Mittwoch, 30. September 2009

Hoje, eu posso tudo


Cocunut Skins



Estou procurando Deus e ele não está em lugar nenhum. Não nas conversas em bares, nos aniversários dos amigos, nas caronas à meia-noite. Não vejo como achá-lo, não há placas, não percebo indicações. Eu o procuro nos céus de meus sonhos; sobrevôo as nuvens de dúvidas, sobrevôo as tempestades, os relâmpagos, muito além das cidades oníricas. Mas não acho Deus. Não tenho uma pista de como ele deveria parecer, mas não aparece para mim. Não reponde às mensagens que envio pelos deuses pagãos que me visitam à noite. Os espíritos dos mortos não trazem recados dele. Eu procuro por Deus em minha casa, também não está aqui. Olhei nas outras casas e não me encontrou lá. Já o procurei nos meus pecados, mas pressenti que isso não fazia sentido.
Não sei exatamente o que lhe diria se o encontrasse, mas isso não importa. Preciso dele para me dizer algo, estou ficando surdo. Procuro Deus e não consigo encontrá-lo.


-Estou procurando um sentido para o meu aniversário também; que não seja parabéns, abraços e beijos atrasados.


-Meu avô morreu. Eu não vi. Ainda espero isso não ser verdade. Não me aproximei do seu caixão, nem o acompanhei durante o funeral. Mas ainda assim ele fez questão de me deixar um peculiar gosto de morte. Não foi maldade, foi uma singela explicação de sua ausência. No momento da partida eu estava distante, estou sempre distante. Todos entendem. Descobriram seu álbum... e lá, que ele amava a todos incondicionalmente, sem obrigação. Principalmente os netos. Porque em fotos todos sempre estão felizes. Sorrindo, sem dores, jovens e o espírito nunca abandona o corpo. Sei que você está bem, vô. Muito melhor do que muita gente quer estar. Mas eu sei, sempre faltou algo. No futuro, eu compenso.
Agora, se eu tivesse um coração, juro que chorava por você. Saudades!



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 27. September 2009

That and more

Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio

Você morreu por não abrir a porta, sozinho
Eu vivi por conter o grito em mim


Jucksch, Márcio.

Freitag, 25. September 2009

since XX

Não sei como consigo ficar tanto tempo longe de você. Não, realmente eu não sei!
Mas quando te vejo e te abraço, tenho certeza que ainda sinto o mesmo ou até mais que sempre senti... e que também esse tempo foi pouco, nem foi tanto assim!
Sempre estarei do seu lado. Seja em momentos difíceis, que você precisar desabar ou em momentos corriqueiros que costumávamos ter. Ou que eu precisar doar meus orgãos pra você, ou eu mesmo te ferindo pra te fazer desabar. Momentos que eu vomitaria minhas culpas, apunhalando seu amor, adoecendo as suas vontades e que eu até trocaria tanto do que tenho hoje pra voltar a tê-los, com você!

É só você chamar. Por meio do último suspiro de quem pára de correr. Com a força de quem sufoca a própria dor de uma fratura. E espero que sempre queira fazê-lo, como eu sempre quero! E sentaremos no chão da cozinha, comendo pão de queijo com nutella. Tomaremos sorvete de rosas, de cinzas ou de sujo, faremos remakes de filmes clássicos, você vai me ajudar a vestir aquela calça linda do brechó que não quer entrar e eu vou rir das suas imitações e de você puxando o cabelo da Isabelle!


Jucksch, Márcio.

Samstag, 19. September 2009

A encruzilhada está em nós mesmos

Há uma bondade; uma bondade primordial, uma bondade intensa e clara e simples que se contrapõe - pois a natureza tem essa regra de dois pesos, um para cada prato de sua balança - à crueldade inata dos desejos primitivos de vida e morte.

Essa bondade da velha ordem, esse cavalheirismo natural, de regras óbvias para quem as vive, cada dia mais esquecidas, cada dia mais estapafúrdias para o nosso tempo, tão reinventadas noutros nomes que nem as sabemos mais reconhecer, em você se mantém.

A bondade dos golfinhos que protegem a cria alheia, talvez por serem bons ou por meramente as confudirem com as suas (o que é só outra forma de ser bom). Ou mesmo a das abelhas, das pernas repletas de pólen que proliferam a vida das flores, talvez por amarem a beleza, ou meramente por assim serem e o estarem sendo.

A sua bondade é assim.
Que bom que retorna.


Jucksch, Márcio.