Dienstag, 30. September 2008

In our head all beauty is a bit of sin

Na cabeça da gente toda beleza é um pouco pecado. Dá azar e tem algum preço. Beleza mesmo não presta para amar, é ruim. É difícil ser muito belo sem deixar de ser outras coisas, eu acho, presumo - nunca fui.
Num romance da Isabel Allende, a protagonista fala assim: “Decidi que eu era bonita, porque queria sê-lo”. Deu-se por aí comigo também, acordei um dia, olhei-me no espelho e disse “Pois bem, cansei. Você é magro, é pardo e seus cabelos são secos e se recusa a mudar, mas vou ter que conviver com você pelo resto da vida ou, pelo menos até os trinta, de modo que vamos ter que nos entender”.
Aí tirei a roupa e sentei no chão. Então levantei, curvei, virei, torci. Mexi em tudo ao alcance – e no fora de alcance também – até as coisas fazerem sentido. Foi o mais longo exercício narcisista que já experimentei. Repito-o em alguns domingos. No dia seguinte dei a cada parte do corpo um novo significado, até me reinventar. Coluna torta e coxa fina, joelhos ossudos e peito baixo, fiz tudo contar algum segredo.
Já quem nunca foi feio não conta história. Nem precisa se esforçar para ser interessante, de modo que se interessa pouco pelo outro, parece. Tem, bem verdade, um quê meio sobrenatural, de gente não existente. E nunca vai precisar descobrir do que é feita a beleza inventada.
Hoje acredito tão piamente nessas mentiras que conto, que logo passo a ser lindo. Mas não lindo dessas belezas que doem um bocado, feitas para satisfazer os sonhos dos outros, às custas dos prazeres da gente. Lindo desses que se convencem e um dia acordam e são.

P.s.: Estou muito impressionado e triste comigo. Isso é meio meu... meio Isabel Allende também. Hahahaha.
E Feliz Aniversário para mim, né?!



Jucksch, Márcio.

Samstag, 20. September 2008

Passionate way


Estive pensando e acho que me apaixono assim: pego um fragmento de gente e faço dele um todo apaixonante. É de idealizar; e nisso não vejo problema, que gosto de idéias. Enxergo num alguém um conceito: de liberdade, carinho, coragem ou desprendimento. O conceito apaixona. É cobiça, desejo, qualquer coisa que prende e que guarda. Num dia ou no outro aparece e dispara seja lá o que estivesse trancado e aí pronto. O conceito faz pular um muro, quebrar a cara, superar distâncias. Ele chama chama chama e então se esvai com a proximidade, de perto todo mundo é vitral.
Porque amor não é assim. Amor é coisa de quem já viu demais para se satisfazer com um fragmento. Amor precisa de mais segurança, de trato e tem, sim, a ver com hábito. Se a paixão é a idéia que dispara a criatividade, o amor é o projeto em vias de ser realizado.



Meu amor exige cumplicidade. É amor de companheiros que já têm subentendido que ao chamar um o outro é convidado. É amor de duas lanternas, cada um com a sua, iluminando o mesmo caminho. É sempre um amor de dois.



É para vir em dupla! Pelo menos comigo: idéia e projeto. Sonho e execução. Paixão e amor. Ninguém conhece de longe, mas, francamente, para que sair da solidão confortável sem boa proposta? A paixão é meu convite.





Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 10. September 2008

Prudence, dear!


Hoje sê prudente. Que os ritos têm força e evitam mal-entendidos. E maus entendidos também.





Agora que conhecestes o fim do mundo, tenta algo novo. Pisa no chão já andado. Bebe em águas antigas e cresce com o bom-senso dos sábios. Já sabes que é permitido de tudo e isso te torna teu único responsável. Hoje respeita teu medo, ele é um bom aliado; são teus sentimentos que percebem o mundo, é bom manter-se em contato.





Desacelera e relaxa, o tempo acaba virando instrumento. E, é mesmo, o que tem demais em evitar um ou dois machucados?





Jucksch, Márcio.

Montag, 1. September 2008

Today I let you all


Hoje eu te permito tudo.
É teu dia de voar, estás autorizado.
Hoje, a contar de já, terás vinte e quatro horas para viver sem amanhã. Para que grites, para que chores. Para dizer a teu pai todas as palavras engolidas, para estepear tua mãe, fazer as malas. Para quebrar a casa. Para arrumar a casa. Nestes mil quatrocentos e quarenta minutos podes fazer o que amas ou te estarrece, como aquela humilhante ligação que só prova que não conseguistes esquecê-lo. Quanto tempo isso vai levar? Talvez tu retornes, deixe quinze, vinte mensagens desesperadas para ele te ligar. Para te amar de novo. Para te amar primeiro. Não importa - tudo pode.
Mas não perdes tempo, que tens um dia inteiro. Ou melhor, perde! Não levanta da cama, dorme de roupa, termina com tua linda namorada sem cérebro. Eu, com toda minha autoridade, hoje deixo tu fazeres o impensável. O que é? Trepar com um desconhecido? Amar de cara? Ou - deus, até isso - dizer um não?! Tens minha garantia: pode negar sem deixar de ser amado. Nada de jogos, nada de medos. O que quiseres, vale. Te confronta com a morte, vive de paixão, dança um funk. Cobra da vida as tuas carências.
Mas vive sem pensar hoje!
Para que possas descobrir o valor de acordar no dia seguinte ao fim do mundo.


Jucksch, Márcio.