Montag, 21. Mai 2007

Devaneio

Escrevo de parte alguma para dar-lhe a noticia: as estações mudaram. Com o papel e a caneta na mão me sinto melhor e mais apaziguado... Coisas conspiram ao meu favor. O mar está tão agitado com toda essa mudança; as ondas quebram com destreza, o céu está amarelo e nuvens pouco brancas. O vento leve e calmo como sempre chega a queimar minhas lembranças. Nas portas dos botecos histórias que o povo conta e mágoas de jovens e velhos poetas. As putas de março me agradam com tanto charme, mas apesar de tudo não me agrada a idéia de estragarem o pólen da divindade de Deus. A juventude peca por sua sede de vida e pouco progresso. Será que acordei? Espero que não. Vida exposta em prateleiras de cristal. Algo perigoso em uma grande gama de iniqüidade infiltrada nos poros de pessoas boas. A máquina de escrever me chama para um cafezinho à francesa. Café? Sim, sem leite. Café preto? Sem leite é preto. Esqueça, não gosto de café. Não vai ser agora que vou me corromper. Espero que minhas cartas tenham chegado. Qualquer coisa o vento levará até você meu perfume eterno distribuídos em coisas pérfidas por saudades de sua companhia. A idéia de ter que atravessar 1.800 colinas para te encontrar não me dá medo. A casa está vazia, parece minha mente em dias de chuva. Falar de coisas simples com termos nada práticos parece ser um tipo de utopia superada. Poesia como suicídio alternativo. Não gosto da dica! Quero viver e deixar marcas em páginas brancas como a areia da praia que me encanta. Sinto-me tão desestimulado em relação as minhas palavras. A insensatez que você, coração, me causou, fez-me chorar. Ah! Por que você foi fraco assim? O desprezo da minha existência por ti é nobre. Vai, coração! Diga a razão de colher tantas tempestades em dia ensolarado... Peça perdão a vida. O violão toca canções que te entorpecem. O ministério das relações exteriores não gosta da cena do político com o copo na mão. O desastre de automóvel me faz entender que vida é brincadeira. Falar da vida alheia como primeira conversa do dia na presença da grande família, é antropologia convertida em fofoca. Esconder-me do medo da verdade se torna opção desesperadora. As músicas em meus ouvidos lembram dias na terra natal. O que conforta é a certeza de que, assim como todos, eu carrego uma cruz. Isso faz de mim uma imitação? Na verdade, diferimos na quantidade de espinhos na cabeça... Castigo como conforto de que a vida sempre continua apesar dos entraves, essa é a resposta. Já disse que religião serve de consolo para a comunidade pornô. As palavras se apagam com o tempo. Discórdia entre seres semelhantes. O monólogo do dia-a-dia. Estamos sós à mercê da criação. Resido em uma casa chamada: teu sorriso. Eu danço no ritmo das garotas na praia. O vai e vem de pessoas alternadas e sem propósito vital no mundo. Apenas existir é pouco. Sucesso de 15 segundos no carnaval é morte, mas meu samba sobrevive todo mês de fevereiro. É dilacerador o senhor que alimenta esperanças nas páginas de seu jornal. Cândida, volte! Cebola como gosto doce no paladar aguçado, vias nasais obstruídas por contos malignos, crises adquiridas por falta de esquizofrenia. O tapete perdeu sua utilidade. O vaso quebrou. A flor murchou. A água levou. A noiva apagou, o noivo chorou. O padre velou seu próprio nascimento. O miró perdeu-se no oceano de cores mortas. Pobreza virtual! Penso, logo desisto (...).

Jucksch, Márcio.

Keine Kommentare: