeça como se eu nunca mais fosse te ver, mexxxmão! E eu peguei o telefone e te liguei, te liguei, te liguei e... me joguei no chão e chorei mais ainda. Porque eu lembrei que, em uma certa despedida, eu tava muito afim de chorar pra ti, e tu apenas me disse, olhando sorrindo, leve e solto: Márcio, não precisa disso. Tu sempre vai tá comigo, guri. Tu sabes que meu amor por ti é imenso, mais que o meu amor por minha namorada - apesar de ter chorado, eu senti uma forte vontade de ter te levado pra cama, brincado de 'true or dare' (até eu ter tirado toda minha roupa por ter te desafiado), requebrar até o chão com o dedinho na boquinha e outra na cintura, cantando sandy e junior... porque a Sandy é virgem como eu, manja, brow?!
Eu soquei tanto a porta do meu quarto, Tamma. Eu procurei companhia, mas não encontrei. Sério. Eu queria te esquecer, mas ninguém me ajudou. Mesmo a pessoa que eu mais confio aqui. Sei lá, acho que é meio proibido eu tentar te esquecer. Porque um dia a gente vai brigar nos tribunais, mesmo. Tu é o homem da minha vida, bróder! Eu nunca quis aceitar essa idéia. Mas agora eu sei que eu vou ter que me vestir de noiva pra ti um dia, né? Caraca, mano, vou pagar esse beneficio só na malemolência baiana que eu tenho naturalmente.
Eu tenho falado muito em ti com a mamãe e sempre ela ri dizendo que acha incrível essa nossa amizade a distância ser tão forte. Ela gosta muitão de ti. E eu tenho tolerado mais a idéia de que eu não posso ter todos voces, meus tezões, perto de mim quando eu quiser.
Acredita no que eu digo, Tamma! Eu te amo mesmoooooo!
Eu sei que o inicio da nossa amizade foi muito conturbada - isso com quase o mundo, eu sei -, mas é que eu sou assim mesmo. Chato, mau-humorado por sono profundo, antipático, realista. E sei também que tu me acha muito frio, como muito já me disse. Mas eu sempre tenho uma idéia boa de ti, em que tu me curti pra chuchu e eu te escravizo, porque eu não sou de ferro, né, chérie?! Maldade, eveeeer!
Mas acredito, outra vez, apesar dessa minha frieza constante, humor ácido e afro-brasileiro... eu te curto a lot! É justamente por tu ser esse estereótipo de High School Music mesmo, tá? Ainda bem que eu vou te dar um abraço logo, espero. E tu vais ter que dizer que me ama muito, tá? Porque eu vou fazer um grande escândalo quando te ver".

Acho que é melhor ficar por aqui, né? Daqui a pouco vou acabar com a tua fama de pegador das minas sangue bom daí de PoA.

Adieu, Mein Preto Sensualidade!!!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 10. Juli 2008

No blog a gente pode contar um pouco do dia, né?

Então, nem sei que foto postar aqui. Whateva!

Weeeeell, eu adoro postar aqui quando estou estressado, porque voces são uns sensuais que me dão apoio moral. GOSTOSOS =) Obrigadinho.

Bom, eu realizei que whatever se eu não estou todo party-party esses dias, porque isso é normal, de algum modo. Primeiro: eu to cansado de party-party do ano inteiro. Segundo, eu to ficando velho e esclerosado de qualquer modo. Acho que me sinto ate uma pessoa mais sábia, irgendwie.
Bom, o post de hoje será só com perolas. O chato é que é muito mais engraçado quando a gente VIVENCIA, então talvez voces achem super tosco, mas schnuppe.

Marxenhu, comendo pastel com Ilona e reparando na loja da frente.
- Meeow, como tem filial essa loja, né? Até em Hiroshima. Pow, achei que só tinha morto lá, cara...
(IRIS, NÃO ME MATE)

Tempos depois, Chelsea e eu vendo filme da Jennifer Lopez:
Jennifer Lopes bêbada diz: Sabe, eu nunca achei que eu fosse o bastante pra ele, sabe?
Chelsea interrompendo ela: - WTF, com ESSA bunda? Ela é demais pra qualquer um, eu acho.

Dez minutos mais tarde no segundo filme com a Jennifer Lopez.
Marxenhu - Cara, ela me faz sentir bem, sabe? Ela é tipo um modelo pra mim, o tipo de pessoa que fala: Ei, você ai, você tem uma bunda grande, mas você também pode ser feliz, sabe? Keep it going, brow.

Terceiro filme da noite: Hooligans.
Marxenhu - Adoro filmes com violência gratuita, principalmente se tiver muitos shoooooorties* e überhaupt nenhuma história interessante. Assim, simplesmente gente apanhando e essas coisas.
Chelsea - Eu também. É simplesmente tanta adrenalina que eu não consigo me conter. *shorty, ou seja, tezão. É tipo aqueles clipes de cantor negro americano que sempre fala um "shoooorty" pras nega deles, manja?

Steve aparece no filme sem camisa:
Marxenhu e Chelsea em unissono: DAAAAAAAAAAAAAAAMN, SHOOOOOOOOOOORTY!

Steve morre no fim.
Chelsea: tá tudo errado. Por que só morre gente quente nos filmes? Quero dizer, lembra do 300? O cara mais gostoso morreu também. Como se não bastasse só ter gente feia no mundo, os shorties morrem, cara!

E vai ter festival de ska na sexta =) To animadeeeenhu. Vai ser super tezão =D Quem estiver interessado, entre em contato, pra eu besorgar o ingresso com um precinho negritude ;) Vai ter Dr. ring ding, king django, chris murray e regatta 69 ^.^

P.s.: "ich". Ok... du bist WITZIG, ey? sag einfach wer du bist, und lass uns interessante unterhaltungen anfangen, z. B. über Globaliesierung oder so.


Aaaaaaaahhhh! Pow, Dresden é um lugar do caramba, vai dizer? Fiquei pouco tempo lá, mas paguei um pau. É bem o tipo de coisa que tu pára e fala, se estiver com um carioca (ou só pra zoar meixmu) "Bróóderrrrr, tamoxxx muito na Europa". Estou bem idiota esses dias.

Então essa semana teve Projekttag na faculdade e a gente teve a idéia de apresentar tipo um teatro (que eu tava XUUUUUUUUUPER a fim de fazer, né, amiguenhoxx?) de merda lá. Acontece que o, no mínimo imbecil do ator principal, resolveu faltar por falta de tezão de apresentar a parada... então quem teve que ser o guri principal lá? ECZACTO, AMIGUEEEENHOS. E aí, ó, sem modestia nem nada, eu fiz o negócio bem pra caramba. hahaha Pow, o professor chegou assim depois e disse "Puxa, você já fez teatro? Foi MUITO bom mesmo". Gosto de ser idolatrado heuhuehueh

A noticia mais bombástica ever: tem uma guria, do primeiro período de psicologia, apaixonada por mim HAHAHA. Me divirto. Tipo, eu percebia que ela sempre parava do meu lado quando eu tava falando em português com um amigo meu (que chegou pra morar na Alemanha na mesma época em que eu cheguei!) e sei lá, ela me seguia pelos corredores e coisas assim. Aí hoje, ela finalmente tomou coragem e me disse "hallo" HAHAHA. Aí eu respondi, óbvio, pra mostrar a elegância dos nórdicos brasileiros, e as meninas da minha classe perguntaram: "guri, você conhece?". Aí, eu disse que não. Aí a Nina, uma guria bem chica, coisa e tal, falou "Huuuuuuuuuum, é paixão." Tudo se esclareceu. Andrey, declaro em meio público que vou te largar e construir minha vida com a pirralha. Se bem que eu acho que devo virar freira (ou melhor, padre) antes disso.
Ai, bróder, acho que ela não levou em consideração que eu sou um mano do gueto super negritude que só pensa em levar a vida passeando pela quebrada ao som de um funk da comunidade, né? Mas não posso ser antipático, apesar desse meu bom-humor-afro-descendente, meow! Eu sou muito sóciopata. Fora que estudantes de psicologia deveriam ser todos como a Cássia e tramar aniquilações em massa junto comigo.

Aliás, teve tempestade lá, né? Achei muito tezão hahahaha. Nunca vi uma parada tão violenta e talz. Falou no noticiário que tava com pressão de orkan umas horas ae. Hum, tava até imaginando a catástrofe toda, manja?!

Tengo que irme. Escrever uma xuuuuuuuuuuper dissertacäo a respeito de universitários que tem que jobben. E eu achando que teria que sofrer com essa parada só no terceiro ano... minha prof. é muito gente fina, mas às vezes ela fica bem sem noção =P

Adieu, meine Loves (sou muito poliglota, meow)


Jucksch, Márcio.

Montag, 7. Juli 2008

texten har namnet ändrats


Vocês sabem como é dividir um táxi, numa viagem rápida, com alguém que já foi muito da sua vida e agora não é nada? Como se fossem completos estranhos, vocês não querem se ouvir e não querem falar. Você olha para o outro alguém como se tentasse reconhecer alguma coisa e nada. Nada acontece, poucas semelhanças com o passado, porque ninguém mais está mergulhado na mesma ilusão.

É triste, tão triste. E só. Tem vários porquês, mas não consigo falar deles da forma apropriada. Só incomoda lá no fundo e toda vez que você encontrar com ele, algo vai despertar. Não estou falando de intensidade, apenas de existência. Você sempre vai lembrar que algo esteve ali e nunca vai entender plenamente porque não está mais.

Aceitar as coisas não é conforto, não é solução. É apenas uma forma de lidar com os fatos. E quando sei que nunca aceitei aquilo? Ainda que o silêncio impere, não é o mesmo que aceitação. A compreensão é muito mais importante. Enquanto não compreender, não aceitarei. Me pergunto se ainda estou falando da mesma coisa que no princípio do texto...

Já faz quase 1 ano e eu ainda lembro de como machucou. E ainda não sarou. Nada fica mais fácil só porque o tempo passa. O conforto não vem com o passar dos meses. Quem ensina são essas situações inusitadas e desconfortáveis.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 5. Juli 2008

Slukade allt


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-x. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unha, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto, mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde, irrefletidamente, eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
P.s.: João Cabral de Melo Neto sabia das coisas, né, bróder?!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 3. Juli 2008

rökning


Olhava pela janela do prédio e repetia consigo o aviso que estava ao lado: proibido fumar. proibido fumar. Chegou até a musicalo, quase num ritmo de samba, perto de um gingado quente: prooibiido fumarrr, proibiiido fumar... todas aquelas informações sempre requisitando ser assimiladas o mais rápido possível e só conseguia captar as nuances, os lances mais efusivos das palavras, aqueles que tocam. Os que descortinam a imagem e o excluem.
Nessa manhã, havia acordado com sono - como todos os outros dias da sua vida. Preguiça é mais do que incapacidade ou defeito: é característica. Há momentos em que a retórica é simplesmente o complemento da individualidade que se permite enxergar.
Aquele sol lá fora, não sabia ao certo se realmente havia o sol de todos, entretanto, todos os poréns levavam a crêr que aquela luz, aquele mínimo feixe de luz que vinha pela fresta da cortina era fruto do grande sol dissecador de ventres. Ao sair, viu-se certo. Para afligir os desapegados, um vento. A firmeza do nascente que se exala pelas flores e distancia-se em fascinação que nada mais é do que o último suspiro do distanciamento.
No escritório, a vontade. Fumar era tão necessário quanto absorver: inala-exala-inala-exala. Quando tragava fundo, como num último apego pelo material, sentia um desconforto e simulava um segundo de náusea. Não sai nada além de fumaça. E parou diante daquela janela ensebado pelo aviso que havia desrespeitado há poucos minutos atrás. O sol já se punha e os dedos estavam pregados na beira da janela. Não equilibrava-se para viver, mas para sobreviver em liberdade.
Desceu as escadas e, ao chegar em casa, colou o cartaz que havia arrancado: proibido fumar. Só para ajeitar-se no cômodo, contemplar aquele limite e admirar o desrespeito que é a aflição do contente perseguido pelos enxames da vitória. Antes de dormir, fumou uma carteira de cigarros, mas não há janelas quando se está permeando dentro do seu próprio espaço e as portas estão todas trancadas a chave. A era do futuro está trancafiada dentro do sorriso próximo da palma da mão, o paraíso dentro do que achava que não, e onde está o chão é céu sem razão inutilmente discursado pelo entrevistado Deus que simula uma pandorga ao vento, só que sem linha.


Jucksch, Márcio.

I mitt huvud är följande

(...) Tenho a impressão de que nunca mais encontrarei a moça que me roubou. Aliás, era uma velha. Uma jovem breve velha. As pessoas demoram a entender que não tenho todo o tempo do mundo. E Ele gira por debaixo das minhas pálpebras.


É assim que se voa?
Eumeupróprioalimento
E finalmente o ser humano voou
Uet ue
Eu teu


"Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto ". Girassóis de verdade.
A salinha do alistamento militar é uma coisa terrível. Sinto-me até bem tendo meu pai ao lado. Bilac é o patrono. Me olha fundo e parnasiano. Bilac não tem nada a ver com aquelas mulheres de voz de ganso que lá trabalham. São descontentes. E repetem: Venha tal dia, tal hora fazer o juramento a bandeira. Não pode usar bermuda nem camisa regata. Oras! Juramento. Jurarei com figa. Acho ri-dí-cu-lo. Nunca farei nada por essa tal bandeira. Sabe, época individualista essa. Pátria é passado. Pátria é coisa para alemão.



Jucksch, Márcio.

Särskilda

Voces não são de nada. São uma merda, de cor inferior, de sofrimento retraído, de cor amarelada e de perdão passageiro.
E por aí...

Eu: não digo nada.
Tu: me tira o sono.

A borboleta no frasco: guardando promessas.
Os alfinetes: alfinetando algodões.

E o retrato: good old times.
E o olhar mais próximo e escuro: I haven't got anything better to do.

E a pessoa sentada, sem rosto: eu estou tentando acender de novo, de novo.
E a pessoa de olhar distante, na janela: ele está assim, só que agora perdeu o corte da franja.

E o desenho no papel: eu tenho medo de gente.
E a sombra: quem falou de primavera sem ter visto teu sorriso, falou sem saber o que era.


Jucksch, Márcio.

En pojke


Um menino meio seco e azedo esperava por alguém. Ele, que odiava esperar, pois dizia que já tinha sido muito devagar e agora tinha pressa, sentava-se todos os dias no mesmo lugar do banco – num canto a esquerda, na extremidade mais distante, quase caindo. Esse garoto, que nas outras vezes que passara por esse banco, olhava sua integridade física sem esperanças de um dia sentar-se ali, por não ter por quem esperar, agora sente-se exausto.
Ele encontra-se ali justamente no horário mais aflito da cidade. Tem o inverso do ritmo em seus olhos quase estagnados. Seu olho parece desfocado do mundo em que pisa, mas tem em seus ouvidos a música romântica e triste de quem amou em demasia sem saber que não era amado.
O som que vinha do walk-man era justamente o que o impedia e revelava as coisas do mundo. Para ele todas as pessoas pareciam mudas, pois ao falarem ele não as podia ouvir; apenas tentar ler em seus lábios algo de palavra. Entretanto, ele não o fazia. Era tímido e não achava palavra coisa interessante.
Ao passar das tardes ali esperando - os mistérios iam se repetindo - e apesar de não gostar de esperar, a rotina não o incomodava. Pois a vida era assim mesmo. Fora muito infeliz no passado irregular e novo a cada dia. Agora preferia o segredo das coisas banais e cotidianas. Nisso avista-se um pássaro.
O estrabismo não o deixava muito confiante em olhar as coisas do mundo, pois por mais que observasse, nada era muito verdadeiro. Porque olhar é um desejo de olhar.
O pássaro avistado pousou ao seu lado direito como um companheiro mudo que espera um pouco de felicidade. Bebeu daquela água da fonte e, rapidamente, como um espasmo, voou longe. O menino ficou espantado com tal velocidade.
Dia após dia, o pássaro, nos dias de sol que se faziam, ao lado daquele menino, vinha beber daquela água permanente. Não sei se era a água que sempre estaria na fonte ou as pessoas correndo ou o pássaro mudo que davam segurança ao garoto. Este permanecia ali, com aquele lábio contraído e seu jeito miúdo de ser.
Certa vez, num dia nublado em que os pássaros não tomam água, chegou quem o homem esperava – pois de tanto esperar, o garoto vira homem - ele quase caiu no chão ao se levantar para abraçar a razão do passar de seus dias. Desaprendera a usar as pernas.
Tinha a certeza de que seria tudo diferente daquele momento em diante. Pois era domingo e, nos domingos, a cidade era só de silêncio e pedras. Também era nublado e nos dias cinzas os pássaros desaparecem. E ele estaria sem os fones de ouvidos, já que agora tinha a quem ouvir.

Pareceu-lhe estranho a desrotina num primeiro momento, mas, estranho mesmo, era perceber que, as poucas pessoas que ali passavam, mexendo os lábios, realmente só mexiam sem emitir som algum. O som da água era ainda mais esquisito, pois dela havia sido feito o homem e a água-viva. E o pássaro em seu enigma dizia:

"bem-te-vi"


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 2. Juli 2008

(Im)pressões


Se eu continuar contigo...
A poeira comeria nossos dias, lenta. Vagarosamente se infiltraria por nossas narinas causando uma reação alérgica que não nos moveria, pois nesse tempo de amargura em que vivemos... tu nas trevas e eu vendo tudo cinza. Vamos ficar lentos feito estátuas. Estaremos duros e sérios de mãos dadas, plantados de enfeite em frente a um prédio público qualquer e serviremos de fundo para fotos turísticas.
Eu te avisei, como uma forma de me proteger, que nosso fim estava próximo. Essa maneira que encontramos de sobreviver era demais claustrofóbica, e egoísta. Esse modo que nos vestimos é estranho demais até para os nossos corpos.
Aquele dia que tu caiu no chão, em praça pública, foi o começo de tudo isso que agora vai chegando ao fim. É certo que eu te empurrei, mas foi tu quem disse (depois de eu ter fugido) que eu era irresponsável, falando do amor dos pais, dizendo que era mais forte que o seu e que nada nem ninguém poderia me amar da forma como eles me amavam. Falou de como eu deveria agir e disse para parar de negar as delicadezas e palavras bonitas de esperança que meus amigos sussurravam ao meu ouvido.
Todas as lembranças depois daquele junho são irreais. Inventei bons momentos contigo para não me arrepender de te amar e tu, cada vez mais dentro de si mesmo, me perguntando qual era o modo mais rápido e indolor de suicídio. Eu repetia que desde junho eu estava morto e não queria te levar comigo. Aqui do outro lado não há nada legal.
Copiasse a chave da tua casa para eu poder entrar quando quisesse. Mas por que tu te esquecias de trancar a porta? Lembro do velho abajour feito com coadores de café usados, que ficava ao lado da tua cama, impregnando aquele quarto com vestígios de todos os nossos dias juntos. O abajour é nosso único porta-retratos. Depois de transarmos, enquanto tu dormias, eu podia ver naquelas manchas nossos rostos, paisagens e até palavras. Como se fosse um labirinto de nós. Ainda antes de dormir eu tinha que me levantar para arrumar a casa, pois no outro dia eu voltaria para de novo arrumar a casa, querendo economizar meu tempo, namorar mais contigo.
Costurei teu velho casaco marrom e pus botões em todas as tuas camisas de cor suja que iam do rosa, passando pelo cinza até o verde caqui. Fiz questão de que tu usasses calça jeans, mas isso tudo foi antes da gente despirocar.
Tenho confusas lembranças do que foi feito com nosso passado. Queimamos as blusas e rasgamos as calças, e o que mais? Ah, jogamos pela janela as roupas de baixo e, para me divertir, eu tentava mirar na cabeça de alguém; e tu, tão instantâneo, jogou logo as malas pela janela.
Não existe perdão e nem desculpas para quem, como nós, deixou de acreditar na única palavra digna inventada pelo homem.
-Veja o lado bom das coisas, deita aqui do meu lado que eu vou te abraçar. E se é para tudo isso acontecer mesmo... deita aqui do meu lado. Não preciso de nada do que tu estás falando, agora vem cá. Vou te contar o que havia naquela mala que atirei pela janela.


"E isso realmente me marcou... agora adivinha porquê? Vai, tenta"

A som de: Cocoon (microwave, cliffhanger, june)


Jucksch, Márcio.