Mittwoch, 6. April 2011

Lotado de culpa

O que vale é não se render. O triste não é essa cena depressiva, remoendo com rios de lágrimas o porquê do inevitável, ensaiando na frente do espelho o sufoco e desespero em que nem mesmo se reconhecerá. A tristeza se concentra no fim, às três da manhã, ou qualquer outro horário que você escolha voltar para casa depois de dizer ‘até logo’.

Frente a felicidade alguém o inveja, alguém não se contenta, felicidade alheia nunca é suportável. É sempre pouca, disforme ou ilícita. Se for para encará-la, então, nem a curto prazo; ninguém consegue nem encarar-se. É melhor andar lado a lado, de mãos dadas – como ajuda para atravessar a rua.

Seria bom poder colocar variados tipos de película para cada momento da vida, em sintonia com o nosso humor. Que ao menos a realização fosse conquistada após noventa minutos de projeção, ou quem sabe dez minutos antes. É substituir o momento da dor por algo mais brando, uma trilha sonora mais leve, cenas lentas ou rápidas, uma fotografia impecável.

Por fora só o sorriso. Brilhante, amarelado, cínico e até faltando os dentes. Por dentro tem dias que as coisas só despencam, em outros se escutam os batimentos cardíacos e a gente até sente um pontada no peito, cólica ou uma dor de barriga. Abre a porta, sente o frio, congela. Congela tudo. Hoje, desde a decida dos três degraus, vou ser só pensamento. Vou ser de fato contemplação, sem contar as horas. 

Ninguém sofre por amor, pessoas sofrem porque se subestimam. Nos deixaram não por falta de amor, foi por vontade de uma liberdade não compartilhada. É um direito aquém de egoísmo. Entender amor por somente delegar responsabilidades, anulando as consequências, é traiçoeiro; sendo assim nos tornamos nosso próprio carrasco, nos personificando como o fracasso cósmico, decepando a cabeça sempre que puder para esquecer o agora. Problema é firmar compromisso com marasmo e acordar com melancolia. É fácil pensar que término significa inicio. É fácil seguir em frente.


J, M.

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