Samstag, 8. Januar 2011

O possuir

“Certo dia acordei numa empolgação, decidí escrever um livro, algo completo. Sim, com capítulos, temas inspirados em Clarice. Desisti logo no primeiro dia. Aí, está tudo que escrevi sobre o tal romance ou sobre o que ia ser um romance, um algo que fala sobre si mesmo, com vida própria e que vida mágica”


A interpérie bárbara do segredo é tudo que possuo. De uma grande montanha vejo todos vocês e digo no intuito de explorar, tentando chegar à uma forma sem fôrma e de luz envolvente, mesmo sem possuir qualquer resquício de energia. Não mais.
Até a minha negritude planar, não cessarei. Tenho ainda muito crédito para jogar, basta achar quem aceite o desafio. Brumas etéreas repousam sob a casa de telhado pontiagudo, plantas ornam a entrada para que ao entrarmos nela possamos ser envolvidos pela forma que tudo reveste na tentativa do conteúdo.
A estética é das mais barrocas, o anjo é o mais hermafrodita. Sussuro aos seus ouvidos o nome-que-não-deve-ser-nomeado. Ele arrepia, arrepio. Numa beleza infernal apunhaladora (tudo sempre continuará belo, isso dói).
Podes falar de satisfação e ainda assim vais enxergar os olhos do mistério cada vez mais próximos. Os tremores da tentativa pingam sob minha testa e os dedos cansados atestam minha idade avançada.
Do ventre imaginário (imaginação?) brotam dizeres proféticos do algo perto do fim, deve ser o parto. Esquecendo regras, sigo na tentativa da demonstração. A regra é indiscutível e repousa sobre nossas faces. Tentam quebrá-la, redimi-la. Ela continua, pois essa é a regra da regra; como a rosa dentro da rosa, comandante espinhenta das dores. Num gosto basílico as asas ouviam a frustração do estranhamento.
Velocidade dos corpos variável para que possamos nos encaixar. Nem o direito de sermos únicos nós temos. A perfeição, nosso modelo de vida existe e situa-se sempre do lado de fora. Enquanto isso nos perdemos em nosso labirinto, fugindo do minotauro, do eu.
Os traços dessas palavras sempre são retas por mais tortuosas que pareçam ser, pois se não fosse assim, como poderiam elas atravessar meu peito com tanta precisão?
Como língua de mariposa à procura de néctar, colocando seus ovos lagarta pelas esquinas, sem conseguir absorver o que diz, apenas sabe que acontece. Continuo sentado no verde com o grilo símbolo da esperança ao meu lado anunciador do verão.
Abaixo de tudo existe a terra vermelha, ressecada pela própria cor. Os pardais fazendo seus ninhos em meu ouvido com os restos de vida frutífera. Morros, colinas, ladeiras. Passagens difíceis de serem atravessadas, desafiam as pernas e perco o equilíbrio estilhaçando a taça diamantada que era promessa de vida, agora não é mais do que caco de ilusões.
São águas do dilúvio, são sapos e rãs. Distante a cidade luzidia com seus crimes banais comparados com o assassinato da trangressão que ocorre nos habitantes da sensibilidade. Esponjas amareladas de tanto se esconderem absorvem sem divisão todas as possibilidades de sonho.
Vejo cada vez mais a febre da minha maçã encefálica quando observo a tua certeza perante o balde de emoções esbanjadas pela arte.
Espetacular o receptáculo de investigações corpóreas que realizo com teu sexo brincalhão. Os morangos mofados quase no apodrecimento geram discórdia e continuo aqui, na descoragem de mexer no estragado. Planta de folhas enormes que de tanta sombra estrangula-se matando tudo à sua volta, afinando seu caule, enforcando suas raízes. Tudo, na chance de fazer uma fotossíntesse infinita, prosssigo. Em forma de cloaca manipuladora de sonhos, descrevo. Na hora do tocar, tento. Se nada ocorrer, continuo.


J, M.

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