Abre os olhos sedento por conhecer a si mesmo; algo como complexo e crises existênciais, sabe? Abre os olhos, porque da última vez ele fechou (com a certeza de ter se encontrado), mas na sua excêntrica pressa de encontrar a cama ele deixou escapar tudo. As entrelinhas que tanto falava.
Abrindo a porta, um papel de propaganda barata lhe cobriu o rosto, e dizia algo tampouco importante:
"Por favor, não derrames mais teu pranto.
A saudade foi grande, mas já está tudo em seu devido lugar.
Dê-me um abraço e liberte os demônios que te afligem no conforto de meu peito
Aguça os ouvidos para o que estou a dizer:
Eu te amo, amigo.
Guarda estas palavras em tua eternidade;
abre teus olhos, enxuga as pesadas lágrimas e contempla;
quero a tua companhia agora, não posso esperar.
O tempo, a vida e o destino já se encarregaram de nos separar.
Preciso ouvir teu riso, sentir tua felicidade escapar...
pelos poros e pelos vãos entre os dentes.
Ouvir o estalo de teu beijo impulsivo e sincero em minha face,
sentir tuas mãos nas minhas,
me arrastando e encarecidamente dizendo meu nome.
Ouvir o teu correr e ir ao teu encontro, sabendo que estás a chegar.
Entrar em sério conflito com tua opinião,
contestar tuas convicções
ensinando-te a desprezar o próprio orgulho e aprendendo a ceder.
Amo-te mais do que a mim mesmo e quando te afastas,
é uma parte de mim que foge e depois volta como tudo nessa vida"
Há quem diga - relatos do 'povo da rua' - que ao terminar de ler, amassou o papel com o que restava de seu desejo atroz de bondade ensandecida, e riu. Dizendo, o que a mais cínica das leituras labiais compravaram, um delicioso: Foda-se, seu desgraçado! O que? Vai querer mandar no comportamento das pessoas? Nunca conteste os sentimentos de um prolíxo que... ah, deixa pra lá.
Continua
Caminhava, tentando olhar pra frente, não derrubar nada das prateleiras, nem pisar em nenhum pé de mau humorado. Sempre a mesma cautela oculta, neurótica. Procurava, despretensiosamente, qualquer velha novidade mais barata; não encontrava. Sem ser questão de sexo ou cor, aguardava alguém que coubesse no seu sonho, como diria Cazuza; não encontrava. Cansava de ouvir que o amor não se procura, porque assim ele se afasta, cansava de olhar para todos os lados avidamente, buscando um rabo de cavalo idêntico àquele que viu (ou àquele outro que via de segunda a quinta). Não, nada parecido. Convenceu-se, enfim, de que a solidão lhe caía bem e ouvia essa parte da música seguidas vezes. Tentava ler, mas não podia. Não era o que o coração aspirava... não naquelas tardes de terças maçantes e ociosas. Lembrava então do que já tinha passado, porém os fatos não se conformavam em ficar no que não volta mais. Se é assim, fique.
Continue
Tarde da noite, deitava sem pensar, sem querer mais se mover, perdia tempo com a tecnologia pedante de seu tempo. Não podia falar, nem ensurdecer para falácias - como num desejo de contos de fadas. Os livros, de conteúdo retrógrado e não imbecilizantes, remetiam-lhe a um tempo em que talvez ele não se sentisse mal; pelo menos não tanto quanto naquele exato momento. Preferia imaginar - não sonhar, imaginar! Enxergar de olhos abertos um futuro promissor, pródigo, sem solitude acompanhante e presenças indesejadas. Menos intolerante, passivo de elogios verdadeiros, amigos plenos, tudo bem; talvez um pouco infeliz, mas só um pouco. Parava por aí, pois os olhos iam cerrando com o arder e ele mergulhava em si, já que seus verdadeiros sonhos mesclavam-se com a realidade e faziam-no ter a impressão de que não sabia viver.
Continuu
Ele era um moleque, de aparência medíocre, pobre. Atraía recepcionistas de lan house, como uma mulher que as expressões faciais sintetizavam todas as frustrações da vida, ou um cara enorme, cabeludo, talvez metaleiro, porém educado. Era um moleque, resumia-se nisto, sentia-se dentro disto.
"Adivinha... ele não gostou. Não mesmo... talvez no fundo"
Continuei
Havia quem dissesse que ele era moço de negócios excusos. Janelas fechadas, porta trancada, silêncio. Era a única casa que talvez não combinasse com o aspecto familiar daquela rua. Saía poucas vezes, com roupas um tanto parecidas e uma bolsa ou outra - vermelha ou verde. O caminho da ida era o caminho da volta, o cabelo de hoje era o cabelo de amanhã, o tênis de sola baixa também. A mesmice se apoderara até dos menores movimentos e todos sabiam. E esta coisa de todo dia intrigava quem tinha o mesmo mal, ainda que a espécie fosse diferente. Esse moço das mesmas-coisas-diariamente só podia estar escondendo algo. Ninguém é tão parecido assim todo dia, o dia todo. Ele tentava achar algo obscuro quando mais nada tinha a fazer. Pensava, pensava. Algumas vezes descobria que nunca teve nada mais a fazer, pois nunca teve algo para de fato começar. Desejava um amor, mas no instante seguinte não mais; dava trabalho amar. Queria roupas novas, porém no instante seguinte não mais; lembrava que novidades assim nunca lhe proporcionavam verdadeira satisfação. Não tinha um negócio excuso, não era assim. Besteira procurar algo que não existe. É que quando se está sozinho inventa-se companhia, já ouvira alguém dizer certa vez. Se houvesse algo obscuro por ali, era a solidão terna dele.
Continuó
Lembrou-se! Assim, sem mais nem menos, sem mais querer! Todas as paixões platônicas de tempos remotos (ok, não tão remotos), da sua vida - ele não conhecia as dos outros, tudo muito claramente. Ou não?
Bem, aconteceu. As criaturas pareciam anacrônicas e, se não, eram eqüidistantes no tempo. Inexplicáveis. Paixões tórridas aos cinco anos de idade. Ele cresceu e foi ficando pior. A vontade desenvolvia-se junto, não deixando passar nada. Sempre havia alguém de aura encantadora, de imã oculto para o coração dele. Coração? É, não era assim que chamavam aquele em que botavam a culpa? Embora não gostasse de palavras fortes como esta, ele sabia cada denominação. Se não sabia, ao menos sentia exatamente aquilo. Porém, reparou, remetendo sempre à experiência, que um dia tudo acabava. Alguém levava o seu alguém embora (seu alguém?! É, ainda que ninguém soubesse). Alguém mais forte, de poder resoluto em duas mãos invisíveis, um velho carcamano que não ouvia ninguém. Ou uma balzaquiana de vestes sedutoras e atitude estranha. Então ficava só novamente - no âmago. Podia ser dolorido no início, porque a presença alheia é algo que faz diferença. No entanto lá na frente as coisas voltavam a ser como antes. E tinha esperança, esperança...
J, M.
7 Kommentare:
ele só queria... um abraço.
mas não soube pedir.
(...)
isso foi triste.
e se eu sou louca, amigo, devo dizer, tu és também.
*=
triste, jes? escrevi isso täo feliz.
na verdade, eu escrevi isso com fome tbm. sera que parte disse representa minha fome. que assuatdor, bröder.
sou louco, porem um pitelzinho! hahaha.
ah, bzinho, nunca mais escrevo algo pra ti. acho que näo funciona, manja?
ta lindo mesmo
mas definiticamente eu heeeeeeim
de primeira pensei q era pro brunão!
bjao te amo e to morrendo de saudade
beijo meu brasiiiiiiiiiiil!
menino escreve logo um livro, cabuco! hihihihih
eu te disse q gostei muito do depoimentado 2, mae e agora esse, broto!
je t'aime!
jespère que vous me rendre visite bientôt à Paris, ou plutôt, lorsque vous revenez au brésil.
gros bizouxxxx!
Teus textos trazem sempre algo de amargo, seco, até um certo desdém por tudo. Aliás, trazem "algo" nada, trazem tudo dessas coisas ditas aí.
Isso não é uma crítica, Márcio, você sabe, guri. Mas é que você transcreve bem os sentimentos isolados de qualquer pessoa. A personagem do seu texto pode ser a pessoa mais excusa de todas, mas quem disse que iss vem a ser um ponto negativo? Não mesmo, não é? Nos teus texto, ainda, está intrínseco a estupidez, a ignorância e, também, a indiferença. Te acho brilhante, mocinho. Sério!
Quando eu digo que tu deixa bem claro a amargura, nem sei se posso falar isso de ti, isso talvez seja natural da sua personagem. Mas é que a professora Adriana uma vez te disse isso. Lembro até hoje, sim. Hahahahaha.
Te adooooooro, Márcio. Seu gênio!
Beijo!
Tri massa, bróder - to pegando essas tuas falas, já. Hahaha.
Mas dessa vez não vou te elogiar tanto. Fostes redundante, sim.
Te amo, cara.
meu ceifadoooooooooor favoritooo! heueheuehue.
ei não gostei dessa porra não! metira márcio, tá lindo. caralho! tu escreve pra caralho mesmo, caralho! hhahaha.
ai, suadades de ti, saudades do teu mau-humor, humor negro, afro-brasileiro, cm vc diz, meu amor! cansada da mesmice, quero seu humor ácido de novo perto de mim... ah, porra, te amo mesmo, e daí? ahaha
bjo, puro osso! hahaha
Kommentar veröffentlichen