Mittwoch, 11. August 2010

Um quarto de hora

É tão fina a beleza do efêmero. De uma fragilidade só. Quinze minutos é o tempo necessário para a perfeição. Quinze minutos é todo o tempo do mundo para a perfeição. Quinze e nada mais. Claro, assumindo-se que a perfeição só existe como ideal e, a partir daí, que, quanto maior a liberdade para idealizar, mais perfeito é o momento.
Uma mulher, por exemplo, acaba de conhecer esse jovem rapaz. Estão em uma festa e ele olhou para ela desde que chegou, mas ela não sabe. Ora, ela está muito bem acostumada a ser notada e realmente está acreditando que ele não a notou. E realmente encara isso como um problema, porque não pôde deixar de notá-lo.
Os dois têm amigos em comum e começam a conversar. Sentem-se atraídos instantaneamente. E se dão conta de que gastaram um tempo precioso no joguinho que estavam travando. Ela tem quinze minutos para partir, de modo que, no segundo seguinte, eles se beijam.
Frases são ditas de uma boca para outra, mas eles não se separam o suficiente para que consigam distinguir o que é dito. Não há tempo para mais nada. E só o que precisam é mais tempo. Está aí a perfeição.
Quando se despedem, guardam cuidadosamente o olhar brilhante um do outro, o sorriso de agradecimento, e o toque leve das mãos antes de se separarem. Detalhes importantíssimos que farão esses quinze minutos durarem uma noite para ele. E, quem sabe, duas para ela. Não se verão novamente. Mas há aí todo o material para a perfeição. Sempre que quiserem lembrar dela.
Acrescentemos aí mais cinco minutos e um número de telefone e – vou aceitar por puro romantismo – eles terão uma ou duas noites maravilhosas. Mas nada de perfeição. Ela dura quinze minutos. Nada mais.




 J, M.

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