Mittwoch, 13. Januar 2010

Uma estranha cadência

É alucinante. O bombardeio, o fluxo, as mensagens, são meteóricas. Passam por mim como vento, com aqueles grãozinhos de areia insistindo em perfurar a pele. Tentam me levar pra trás, mas eu resisto. Até que resolvo saltar, e viajar com eles. Uma luz perturbadora invade o meu estômago, de baixo pra cima, até fazer tudo virar de cabeça pra baixo. E girar e girar. Sou um pedaço de luz, cadente, viajante, livre. Informação. Sou levado pelo vento; uma viagem louca, translúcida, transversal e horizontaldina, com muito fervor de adrenalina. Até que consigo alcançar uma pequena foto três por quatro e...



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... tudo escuro, o tempo pára. Nesse momento, somos só eu e ela. Na foto, seus olhos me dizem uma única mensagem. Uma profundidade inalcansável de um olhar. Tudo gira, é apenas um globo da morte. Então mergulho na foto.



Eternidade.



É uma estranha tensão entre o ser atemporal e o estar instantâneo. Um leve arrepio que percorre desde a infância até a efemeridade de uma ruga. De repente, tudo parece tão obsoleto. Volto à cena de uma leve troca de carinho, um olhar, no canto de uma sorveteria. Sou fragmento de eternidade, digitalizado, impresso, reticulado, imortal. Um pedaço de papel voando a percorrer o mundo inteiro junto com as folhas secas. Um amontoado de dados a se reconfigurar numa rede infinita de significados. Um breve sorriso, espontâneo, artificial, arrepiante. Um quase gemido de felicidade. E não vivi. Feliz. Para sempre.



J, M.

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