Sonntag, 27. Mai 2007

Luxúria

A noiva em suspiros e com intermináveis momentos alucinógenos de flashbacks olha para seu cavalo à procura de uma solução. O marido a ponto de uma explosão de detalhes mortíferos saca a arma e aponta para a cabeça do pai de sua prometida... Era literalmente um conto mexicano. As putas em seu espaço sangrento de vida, trabalhavam absortas envoltas em pensamentos pouco marotos. O cafetão cobrava-lhes obediência até a alma. As brigas por coisas banais aconteciam assim como em qualquer outro lugar. O forasteiro invade a cidade a procura de seu espírito perdido e do tal amor de anúncios de jornais. Com a arma em punho mata dois bandidos que agarravam a garota que servia o almoço dos grandes homens. O cenário de tantos atos abruptos e algozes era uma cidade do interior de Lugar de Sempre, algo meio que achado dentro de um grande deserto. Conformados de que aquilo era o certo para suas pequenas vidas, os moradores apenas ocultavam de suas mentes a verdadeira intenção do propósito vital... Matá-los!Mais uma vez a noiva aparecia em cena com sua magnífica aparência destruidora. Estava trajando seu vestido branco perola bordado em diamantes, com uma longa calda e um véu que cobria-lhe o rosto pálido. A imagem era estarrecedora. Queria correr dali pra um lugar em que pudesse viver... Algo que há muito não fazia. Em um de seus lapsos, correu para o quarto de seu pai, abriu a gaveta e pegou a arma que havia ali. No bordel as putas tramavam a vingança contra o cafetão. Ele por outro lado ria do esforço das mulheres e esbanjava seu dinheiro aos quatro ventos fumando seu charuto. Com um olhar de superioridade, apenas diminuía e mostrava o asco por estar no mesmo lugar que elas. No bar o forasteiro pediu apenas um copo d’água e parou para refletir mais um pouco sobre o que veio procurar na pequena cidade... Talvez nada! Um grupo de pistoleiros o olhava com malicia e prontos para começar uma disputa “por tudo ou tudo”. A cidade era castigada pelo sol. As noites eram frias e causavam lembranças nostálgicas. Cético. Era um lugar perfeitamente sem aqui nem ali; longe de tudo, perto de nada. O luxo de ser inexistente, sem propósito e podre. O carma de ser mais um entre poucos. Tudo na medida do impossível; na insensatez da concordância, do compreensivo; na vergonha do ético, educado e cheio de fé; na linha limítrofe da loucura de fulanos, na insanidade construtiva de certos Wild’s. No local onde seria realizado o casamento, chega a noiva. O marido corre em sua direção e a puxa pelo braço. O padre começa o rito. Ela chora e diz não querer destruir a vida mais do que já fez. O marido não se comove e, puxando seus cabelos, a faz ajoelhar-se diante de todos. Ela levanta e vai até o cavalo, pega a arma e aponta direto para o coração de seu noivo e atira (...). A bebida envenenada vai ao encontro do cafetão. As putas comemoram dentro do quarto bebendo champanhe. Era o fim de tudo e o começo do infinito. Ouvindo o disparo da arma o forasteiro corre em direção ao local e encontra a noiva em cima do cavalo. Amor à primeira vista. Eles se beijam e partem em seus cavalos rumo ao mundo. A cidade continuou o mesmo antro de... Luxuria!

Jucksch, Márcio.

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