
Eu só posso dizer que um dia o conheci... Mais nada, me desculpe!
Tá, ok. Eu assumo que depois que o conheci, eu fiquei bastante interessado em toda aquela situação repentina, e principalmente nele; são essas coisas de atração que acontecem do nada, com uma pessoa até o momento patética, numa festa tosca cheia de jovens bêbados, com muito cigarro e papo besta. Jamais poderei explicar de uma forma consciente.
Uns dias atrás, saindo da faculdade, encontrei com alguns amigos que tinhamos em comum. Perguntei sobre a "pessoa secreta". Eles me falaram que jamais voltaria a encontrar aquele rosto novamente... A curiosidade foi aumentando!
A noite, no meu quarto, lendo um pouco de Drummond e Lispector, fixei o telefone. Foi nessa hora que liguei pra Ricardo exigindo que ele me passasse o número do garoto, ou ao menos me desse o endereço completo dele. Ele tornou a dizer que não mais o encontraria. Mas dessa vez me explicou que o garoto era um tanto "diferente"; mudava o rosto com freqüencia, nunca era a mesma pessoa todos os dias.
Numa dessas tardes de aulas chatas, eu resolvi tomar um sorvete na praça. Sentou ao meu lado um senhor que me deu um agradável "bom dia"; não achei nada esquisito, gostava de conversar com pessoas idosas, e aquilo nada mais era que um válido gesto de educação. Ele começou a contar que, na juventude, era bem popular, teve várias namoradas e aproveitou bastante tudo o que a natureza em seus dias mais generosos, resolveu presentea-lo. Disse também que em uma dessas noites de diversão conheceu um jovem, assim como eu, que despertou uma gama de sentimentos pouco valorizados hoje em dia, de uma maneira transcendental. Depois disso, apertou minha mão e disse que tinha que levar o pão para seu neto que estava esperando em casa.
Uns dias atrás, saindo da faculdade, encontrei com alguns amigos que tinhamos em comum. Perguntei sobre a "pessoa secreta". Eles me falaram que jamais voltaria a encontrar aquele rosto novamente... A curiosidade foi aumentando!
A noite, no meu quarto, lendo um pouco de Drummond e Lispector, fixei o telefone. Foi nessa hora que liguei pra Ricardo exigindo que ele me passasse o número do garoto, ou ao menos me desse o endereço completo dele. Ele tornou a dizer que não mais o encontraria. Mas dessa vez me explicou que o garoto era um tanto "diferente"; mudava o rosto com freqüencia, nunca era a mesma pessoa todos os dias.
Numa dessas tardes de aulas chatas, eu resolvi tomar um sorvete na praça. Sentou ao meu lado um senhor que me deu um agradável "bom dia"; não achei nada esquisito, gostava de conversar com pessoas idosas, e aquilo nada mais era que um válido gesto de educação. Ele começou a contar que, na juventude, era bem popular, teve várias namoradas e aproveitou bastante tudo o que a natureza em seus dias mais generosos, resolveu presentea-lo. Disse também que em uma dessas noites de diversão conheceu um jovem, assim como eu, que despertou uma gama de sentimentos pouco valorizados hoje em dia, de uma maneira transcendental. Depois disso, apertou minha mão e disse que tinha que levar o pão para seu neto que estava esperando em casa.
Eu o segui. Descobri que o velho habitava em uma linda mansão; o estranho era que a casa estava toda aberta dando acesso a quem quisesse entrar. Era como se não temessem a nada. Mas não encontrei ninguém. Isso me deu um pouco de medo, confesso. Subi as escadas, olhei para o corredor e, quando prestei atenção, diante de toda aquela bela estrutura, enxerguei a porta do último quarto; era velha, feia e continha uma plaquinha com um cachorrinho amarelo segurando um coração na boca, escrito "seja bem-vindo".
Abri a porta e encontrei uma diversidade de brinquedos... E uma criança deitada na cama. Aquela cena foi linda. Calma. Dormia como se estivesse esgotado toda sua energia nas brincadeiras.
Escutei um barulho!
Isso me fez sair rapidamente do quarto, deixando a porta aberta. Quando já estava fora da casa fiquei, ali, observando por vários minutos. Nada aconteceu, até que... Saiu um lindo jovem vestido de terno e gravata, com uma maleta na mão. Entrou no carro, foi embora.
Isso me fez sair rapidamente do quarto, deixando a porta aberta. Quando já estava fora da casa fiquei, ali, observando por vários minutos. Nada aconteceu, até que... Saiu um lindo jovem vestido de terno e gravata, com uma maleta na mão. Entrou no carro, foi embora.
Aquilo estava me matando. Virou uma obsessão. Passei dias e noites, noites e dias observando o movimento naquela casa. O impressionante era que um só aparecia depois que outro sumia; uma mulher, um jovem, uma velha, um velho, um garoto (...)
Até que um belo dia, num desses que ficava observando a movimentação, eis que aparece, por trás de mim, o garoto que conheci naquela mórbida festa. Fiquei sem reação; estava me sentindo ridículo. Ele disse que não precisava me preocupar, ele só queria saber o que eu estava fazendo olhando pra sua casa. Eu disse que não era nada, não conseguia explicar nada. Estava com medo de falar algo que pudesse me complicar mais. Ele apenas sorriu... Disse: Vamos dar uma volta na praça?
Sentamos no mesmo lugar que havia conversado com aquele senhor. Ele deixou escapar: Esse lugar não me é estranho, e você também não. Mas é agradável estar aqui.
Sentamos no mesmo lugar que havia conversado com aquele senhor. Ele deixou escapar: Esse lugar não me é estranho, e você também não. Mas é agradável estar aqui.
Eu comecei a entender e liguei os fatos. Já sabia de tudo... Ah! Eu sou um idiota, bobo! Me apaixonei, supostamente, por alguém de múltiplas faces, por um I-N-F-I-N-I-T-O!
Eu perguntei seu nome, mas ele disse que não vinha ao caso, no momento, responder tal pergunta. Ele era calmo nas respostas, tinha parcimônia. Sabia o certo e o errado, tinha certa postura austera. Isso era fascinante! Me sentia cada vez mais lazy-lazy, confesso novamente.
Comecei a rir, ele perguntou o por quê. Foi minha vez de retribuir o "não vem ao caso, no momento, responder tal pergunta". Impávido!
Comecei a rir, ele perguntou o por quê. Foi minha vez de retribuir o "não vem ao caso, no momento, responder tal pergunta". Impávido!
Ele disse que gostava de mim. Me pediu certa ajuda para tentar lembrar de onde nos conheciamos; omiti dizendo que nada sabia. Era a primeira vez que estávamos nos vendo, respondi.
Tinha consciência do que os "amigos em comum" me falaram. Não cheguei ao ponto de ser víl, e acabar com algo tão belo. Ele tinha várias faces, mas jamais viria a ter conhecimento sobre essas experiências. Cara, eu estava amando; na verdade, estou amando!
Eu sabia que esse amor poderia me causar bastantes supresas desagradáveis do tipo: eu não vê-lo por muitos dias, meses, anos, séculos. Mas só conseguia pensar que estava no controle do maior amor do mundo. Eu estava amando o infinito. Eu aprendi que, na vida, nada é perfeito; nunca ambiciei mesmo. Eu queria o que estava ali e agora. Em uma só pessoa encontrei todos os tipos de amores aos quais podemos estar, a qualquer dia, a mercê.
Eu apenas olhei para ele, dei um demorado beijo em seu rosto e apertei sua mão sorrindo bastante...
Dali para o sempre, dormia com a certeza que meu coração agora estava protegido eternamente pelo mais bravo dos amantes.
Jucksch, Márcio.
Eu sabia que esse amor poderia me causar bastantes supresas desagradáveis do tipo: eu não vê-lo por muitos dias, meses, anos, séculos. Mas só conseguia pensar que estava no controle do maior amor do mundo. Eu estava amando o infinito. Eu aprendi que, na vida, nada é perfeito; nunca ambiciei mesmo. Eu queria o que estava ali e agora. Em uma só pessoa encontrei todos os tipos de amores aos quais podemos estar, a qualquer dia, a mercê.
Eu apenas olhei para ele, dei um demorado beijo em seu rosto e apertei sua mão sorrindo bastante...
Dali para o sempre, dormia com a certeza que meu coração agora estava protegido eternamente pelo mais bravo dos amantes.
Jucksch, Márcio.
1 Kommentar:
o amor em suas variadas formas *-*
*:
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