
Desfaço aqui uma velha mentira: eu nunca escrevi poesia. Sim, quando criança, fiz uns versos bobos; feito qualquer menino que descobre naquilo um jeito de arrebatar elogios da mãe. Mas, com umas poesias roubadas que nunca entendi, convenci a família inteira de ser poeta. As poesias me faziam torcer o nariz, nem românticos, nem simbolistas me conquistavam. Moleque atrevido; eu via aqueles velhos narigudos e pensava "Que diabos, essa gente é doutor em rima?". Dedicava-lhes a todos o devido respeito de minhas leituras, citações e cândidos olhares perdidos. Tudo balela: fui a criança mais insensível que já conheci e nunca tive paciência para aqueles bichos falantes. É que eu era sábio. Com os anos a gente vai sabendo menos.
Tampouco tristeza, quanto dor de amor. A poesia me veio na raiva feito um rugido. Foi a cara rachada, o pé torcido e a coluna entortada que trouxeram a poesia. Eu a busquei com falsa humildade, e encontrei a porta fechada. Chutei e continuei do lado de fora. Então sentei no umbral e a li. Sem mágica, sem truques: estou lendo portas. Algumas serão sempre portas, umas se abrem com o tempo, outras, de poucos, ensinam. É que eu vivi quase um nada e errei erros de jovem. Mas tenho aprendido em fechaduras.
Aprendi, por exemplo, que poesia precisa ser lida em voz alta e para dentro, primeiro. Que a mente precisa estar vazia, porque as imagens vêm de fora. E que preciso tentar ouvir a voz de quem escreveu. Preciso ficar quieto...
O resto ainda não descobri. Mas já sei que é preciso de tempo e, se não houver, paciência, não foi escrito para mim.
Tampouco tristeza, quanto dor de amor. A poesia me veio na raiva feito um rugido. Foi a cara rachada, o pé torcido e a coluna entortada que trouxeram a poesia. Eu a busquei com falsa humildade, e encontrei a porta fechada. Chutei e continuei do lado de fora. Então sentei no umbral e a li. Sem mágica, sem truques: estou lendo portas. Algumas serão sempre portas, umas se abrem com o tempo, outras, de poucos, ensinam. É que eu vivi quase um nada e errei erros de jovem. Mas tenho aprendido em fechaduras.
Aprendi, por exemplo, que poesia precisa ser lida em voz alta e para dentro, primeiro. Que a mente precisa estar vazia, porque as imagens vêm de fora. E que preciso tentar ouvir a voz de quem escreveu. Preciso ficar quieto...
O resto ainda não descobri. Mas já sei que é preciso de tempo e, se não houver, paciência, não foi escrito para mim.
Poesia me acalenta. Sacia meu leão escondido.
Essa fera que ruge tanto, mas só pede amor.
Jucksch, Márcio.
Essa fera que ruge tanto, mas só pede amor.
Jucksch, Márcio.
3 Kommentare:
Ai! Desse jeito dá até orgulho de ser mineiro.
Ui!
ei viadinho ainda cntinua escrevendo essas tuas porcarias.ta na hora de vc procura coisa melhor pra faze ne,isso eh mto chato.
vi vc seus amigos e seu namorado ontem HSUSHSUSHSUS
vai pro inferno aberrasão e ve se não fica se bjando na praça pra td mundo ve. entra pelo menos no teu carro seu filhinho de papai do caralho!
Fabuloso! Sem muitas palavras.
Muito orgulho mesmo, né?
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