Donnerstag, 3. Juli 2008

rökning


Olhava pela janela do prédio e repetia consigo o aviso que estava ao lado: proibido fumar. proibido fumar. Chegou até a musicalo, quase num ritmo de samba, perto de um gingado quente: prooibiido fumarrr, proibiiido fumar... todas aquelas informações sempre requisitando ser assimiladas o mais rápido possível e só conseguia captar as nuances, os lances mais efusivos das palavras, aqueles que tocam. Os que descortinam a imagem e o excluem.
Nessa manhã, havia acordado com sono - como todos os outros dias da sua vida. Preguiça é mais do que incapacidade ou defeito: é característica. Há momentos em que a retórica é simplesmente o complemento da individualidade que se permite enxergar.
Aquele sol lá fora, não sabia ao certo se realmente havia o sol de todos, entretanto, todos os poréns levavam a crêr que aquela luz, aquele mínimo feixe de luz que vinha pela fresta da cortina era fruto do grande sol dissecador de ventres. Ao sair, viu-se certo. Para afligir os desapegados, um vento. A firmeza do nascente que se exala pelas flores e distancia-se em fascinação que nada mais é do que o último suspiro do distanciamento.
No escritório, a vontade. Fumar era tão necessário quanto absorver: inala-exala-inala-exala. Quando tragava fundo, como num último apego pelo material, sentia um desconforto e simulava um segundo de náusea. Não sai nada além de fumaça. E parou diante daquela janela ensebado pelo aviso que havia desrespeitado há poucos minutos atrás. O sol já se punha e os dedos estavam pregados na beira da janela. Não equilibrava-se para viver, mas para sobreviver em liberdade.
Desceu as escadas e, ao chegar em casa, colou o cartaz que havia arrancado: proibido fumar. Só para ajeitar-se no cômodo, contemplar aquele limite e admirar o desrespeito que é a aflição do contente perseguido pelos enxames da vitória. Antes de dormir, fumou uma carteira de cigarros, mas não há janelas quando se está permeando dentro do seu próprio espaço e as portas estão todas trancadas a chave. A era do futuro está trancafiada dentro do sorriso próximo da palma da mão, o paraíso dentro do que achava que não, e onde está o chão é céu sem razão inutilmente discursado pelo entrevistado Deus que simula uma pandorga ao vento, só que sem linha.


Jucksch, Márcio.

3 Kommentare:

Jess hat gesagt…

"e o vazio afoga feito um oceano de fumaça..."

*:

Anonym hat gesagt…

extremamente intrigante até para o próprio entrevistado da nossa semana o Deus, né? rsrsrsrs
sabe que sinto saudade do teu mau-humor e teu asco contra pessoas humildes (burras, cm vc diz).

abraço!

Anonym hat gesagt…

A era do futuro está trancafiada dentro do sorriso próximo da palma da mão, o paraíso dentro do que achava que não, e onde está o chão é céu sem razão inutilmente discursado pelo entrevistado Deus que simula uma pandorga ao vento, só que sem linha.


eu amei isso, sabe, Márcio? Em suma, o texto tá muito bom, guri. Falando deste horroroso vício... espero que tu tenhas parado. hahaha.

Te amo!