Sonntag, 27. Mai 2007

Luxúria

A noiva em suspiros e com intermináveis momentos alucinógenos de flashbacks olha para seu cavalo à procura de uma solução. O marido a ponto de uma explosão de detalhes mortíferos saca a arma e aponta para a cabeça do pai de sua prometida... Era literalmente um conto mexicano. As putas em seu espaço sangrento de vida, trabalhavam absortas envoltas em pensamentos pouco marotos. O cafetão cobrava-lhes obediência até a alma. As brigas por coisas banais aconteciam assim como em qualquer outro lugar. O forasteiro invade a cidade a procura de seu espírito perdido e do tal amor de anúncios de jornais. Com a arma em punho mata dois bandidos que agarravam a garota que servia o almoço dos grandes homens. O cenário de tantos atos abruptos e algozes era uma cidade do interior de Lugar de Sempre, algo meio que achado dentro de um grande deserto. Conformados de que aquilo era o certo para suas pequenas vidas, os moradores apenas ocultavam de suas mentes a verdadeira intenção do propósito vital... Matá-los!Mais uma vez a noiva aparecia em cena com sua magnífica aparência destruidora. Estava trajando seu vestido branco perola bordado em diamantes, com uma longa calda e um véu que cobria-lhe o rosto pálido. A imagem era estarrecedora. Queria correr dali pra um lugar em que pudesse viver... Algo que há muito não fazia. Em um de seus lapsos, correu para o quarto de seu pai, abriu a gaveta e pegou a arma que havia ali. No bordel as putas tramavam a vingança contra o cafetão. Ele por outro lado ria do esforço das mulheres e esbanjava seu dinheiro aos quatro ventos fumando seu charuto. Com um olhar de superioridade, apenas diminuía e mostrava o asco por estar no mesmo lugar que elas. No bar o forasteiro pediu apenas um copo d’água e parou para refletir mais um pouco sobre o que veio procurar na pequena cidade... Talvez nada! Um grupo de pistoleiros o olhava com malicia e prontos para começar uma disputa “por tudo ou tudo”. A cidade era castigada pelo sol. As noites eram frias e causavam lembranças nostálgicas. Cético. Era um lugar perfeitamente sem aqui nem ali; longe de tudo, perto de nada. O luxo de ser inexistente, sem propósito e podre. O carma de ser mais um entre poucos. Tudo na medida do impossível; na insensatez da concordância, do compreensivo; na vergonha do ético, educado e cheio de fé; na linha limítrofe da loucura de fulanos, na insanidade construtiva de certos Wild’s. No local onde seria realizado o casamento, chega a noiva. O marido corre em sua direção e a puxa pelo braço. O padre começa o rito. Ela chora e diz não querer destruir a vida mais do que já fez. O marido não se comove e, puxando seus cabelos, a faz ajoelhar-se diante de todos. Ela levanta e vai até o cavalo, pega a arma e aponta direto para o coração de seu noivo e atira (...). A bebida envenenada vai ao encontro do cafetão. As putas comemoram dentro do quarto bebendo champanhe. Era o fim de tudo e o começo do infinito. Ouvindo o disparo da arma o forasteiro corre em direção ao local e encontra a noiva em cima do cavalo. Amor à primeira vista. Eles se beijam e partem em seus cavalos rumo ao mundo. A cidade continuou o mesmo antro de... Luxuria!

Jucksch, Márcio.

Montag, 21. Mai 2007

Inóspito

Porque a minha Lua de tão apaixonada pela própria noite, já não deixa mais o Sol mostrar seu brilho e ostentar formas de vidas efêmeras. Os surfistas, em protesto, ficaram de luto. O senhor que todas as manhãs, em companhia da menina, sentava no balanço para contar-lhe histórias, com o egoísmo da Lua, agora somente dorme ao som do vento mexendo as folhas nas árvores. A menina, em uma crise interminável de alegria, apenas ri da satisfação no semblante de seu avô... Ela só quer mais uma história (...). Mas se minha árvore regredisse até um ponto de extrema piedade, talvez eu pudesse mudar meu nome para... Felicidade!
Eu realmente não entendo! Apenas folhas secas atravessam a janela. Tanta coisa revestida em utopia. Crises de três copos de água com açúcar. Puro alcoolismo insensato.
A criança no colo da mãe apenas confunde o ônibus com um imenso carro de doces. Mas qual seria a melhor perspectiva de vida sem demasiada hipocrisia cancerígena? Elas são espontâneas e vêem o mundo na sua primeira forma aos olhos de qualquer um, ou seja... Puro. Elas são puras. Nós somos puros. Eu sou puro. Mas preferi aderir ao sistema só para manter opiniões equivocadas de que sou inteligente e, de certa forma, intangível. Tudo isso pra gritar para o mundo inteiro que... Eu te amo! Mas qual será a verdadeira intenção do amor? Ele é sempre perspicaz; te pega na hora certa, lugar certo... Mas por ironia, é sempre a pessoa errada. Idéias são sempre bem vindas. Eis que surge a lâmpada que te salva. É claro! Podemos nos apaixonar todos os dias. E por pessoas diferentes, em lugares diferentes e mundos diferentes; não pensando no mundo como algo imenso. Ele é tão pequeno que posso te encontrar na parada de ônibus protegendo-se da chuva que não pára.
Eu me olho no espelho e apenas o que vejo – como já disse uma pessoa muito especial – é um primata de luto. Mas nunca acreditei na teoria da ciência de que evoluímos de seres tão livres e sem nenhum tipo de selvageria grotesca que passamos todos os dias; exceto, logicamente, pela sua natureza animal. Mas isso é tão ambivalente.
Acredito, sim, em Deus. Aquele que todos me dizem ser cheio de amor e esperança em uma nova vida. Seria Deus o grande alquimista que criou sua própria praga? Digo que acredito, apenas por ele nunca ter mentido pra mim.
Outro dia tentando sair de uma entropia – enquanto via meia dúzia de rostos inanimados – pus-me a uma verdadeira prova de fogo: conversar com Deus e Buda. Idéias cretinas sempre aparecem em mentes pérfidas. Mas sempre valorizei e valorizo minha vida. Raiva e tristeza são coisas tão mesquinhas, que não me atrevo a querer conhecê-las em sua intimidade mais ambiciosa. Foi tão bom ficar entre tais divindades. Mas posso dizer que jamais pensei em sofrer tal dor no coração. Eu morri por três horas, acho.
Deus está tão enfurecido com a sua magnífica criação, que aceitou um cigarro e uma dose de absinto pra relaxar. Sim, até ele sofre crises de altíssimo nível de álcool, nicotina e pessimismo em relação a seus erros. Literalmente rock and roll. Ele diz ter dado inteligência como forma de libertação e melhor condição de vida, já que Eva comeu a maçã. Em controverso, ele apenas vê a destruição do próprio recurso de vida. Empáfia. Médicos e Juizes brincando de assumir a imagem e poder do criador e julgar pessoas, fatos, modos; filósofos em busca da inalcançável metafísica, quando a verdadeira resposta está a três centímetros de seus narizes. Juro que tentei pegar em sua mão e tentar apaziguar seu coração com palavras clichês. Mas ele pediu silêncio. Disse que queria curtir o momento ménage à tróis. Quem sabe poderia ensurdecer-se com o silêncio que gritava sinfonias de Bethoven em seus ouvidos. Notei que ele criou uma ilusão. Somente quando vi sua imagem refletida no espelho, percebi seu rosto triste e coberto de lágrimas. Isso me fez acreditar que não sou imune a tristeza e que não posso fazer todos rirem e sempre estarem felizes. Não gostei. Vivendo e aprendendo, ele disse.
Matei o inseto que subia no meu pé. Buda censurou-me.
Queres fazer uma ou mais pessoas felizes e não dá devido valor a vida? Seu ponto de ignorância afeta minha paz. Vamos conversar.
Não acredite na vida como ponto único, menino. São tantas singularidades, que nem eu consigo explicar. Mas podemos encontrar vida nas plantas, árvores, campos, oceanos, vento, insetos, animais (...). E preste atenção que tudo isso te repassa vida e tem função importante na tua existência. E, como agradecimento, são todos pisados como algo sem sentido. Ainda assim continua seu trajeto. Mas tu és demasiadamente promíscuo. Não te obrigo a aceitar e entender tais coisas como única opção.
Calma, Buda. Ele não tem culpa. É apenas mais um de meus erros – disse Deus com cara de escritor intimista.
Sei. Mas como qualquer outro erro, deve ser concertado e reduzido a nada – disse Buda com toda calma.
Seria um atentado a minha própria vida e existência se fizesse isso. Tu sabes que descartei uma de minhas vidas por todos que eu acreditei serem dignos. Já não posso aproveitar o descanso de domingo – disse Deus em umas de suas tragadas.
Não assumas essa culpa sozinho. Afinal, também sou culpado. Resguardamos-nos tanto em nosso ostracismo, que esquecemos dos poucos que nos dedicam seu breve tempo. Em suma somos egoístas – disse Buda com lágrimas nos olhos que, nesse momento, afetava a minha paz de espírito.
Basta dessa filosofia de galinheiro. Vocês são culpados sim. Mas sabem que em um ponto tão avançado como esse em que estamos tentar achar um culpado ou mesmo culpar-se, é inútil. Não existe gravidade de erros e, sim, um breve momento de reflexão.
Na verdade vocês só ganharam status de Deuses por terem criado algo, que com certeza, é toda a parte podre de vocês. E apenas o que restou no corpo central foi: paz, misericórdia e bondade. Nada mais somos que vocês em um dia de fúria se ainda fossem completos. Chega a ser o ponto da duplicidade de vidas únicas. Eu sou Deus! Vocês criaram ilusões e assim vamos viver. Quem sabe um dia a verdade venha à tona, e poderemos sentar neste mesmo lugar pra rir de tudo o que passou enquanto vocês brincavam de ser isso que chamam de... Deus.
Quero, nesse momento, ignorar tudo o que sou e que vocês queiram que eu seja. Esse momento não existe. Estou preso em um caminho negro. Já não encontro minha luz no fim do túnel e, nem mesmo, me encontro; os trens não podem ser ignorados... Já pressinto um na minha direção. Afinal, por que vocês deixam que a Lua prevaleça seu egoísmo diante do Sol? Tudo é egoísmo. Falso. Quero sentar na cadeira e sentir a chuva. Quero me sentir limpo. Isso é possível?
O senhor que estava dormindo, acordou. A menina estava sentada ao seu lado segurando o livro e tentando ler a história que todos os dias o velho repetia. Ele apenas olhou para ela, depois para o céu – que estava escuro - e com um olhar triste voltou a dormir. Tudo parou. Tempo já não mais existia. Era o fim. Mas a menina, não conseguindo ler, aproveitava para rir das figuras engraçadas do livro. A alma de uma criança não pode ser tocada por coisas pérfidas. Sua felicidade era mais que tudo; mais que tempo, dia-noite, tristeza. Era ser feliz e sem preocupações.
A avó olhava tudo com uma calma desesperada por resposta sobre um momento tão sombrio. Mesmo com tanta coisa sem explicação, ela continuava a lavar as louças sujas e a enxugar delicadamente. Cada um é cada um. Isso é fato! Seu vestido xadrez traduzia em forma de abstração suas dores e alegrias. Olhou para a mesa e pegou seu livro de receitas. Esse momento merecia um delicioso bolo de chocolate com laranja. Encontrava forças no sorriso da neta que se divertia na noite que deveria ser dia. Queria apenas um abraço de seu companheiro. Era mais que desejo. Talvez uma necessidade que dilacerava corações e dimensões. Pegou seus ingredientes e começou sua arte. Queria algo nunca feito antes, a ocasião merecia. Estava tão frio. Olhou mais uma vez para o jardim e viu que ao lado da menina crescia uma rosa branca. Ela enxergou a verdade. Tudo aquilo nada mais era que a própria vida manifestada em corpo sólido. Por que tem que ser assim?Olhei desesperado para Buda. Preciso regredir. Quero minha mãe. Um abraço nada mais que reconfortante. Diga-me onde encontrar o relógio que irá me indicar o caminho do útero. Preciso de paz. Essas imagens de sofrimento afogados em uma tigela com massa de bolo era algo ludibrie. Letal.
Apenas olhe. Isso nada mais é que o rosto por trás da máscara – disse Buda.
Não quero! Dói muito – reclamei.
Se for seu coração, posso ajudar, acho – disse levando sua mão em direção ao meu peito.
Nesse momento a dor aumentou, e ele disse:
Olha! A imagem talvez não seja agradável – disse Buda com meu coração na mão.
Já não sentia mais nada. Eu estava cada vez mais morto. Entendi que o que acontece com o corpo não é a tal morte que todos pensam que é. Isso que não estava sentido mais era morte. A verdadeira morte é essa, e ela tem vários níveis. Deus disse:
Vivendo e aprendendo. Já li teus pensamentos. Agora sabe que aquilo que todos cultuam e se entristecem no chamado enterro, nada mais é que o... Nascimento – explicou.
Segura teu coração e veja o quanto resiste à vida que tanto ama e diz entender – disse Buda com fúria nos olhos.
Olhei para outro ponto do mundo e vi um garoto na janela da casa brincando com um soldadinho de chumbo. Todas as imagens de crianças felizes tornavam-se ambíguas... Ilogismo de minha parte. Ao mesmo tempo em que parecia ser não era.
A moça sentada no banco da praça esperando por algo era violentamente apaziguadora. Uma carta caiu do céu e ela pegou, leu e abriu um grande sorriso. “Alguém por aqui olha por ti e te protege”, estava escrito.
Protège moi! – ela exclamou.
Essas pessoas não enxergavam que tudo parou que não mais existia tempo e que tudo o que procuram ou esperavam, jamais iriam encontrar ou alcançar.
Olhei para um ponto mais além e vi o homem que dirigia falando ao celular, o cão que olhava fixo para o poste... Era tudo desconhecido.
Deus disse:
Só o que podemos fazer é olhar. Não me atrevo a descer onde fui crucificado. Apenas porque não mais faz sentido. Não vou parar de dizer que tudo é aprendizado.
Façam silêncio. Preciso recuperar minha paz. Essas voltas só vão retardar o aprendizado do garoto, Deus – disse Buda em tom de censura.
Outra coisa que essas pessoas não notam é a obsessão da Lua pela noite e pelas estrelas. É uma causa quase que perdida. Narcisismo por algo que ela faz acontecer. Essa auto-fascinação destrói até ela mesma, falaram Deus e Buda.
O Sol estava se apagando e logo já não ia haver vida em parte alguma. Esse sistema estava desaparecendo.
A Lua olhou para todos e se enfureceu. Não gostava de ver todos tristes já que tudo estava bonito e ela estava feliz, oferecendo algo que muitos não tiveram oportunidade de ver. Deus tentou explicar que seu fascínio estava acabando com tudo que era significativo para esses seres, sem tom de censura. Ela era esnobe. Apenas virou os olhos e riu.
Como posso estar acabando com tudo. Minhas noites e minhas estrelas são perfeitas e meu amor por elas é inigualável. Tente convencer outro tolo, homem.
Mas as estrelas começaram a se apagar. A lua ficou assustada e perguntou o que Deus estava fazendo. Ele disse que tudo era conseqüência de seu egoísmo para com o Sol.
Mais uma vez o velho acordou. De dentro da casa a mulher olhou e ficou feliz. O cheiro do bolo chamou a atenção de todos. As flores cresciam, a grama ficava mais verde, o vento ficou mais forte e agradável; a menina não parava de rir... Queria entrar no livro.
O avô colocou a menina em seu colo e lhe deu um beijo. Ele pegou o livro e começou a ler. A mulher tirou o bolo e cortou em fatias e levou o bolo quentinho mesmo. Afinal, a noite estava bastante fria.
A mulher no banco da praça levantou-se e foi até o meio da rua, abriu os braços e começou a girar.
O homem no carro parou no sinal, encostou a cabeça no volante e sentiu o corpo tão cansado que não queria nunca mais sair dali.
O cachorro foi até o poste e deitou-se próximo a ele. Abaixou as orelhas e olhou para a mulher girando no meio da rua.
O garoto deixou cair o soldadinho de chumbo o qual brincava. Resolveu ir até a cozinha para tomar um chocolate quente. Subiu e foi novamente até a janela.
Eu, Deus e Buda já não estávamos pensando em nada.
A menina estava tão contente ouvindo a história, mas ela acabou. Quando isso aconteceu, ela levantou e ficou correndo pelo jardim. Olhou para o céu e notou que algo estava errado, viu que as estrelas estavam se apagando... Isso foi motivo de uma grande tristeza e dor em seu coração. A avó que vinha na direção dos dois notou a tristeza da menina, mas apenas ficou observando. Depois de alguns minutos ela foi a sua direção e deu um abraço bem apertado. Mas isso não foi o suficiente. Apenas fez com que a dor que guardava em seu coração desprende-se, causando assim uma imensa onda de pessimismo. O avô juntou-se a elas. Todos precisavam se unir.
A mulher que girava no meio da rua parou e também viu que as estrelas se apagavam.
O homem no carro levantou a cabeça e também notou o mau.
O garoto pegou seu brinquedo e deitou-se na cama. Só queria dormir.
O cão também dormiu.
Enfim notaram que já não existia tempo nem nada. Isso foi perturbador. Todos olharam para a Lua tentando entende-la.
A Lua perguntou as estrelas o por que de elas estarem apagando.
Somos tua criação. Mesmo assim não podemos compartilhar do mesmo fascínio e egoísmo. Sabemos que precisamos manter o equilíbrio. O sol está perdendo a vontade de viver. Já não mais tem espaço. Nada mais faz sentido – falaram em tom fúnebre.
E assim iam se apagando. A Lua contestou.
Mas eu amo vocês! Faz parte de minha criatividade. Mesmo com essa explicação não entendo o por que de não haver recíproca. Isso ficou tão virtual. Platonismo! Nunca pensei que pudesse ficar tão triste. A Lua estava chorando.
Não chore Lua. Nós também te amamos. Mas como qualquer outro precisamos respeitar nossos espaços e limites – cantavam as estrelas.
Eu entendo. Mas, agora, não poderá evitar que eu definhe – chorava a Lua.
O Sol abriu os olhos e foi até a Lua. Uma imensa bola negra. Já estava prestes a apagar completamente.
Lua, mesmo com todo seu egoísmo, eu te entendo. Realmente não há nada mais bonito que suas noites frias e apaziguadoras. Mas temos que seguir o roteiro da vida, ou então tudo irá se perder. Eu também te amo. Mas creio que tu não has comparti do mesmo sentimento. Meu coração sofre por isso. Por isso sofro – chorava o Sol.
Não é verdade, Sol. Eu sempre te amei. Por isso decidi viver de egoísmo e também a dar valor ao que era de minha criação. Para manter o equilíbrio teremos que renegar o amor. Isso para mim é inaceitável! Como poderia amar alguém que só aparece quando não mais tenho força e preciso dormir e quando eu recupero minhas forças, ele está fraco demais e irá precisar dormir? Não quero viver de desencontro consciente. Meu coração também sofre.
Entenda Lua. Sempre mandarei por menores que sejam um dois meus raios que vão aquecer teu coração. Ao mesmo tempo estarei aquecendo o coração de outros bilhões de seres que também sentem a necessidade de amar. Teu momento de descanso sempre estará protegido pelo meu calor. Tu também vais poder, na minha hora de descanso, esfriar e clarear um pouco minhas noites tristes, para que eu possa me recuperar mais rápido e poder ajudar sempre as pessoas – disse recuperando as forças.
Como já disse a raposa, tu me cativaste. Tuas palavras me enriquecem. É difícil aceitar a verdade, isso é fato! Mas, com certeza, vai ser melhor para todos... Não vou me sentir sozinha recebendo teus raios todos os dias, e também jamais vou te deixar sozinho. Completamos-nos. Posso sentir teu coração bater calmamente. O meu segue o mesmo ritmo – disse alegre a Lua.
O Sol aproximou-se da Lua e os dois se fundiram. Nesse momento todos se sentiram vivos. Tudo estava melhor. Foi bom para ambos. A Lua disse que depois disso iria resistir a tudo. O momento se tornou único. Tudo ficou claro porque ainda estava nos limites do Sol. O tempo voltou a existir.
Eu estava em estado de choque. Sentia-me gasoso. Quero algo sólido. Meu coração estava em estado líquido, apesar de estar branco por ter perdido todo o sangue que me mantinha vivo. Minhas mãos estavam cobertas de sangue. Eu nunca aceitei a morte. Se tu pensares que a morte é algo como o fim, sem dúvida, ficaras com medo e tudo isso vai te corromper. Eu acredito como disse anteriormente, que vivemos nada mais para chegar a um nascimento. Dessa vez um nascimento assistido pelos nossos próprios olhos. Cada vez mais independentes. Isso é uma das razões da vida... Ser independente!
Buda e Deus me olharam.
Não temas. Teu medo está te corrompendo. Basta! Tu sofres porque teu coração foi bastante machucado durante esse breve momento até aqui. Nada do que aconteceu aqui hoje é a causa disso. Serviu para pensar em como todos são egoístas, incluindo os Deuses. Sofro por ti. Nunca vi tanto sofrimento. Parece que pede pra morrer – disse Deus.
Mas ele aprendeu Deus. Sem mais testes. Chega de sofrimento desnecessário, já tivemos demais por hoje. Pense no livre arbítrio. Vou precisar de 600 anos para conseguir minha antiga paz. Talvez essa seja minha missão. Também aprendi algo hoje – disse Buda em tom de alivio.
Eu aprendi sim. Não peço para morrer, apenas quero viver a realidade. Quero pessoas felizes – disse.
Fechei os olhos e acordei. Estava na minha cama. Minha mãe entrou, sentou-se ao meu lado e me deu um abraço. Ah! Isso deveria ser eterno.
Os avós e a menina também acordaram. Todos felizes, que bom! Ele pegou o livro e recomeçou a história. Isso era algo tão bom. A mulher entrou na casa e foi pegar copos e um jarro de suco. Coisas simples fazem tanta falta. Ela voltou e todos comeram o bolo. Ela deu um grande abraço em seu companheiro e entendeu o amor.
A mulher encontrou sua alma gêmea que também estava perdido e girando feliz pelas ruas.
O homem pensou na família e correu a toda velocidade para encontrá-la.
O menino com o boneco acordou e voltou à janela para brincar.
O cão também acordou e foi embora.
Às vezes pensamos que tudo está imperfeito, triste e sem sentido. É porque costumamos olhar com olhos superficiais e céticos. A resposta sempre está ao nosso redor. Livros são bons, mas temos que saber que são apenas palavras de uma outra pessoa que também procura respostas. Consulte seu coração. Ele é sempre fiel, coerente, brincalhão... Mas tem a maior capacidade do mundo. Sem mais explicações.
Deus e Buda apertaram as mãos e começaram vidas novas. O que parece uma idéia fantasiosa e ridícula, talvez seja uma verdade não aceita por tolos que seguem regras impostas por seus semelhantes. Liberdade aos pensamentos especiais e próprios.
A rosa branca no jardim foi cultivada pela menina e a cada dia sua beleza se tornava mais impressionante.
Eu apenas... VIVO!




Autor: Jucksch, Márcio.




*Eu creio. Eu me invento. Eu recrio minha vida todos os dias. Não vou cair no que chamam de rotina. Deus é meu alter-ego mais cretino. Mas sabemos que sempre precisamos dormir e, obrigatoriamente, sonhar. Sou clichê em momentos certos... É aceito! Somos produtos do sistema, mas isso não quer dizer que somos fúteis. Futilidade é um estilo de vida, assim como todas as outras coisas que prestam ou não. Cabe ao seu discernimento escolher o caminho correto ou fácil. Somos humanos. Erros são naturais e aceitáveis. Mas não aprender com eles é morte na certa. A vida nada mais serve do que para ser vivida. Vai logo! Temos sempre 24 horas. *

Devaneio

Escrevo de parte alguma para dar-lhe a noticia: as estações mudaram. Com o papel e a caneta na mão me sinto melhor e mais apaziguado... Coisas conspiram ao meu favor. O mar está tão agitado com toda essa mudança; as ondas quebram com destreza, o céu está amarelo e nuvens pouco brancas. O vento leve e calmo como sempre chega a queimar minhas lembranças. Nas portas dos botecos histórias que o povo conta e mágoas de jovens e velhos poetas. As putas de março me agradam com tanto charme, mas apesar de tudo não me agrada a idéia de estragarem o pólen da divindade de Deus. A juventude peca por sua sede de vida e pouco progresso. Será que acordei? Espero que não. Vida exposta em prateleiras de cristal. Algo perigoso em uma grande gama de iniqüidade infiltrada nos poros de pessoas boas. A máquina de escrever me chama para um cafezinho à francesa. Café? Sim, sem leite. Café preto? Sem leite é preto. Esqueça, não gosto de café. Não vai ser agora que vou me corromper. Espero que minhas cartas tenham chegado. Qualquer coisa o vento levará até você meu perfume eterno distribuídos em coisas pérfidas por saudades de sua companhia. A idéia de ter que atravessar 1.800 colinas para te encontrar não me dá medo. A casa está vazia, parece minha mente em dias de chuva. Falar de coisas simples com termos nada práticos parece ser um tipo de utopia superada. Poesia como suicídio alternativo. Não gosto da dica! Quero viver e deixar marcas em páginas brancas como a areia da praia que me encanta. Sinto-me tão desestimulado em relação as minhas palavras. A insensatez que você, coração, me causou, fez-me chorar. Ah! Por que você foi fraco assim? O desprezo da minha existência por ti é nobre. Vai, coração! Diga a razão de colher tantas tempestades em dia ensolarado... Peça perdão a vida. O violão toca canções que te entorpecem. O ministério das relações exteriores não gosta da cena do político com o copo na mão. O desastre de automóvel me faz entender que vida é brincadeira. Falar da vida alheia como primeira conversa do dia na presença da grande família, é antropologia convertida em fofoca. Esconder-me do medo da verdade se torna opção desesperadora. As músicas em meus ouvidos lembram dias na terra natal. O que conforta é a certeza de que, assim como todos, eu carrego uma cruz. Isso faz de mim uma imitação? Na verdade, diferimos na quantidade de espinhos na cabeça... Castigo como conforto de que a vida sempre continua apesar dos entraves, essa é a resposta. Já disse que religião serve de consolo para a comunidade pornô. As palavras se apagam com o tempo. Discórdia entre seres semelhantes. O monólogo do dia-a-dia. Estamos sós à mercê da criação. Resido em uma casa chamada: teu sorriso. Eu danço no ritmo das garotas na praia. O vai e vem de pessoas alternadas e sem propósito vital no mundo. Apenas existir é pouco. Sucesso de 15 segundos no carnaval é morte, mas meu samba sobrevive todo mês de fevereiro. É dilacerador o senhor que alimenta esperanças nas páginas de seu jornal. Cândida, volte! Cebola como gosto doce no paladar aguçado, vias nasais obstruídas por contos malignos, crises adquiridas por falta de esquizofrenia. O tapete perdeu sua utilidade. O vaso quebrou. A flor murchou. A água levou. A noiva apagou, o noivo chorou. O padre velou seu próprio nascimento. O miró perdeu-se no oceano de cores mortas. Pobreza virtual! Penso, logo desisto (...).

Jucksch, Márcio.

Na Madrugada

Minha vontade é sair da faculdade e ir andando pra casa – contando meus passos como se fossem os infinitos números de uma equação mal resolvida, feita por um professor de filosofia.
Chegando a casa, iria trancar-me no quarto e tentar contar estrelas na noite artificial ou mesmo contar carneirinhos na velocidade da luz a qual meus pensamentos percorrem. Receber a ligação da pessoa que eu to esperando; abrir a porta de casa, pegar o carro e ganhar o mundo. Ao longo de quilômetros de asfalto vender alguns litros de água para àquela adolescente que fugiu de casa (revoltada com os pais) e para o senhor – que diante de uma crise existencial – descobriu e perdeu-se em um mundo de ilusões.
Quem sabe podemos conversar sobre as inconstantes da física bebendo absinto? Incrível! Como o dia passa rápido e ao mesmo tempo lento (...).
Está vendo aquilo? A sincronia de nossos pensamentos é inacreditável! Vem logo. Senta ao meu lado no alto desse penhasco. Daqui podemos ter a certeza que liberdade existe e que o mundo é nosso. Viu como os nossos relógios estão em sentido anti-horário. Talvez, assim, nosso dia termine 24hrs menos ambíguo.
Isso! Diz que me ama. Mas não olhe em meus olhos. Senão ambos nos enganaremos ao tirar conclusões precipitadas sobre nossas personalidades pseudo-ancrônicas.
Hei! Neste momento posso te encher de declarações de amor. E, como única testemunha, escolho esta rosa (de somente uma pétala) que definha de alegria ao som de minhas palavras (...).
Mas, deixando isso de lado, quero destacar que adoro esse seu jeito... Não sei por que.
São incrivelmente irresistíveis suas crises de altíssimo nível de álcool, criatividade e pessimismo; mas com grandes momentos de reflexão quando discutimos sobre o monologo da duplicidade de nossas únicas vidas. Tu és linda e complexa.
Ressaltando que fiz essa análise somente depois que ouvi sua definição sobre meu “jeito altruísta de ser”.
Gostei da sua definição. Principalmente quando disse que era interessante minha forma de pensar. “Tão promiscua e provinciana, mesclada (a um também) altíssimo nível de intelectualidade esquizofrênica que me fazem descobrir os maiores tesouros do mundo de algum pirata desavisado que deixou o seu navio naufragar”. É porque sou fruto de fato e ficção (...).
Por que tu fazes isso? Diz que me ama. Mas teu olhar cada vez mais distante. Só o que sinto é tua pele gélida.
Bom, já disse que algo, em ti, me atrai. Talvez seja esse teu ar de artista torturado.
Também devo dizer o quanto queria ser aquela árvore que todos os dias tu te encosta e reflete o quão a vida se compara a um circo desorganizado e decadente; no qual o palhaço morre todos os dias e, ainda assim, consegue fazer as crianças sorrirem.
Será que depois de todo esse processo de “metafísica” posso perguntar se te conheço, se tu me conheces ou mesmo se eu te conheço?
Então, caso a resposta seja negativa, digo que teria o maior prazer de te conhecer e ser teu amigo; esses de anúncio de jornal.
Aposto que seriamos ótimos vizinhos. Esses que batem na porta pra pedir um pouco de café ou açúcar. Quem sabe assim me convidaria a entrar e me ofereceria uns biscoitos saídos do forno. Passaríamos a tarde tentando descobrir por que a torneira sempre quebra; do filme que já está cansado de assistir, mas, quando passa nunca perde e do tênis que guarda de recordação. Terminaríamos com o pedido pra cantar pra mim qualquer uma dessas músicas que sempre tocam no radinho da cozinha (...).
Ah! Quer saber? Então, vem mergulhar na minha água. Eu deixo.
Afinal, só pele e osso se transformam em algo tão belo.

Jucksch, Márcio.

Freitag, 18. Mai 2007

Vertigem

O vaso atrás da porta esconde muitos segredos. Mas o que seria a verdade se não meia dúzia de garrafas contendo sonhos e o mendigo que segue sua vida cantando músicas que elevam o ócio? Suspeito seria se eu não vestisse a fantasia do carnaval e brincasse de Pierrô apaixonado que chora pelo amor da Columbina – coisas pouco criativas quando se ama. O palhaço que encanta vidas e esconde a própria dor sob camadas de tinta e um nariz vermelho. Ele também sofre! A televisão me entorpece e, de certa forma, me faz viver mostrando-me a realidade. Tanto pra sofrer que penso em desistir ainda no primeiro capítulo deste Best-Seller. Curso a faculdade dos poetas de três amores perdidos, pós-graduado em pedagogia de dois processos de pedofilia, mestre em filosofia do passe de ônibus à procura da metafísica do puteiro, doutor em sociologia utópica ainda em progresso e P. H. D em antropologia da vida alheia e da atual sociedade bígame e extremamente sexuada – algo como um sorvete com dois sabores. Jornalista intrépido atrás do crime perfeito, jovem cretino com a revista proibida para menores, político de dois votos e urnas alteradas, índio de jeans e champanhe na mão, mendigo poliglota encontrado no bingo, movimento hippie de alguns tragos (...). O puro setor da tropicália em ascensão. Isso! Religião como suspensório da alma. Evangélico crente de que sexo é gozado e que Cristo vai vestir a farda com a suástica e condenar uma leva de pobres seres a sofrerem no caldeirão do homem vermelho, de chifrinhos e com o tridente na mão; lúdicos a ponto de pena de morte. Abstração na poça de lama, arte de três frutas podres... O quadro recriado à caneta. Plantar árvores se tornou esporte no atual planeta nada. Ir à praia como programa família-aborígine. Juventude perdida e sendo preparada para o mundo do crime em quilômetros de asfalto. Tenho quase certeza que se formos a fundo dentro desse submundo, descobriremos uma verdadeira grade escolar que passa da matemática a geografia, história a biologia, português a física. Além mar tantas coisas podem ser encontradas. Prefiro viver a favor do altruísmo... Mas isso complica a simplicidade dos fatos. Quero algo eu x eu, complexo de três andares. O cinema que, a cada cena apresentada, sufoca medos, sustos ostentam vidas e repassam emoções sofridas na adolescência. É tudo feito de flashs e luzes!
Minha vida em três palavras... Três tigelas tigres brancos. Esculturas estudadas por antropófagos e tidas como algo belo por “cultos”, tudo mentira. Vulgaridade revestida em conhecimento. Na verdade todos somos putas, sendo que somente poucos se assumem como tal. Cobramos por nossos serviços e afazeres. Isso é prostituição consentida. Putas! O país e suas peças raras. Vamos do mensalão ao mensalinho, dinheiro público a custo do suor do pobre trabalhador sendo guardado em cuecas. Oh! Chegamos a um ponto de criatividade jamais vista. Algo mesquinho na visão de um psicólogo... Tudo muito relativo. Desculpe-me. Vida, vivida, vivo, viva a ironia! Consuma seus pais, eles são seus primeiros bancos; maltrate sua família, eles são seus piores inimigos; castigue seus avós, eles são antiquados e pouco úteis. Mais uma vez... Caráter. Passa adiante! Na terra de outrem sempre seremos o pé grande e nossa canoa sempre vai afundar. Revistas que ensinam o adolescente a fazer sexo, 5 páginas de dúvidas e dividas. Se for dividas, tem que pagar porque o ano está aí e acabou de iniciar, senhora. Crítica de pouco caso e falta do que fazer. O chão gelado que me mostra o tempo como algo alternativo. O lixo que me apresenta o verdadeiro amor. Paixão platônica pela pessoa que me acenou na praça. Legumes de 10 minutos. O telefone que me mantém sedentário e mórbido. Talvez eu diga três vezes eu te amo e, assim, ganhe sua eterna confiança. Vai ver que o vaso nem guarde tantos segredos, a falta de comunicação que me consome é a explicação para desconfianças desnecessárias. É tudo culpa do sistema que inibe qualquer pratica de socialização com o mundo exterior, com os outros parentes. No final, sempre temos a cama que nos conforta em momentos mais tolos que encostamos a cabeça e podemos pensar que tudo poderia ser pior.

Jucksch, Márcio.

Periferia

Pelas bordas é onde tudo inicia. O conteúdo transforma-se ao decorrer do período. No momento não é nada, o é vem sempre depois, quando não sabemos o que é. No subúrbio adentrando cada vez mais na peculiaridade da coisa. Nas formas desgrenhadas o diverso constitui um universo. De presenças inatingíveis neste plano, perscrutadoras do olhar. Perdidas num fazer. Adentrando um pouco mais o meio inacabado, o algo que é sempre, mas nunca mais será. O entender do meio é parte do meio. Alcançar o pleno dentro do meio é chegar ao eterno. Ultrapassando os limites da expectativa, as cores fazem bem o seu trabalho. Não existe um grande enigma, nós somos o grande enigma. Encontrar o que sempre foge. Numa visão isso acaba e depois vem outra: recomeço. Ao menos há uma finalização parcial para que assim possamos suportar o plano do infinito. Esquecer da arte é não lembrar de si. E afogar-se nela é nunca ter encontrado o si. Si-nestesia arrebatadora do confronto coisa x eu.

Jucksch, Márcio.