Já faz um tempo considerável que eu sinto que uma parte significativa de mim entrou em coma. Sem a tentativa final de querer encaixar ou falar sobre aceitação, pois penso que seria o mesmo que demonstrar que já explorei os caminhos mais surpreendentes e chatos sobre a solitária e lúdica maturidade. Não é o caso de preferência, mas sim de comodidade em manter uma concepção única de que seria tudo mais empolgante e eterno (como os sonhos) se a vida fosse só juventude – mesmo que fisicamente.
E esse é o mesmo tempo em que eu talvez – não estou certo – passava horas precisas na janela, frente a selva de pedra, observando o que todo dia parece ser o mesmo, nas mesmas horas. Eu, que de certo modo, agi com pouco caso e o deixei de lado, agora volto a tê-lo; eu, que antes pensava que havia morrido ao seu lado, coberto de sangue e lama, porque escorria sangue por todos os lados. Agora não mais com essa idéia de morrer por você nem morrer ao seu lado.
Perto de partir em direção a três destinos que se transformam em um, reservo as últimas e decisivas horas para voltar a nostálgica rotina. Mais do que tentar sentir o ar poluído e íntimo, ao debruçar-me na janela, é assistir mais uma vez a configuração de cores que deixou de ser para mim apenas uma vista e se fez uma impressão leal do que circula, passou ou passa dentro de cada célula minha; o espetáculo notório daquilo que fez parte da minha vida por alguns anos. E assim o dia acaba onde eu me encontrei. Eu só faço olhar para cima e enxergo o céu. Eu gosto do céu. Eu gosto do céu, gosto de contornos.
J, M.
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