Freitag, 14. Dezember 2007

Ali


... E tudo o que pensamos ser vida se perde no menor dos momentos...

Há tempos que não vejo você ainda que eu more no mesmo lugar e durma ao seu lado. Sempre tentava roubar o momento. Sempre tentava gravá-lo em algum lugar que só você sabia; isso me incomoda muito.
Ficava parado todos os dias no mesmo canto. Te achava tão sem sentindo. Você é sem vida, só observa.

Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 12. Dezember 2007

Sem ponto final


Um cretino, sim. Não vou ser hipócrita. Eu realmente não gosto de gente que não sabe se vestir.

-Eu acordo, olho e o que vejo? Sim, um quarto vazio.
-E viva a trama que combina com o mais lindo dos ares verticais.
-Sempre a sombra do inesperado. Mal existia no tempo que havia de ser outro.
-A tardia paixão que sufocou a mais violenta das presenças.
-Guardo em ti o que de mais precioso me roubaram.
-O leve estampido das almas devoradas.
-O que nos concerne pouca crença. A variedade de emoções em um único momento.
-Triplicando o que os olhos mal podem alcançar a dez centímetros.
-Mais além, a ponte que levaria ao nada. Sem nada mais a pensar.
-Vamos deixar as coisas em igualdade de condições. Eu aqui, você ali.
-Me agrada saber que o amor é tão constante quanto a morte.
-Ausência esporádica e alternativa. Eloqüência!
-Costumeiro. A selvageria tirou tudo do lugar. Eu caí!
-Pára. Eu queria sair. Espera, você não pode fazer isso comigo. Era tudo o que eu tinha.
-O problema é sexo? Então me devore como antigamente.
-A vida é curta? Então corte caminho.
-O sangue escorre. Alterne para o modo "slow".
-Me parece que sentei no lugar errado. Hora errada. Não estamos errados. O mundo girou ao contrário.
-Olhos cansados. Estado de choque. Suor. Fantasia oculta.
-Que nada! Fica com seu dinheiro! Eu não preciso de esmola. Não sou mendigo!
-Muito obrigado! Que porra é essa? Só sou educado, chérie!
-Eu só quero alimentar-me direto da placenta.
-Vá ao inferno e colecione carne pútrefi.
-Imagina se eu diria que és tão nojento quanto a vida que leva.
-Tenha inveja de mim. Me agrada saber que sempre vai ser o verme que se alimenta das minhas pegadas.
-Me enobreça. Me sinta. Coma tinta.
-Corra. Exploda. Vomite idéias primordiais.
-Essa é sua última noite aqui. Amanhã cedo, por favor, vá embora.
-O problema é saber encaixar a peça que está faltando e entender que a vida só faz sentido no último segundo.
-O estalar de dedos contados ali. o "x" da questão.
-Breve como o vento que passou.
-Encolhido por medo de tudo. sofrido como escravo.
-A campainha repetitiva. Fulga-cidade!
-Agora sou eu. Você ainda está aí? Eu sou o Márcio, lembra?
-Ela pediu desculpa, mas não vai mais alugar o que quer que seja. Nesse caso tudo será devolvido.
-Masculinidade pra quê? Sirva-se do que tiver na mesa. Têm para todos os gostos.
-Loucuraaaaaa! Grite e seja feliz.
-Batendo as mãos e irritando muitos. Eu gosto disso! Yeah!
-Putaaaa! Eu te pagava. aceite, você foi, é e sempre será minha putinha! Haha.
-Um cachorro latiu. Que nada! Pára de beber.
-Huuum, o gosto da vitória. Seria melhor se tivesse te visto morrer. Ver o brilho dos seus olhos se apagar.
-Eu não quero te matar. Eu quero crescer.
-Inocência? Onde? Acho que há muito isso não acontece por aqui. Há muito não existi em lugar algum.
-Hedonismo? Acho digno. Só não leve tão a sério, pois tem que ser sério.
-Mau-humor? Prefiro os que são comuns no horário da manhã.
-Raiva? Essa eu não consigo sentir nem do meu pior inimigo. Os que se dizem meus inimigos.
-Brigar? Eu nunca consegui. No máximo eu começo a rir desesperadamente.
-Amor? Costuma se esconder de mim. Mas acho que começo a senti-lo intensamente.
-Filantropia? Acho coisa de celebridade que quer ser vista com "bons olhos".
-Entropia? Hum, acho tentador. Me deixa com tezão!
-Altruismo? It's over. Good luck! Sempre esperei mais.
-Parcimônia? Eu tentei, tentei, tentei e tentei. E você?
-Primeiridade? Experimenta perguntar isso pra quem está no fundo do poço. Está eminente a uma tragédia incalculável.
-Traição? A mais fidedigna, por favor.
-Extremos? Indiossíncrasias sem distinção de cor, sexo ou crença.
-Eu amo? Logo, me auto-destruo.
-O abismo? Nada mais que um passatempo.
-Por quê tantas perguntas? Ué, mais uma? E mais outra pelo visto.
-Ah, foda-se! Me beija logo. Pára com essas filosofias de galinheiro onde você tenta, educadamente, dizer que quer trepar comigo no carro, num motel barato... É tudo por pura misantropia.

Você aceita viver ao meu lado?

Prosas...

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 11. Dezember 2007

Vício e vitude


Às vezes penso ser mais que fidelidade, penso ser obrigação. Tudo é entendido como misericórdia.
Dedicar um dose certa de fraternidade à alguém é divino. Em certos momentos a falta disso pode ser entendido como descaso. Involuntariamente aceitamos a parcela de culpa.
Cobranças acontecem, mas vai de cada um entender quando ela realmente está presente. Querer carinho, atenção e apoio não é cobrança. É necessidade de proteção.
Só ser amado não é tudo. Também precisamos saber amar. Precisamos sentir preocupação, ciume daquele por quem nos instiga sentimentos bons.
Ciume é neurose, doença? Não. É estar vivo, é estar sentindo. Tente entender que é um vício no sentido filosófico. Tente, ainda no sentido filosófico, entender que também é virtude.

Jucksch, Márcio.

Montag, 10. Dezember 2007

Goes down


Um tiro certeiro nas vagas impressões que há muito haviamos prometido ser deixadas para trás.
O misto de maledicência com sagacidade de movimentos semelhantes a provas alucinantes de ternura. Um pouco de covardia para tentar um suicídio alternativo por entre frestas únicas; a baixa caloria de certas atitudes contidas por pura vergonha. Mas por que? Ah, sei lá. Eu tinha pra mim que qualquer metafísica proviniente de insatisfação por ações não aprovadas é nada mais que um cortiço para aqueles que dela querem se sujar.
Cores mal colocadas. Erro sublime do momento em que a primeiridade, diante de uma tragédia, vai para o espaço, voa longe.
Eu me cansei da mesmice a que me proponho todos os dias a mesma hora da manhã.

Jucksch, Márcio.

Turn off


E eu que sempre buscava a felicidade mal sabia que ela estava ali, me confrontando a poucos centimetros da base etérea.
Muito atenciosa, cuidadosa, voraz. Sempre negligenciada, mal tratada, não vista.
Reclamar de que? Não tenho esse direito, por tempo indeterminado.

Jucksch, Márcio
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Samstag, 8. Dezember 2007

Outrora


Lembro dos dias quentes, das manhãs de sol intenso. Alguns dias de chuva, bom pra escrever sobre o que se passa na alma. Pedindo perdão para algo ainda não visto. Um pouco de chá para resfrescar idéias múltiplas... Um filete daquilo que um dia fomos. Fomos?
Vozes distintas em algum lugar da minha cabeça. Mapas cegos de viagens tardias, um marco na história em parte inventada. Queria que sonhos fossem feitos de algo sólido, que eu pudesse manipular. Insconsciência!
Vulgo alguém mórbido. Três vezes um pedido intenso para o meu 'eu' interior.

Jucksch, Márcio.

Saw


Como quando a gente acorda, põe a mão na cabeça, passa meia hora pensando em tudo e conclui... Eu sou louco!
Ei, me empresta um pensamento? Depende. Vai fazer bom uso dele? Vai tentar aproveita-lo da melhor maneira possível? Vai ser fiel a ele?
Talvez, sim; talvez, não. Eu só preciso, acho, de uma boa conversa. Passei por algo que as pessoas pensam ser um sofrimento sem igual... A morte de um ente querido!
É fato que isso dói. Mas pensando bem é algo que nos ensina, em pouco tempo, uma parcela considerável da vida. Eu tentei não aprender tudo. Senti preguiça - vergonhoso, eu sei.
Estranho. Tal quando como o pai vela o corpo ao seu próprio lado. Assisti ao nascimento. Põe a mão no ombro e faz lembrar: a vida continua, filho. Esse sentimento nada mais é que uma ligação até nosso novo encontro.
O sentimento, diante disto, transforma-se na felicidade em sua "forma" mais pura...

Jucksch, Márcio.

Closer


E chorava...
As situações eram variadas. Por favor, alguém prestou atenção no contexto do ocorrido? Não? Ah, muito obrigado.
Eu juro que, naquele momento, eu só conseguia olhar para o caminho que cada lágrima fazia em seu rosto; era quase uma necessidade. Fiquei feliz com aquilo.
Às vezes pareciam ser lágrimas de qualquer outras coisa que fosse, menos tristeza. Podia ser um momento de felicidade que enchia seu peito e apertava tanto sua cabeça - sufocando os pensamentos - que de alguma maneira ela teria que demonstrar o que estava sentindo. Eu não acreditava!
Tudo parecia conspirar para que o ambiente entrasse em perfeita harmonia com aquilo que hora mesclava felicidade e agonia, paixão e fúria. Emblemático!
O que será, Meu Bom Senhor? Será que era algum tipo de ritual que eu desconheço? - To pensando tanta bobagem. Desculpa. Talvez o ambiente conspirador também tenha feito eu entrar em harmonia com você. Estamos ligados por algo que já começo a perceber o que é.
A prova mágica para fazer eu crêr que, até alguns minutos atrás eu era um ser sem propósito, estava acontecendo. Era apavorante, eu admito. Eu senti vontade de correr desesperadamente por entre as árvores que eu teimava querer não ver. Esnobe.
Quando menos percebi... Estava nascendo outra vez. Dessa vez para um mundo melhor, espero. Dessa vez para ser algo melhor, eu desejava.
Criação!

Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 5. Dezember 2007

Soleil


Tão criativa. Tão doce, feliz de pouco caso. Dúbia nas conversas do horário da tarde. Sempre mais ativa que uma criança...
Ela olhava para todos como iguais - jamais esqueceu do dia em que viu que todos tinham o mesmo rosto, a mesmo essência. Alimentava sonhos todos os dias. Queria estar sempre dois passos e meio adiante.
Outrora, mais ausente, cabulava lições diárias para sonhar coisas simples; pra mostrar que a vida também necessita de uma boa atenção, uma boa conversa. Precisava de um sorriso mágico.
Ela apontava seus limites. Negociava sua razão. Administrava as conseqüências... Às vezes errava o cálculo, dava um passo maior que a perna. Caia. Mas jamais perdia o bom humor. Levantava, bancava a superior e seguia feliz com seu novo aprendizado.
Gostava de sentir o vento no rosto. Abria os braços sem jamais perder a esperança de voar... Se era feliz? Não sei. Isso é algo relativo. Talvez fosse louca.
Dormiu!

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 4. Dezember 2007

Lados


*A proeza e a escuridão.

- assim como quando o pé toca na areia, você sente a liberdade. Meio perdido, assim como os poucos feixes de luz que insistem em passar pelas folhas quase secas.

*A sandice e a perspicácia.

- tava parecendo os dias que a necessidade mais parecia uma faca de dois gumes. Mas eu sabia que no final sempre me conformava em apenas ser mais um dos desejos que, com um passo ali e outro aqui, eu alcançaria sem esforços.

*A amizade e a pouca crença.

- eu sempre tentei atencionar para todos os problemas alheios e, assim, solucionar para que o fraternal sempre crescesse. Eu sempre detestei me deixar para trás, ser o último da fila, aquele que se esquece; eu tinha pena de mim.

*A lágrima e o caminho a ser seguido.

- é triste, porém necessário; um dia vai ser tão bom o reecontro, vamos nos achar tão ridículos e rir tanto. Mas agora tenho que ir, acho que o caminho é aquele mais a frente; dado inicio ao primeiro passo meu pai disse, um dia, não serão permitidos olhares contrário, olhares pra trás.

*O sentimento final, único.

- eu sou fiel as minhas emoções. Eu tenho paz!

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 25. November 2007

Deslocado


I'm very tired.
Often thinking requires much more effort than anything else that I can see to do; the mind is weak. Weak mind? Not. What enters my mind and insists that dominate my unconscious is trying to convince me to be weak.
There was a time that I wanted to be what we all dream be a day... But, what is it?
I will sleep. See you later!

Ich bin sehr müde.
Oft Denken erfordert viel mehr Aufwand als alles andere was ich sehe zu tun; der Geist ist schwach. Schwache Geist? Nicht. Was in meinen Augen, und betont, dass meine unbewussten dominieren versucht, mich zu überzeugen, zu schwach.
Es gab eine Zeit, die ich werden wollte, was wir alle träumen ein Tag... Aber, was ist das?
Ich will schlafen. Bis später!

Je suis très fatigué.
Souvent pensée exige beaucoup plus d'efforts que toute autre chose que je puisse faire voir; l'esprit est faible. Faiblesse de l'esprit? Non. Ce qui entre dans mon esprit et insiste sur le fait que dominer mon inconscient essaie de me convaincre à être faible.
Il fut un temps que je voulais être ce que nous sommes tous d'être un jour de rêve... Mais, qu'est-ce que c'est?
Je vais sommeil. À plus tard!

P.S.: sim, quando eu me sinto cansado e sem rumo... escrevo isso. O pior é que eu precisei escrever nestas linguas. Amo voces!

Jucksch, Márcio.

Freitag, 16. November 2007

Vont en enfer


Realmente!
Se tu pára por um momento, ou mesmo se te deixas interpelar por algo sem importância, pouco... O tempo corre sem pena. Isso não mais assuta; me deixa triste.
Tenho segredos e me sinto feliz, não quero revela-los. Mesmo não querendo, o medo é apenas por saber que as paredes, aqui, tem ouvido.

Jucksch, Márcio.

Freitag, 9. November 2007

Me peguei pensando sobre


Tudo o que eu já fiz.
Não necessariamente que você deva arrepender-se das coisas que fez e, sim, agradecer por te-las vivido. E penso se ter vivido esse todo, valeu algo. Ou se esse algo me fez melhor. Tudo intriga.Amargar certas pendências também pode ser digno. Eleva a imaginação nos fazendo indagar como teria sido se o tivesse feito. É estranho, de fato.
Procuro, agora, não somente me martirizar por ter vivido ou deixado de viver algo. Sabemos que a vida é rápida para certas coisas, e incrivelmente longa numa medida um pouco mais sábia. Ando revendo conceitos, fatos, estratégias, módulos de ataque, condições de percursos, caminhos a percorrer, clima, tempo; mas canso e sento. A energia há de voltar.
A vida não é pouco, rápida, efêmera... não podemos "adjetivar". O tempo destinado a cada uma das coisas não é infinito. Tudo tem seu limite.
Agora aprendo com experiências e erros dos outros.

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 30. Oktober 2007

Mistakes


Foi assim... Sabe? Assim... Estapafudio!
Lembro que acordei as 5:55h e fui tomar banho. Estava muito frio e o céu deveras negro, me deu vontade de voltar a cama e me perder nos lençois mais que gostosos.
Chegando na escola, fiquei sentado bem na escada. Demorou cerca de 15 minutos pra que ele chegasse e prendesse minha atenção pelo resto do dia. No intervalo tentei sentar ao seu lado; parecia uma tarefa quase impossível. A maior parte do tempo estava cercado de uma diversidade absurda de gente disforme e famintas da mesma atenção.
Às vezes desistia (está bem, todas as vezes eu desistia), e voltava pra casa absorto me questionando "por quê eu não tentei mais?" Era triste, mas era assim; quase sempre a mesma coisa. Me contentava em apenas olhar pra ele. Já era alguma coisa, não é?
Um dia sentamos um ao lado do outro. Meu sorriso tímido me irritava, parecia a personagem daquele filme adolescente. Esqueci meu caderno ali, após o ato. Foi incrível, ele pegou e veio atrás de mim para devolver.
Nos conhecemos... Quase sempre as coisas não fazem sentido. Muitas vezes o esforço não é uma exigência primordial. Basta ter uma certa dose de naturilidade.

Jucksch, Márcio.

Hic hic hic


Veio aqui e roubou minha personalidade. Você é irresistivelmente performático...
-O que importa sua personalidade?
-Ela é aquilo que eu sou dependendo da minha teoria.

Cheguei a pensar que você era feito de um tipo de material desconhecido, mas resistente. Pensei também que viesse com algum tipo de manul para, no meio da madruga, te programar pra trocar idéias comigo.
Acho que não me enganei.

Jucksch, Márcio
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Dienstag, 23. Oktober 2007

Mon cher,



O sol nos seus olhos se pôs, não posso sentir outra coisa a não ser pena. Sempre gostei de você mais valente, mais corajoso. Mas aos poucos a pessoa que, por primeiro conheci, foi morrendo dentro de você. Foi aí que senti que não mais te conhecia e que não podia viver ao lado de um cadáver; isso não seria justo comigo.
Hoje, talvez, você entenda que certas vezes o amor próprio deve prevalecer, jamais quis que você negasse essa parcela de essência. E sei que, quando sentimos algo que, para certa pessoas parece anormal, é fácil subentender que seja amor... Mas te digo que, mesmo isso, não te salvaria. Você invadiu o caminho da morte, foi a seu encontro sem ao menos pedir licença. Insistiu em ser o indivíduo pouco convicto de sua antipatia merecedora de aplausos. Ela não te quis. Você se consumiu aos poucos. Suicídio!
Um dia pretendo voltar a sorrir por aquele que dediquei a minha parte mais pura. Até em dias que, a pessoa que eu mais amava, resolvia me ferir, me agredir sem pensar nas conseqüências.

Jucksch, Márcio.

Abri os olhos...


Acordei, e não te encontrei a meu lado. Acredito que o ponto criativo me fez crêr que passei a noite com algo que penso ser "teu fantasma".
Era real, prefiro dizer. A única coisa que me partiu ao meio e não me machucou. Sexualidade deprava como conceito comum; acalanto como forma prática de convencimento do ser mítico.
Minha memória seletiva nostalgia e me satisfaz quando acho que o corpo ausente não mais habitará o leito de uma forma tão cálida. Ser desenvolto em nosso território mais íntimo e sagaz acreditando, mais uma vez, que posso ao infinito parecer igual; os lençois que nos separam da parte íngreme do bem-estar.
Eu que acreditava, no mais tardar dos olhares, te encontrar na forma mais bruta que se pode firmar um pensamento fulgaz. O horizonte atrás de nós não me deixava limitar-te a poucos casos; você mais me parecia uma ventania dos tempos longíquos que me encontrava aos gritos no fim do túnel.
O campo impentrável e infalível, conspira decisões pragmáticas do meu passado saudoso.
Caminho destro deteriorado por falta de vontade. A crença que se fez cega quando mais necessária, me vi alegre pra fazer inveja. A vida contada aos dedos por meio de ligações inínterruptas; o destino me fofocava o castigo atroz do semi-imaginário. Você se tornou ícone da minha solidão quando pensava te perder ali, no caminho mais próximo a indecisão do "who was I?".
Estremeço ao pensar que você está voltando para o meu lado. Acho que a loucura me acertou no ponto de desejo... Ela sabe o que me é inevitável.
Sim, eu quero você!

Jucksch, Márcio.

Eu disse...


Que você podia ficar; que você podia correr; que você podia chorar; que você podia explodir de rir; que você podia comer muito chocolate; que você podia pintar todas as paredes; que você podia fazer festa; que você podia voar; que você podia morgar; que você podia se alcoolizar; que você podia fumar 20 carteiras; que você podia me agarrar; que você podia apertar minha mão; que você podia dirigir meu carro; que você podia velejar; que você podia gritar...
Mas você preferiu ir embora; preferia, certas vezes, parar; decidiu engolir o choro; preferiu curtir uma raiva intensa; preferiu jogar fora todos os chocolates; preferiu manter as cores virgens; preferiu ir a outra festa; preferiu deixar de voar; preferiu manter a linha; preferiu levantar a bandeira "saúde"; preferiu me deixar curtir a solidão, preferiu me deixar caminhar sozinho; preferiu a outra carona; preferiu ficar na sombra; preferiu se calar...
Na cama, com muito sono, sem vontade alguma de mostrar forças extremas, me disse que apenas queria filosofar. Você não experimentou meus sonhos, e muito menos me deixou sonhá-los.
Você me tirou um capítulo à parte; me fez seguir o roteiro sem o "happy ending". Você nos alienou da parte nobre de ser o sempre mais, o inesperado.
Eu? Talvez... Me fiz intimista. Me deixei calar sutilmente apenas para deixar crescer o seu potencial...
Fiz mal? Não, eu apenas fiz. Me alegra saber que, no final, vou ficar sem os arrependimentos habitando meus devaneios mais comuns.
Tenhos que ir. Aproveite o final de semana.

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 16. Oktober 2007

Weg


Por mais que eu tente eu sinto saudade... Muita saudade. É inevitável, siga em frente.
São notícias boas, coisas que me fazem bem. Mas me pego pensando que eu também poderia estar vivendo essas coisas que hoje me fazem falta; aí reconheço que certos caminhos nos levam à lugares maravilhosos por preços incrivelmente caros. A vantagem de ser ter algo que faz a diferença nem sempre acontece. Nos mastiga e joga fora, entende?
A raridade de um momento feliz é tanta, que, quando acontece, você a devora sem ao menos degustar; caso de indigestão mais a frente. Mas o caso não é simples. Saudade só existe na língua daquele que originalmente a conheceu. São traçados planos. A diferença, penso eu, está na forma de como vai encarar o algoz que toma lugar da sua sombra; como você vai driblar o que mais parece um campo minado em que sua vida está por um passo não pensado. Óbvio, na mente provinciana e pouco vivida, parece violento. Mas com o "q" de pureza, abstração da realidade que temos que aceitar. Estou apenas tentando dizer que se torna aceitável por uma xícara de café frio. True or dare? Guess, dare and dare, you know.
Mas voltando ao caso da "escolha de caminhos" - o que nos cega e me cega - já foi um confronto mais direto, eu sei; não que eu esteja dizendo que ela não mais seja tão arrazadora. É que ela sempre encontra novos lugares que nos destroem divinamente.
Hoje eu sei o que me faz falta, o que me mata aos poucos, o que me distrai no momento que estou mais frágel de calor suprahumano. Ah, e nem tudo é uma derrota fácil. Também temos táticas de defesa magestrais.
Hoje, também, me peguei escutando (o clichê da história) aquela música antiga olhando para a foto que me marcou. É aquela situação de: test your might! Testado, senhor. Aprendizado que levaremos por muitas vidas.
Fato é que alguém uma vez me disse: com o tempo descobrimos o que é inevitável.
Eu exitei em aceitar...

Jucksch, Márcio.

E quem disse?


Nem que você se escondesse por baixo de camadas e camadas de tinta, eu me esqueceria de você. Nem que você se transformasse na mais comum das flores; você sempre teria esse jeito especial, teria sempre um algo mais. Nem que você delineasse a mais bela forma de um quadro sob sua face, eu me enganaria do verdadeiro endereço; você terá traços mais vivos, pouco esguios.
Ah, você sabe, amor. É uma tarefa impossível, neste caso, querer se igualar ao já imaginado apenas por ter medo de algo que conhecemos. Vem, aceita a condição de ser algo especial. Temos tempo para tudo, viva cada detalhe; te garanto que é sempre mais interessante do que parecia três anos atrás...
Encore Moi!

Jucksch, Márcio.

Samstag, 13. Oktober 2007

Bekenntnis


E eu que te ajudei a enteder que o mundo é mais do que você faz diariamente. Sempre te ajudei a crêr que a mais ínfima amizade se compra por interesses comuns; ou você vai dizer que mais uma vez estou bancando o dissimulado?
Sinceramente, eu sempre entendi que a dádiva divina é mais do que um simples ritual onde nos mascaramos por completo e fingimos amar o que nos convém fidelidade exacerbada e ajuda posterior. Nunca vi histórico de iniqüidade ser sinônimo de paz espiritual; faz tempo que não sei o que é isso.
No mais... Eu não sei, dear!

Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 10. Oktober 2007

Ich... Dich


Eu viajei, mas nada encontrei; sonhava que te encontrava por aí. Criativa e possessiva, só queria te beijar.
Manhã, tarde fria de verão. Quase nada do outro lado. O perdão caminhava solitário; vontades inexatas de quem foi e quase esqueceu de viver. Corpo quente, alma aos prantos. Fome de uma pós-encarnação. Assim te desenhava na imensidão da madrugada.
Cálculos progressivos de mentes medianas que, no menor dos passes, acertavam na contagem do infinito. Margarida quase rosa no vaso de papoulas acompanhadas no girasol do sol. Estrela aquática, cadente de paixão, cria vontade secretas destinadas ao coração (...).

Ah, festa da criação. Minha paixão? Criada no muro de coordenadas que só convém à mim. Gera vida de água fresca, de areia platônica, ato público.

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 9. Oktober 2007

Words shouldn't betrayd me


E se você soubesse que no dia em que comprei aquela rosa, na minha cabeça se formava as mais atrapalhadas declarações de amor... Você iria rir? Ah, eu já imaginava.
Sei que você vai dizer 'não'. Mas sabemos que a verdade é 'sim'. É engraçado, adimito.
Naquele dia o vento estava tão agradável, teus cabelos esvoaçavam tão calmamente, teu sorriso tímido me encantava tanto. Acho que era amor de adolescência; desses que a gente se sente ridículo. E, no ímpeto da vontade de roubar um beijo, acabei colocando minha mão sobre a sua. Mas isso foi naquele momento. Agora que estou aqui, posso dizer tudo.
Ao menos espero que meu singelo prensente ainda faça parte da sua vida; é que não tenho muito jeito com isso.
Mas, sabe, foi tão reconfortante estar ao seu lado aquele dia. Aquela música sendo acompanhada por um violão se tornou nosso.
O que posso dizer, é que na hora da despedida foi triste. Deu vontade de chorar... Parece que nunca mais te veria. Meu coração doeu tanto. Acho que era o amor marcando presença.
Eu só peço que lembre das minhas lindas palavras no dia que, talvez, mais sofri por ti.

Jucksch, Márcio.

Better late than never


É que quase nunca vou ali. Pra ser bem sincero, nunca cheguei a ir; vontade não me falta. Mas sei lá, sabe?
O máximo que fiz foi chegar até a porta. Mas sempre me dava sono. Meu corpo não me permitia a ir além...
Uma noite - daquelas em que o pesadelo mais parece a vida real - acordei com sede e fui à cozinha. Passei próximo, mas como sempre estava escuro; até em dias normais de sol estava escuro. Ah, em suma aquilo me cansava. Um cansaço peculiar. Invadia minha mente, queimava meus pensamentos mais dispersos, divagava sobre meus anseios. Era um caso a se pensar... Mas desculpe, fugi completamente do assunto. Ou será que fui aonde sempre pretendi ir? Eu disse que isso confundi.
O que me fascina é a capacidade que temos de formar opiniões, de sempre ser o mistério. Há quem diga que só é um lugar escuro, mas talvez essa escuridão esteja nos olhos de quem realmente a enfrente, de quem a vê. Na minha crença, é o mais lindo dos tormentos.

Jucksch, Márcio.

Montag, 8. Oktober 2007

Denker


*Primeiro ato:

-Café com leite, senhor?
-Não, obrigado. Eu detesto café.

(...) E assim foi embora com ar de quem esperava mais do que merecia e encucado que, de certa forma, tinha esquecido algo embaixo da mesa ao lado (...)

Jucksch, Márcio.

Empfehlung


Como último conselho, digo...

"Não beba água, os peixes transam nela".

Jucksch, Márcio.

Samstag, 6. Oktober 2007

(...)


Sapatos pra um lado, meias pra outro; sim, cadarços mais adiante. Roupas penduradas, chapéu na janela. Tudo perdido em horizontes distintos.
Mais uma vez te peço, vem ser meu amigo. Esses de anúncios de jornal.
Música baixa, uma cama. Algo mais a pedir, querido? Talvez lembranças como aperitivo. Desculpa, me enganei. Traga-as como prato principal; é algo bom, só isso me satisfaz.
Praia, sol, companhias. O que mais poderia desejar? Tudo, não é?
Sim, um pouco de compreensão. Com limão e duas pedras de gelo, não esqueça.

Jucksch, Márcio.

Freitag, 5. Oktober 2007

Schmerz


Minha cabeça dói... Dói tudo. Discutir isso, agora, seria perda de tempo, seu idiota!
Sim, eu amo você. Mas não me obrigue a dizer isso no estado em que me encontro! Por favor, entenda!
Você tem que esquecer a dor. Eu preciso que você fale por mim, está bem?
O fato sempre foi "minhas vontades". Não posso ir adiante, eles iriam reconhecer minha dor.
Que droga! Você nunca deixa esta sua peculiaridade de lado...

Jucksch, Márcio.

Unwirklich


É que sempre te imaginei, assim, diferente. Quando te via naquele tempo, sem muito contato, tu eras diferente; nada que o leve a pensar que minha surpresa, agora que estou te vendo, seja desagradável, entenda.
Acho esse mesmo vestido que, em muitas ocasiões especiais, mesmo que obstante te vi usar, fica bem melhor naquela moldura clássica da década de 20. Não que esteja, também, insatisfeito com tua imagem.
In Loco, sejamos mais moderados. A boa virtude sempre é mais esperada que qualquer outra coisa.
Vamos a um passeio?

Jucksch, Márcio.

Em aberto


O que eu posso dizer é...

O fato de termos vivido em um lugar não muito maior do que costuma ser sua cabeça, mente. O interessante é recorrer à pontos diversos da história para almejar as tão desejadas informações, sem que estes tenham conhecimento de o por quê de tanto questionamento sobre algo aparentemente "desconexo".
O que intriga é que, em outra pessoa isso causaria raiva; em mim, pena. É tristeza, de fato.
Talvez você me faça mal, suas atitudes me façam mal. Mas a culpa não é sua, eu garanto; minha parcela vai sempre estar ali, no mesmo lugar.
E aí, não concorda que minha forma de pensar ultrapassou qualquer suspeita antes sem fundamentos? Eu sei que sim. Minhas expectativas me fazem crêr. Amo você!

Jucksch, Márcio.

Criança


Cabeça de abóbora
Coração de quejio suiço
Pescoço de serpentilha
Braços de alface
Olhos de pimenta
Pernas de banana
Cérebro de camarão
Juba de leão
Espírito de percevejo
Língua de cobra
Massa de modelar? Não, mas ta quase lá
Pés de pato
Mágoas de carangueijo
Vivo como um falcão
Martelado como prego
Topeira por instinto
Sopa de letrinha? Talvez, ta ficando quente
Crônicas de subserviência
Chute de bota
Pele de lula
Pelas paredes como lagartixa
Música de sereia
Água de poço
Céu de pedra
Cortina de bronze
Círculo de ar
Proeza de fogo
Martírio cego
Maracujá de gaveta
Um sonho diluido? Tu és esperto
Rosto de maça
Clavículas de pepino
Fígado de repolho
Bexiga de mascar
E o coração? De gelatina de groselha
E eu? Um docinho
Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 3. Oktober 2007

Cumplicidade


Ela deitada, ele em pé - em seu íntimo só queriam um tempo de solidão.
Eles se conheceram por aí, jantaram em um ótimo restaurante, andaram um pouco pelo parque e aconteceu o tão esperando "primeiro beijo".
Ela jurava que já estava amando-o, ele queria leva-la pra cama; partilhavam dos mesmos desejos, por mais que estivessem em pontos opostos.
Fizeram amor, acreditaram. Acordaram.
Sim, precisamos de um tempo. Quem sabe outro dia podemos nos amar com a mesma intensidade.
Eles sorriram tão levianamente.

Jucksch, Márcio.

Ela?


Ela não falava nada ao telefone - ele pensava insensantemente.

Sua primeira ligação foi assim que chegou do trabalho. Não fez nem questão de tirar a roupa ou almoçar, foi em direção ao telefone.
Neste momento, discou o número e olhou janela a fora. Ela atendeu com voz de quem acabara de acordar; pensou, ele, que tinha o feito. Ela sempre cochilava após o almoço.
Ele disse que a amava. Durante três minutos ela ficou calada; ele podia escutar sua respiração ofegante querendo ser contida a qualquer custo. A única coisa que ela disse foi: se isso for uma brincadeira, é de muito mal gosto. Bateu o telefone.
Encostou a cabeça na parede, olhando para o teto, e chorou...

Jucksch, Márcio.

Volúpia


"... Talvez convicto de que, aquilo mais parecia uma lista hermética de presentes aleatórios, do que um simples postal de sua mãe que morava longe..."

"... O silêncio velado, de sua tia próximo a foto do marido distante, fez com que ele sentisse um aperto no peito. Suas costas doiam por horas de trabalho que, frente ao acaso, já se considerava ser um escravo..."

"... Era fato que aquela cadeira jamais fizera parte da estrutura de uma sala daquele porte; e, se algum dia realmente fez, foi de um péssimo mal gosto, sinto dizer..."

"... Usava camisa de força para agravar o sono. Era um romântico incurável..."

Jucksch, Márcio.

Montag, 1. Oktober 2007

Perdendo...


As horas.
Você é prolíxo. Você me dá nojo. Você é um erro da matemática de quinta-feira.
Eu, deveras místico de carteirinha. Eu não me causo nojo. Aquela função mais que inerente da física me distribui uma parte fúnebre de antagonismo.
Como diria aquele psêudo-escritor das tardes quentes da rua dos mais jogados: "Adjetivando... Como a tristeza solitária de uma página em branco, teu olho azul-claro-violeta-distante pousa no mundo de teu travesseiro listrado e pouco. Tão próximo quanto o lençol amassado de tua bagunça tão organizada e constante, sinto tua falta sóbria e insone. Porque teu amor é inerte e ébrio; página em branco? Não. Caneta invisível (...)."
Eu me dou bem nos momentos cruéis de vida fácil; minha carteira consome o ímpeto de pouca preocupação. Me dá raiva saber que alguém já foi onde eu pretendia ir a 2 minutos atrás!
Vamos ver, alguns gostam do quadro no lugar. Eu, particularmente, prefiro a imagem fixa na cabeça. O nirvana das cores ensagüentadas de prazer iluminam o corredor de flores parvas no meu caminho. Eu tinha ódio porque sabia amar; isso não é digno! Me diz, qual a coisa mais imunda a se provar: a religião aristocrática ou a parte subjetiva do crime perfeito? Sim, você também não sabe. Se entediou de mim, né? Pega a arma, dispara no coração... Meu coração!
Hoje eu queria te pisar até você bater com suas mãos no chão, desesperada; desejando jamais ter nascido. Queria te cortar os pulsos e ver o brilho dos seus olhos sumir na mais sutil das armadilhas. E agora, me ama? Pois eu digo que medo provoca reconhecimento instantâneo.
Eu consigo voar. Subo no mais alto dos planaltos e me jogo em direção ao abismo semi-linear inebriante dos seres magnânimos que me assaltam as córneas e as idéias genias à sangue frio.
Se você pode mesmo me ajudar? Então pare de usar esse jargão jurídico de pós-graduado. Que impáfia!

Jucksch, Márcio.

O dia do meu aniversário


Como diriam a Yandra e a Camila: mais um aniversário é um ano a menos que se vive.
Como diria a Jaca: caralho! Quase duas décadas.
Como diria minha Mãe: hoje é meu dia, e eu posso fazer o que quiser; brincar de ser "gente grande".
Como diria Manuela, minha portuga de catiguria: é algo pleno em que ganho bolo e presentes. Posso escolher entre me sentir ridículo ao cantar parabéns e usar um chapéuzinho de papel de qualquer personagem animado que seja, ou me sentir abençoado por pessoas maravilhosas dividirem isso comigo.
Como diriam a Vaneli e Tiago, é Jucksch versão 1.8.
Com o diriam Marcelo e Giulia, meus futuros juizes de catiguria: agora, mais que nunca, posso ser preso.
Como diria Sandra, minha boneca naxa: seu filho da puta! Bora pra uma boa putada beber e fumar quantas carteiras tivermos direito.
Como diriam Meus Irmãos: ainda vai ser o mesmo caçula sem noção que vamos ter que agüentar eternamente.
Como diria a Andressa: credo! Estamos ficando mais velhos. Parabéns, broto!
Como diriam o Joe, Bernardo, Taís e Fernanda: ele pode mais ainda na data especial. Ele é mais que "féxion"! Vem à loja, guri.
Como diria o Patrick: louco louco louco! Ainda te dou muita porrada no tatâme!
Como diria o Fábio: aproveita, cara! Hoje a boite é por tua conta.
Como diria a Ingrid: todos os dias eu comemoro porque esse menino, velho, adulto, adolescente... veio ao mundo para me dar amor e sempre me deixar mais contente. É o dia que ele veio ao mundo.
Como diria a Jenny: ele é meu figueirinha.
Como diria o Felipe: eu não sou bom nesse negócio de parabéns, então feliz aniversário e tudo de bom.
Como diria Pedro, meu pai e eterno amor: filho, saudades de ti. Parabéns pelo aniversário, muita alegria e saúde sempre!
Como diria o Lucas: Pede que eu te escuto. Pede e quem sabe eu penso se mereces ou não!
Como diria o França: parabéns, garoto. Felicidade, tudo de melhor. Deixa que um dos reis bregas, o Fofão, dei o recado.
Como diria a Xuxa: hoje vai ser uma festa! Bolo, guaraná e muito doce pra você.
Com ouvi certa vez, o ano só começa depois do nosso aniversário. Intimamente é assim que falamos de um novo ano, que medimos as mudanças.
Como ouvi na mesma vez, muitas coisas não mudam, inclusive certos detalhes dos aniversários.
Como eu gosto de pensar com a Jaca em nossas conversas mundanas pelo msn: se você trabalha na prefeitura de Recife tem direito a um dia inteirinho de folga.
É engraçado: o tempo passou e eu não vi.
E a Jaca me diz tantas coisas. Mas essa foi a desse aniversário:

"Obrigada por poder contar contigo. Nem tenho muito a declarar. E, se eu realmente tiver, vou hesitar agora pra quando chegar a hora, o Câncer nos atacar e de mãos dadas vamos ao encontro de Dinah! Coisa que vai se concretizar quando complertamos o dobro da idade de Derci Gonçalves!
*ainda vamos jogar Xadrez e beber vinho
*ainda vamos viajar ao som de um bom Rock And Roll
*ainda vamos recitar poemas na França para a Zuda
*ainda vamos jogar Poker num bar estranho
*ainda vamos nos sujar de brigadeiro
** e tantas outras coisas **

AMO VOCÊ, MON CHER! QUE DURE ATÉ O ÚLTIMO PALPITAR!"


É, seu semi-germânico de uma figa, vai lá! Alles Gut Zum Geburtstag!
Tenho algo mais que amigos nobres. Tenho vidas ao meu lado; sim, elas são importantes. Tenho que cultivar sempre. Não consigo imaginar o outro seguimento de minha vida sem eles.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 29. September 2007

É que tanta gente


E a gente sempre diz que quer sempre o melhor, que faz tudo por amor, que a vida é o nosso maior presente, que família é tudo... Ah! Tinha um tempo que eu até repetia todo esse discurso esfarrapado de reunião familar. Mas é que hoje eu acordei um pouco cansado, com vontade de procurar algo que, penso eu, ter esquecido em cima da mesa; acordei com vontade de uma faxina "daquelas" no quarto, de riscar meu nome na parede. Liguei convidando meus sobrinhos a virem passar o final de semana jogando video-game, eles adoraram. A bateria do celular estragou, minhas roupas estão a ser passadas, meus tênis no varal. No varal? Por quê não atrás da geladeira? Ah, menino, você continua com manias de grandeza. Só te digo uma coisa: quem bela cama se faz, nela se deita. Você sempre querendo as coisas da "moda quatro estações", mas você não pode. Ei, chega desse assunto! Já passou o tempo em que eu dependia de voces, pobres de mentalidade e espírito. É, nós só aprendemos com os tapas da vida. Te digo somente outra coisa, guri: o milho pipoca, mas quem leva o fogo é a panela. Ora, francamente! Desde que me entendo por gente, nesta cidade, esse papo não funciona, minha cara. Paciência, vó, você está repetindo aquela velha história "você saiu do interior, mas o interior continuou em você; deixo claro que, o que começou em voces, acaba em voces!
Ô, guri pouquista e apresentado, nunca escuta os mais vividos! Mas ainda acredito nas suas vontades.
-Sua benção, vó.
-Vá com Deus, meu filho!

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 27. September 2007

Sobre?


Eu?
-Carente de provas e declarações de amor, mas feliz com mais limites de crédito.
O que me convém?
-Talvez atitudes de grau tendencioso.
O que eu estava a fazer?
-Um prato com: uma saladinha de confusões, temperinho de fofoca das 11:00h, três colheres de desejo semi-contidos, 2 colheres de sopa de austeridade para momentos simples, 3 copos e meio de parcimônia sexual. Dieta mista de humanidade.
Qual a roupa de hoje?
-Acho que aquela em que eu uso em quase todos os momentos felizes. Uns diziam que eu pareceria, depois de alguns anos, um pouco cafona; na verdade, eu me sentia bem trajando o que, futuramente, determinaria um suposto "tempo".
O que eu escrevi hoje às 14:14h?
-Palavras de gente de comportamento e ideais de meia-idade. Me preparo para os fins; eles justificam os meios. Ou talvez os meios que me atribuo justificarão meu fim.
O que penso sobre sociedade e família?
-Ah! Eles sempre confrotam minha juventude... no fundo digo que é inveja.
Se eu durmi bem?
-Não sei. Não está sob minha jurisdição o momento de inércia e quase morte.
O que eu estava a pensar?
-Que o mundo (no pensamento de um cretino como eu) deveria ser um pouco melhor; as pessoas deveriam me notar, me amar, me presentear. Eu mereço me sentir vivo e desejado.
Para onde eu vou?
Não sei, meu ônibus ta atrasado; na pressa, posso pegar aquele que não é habitual e parar uma quadra antes ou depois daquela que me presentearia com um dia completamente maravilhoso e sem reclamações no final ou, simplesmente, salvou minha vida de um atentado, haha. Tu sabes que sempre pensamos besteiras nesses momentos que estamos sozinhos, nervosos, com pressa, com muito sono após o almoço...
Eu quero dormir. E tu?

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 25. September 2007

Sofrimento


Se ele soubesse que assim que abri os olhos até o momento em que, no ímpeto de insanidade consumida e formalidades jogadas fora na ocasião de "declaração desesperada", eu só desejei um olhar mesmo que de puro ódio... Talvez ele não tivesse batido a porta daquela forma, não sei; é, foi de uma forma estúpida. Parecia que jamais voltariamos a nos ver por aí!
Acho que se tivesse seguido o roteiro sem interrupções de gente de comportamento provinciano, talvez ele entendesse que as minhas lágrimas e a surpresa de ser deixado como um "nada" eram a causa de minha sandice...

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 18. September 2007

Remorso?


Vi você crescer, fiz você nascer. Nada irá, nesse mundo, apagar o nosso desenho. Nem todos esses erros e remorsos. Vão sumir. Nada nem que morramos desmente o que agora está na minha escrita. As pichações no muro e o pingo de sorvete que manchou a sua blusa. Ainda lembro, era listrada e você tinha acabado de comprar. Saibas que eu não me arrependo de você.

Jucksch, Márcio.

Somewhere


Pés no chão, e olhos vão
Procurar, procurar
Onde eu me pedi
Perdi-me dentro de mim, pois eu era labirinto
E hoje quando me sinto é com saudades de mim.


Jucksch, Márcio.

Firmamento


Quando eu cabia nos braços de meu pai, ele me consolava dizendo para não ser tão triste que nesse mundo somos todos iguais. Um tem asa para voar, outro pernas ligeiras que correm. Uns sólidos, outros liquidos, todos em estado. Eu pensava que era uma verdade, sempre será. Na guerra do dia-a-dia. Dia em dia o homem é bicho feroz e sempre acaba 'vencendo' aquele que é mais veloz. Meu vencer é relativo, pois para chegar lá, temos de ultrapasssar aqui. Na batalha morre o homem e a flor, mistura todos os sangues, mas o preto não tem cor.


P.S.: Ah, senhor meu pai não de sangue, essa foi pra você. Apesar de ter conhecido o filho aos 11 anos e termos não nos visto decentemente esse ano... Mas daqui a pouco te vejo mais, né? Amo você.


Jucksch, Márcio.

Um drink


É um fluxo que exorbita para o fora-dentro do meu estar. Eu não penso, nem faço. Angustio nas origens da ação e revejo que o conceito é a ponte das icógnitas desfeitas. Austeros astros que jazem na vacina. Minha terapia é observar. Sem benzedeira, chá de erva cidreira. Incapaz de curar a gripe do amor.


Jucksch, Márcio.

Peripécias


Esconda-se entre as minhas unhas. Beija minha sujeira e me diz lindamente "porco". Um grito mesmo, desses tão altos que nos fazem abrir a boca e gritar junto. Porque todos estão numa revolta incontida, você não acha? Há aqueles vírus junkies que se apoderam do seu corpo, fazendo-o suar de febre, delirar e afins. Esses vírus têm nomes. Às vezes são pessoais, às vezes tão vagamente complexos como: amor. Esse aí, me corrompem os sentidos. Rasga minhas entrelinhas e arreganha o meu peito. Fratura exposta. Você tenta e tenta esconder. Coloca band-aids, esparadrapo, gaze, algodão, qualquer coisa. Mas aquela ferida pulsante que parece nariz vermelho em cara de palhaço fica ali, em relevo, pro povo todo ver e perguntar sem pensar: o que foi isso? Você tenta disfarçar. Cof cof... Huumm... Ah... O que? Isso? Bem... É... Ah, como você vai? E pronto, mudou o assunto sem precisar asfixiar a resposta. É bem assim que as coisas acontecem por aqui. Mon chér, mon chér...

Obs.: Sim, eu consegui um teclado decente. Entederam?

Jucksch, Márcio.

Freitag, 7. September 2007

Fascínio


Eu só posso dizer que um dia o conheci... Mais nada, me desculpe!

Tá, ok. Eu assumo que depois que o conheci, eu fiquei bastante interessado em toda aquela situação repentina, e principalmente nele; são essas coisas de atração que acontecem do nada, com uma pessoa até o momento patética, numa festa tosca cheia de jovens bêbados, com muito cigarro e papo besta. Jamais poderei explicar de uma forma consciente.
Uns dias atrás, saindo da faculdade, encontrei com alguns amigos que tinhamos em comum. Perguntei sobre a "pessoa secreta". Eles me falaram que jamais voltaria a encontrar aquele rosto novamente... A curiosidade foi aumentando!
A noite, no meu quarto, lendo um pouco de Drummond e Lispector, fixei o telefone. Foi nessa hora que liguei pra Ricardo exigindo que ele me passasse o número do garoto, ou ao menos me desse o endereço completo dele. Ele tornou a dizer que não mais o encontraria. Mas dessa vez me explicou que o garoto era um tanto "diferente"; mudava o rosto com freqüencia, nunca era a mesma pessoa todos os dias.
Numa dessas tardes de aulas chatas, eu resolvi tomar um sorvete na praça. Sentou ao meu lado um senhor que me deu um agradável "bom dia"; não achei nada esquisito, gostava de conversar com pessoas idosas, e aquilo nada mais era que um válido gesto de educação. Ele começou a contar que, na juventude, era bem popular, teve várias namoradas e aproveitou bastante tudo o que a natureza em seus dias mais generosos, resolveu presentea-lo. Disse também que em uma dessas noites de diversão conheceu um jovem, assim como eu, que despertou uma gama de sentimentos pouco valorizados hoje em dia, de uma maneira transcendental. Depois disso, apertou minha mão e disse que tinha que levar o pão para seu neto que estava esperando em casa.
Eu o segui. Descobri que o velho habitava em uma linda mansão; o estranho era que a casa estava toda aberta dando acesso a quem quisesse entrar. Era como se não temessem a nada. Mas não encontrei ninguém. Isso me deu um pouco de medo, confesso. Subi as escadas, olhei para o corredor e, quando prestei atenção, diante de toda aquela bela estrutura, enxerguei a porta do último quarto; era velha, feia e continha uma plaquinha com um cachorrinho amarelo segurando um coração na boca, escrito "seja bem-vindo".
Abri a porta e encontrei uma diversidade de brinquedos... E uma criança deitada na cama. Aquela cena foi linda. Calma. Dormia como se estivesse esgotado toda sua energia nas brincadeiras.
Escutei um barulho!
Isso me fez sair rapidamente do quarto, deixando a porta aberta. Quando já estava fora da casa fiquei, ali, observando por vários minutos. Nada aconteceu, até que... Saiu um lindo jovem vestido de terno e gravata, com uma maleta na mão. Entrou no carro, foi embora.
Aquilo estava me matando. Virou uma obsessão. Passei dias e noites, noites e dias observando o movimento naquela casa. O impressionante era que um só aparecia depois que outro sumia; uma mulher, um jovem, uma velha, um velho, um garoto (...)
Até que um belo dia, num desses que ficava observando a movimentação, eis que aparece, por trás de mim, o garoto que conheci naquela mórbida festa. Fiquei sem reação; estava me sentindo ridículo. Ele disse que não precisava me preocupar, ele só queria saber o que eu estava fazendo olhando pra sua casa. Eu disse que não era nada, não conseguia explicar nada. Estava com medo de falar algo que pudesse me complicar mais. Ele apenas sorriu... Disse: Vamos dar uma volta na praça?
Sentamos no mesmo lugar que havia conversado com aquele senhor. Ele deixou escapar: Esse lugar não me é estranho, e você também não. Mas é agradável estar aqui.
Eu comecei a entender e liguei os fatos. Já sabia de tudo... Ah! Eu sou um idiota, bobo! Me apaixonei, supostamente, por alguém de múltiplas faces, por um I-N-F-I-N-I-T-O!
Eu perguntei seu nome, mas ele disse que não vinha ao caso, no momento, responder tal pergunta. Ele era calmo nas respostas, tinha parcimônia. Sabia o certo e o errado, tinha certa postura austera. Isso era fascinante! Me sentia cada vez mais lazy-lazy, confesso novamente.
Comecei a rir, ele perguntou o por quê. Foi minha vez de retribuir o "não vem ao caso, no momento, responder tal pergunta". Impávido!
Ele disse que gostava de mim. Me pediu certa ajuda para tentar lembrar de onde nos conheciamos; omiti dizendo que nada sabia. Era a primeira vez que estávamos nos vendo, respondi.
Tinha consciência do que os "amigos em comum" me falaram. Não cheguei ao ponto de ser víl, e acabar com algo tão belo. Ele tinha várias faces, mas jamais viria a ter conhecimento sobre essas experiências. Cara, eu estava amando; na verdade, estou amando!
Eu sabia que esse amor poderia me causar bastantes supresas desagradáveis do tipo: eu não vê-lo por muitos dias, meses, anos, séculos. Mas só conseguia pensar que estava no controle do maior amor do mundo. Eu estava amando o infinito. Eu aprendi que, na vida, nada é perfeito; nunca ambiciei mesmo. Eu queria o que estava ali e agora. Em uma só pessoa encontrei todos os tipos de amores aos quais podemos estar, a qualquer dia, a mercê.
Eu apenas olhei para ele, dei um demorado beijo em seu rosto e apertei sua mão sorrindo bastante...
Dali para o sempre, dormia com a certeza que meu coração agora estava protegido eternamente pelo mais bravo dos amantes.

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 2. September 2007

Interno


E todos os finais de semana ele ia ao mesmo barzinho.
Não aparentava cansaço, mas pegava no sono muito fácil. Seus amigos semprem tiravam sarro por esse seu comportamento "meio adolescente", como costumavam chamar.
Todos os dias ele fazia o mesmo percurso. Em termos de trabalho, não deixava a desejar. Era um ótimo neurologista, e agora freqüentava a faculdade de jornalismo; ninguém sabia explicar essa sua diversidade.
Apesar de ainda ser jovem, com seus 30 anos, já era casado, pai de um lindo menino e sua esposa esperava o segundo filho. Os amigos falavam que ele tinha tirado a sorte grande no amor e na vida. Ele não era o tipo de ser humano extraordinário, apenas pragmático em suas ações. Considerava-se uma pessoa abençoada e feliz, fora dos princípios filosóficos impostos por outrem.
Não costumava pensar no futuro, gostava de aproveitar o hoje. Mais do que aproveitar o hoje, que lhe cabe muitas horas e variadas situações, era aproveitar o agora; na verdade, o que ele estava a fazer naquele exato momento. Tinha a sensação de ser uma máquina, na qual, fosse controlado por alguém através de um chip. Mesmo que fosse isso sentia-se feliz, pois sabia que aquela era uma "pessoa de bem".

Ele, lá no fundo, deseja doses homeopáticas de bom senso. Tinha certeza que fora afetado por osmose por algum tipo de senso ético-crítico insuportável.
Talvez ele nem fosse tudo aquilo que a reputação fofocava aos quatro ventos.

Jucksch, Márcio.

Samstag, 1. September 2007

Lili


Acabei de lembrar...

Lili estava no seu quarto. Lembro que tinha várias revistas científicas espalhadas pelo chão; o notebook, como sempre, sua companhia em cima da cama.
Conversando com sua mãe, dona Marta, mulher branca de assustadores olhos azuis profundos, que aquele dia trajava um lindo vestido vermelho, descobri que Lili resolvera pintar seu quarto de verde. A mãe estranhou a mudança de comportamento repentina. A menina meiga, de também profundos olhos azuis, cabelos negros... Agora mostrava seu jeito introspectivo, absorto; no momento, tinha preferência pela cor verde e laranja.
Dona Marta pensou que a filha estava sofrendo de depressão. Apesar das cores vivas, muitos de seus amigos comentavam a mudança de Lili. Ela não mais participava de nada, não mais namorava.
Num dos dias chuvosos e cinzentos do inverno, Lili sentou-se no quintal de sua casa e olhava fixamente para as suas árvores preferidas. Ficou ali pouco mais de 5 minutos, quando a chuva passou e apareceram os primeiros raios de sol; as nuvens mudaram o aspecto, ficaram com um tom alaranjado, rosa. Ela voltou para seu quarto.
No seu mundo particular, Lili era feliz. Sempre se divertia entre cores vivas, ausentes, aglutinadas; ela sorria como nunca o tinha feito. Os lábios vermelhos provando a qualquer um, sua felicidade. Mas sua mãe jamais soube disso... Acho.
Lili gostava de pensar que, nesse ponto, era uma pessoa egoísta. Gostava de ser feliz sem ter que dividir o que era temporário e de propriedade de raros momentos. Lili caminhava por sua diversidade, imensidão; sempre tentando imaginar o por quê das pessoas se preocuparem com a mudança de seu jeito.
Tinha decidido apartir do dia (que ninguém jamais soube) que não se importaria tanto com as pessoas e, sim, com seu próprio "eu". Mais tarde, no quarto, Lili apaixonou-se pelo quadro velho, de dez anos, que há muito habitava sua casa; namorava-o sem parar.
Mas dona Marta é mãe. Ela sabe o que se passa a seu redor. Nem Lili conseguia esconder tudo o que queria.
Mais tarde Lili dormiu... Isso me acalmou. Sabia que ali ela estava apenas perpetuando aquilo que jamais viria a ter; ou mesmo eu, não desejasse que ela passasse por perigos na busca desse "algo".
Lili era meu tesouro mais íntimo. Perde-la seria minha degradação, meu crime, meu suicídio... Era o que jamais poderia ser exposto ao mundo externo.

Und dann... Vamos.

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 30. August 2007

Neu


E quando todo processo a que estou destinado a passar, concluir-se... Eu sentirei saudade de tudo.
É engraçado quando estamos eminentes a fazer algo, tudo tornar-se novo. É estranho olhar para algo que você passou, no mínimo, milhares de vezes e aquilo parecer, também, ter mudado milhares de vezes.
A vontade é de sair correndo por lugares, agora, desconhecidos; a vontade é de falar, beijar, rir, gritar e sonhar com as pessoas que mais conviveu nos ultimos dias. A sensação é de estar com uma bomba na mão, na qual, a qualquer momento, obviamente, explodirá. Algo que nos faz aproveitar mais o que pensávamos ja ter sido aproveitado. A mente vai a toda velocidade tentando processar o que faremos primeiro. Dor!
Há também o reconhecimento que tudo chegou ao nível do cumulo, tais como: força, velocidade, tempo, espaço (...).
Eu sinto vontade de rir muito. Mas penso também que rir muito me custa tempo, e tempo é dinheiro. Tudo tornou-se importante; até os momentos tristes são importantes. Tudo tem que ser mais que aproveitado, eu já disse.
Essa sensação é cretina. Serve para mostrar que por mais que certas vezes pareça surreal... Nós somos seres humanos! Ela existe só no momento em que algo diferente acontece em nossa vida. Depois que esse diferente passa a ser cotidiano, tudo é esquecido; nos encontramos outra vez na situação de fazer o que, naquele momento, requer mais atenção: trabalho, estudo, contas a pagar, etc.
Só nos resta mais força para agüentar essa "leva" quando este, que por enquanto é novo, virar o antigo e dar espaço a outro.


Eu me amo. Fiz escolhas as quais posso quebrar a cara de uma maneira que nem o misticismo pode modificar. Mas sou assim, adoro enfrentar o algoz; sempre me dei ao luxo de ter o melhor e ser o melhor. Jamais aceitei a condição de ser fraco!
Eu tenho fé.
É a velha história: Posso ter nascido na fazenda, mas não me criei no pasto.


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 29. August 2007

Mãe,

Assim que estiver lendo esta carta, provavelmente já estarei no aeroporto.
Saibas, primeiramente, que eu amo você. Jamais estaria aqui, neste momento, me arriscando em uma grande aventura sem nada muito concreto, se não fosse por seu imenso carinho e paciência.
Acho que mesmo quatro anos sem notícia alguma sobre ambos, não foi o suficiente e nunca será o bastante para diminuir nosso amor. O que me incomoda é a sensação que vou partir deixando algumas coisas pendentes. Talvez seja pelas noites e madrugadas que fiquei em diversão virtual com a galera e resolvi dormir até mais tarde; talvez pelo fato de que, quando eu acordei, você não estava lá para tomar o café da manhã do meio-dia; talvez por termos perdido valorosos almoços em "quase-família"; talvez por alguns de nossos raros desentendimentos; talvez por aqueles dias que você resolvia não me querer ver pela frente quando algo no trabalho estava te irritando; talvez porque eu ficava no quarto escutando música ao invés de te encher de beijos; talvez porque eu sempre passava horas no telefone tentando matar saudade de alguém que mais a frente iria parecer ridícula e, mal sabia eu, que a verdadeira saudade estava por vir nesta carta; talvez pelo fato de muitas vezes você não se mostrar a mãe presente, não revelar o amor materno e mesmo assim eu morrer de rir vendo você chegar cansada, mal-humorada, desarrumada, pouco apreciativa, te amando sempre mais. É coisa de filho que entende que todo sacrifício é por um bem maior, sabe?
Ah! Mas não há quem consiga apagar todos aqueles dias que eu, quando criança, era bem mais feliz e sem preocupações posteriores por simplesmente ter você ao meu lado em tempo integral, me defendendo. Aqueles abraços fortes, calorosos, aconchegantes, amorosos. Era uma sensação real de estar superprotegido, que nada poderia me atingir mesmo, claro, que não tivesse consciência sobre os cuidados que jamais podem ser comparados ao que quer que seja (...).
Como esquecer os nossos momentos de descontração? Aqueles que você folgava pra tentar viver e, mais uma vez, eram momentos indescritíveis. Nossos momentos escutando músicas juntos, assistindo dvd's, das nossas conversas em que te contava tudo sobre meus sofrimentos, dúvidas, sobre o novo... ah, faz voltar, por favor!
É, sei que apesar de você ser mãe... Aquela mãe que, por mais que o filho cresça em outros sentidos, a seu ver vai ser eternamente: a criatura frágil que sempre vai te causar preocupações cruciais. Vai sempre te fazer perder o sono e ajoelhar-se no chão frio para pedir, desesperadamente e com o coração na mão, que o Senhor Supremo proteja com todas as forças. Sei que por mais que seja essa grande mulher, você não controla o tempo.
Lembrar das dores e preocupações de uma mãe, me deixa fraco, triste... com vontade de chorar.
Um dia, todos têm que aprender a voar sozinhos, já dizia algum sábio. Mas, sabe, só queria te abraçar... Poxa! Espero eu aprender bastante com essa dor. Passei a pensar mais em você. Me preocupa, agora que estou distante, se você vai ficar bem; me destrói a paz de espírito ficar pensando quem vai te proteger, na minha ausência.
Saibas que te levo na minha mente, coração e bolso (risos). Espero que meu estado psicológico jamais perca o equilíbrio que mantém minha fé em, futuramente, te ver outra vez.
Ah, antes de sair de casa, peguei algumas coisas da geladeira e da dispensa. Por sinal, estou escrevendo essa carta comendo aquele bolo de cenoura e chocolate que eu sei que você deixou, pra mim, em cima da mesa. Bolo que há muito havia me prometido.

Bem, assim que chegar eu te ligo. Prometo chegar inteiro e que vou me comportar. Prometo!
A propósito, ficaram algumas roupas em cima da cama; não coube tudo nas duas malas. Minha luva e minha bola de baseball ficaram dentro do guarda-roupa, algumas anotações da faculdade em cima do criado mudo, algumas roupas sujas pelo chão. Desculpa, mãe! A pressa um dia ainda vai me fazer perder a cabeça.
Diga que deixei um abraço pro pai e pro irmão - os amo com todo meu "cosmo". Mande muitos beijos para o vô e para a vó; volto a tempo da boda deles. E diga, também, que quero muito dançar com ela, no mínimo, duas músicas.


P.s.: Mãe! Por favor, entrega os cd's da Jaiana por mim. Peça desculpas em meu nome. Ela entende meu jeito pouco preocupado.

P.s.: Sonhe sempre comigo e, antes de dormir, dei sempre um carinhoso beijo no meu retrato que coloquei próximo ao seu telefone.

No mais... Amo você, Mulher da Minha Vida!



J, M.

Dienstag, 28. August 2007

Relicário


Um dia, o bom velhinho que primava as partes restantes contou-me que fui completo.

Disse que eu era perfeito. Sim! Perfeito.
Contou-me que, por muitas vezes, me observou. Talvez meses, anos.
Contou-me que eu era surpreendente! Era bom ouvir isso no estado em que me encontrava; ele me conhecia mais que eu. Isso prova a verdade que, quem está de fora, vê melhor, não?
Contou-me que, quando completo, me apaixonei e, conseqüentemente, comecei minha doação por completo.
O amor era tanto que superava qualquer outro jamais visto.

Tão clichê quanto podia ser, ele me disse que a primeira parte que doei foi: Meu Coração.
Diante do processo complicado que era a paixão fulminante, ele contou que obriguei (mais que nunca) cabeça e mente a trabalharem a todo o vapor e destinado à somente "um alguém" - não percebia que, por mais que estivesse a mercê do famoso amor, estava perdendo partes preciosas de mim.
A medida que avançava o "ciclo de amor" doava outras partes como: braços (que, daquele momento em diante, serviam apenas para acomodar dores e alegrias, tristezas e medos); pernas (cujo o unico caminho que trilhavam e conheciam, era o que me levava ao ser amado).
Bom, com um leve sorriso no rosto, ele dizia que meus olhos só eram voltados para quem, voces e eu, ja sabemos. Disse que tinha a leve impressão que eu passei a não mais enxergar rostos desconhecidos a minha frente, e que só enxergava as sombras e os contornos desses seres que agora estavam em trevas diante do meu conceito de amor; eu, no estado de inércia, concordava e sofria cada vez mais com o "eu" que deixei se perder.
E, quando dei por mim, o tal amor estava chegando em seu momento de "der untergang". Foram todos os tipos de agressões jamais vistas, que foram acontecendo entre duas pessoas que selaram, num primeiro momento, um pacto de confiança. Ou será que apenas eu havia me jogado no abismo pensando ter uma agradável companhia? Já não mais se sabia nada.

Neste exato momento, quando tentei fazer algo para salvar, o que a meu ver tinha salvação, que percebi que eu não mais existia como algo completo. A doação, que eu chamo de "mergulho de cabeça", tinha acabado. Fui abandonado.
Me encontrei tentando um arriscado equilíbrio na linha limítrofe entre "loucura e sanidade". Um inconsciente mais que perdido, mais que desolado, mais que quebrado, mais que enfermo... Mais que sozinho!

Há quem diga que quando ela saiu de casa, lembrou que carregava muitas partes minhas que talvez nunca chegaram a ser realmente aproveitadas, e começou a espalhar por pontos diversos da rua, da cidade. E outros contam mais, muitos mais. Dizem que alguns mendigos, solidários com a causa em questão, juntaram algumas partes por mais que não soubessem a verdadeira razão. Homens e mulheres, cada um juntava uma parte qualquer. Mas não sabiam o que fazer, Meu Deus!
Até que o bom velhinho, uma das pessoas tocada pela emoção, resolveu juntar todas as partes e guardar em um empoeirado relicário. Empoeirado, mas longe de qualquer sentimento atroz no qual pudesse se encontrar aquele ser que sou... Eu!
O amor é destrutivo, concluí.

Hoje estou em uma sala escura, na companhia de muitos objetos velhos, desgastados, encobertos, empoeirados, abstratos. Visitado, às vezes, apenas pela sombra dos mesmos, pelo velho quando vem limpar as "partes" e alguns feixes dos raios do sol quando o velho deixa, por alguns minutos, a porta aberta ou mesmo pelas frestas da velha saleta.

Mas mesmo assim ainda digo que sempre vou amar, amar, amar e... Amar!

A pessoa mais importante da minha vida ensinou-me isso. E, por isso, te agradeço. Agradeço, mesmo à mim, por ter a incrível capacidade imensurável de amar. E mais do que amar, é você poder salvar a pessoa que você ama de todas as maneiras possíveis as quais uma pessoa pode ser salva.

Eu me orgulho de minhas atitudes. Tenho quase certeza, que apesar de tudo, o amor próprio prevaleceu.

Obrigado!

Jucksch, Márcio.