
Uma pequena boneca rosa tem lindos sonhos com as nuvens. Ela tem olhos de contas, uma boca pintada de tinta vermelha. Não sabe ainda distinguir a diferença dos seres imóveis, como ela e os seres humanos. Apenas ouve o ruído de todas as coisas como se o som fosse a vida; e ela tinha vida, a poeira que se acumulava sobre ela, os pedaços de fio que iam se soltando e caindo de leve no chão o bater de asas dos pássaros do outro lado da janela e o choro da menina todas as noites antes de dormir. Todos esses barulhinhos que a faziam pensar que era feliz.
Essa menina, achava-se boneca. Sentava sobre a cama e penteava seus cabelos e, de vez em quando, acariciava-se a nuca e o escondido pedaço de pele que existe entre os cabelos e a orelha. Tinha tudo sempre limpo e pequenos pedaços de sabonete em forma de coração para deixar um cheiro agradável nas gavetas.
Nas manhãs de chuva a vontade da menina e da boneca eram passar o dia agarradas debaixo do florido lençol, por sentirem uma tristeza lenta, como o gelo a derreter ou o desaparecimento das bolhas num copo de água.
É sabido que a menina era muito mais boneca do que a feita de pano e agulha, pois a dor da garota é uma dor muda, imperceptível. Um pedaço de si desconhecido que não para de latejar e por mais incomodo que seja ela vai continuar assim, como se um farfalhar eterno existisse em sua mente tentando fazer com que algo desperte e quando isso acontece ela percebe mais o carinho de colocar as meias e vestir bons tecidos, a vontade de sentir o cheiro de café para sorrir. Por tudo isso ela era frágil e vivia se remendando.
A de pano, por sua vez, era só resistente; e, apesar de doce, tinha camadas e mais camadas ante-mofo e pedaços de plástico que demoram milhares de anos para se desfazer. Não precisava ser remendada, pois deixaria de ser usada e ficaria num canto ou com sorte numa estante olhando permantemente para um ponto inexistente na paredee se tivesse mais sorte ainda poderia ao invés da parede vazia existir um velho porta retrato. essa, nada tinha de boneca, era humana das mais comuns
P.s.: Amo muito tudo isso. Voces sabem, brother!!!
Jucksch, Márcio.
Essa menina, achava-se boneca. Sentava sobre a cama e penteava seus cabelos e, de vez em quando, acariciava-se a nuca e o escondido pedaço de pele que existe entre os cabelos e a orelha. Tinha tudo sempre limpo e pequenos pedaços de sabonete em forma de coração para deixar um cheiro agradável nas gavetas.
Nas manhãs de chuva a vontade da menina e da boneca eram passar o dia agarradas debaixo do florido lençol, por sentirem uma tristeza lenta, como o gelo a derreter ou o desaparecimento das bolhas num copo de água.
É sabido que a menina era muito mais boneca do que a feita de pano e agulha, pois a dor da garota é uma dor muda, imperceptível. Um pedaço de si desconhecido que não para de latejar e por mais incomodo que seja ela vai continuar assim, como se um farfalhar eterno existisse em sua mente tentando fazer com que algo desperte e quando isso acontece ela percebe mais o carinho de colocar as meias e vestir bons tecidos, a vontade de sentir o cheiro de café para sorrir. Por tudo isso ela era frágil e vivia se remendando.
A de pano, por sua vez, era só resistente; e, apesar de doce, tinha camadas e mais camadas ante-mofo e pedaços de plástico que demoram milhares de anos para se desfazer. Não precisava ser remendada, pois deixaria de ser usada e ficaria num canto ou com sorte numa estante olhando permantemente para um ponto inexistente na paredee se tivesse mais sorte ainda poderia ao invés da parede vazia existir um velho porta retrato. essa, nada tinha de boneca, era humana das mais comuns
P.s.: Amo muito tudo isso. Voces sabem, brother!!!
Jucksch, Márcio.
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