
"Eu queria te ter dito. Mas quando pensei a respeito não tinha nada a dizer. E sobrou vazio, sobrou silêncio. Não aquele de palavras que querem sair, sofridas, esquartejadas, entre sal de lágrima e secura do vento. Não era esse. Era aquele silêncio de quem foi falar e percebeu que já disse tudo. Que nem entendia o que tinha dito, nem o que precisava dizer, mas já disse tudo o que sabia. Eu te beijei nessa hora. Aí tu foi. E sobrevivi. Queria te contar que fiquei arrasado, que caí em prantos, que me arranhei, que corri, que ia te pedir pra voltar. Mas tu foi embora e eu voltei. Eu sobrevivi. Doeu, sim. Aquela dor do machucado que a gente só sente na hora do banho. Aquele frio interno que só esfria de noite e com Chico. Mas nem foi toda a dor que eu queria e me disse então que nunca tinha te amado, porque se não me matou, não era amor. Foi isso que me salvou. Eu virei um cínico. Por ser romântico demais."
P.s.: Fio de prata, crônica de 31 de julho que eu já nem lembrava mais. E não, eu não sou alcoolatra!
Danckwardt, Márcio.
1 Kommentar:
quérido, estou a pensar, caso ocorra uma apresentação teatral pra arrecadar fundos da formatura, teria passe livre para interpretar uns dois textos seus?
*=
Jêzz.
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