Sonntag, 4. Oktober 2009

Outros demônios

Assim que se abriu a porta do amor, passaram por ela todos os demônios vestindo ternos de linho do velho mundo. Pularam com seus sapatos pontudos para o lado de cá, batendo os saltinhos no chão da realidade segura. Saíram um atrás do outro, andando apressados com suas pastas de couro preto agitando o ar macabramente. Olhavam-se entre si, bruxuleando em círculos, reconhecendo-se as feições de palhaços negros, com as maçãs duras maquiadas saltando por cima dos sorrisos iguais.


Virando a cabeça mecanicamente de um lado para o outro, como se o queixo de todos fosse puxado por linhas de um titeriteiro sádico, indagaram-se quem era e onde estava o que abrira a porta enferrujada. Sozinhos no recinto da metáfora, pararam os movimentos ridículos lentamente, até se tornarem absolutamente imóveis e então, sem aviso algum, viraram-se para as letras formando seu mundo de página, estenderam a mão para abrir um espaço, como quem afasta dos olhos uma cortina. Olharam para mim.


Falamos desonestidades à príncipio.



Jucksch, Márcio.

1 Kommentar:

Nando hat gesagt…

Tão interessante, Márcio. Nos imaginei nessa roda, bem típico.

Você ainda anda por esse Velho Mundo? Hahahaha