Dienstag, 30. Juni 2009

Laissez faire


-Como você é má!
Por isso eu adoro.



-Você é como o pus, que infecta a mucosa, que destrói os fungos, que se alimentam dos detritos.



-Você sabe quem e o que você é para mim.
Não importa como, não importa quanto, não importa onde.
Você é sempre você.
De um jeito que só a gente sabe como é.



E quanto mais o tempo passa, mais eu sei que te conheço; que você gosta de uva itália, e que sou apenas 19 DIAS mais velho que você; que você só gosta de banana e maça. E eu nem gosto de banana; e que você morena e eu sou 'loiro'; que você é sossegada e eu sou fresco; que você é X e eu sou Y.
E por isso tudo dá tão certo.



-A vadia das vadias.
Amiga das amigas.


E por que eu escrevi isso?



Jucksch, Márcio.

(x + y)


Nada de tiros. Nada de desgaste. Nada de espelhos. Nada de azul. Nada de duplas. Nada de frio. Nada de olhos. Nada de sexualidade. Nada de Coca-Cola. Nada de 'inhos'. Nada de janelas. Nada à quatro. Nada de significado. Nada de ABC.



Nada!



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 21. Juni 2009

Na torre mais alta, à noite


Real e inelutável era a sensação terrível que comprimia o seu peito...



Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 18. Juni 2009

Série: escrituário


Os segredos são nossas moedas nacionais. Seu valor é relativo a quem os recebe. Ter muitos segredos dá ao Estado-País do eu a estranha sensação de estar seguro, a sensação de saber o que ninguém mais sabe. Colecionar segredos alheios é como fazer pilhagens, retirar e retirar das pessoas sem dar nada em troca. E os segredos próprios guardados demais inflacionam as relações. Deixam cada gesto de amor caro demais, custoso demais.


Adoece quem guarda segredos se deitando sobre eles como se deitavam os dragões sobre as pilhagens de ouro e diamantes, no centro de suas montanhas impenetráveis. Gigantescas e imponentes montanhas de cobre. Em covis abertos por caminhos misteriosos, onde era coberto, às vezes por séculos, o brilho das jóias acumuladas.


O ouro dos dragões servia-lhes apenas pela beleza de tê-lo e jamais o usavam, jamais o trocavam, nem permitiam a ninguém que o vissem. Amavam juntar esse ouro, acima de tudo, e, pelo medo de perdê-lo, afastavam-se de toda e qualquer forma de vida. Tornavam-se orgulhosos, tempestuosos dragões, acostumados à satisfação de contemplar a sós o seu tesouro. Esses dragões raramente voavam, suas guerras eram tolas e sofriam com trapaças maldosas.


É preciso proteger nossos segredos das especulações, verdade. Existe o mal. Existe o descuido. Mas então existe todo o resto. Um segredo é valioso, isso é inegável. Um segredo contado altera uma verdade. Nós dizemos de algumas verdades que elas são difíceis. Contudo isso não existe, não há verdades difíceis, há segredos que não se querem dar. O segredo de que tenho medo da morte. O segredo de que não gosto quando meus planos falham. O segredo do abandono. O segredo da dor que causei e o segredo de que mereço amor.


Vejamos a Argentina com todos aqueles dólares: Uma hora a crise vem, não tem jeito. Vem para todos. E ter muito guardado não é garantia de nada. Por outro lado, também é muito doloroso dar a alguém um segredo e ver o valor dele desfalcado na troca. Mas é um risco, um risco inevitável. Daí a troca precisar ser justa. Ninguém quer ser arriscar sozinho.



Jucksch, Márcio.