Dienstag, 29. Dezember 2009

Namorar me castrou

É que em vez de ser fértil, bonito, poético e inspirador foi simplesmente... aquilo. Não me trouxe nada de poderosamente transformador. Foram só seis meses. Ou um ano e 5 meses. Tempo agora é o de menos.

Fato é que pensar em amor, paixão, casamento, filhos, casa, pensar em tudo isso que só existia em energia desconhecida, foi emburrecedor. Porque fechei os livros, larguei as aulas mais chatas e enriquecedoras, parei de escrever à mão, não soube mais o que era escrever cartas pra alguém que nunca vi, não soube mais assistir televisão, não soube mais ficar bêbado e me divertir.

Namorar me ensinou a depender de alguém, a ligar pro mesmo número toda madrugada, a saber coisas que eu não queria, me ensinou sobre a ignorância alheia, me ensinou a gastar o dinheiro que eu não tinha, me ensinou a não ter pudor. Namorar também destruiu meu vocabulário e minha mente perspicaz.

Depois de namorar, eu acendo um cigarro, ouço a música e contemplo. Porque não namorar me permite enxergar o mundo de novo, o mundo novo. Sim, senhor, eu acendo um cigarro porque namorar é rápido, voluptuoso e aquela outra coisa que eu não sei descrever. Namorar acabou com isso também.

Sem namoro, não tem cerimônia. Você ama e pronto. Ninguém te pergunta se é muito ou pouco. Ninguém te pede a terceira via do formulário. Você bebe e fala o que quiser. Disso eu senti tanta falta.

O não namoro é como um espelho. Ou melhor, é um reencontro. Depois que você se livra da alma gêmea do ano, é obrigado a conviver consigo de novo. Mesmo que não goste, seu eu estará sempre bem atrás. E o pior: às vezes os fantasmas vão bem à frente. Nesse caminho não tem desvio.

Tem namoro que só serve pra te distrair. Quando acaba você pensa “Eu de novo?!”. Até entender o que aconteceu naquele espaço de tempo em que você mesmo esteve longe, parece tarde. Aí é a parte em que acende um cigarro e toma cuidado pra não queimar os velhos papéis que vai catar pelo quarto pra tentar se refazer.

Todo fim de namoro é uma oportunidade pra se reencontrar e limpar aquele espelho velho e persistente. E de emagrecer.



J, M.

1 Kommentar:

Marcelo hat gesagt…

Olha, guri, eu amo quando vc fala sobre namoro. Não do amor entre duas pessoas. Do namoro mesmo!
Porque por mais que seja triste, trágico, vergonhoso, vc faz ficar tão leve na leitura. É aquela coisa adolescente, porém com uma boa dose de sensatez...

Te amo!