O peso do natal já recai sobre minha espinha, na forma barriguda de seu símbolo. Ele chegará quando eu estiver sonhando com todas as coisas curiosas e me desperatará para sua sombria face barbuda. Tudo isso é para ele pior do que para mim, por isso me consolo, afinal eu nada tenho a fazer senão obedecer às leis. Seria isso de sentir tudo tarde demais e não poder mudar o passado, uma cruel brincadeira de Deus ou do Diabo ?
Como peco... Eu queria poder pedir a alguém que me deixe pecar mais, que me livre da tentação. E não posso! Toda mulher é para mim uma mãe, assim como homens são pais. Meu pai morreu antes de eu poder lembrar-lhe a face, não vejo meu filho desde que o tive e por isso me comprometo em abastecer esse homem Noel de tudo que está guardado dentro de minha concha.
Agora, tenho um símbolo pelo qual lutar, posso finalmente abandonar as serpentes aladas que eu seguia. Todos ainda hão de me olhar como se eu tivesse fome e é verdade; eu sou meu próprio alimento fora de alcance. O que pode resultar disso é amor. Eles com sua compaixão, eu com minha ironia, tudo forma de sofrimento camuflado na boca por não saber o resultado. Seria ainda pecado implorar para ter o dom da visão?
Mulheres bem vestidas passam com as sacolas carregadas e vão sem se dar conta que suas marcas não ficarão no mundo. Nem as minhas. Nem as suas. Mas ao menos elas disso não sabem e seguem cantantes.
Perdi até o direito de rezar depois dessa noite, onde todos deliciam sua ceia de natal com garras afiadas e bocas suculentas. Pobres homens, não sabem que a cada pedaço que engolem algo deles se tranforma e morre para criar algo novo.
A lua nova cresce dentro das minhas pupilas dilatadas. Não lembro mais quando perdi minha mente , apenas recordo o flash de energias. O causo ocorreu, pois eu sabia demais. Ficava louca dentro de um mundo paranormal implorando para pensar duas vezes e o único aviso que recebia era o de parar antes que a estrada terminasse. Eu na minha loucura, fazia-os loucos. Meus heróis e eu fugiamos para um país encantado - e sem natal. Eu fui seduzida pela cidade volupstuosa e clandestina. Talvez eu seja louco, talvez tu seja louco, mas provavelmnete somos loucos. Um barrigudo que entra por uma chaminé estreita com um saco vermelho? É, se for para crer nisso, prefiro pensar que sou louco. Melhor do que morrer esperando, esperando, esperando...
J, M.
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