Sonntag, 23. November 2008

avec tout mon amour, mon amour


Quero dizer que nos amemos sem dor; sim, eu ouvi falar das implicações malditas, cantadas por todos os poetas infelizes, esperançosos, infiéis e potencialmente suicidas (ou suicidas de fato), que dizem esta exigência costuma trazer. Sim, já me contaram que esse amor traz consigo um assustador cheiro de tédio, que é inverossímel, que só se acha no fim do terceiro bloco dos filmes, após os comerciais, mas quero esse aí.


Quero que o grande risco para essa nossa relação seja não correr risco algum. Pelo menos não mais que os riscos naturalmente corridos por duas pessoas que largam o conforto de estar a sós para deixar entrar as manias do outro, aquele ronquinho suave da apnéia, o andar encurvado, o tique de jogar o cabelo pra trás no meio da conversa e estalar um por um os nós dos dedos.


Acho que eu e você temos vocação para um amor de velhinhos. Velhinhos que dormem exaustos e acordam um pouco antes para "dar mais uma", por que não? Somos "modernos". Dos que brigam por bobagens, também, pois passam o dia inteiro um com o outro e precisam se enjoar um bocado, para irem fazer outras coisas da vida e voltarem anciosos de saudade.


Como isso faz parte de você ou por quanto, não sei; sei que me enfadei de vulcões, fundos do poço e caminhar em beiras de abismos. E, se faço umas tempestades, respeita, sem levar em conta, que tem muita força no hábito.



Danckwardt, Márcio.

Freitag, 7. November 2008

Por que estou postando isso?


Ultimamente só tenho pensado em políticas monetárias. Câmbio, tributos, recolhimento compulsório, liquidez dos ativos, meios de pagamento, inflação, juros, taxas de redesconto, gastos, arrecadação, divisas, dólar.



Tá tudo meio complicado e interessante. Um conteúdo bem aplicável, já que a crise financeira mundial nos dá vários exemplos atualizadíssimos desses processos.



Estudem Economia, recomendo!



(Vocês sabiam que a Rede Globo é uma das 10 maiores empresas do mundo?)





Danckwardt, Márcio.

Mittwoch, 5. November 2008

Mega


Granitos. Estranha propriedade granulada de aglutinação dissoluta como um alto-falante em interferência. Aqueles dois fones que não saem dos ouvidos. A ordem direta: de um ao doce. Escondido em dia de chuva por detrás das córneas.



O barco treme. Pensa nas velas. Outras lentes perdidas correndo sob a tempestade. Uma mancha no colete. Nos joelhos.



O barulho abafado de um saco de gatos. Instantâneo acusa objetivas abertas por tempo além.



When I think that I'm over you, I'm overpowered.





Danckwardt, Márcio.

Samstag, 1. November 2008

Revirando Baús


"Eu queria te ter dito. Mas quando pensei a respeito não tinha nada a dizer. E sobrou vazio, sobrou silêncio. Não aquele de palavras que querem sair, sofridas, esquartejadas, entre sal de lágrima e secura do vento. Não era esse. Era aquele silêncio de quem foi falar e percebeu que já disse tudo. Que nem entendia o que tinha dito, nem o que precisava dizer, mas já disse tudo o que sabia. Eu te beijei nessa hora. Aí tu foi. E sobrevivi. Queria te contar que fiquei arrasado, que caí em prantos, que me arranhei, que corri, que ia te pedir pra voltar. Mas tu foi embora e eu voltei. Eu sobrevivi. Doeu, sim. Aquela dor do machucado que a gente só sente na hora do banho. Aquele frio interno que só esfria de noite e com Chico. Mas nem foi toda a dor que eu queria e me disse então que nunca tinha te amado, porque se não me matou, não era amor. Foi isso que me salvou. Eu virei um cínico. Por ser romântico demais."




P.s.: Fio de prata, crônica de 31 de julho que eu já nem lembrava mais. E não, eu não sou alcoolatra!




Danckwardt, Márcio.