Atopias. Distopias. Não queria que o tempo parecesse tão linear em certos momentos. Não queria ter que pensar na palavra "irreversível". Não queria não poder mudar uma escolha errada feita. Não queria magoar as pessoas. Não queria nunca reconhecer que nesses jogos todos, quem tem dados na mão por vezes se fere. Não queria que nada fosse desse jeito. Não queria que alguém se apaixonasse por mim. Não queria que alguém não se apaixonasse por mim. Não queria me apaixonar por ninguém. Não queria poder amar. Não queria que os sentimentos não fossem recíprocos. Não queria ter terminado um dia tão divertido vertendo lágrimas na frente da multidão. Não queria, nunca quis, como a janis joplin, que se rasgassem por mim e tivesse que voltar pra casa sozinho. Não queria ser frio, de forma alguma. não queria ser brinquedo, utilitário, comodidade, joguete, leva-e-traz. Não queria ter apanhado. Não queria sentir essa dor, que não é só da perna, é coisa que vem de dentro, sufoca, inebria, enche os olhos e não transborda, não passa. Já dizia Ana C.: fica boazinha, dor. Uma hora fica. Ou eu acabo como a Ana C. o mundo, meu bem, não vale o mundo.
Danckwardt, Márcio.

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