Um menino meio seco e azedo esperava por alguém. Ele, que odiava esperar, pois dizia que já tinha sido muito devagar e agora tinha pressa, sentava-se todos os dias no mesmo lugar do banco – num canto a esquerda, na extremidade mais distante, quase caindo. Esse garoto, que nas outras vezes que passara por esse banco, olhava sua integridade física sem esperanças de um dia sentar-se ali, por não ter por quem esperar, agora sente-se exausto.
Ele encontra-se ali justamente no horário mais aflito da cidade. Tem o inverso do ritmo em seus olhos quase estagnados. Seu olho parece desfocado do mundo em que pisa, mas tem em seus ouvidos a música romântica e triste de quem amou em demasia sem saber que não era amado.
O som que vinha do walk-man era justamente o que o impedia e revelava as coisas do mundo. Para ele todas as pessoas pareciam mudas, pois ao falarem ele não as podia ouvir; apenas tentar ler em seus lábios algo de palavra. Entretanto, ele não o fazia. Era tímido e não achava palavra coisa interessante.
Ao passar das tardes ali esperando - os mistérios iam se repetindo - e apesar de não gostar de esperar, a rotina não o incomodava. Pois a vida era assim mesmo. Fora muito infeliz no passado irregular e novo a cada dia. Agora preferia o segredo das coisas banais e cotidianas. Nisso avista-se um pássaro.
O estrabismo não o deixava muito confiante em olhar as coisas do mundo, pois por mais que observasse, nada era muito verdadeiro. Porque olhar é um desejo de olhar.
O pássaro avistado pousou ao seu lado direito como um companheiro mudo que espera um pouco de felicidade. Bebeu daquela água da fonte e, rapidamente, como um espasmo, voou longe. O menino ficou espantado com tal velocidade.
Dia após dia, o pássaro, nos dias de sol que se faziam, ao lado daquele menino, vinha beber daquela água permanente. Não sei se era a água que sempre estaria na fonte ou as pessoas correndo ou o pássaro mudo que davam segurança ao garoto. Este permanecia ali, com aquele lábio contraído e seu jeito miúdo de ser.
Certa vez, num dia nublado em que os pássaros não tomam água, chegou quem o homem esperava – pois de tanto esperar, o garoto vira homem - ele quase caiu no chão ao se levantar para abraçar a razão do passar de seus dias. Desaprendera a usar as pernas.
Tinha a certeza de que seria tudo diferente daquele momento em diante. Pois era domingo e, nos domingos, a cidade era só de silêncio e pedras. Também era nublado e nos dias cinzas os pássaros desaparecem. E ele estaria sem os fones de ouvidos, já que agora tinha a quem ouvir.
Ele encontra-se ali justamente no horário mais aflito da cidade. Tem o inverso do ritmo em seus olhos quase estagnados. Seu olho parece desfocado do mundo em que pisa, mas tem em seus ouvidos a música romântica e triste de quem amou em demasia sem saber que não era amado.
O som que vinha do walk-man era justamente o que o impedia e revelava as coisas do mundo. Para ele todas as pessoas pareciam mudas, pois ao falarem ele não as podia ouvir; apenas tentar ler em seus lábios algo de palavra. Entretanto, ele não o fazia. Era tímido e não achava palavra coisa interessante.
Ao passar das tardes ali esperando - os mistérios iam se repetindo - e apesar de não gostar de esperar, a rotina não o incomodava. Pois a vida era assim mesmo. Fora muito infeliz no passado irregular e novo a cada dia. Agora preferia o segredo das coisas banais e cotidianas. Nisso avista-se um pássaro.
O estrabismo não o deixava muito confiante em olhar as coisas do mundo, pois por mais que observasse, nada era muito verdadeiro. Porque olhar é um desejo de olhar.
O pássaro avistado pousou ao seu lado direito como um companheiro mudo que espera um pouco de felicidade. Bebeu daquela água da fonte e, rapidamente, como um espasmo, voou longe. O menino ficou espantado com tal velocidade.
Dia após dia, o pássaro, nos dias de sol que se faziam, ao lado daquele menino, vinha beber daquela água permanente. Não sei se era a água que sempre estaria na fonte ou as pessoas correndo ou o pássaro mudo que davam segurança ao garoto. Este permanecia ali, com aquele lábio contraído e seu jeito miúdo de ser.
Certa vez, num dia nublado em que os pássaros não tomam água, chegou quem o homem esperava – pois de tanto esperar, o garoto vira homem - ele quase caiu no chão ao se levantar para abraçar a razão do passar de seus dias. Desaprendera a usar as pernas.
Tinha a certeza de que seria tudo diferente daquele momento em diante. Pois era domingo e, nos domingos, a cidade era só de silêncio e pedras. Também era nublado e nos dias cinzas os pássaros desaparecem. E ele estaria sem os fones de ouvidos, já que agora tinha a quem ouvir.
Pareceu-lhe estranho a desrotina num primeiro momento, mas, estranho mesmo, era perceber que, as poucas pessoas que ali passavam, mexendo os lábios, realmente só mexiam sem emitir som algum. O som da água era ainda mais esquisito, pois dela havia sido feito o homem e a água-viva. E o pássaro em seu enigma dizia:
"bem-te-vi"
Jucksch, Márcio.
5 Kommentare:
acho que hoje to chorando mais do que ontem.
(lindo)
*-*
ai, quérido..
hoje em dia quem não sofre?
é tão fácil dizer isso de alguém...
esqueça diagnósticos.
e, por favor, não aceite medicações.
ah, doce, eu te amo, limãozinho :}
tava chorando.
vou ler todos agora.
olha! mas tá mesmo a tua cara, guri.
não gostei dos textos acima desse. esse tá muito lindo, márcio
muito lindo mesmo! essa personagem até parece um certo guri que eu amo muito, né? tu conheces... hauahaahuaa.
e, ah, eu não te elogio com a intenção de te levar pra cama. e que eu gosto de ti mesmo, seu pervertido. sou um homem da lei, não posso ter esses casos. haha
te amo, marxenhu!
to aki na ksa do marcelo, meu fofiiiiiinhu hahaha
vou deixar meu comentario e exigindo sua presença ao nosso lado o mais rápido possível, right?
tbm txi nhamu! hauaha
bjao!
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