Freitag, 10. September 2010

Como vai depressa

Era o já conhecido taxista, lembrou-se graças a memória estatística. Um dos 10 mil deste ramo naquela cidade, a presença do outro não o incomodava. Gostava de táxistas, eles não usavam uniforme.
Tudo acontecia a uma grave distância, era a acomodação sulista. Presentia uma chance e fisgou-a - sempre tivera esse desejo secreto desde o nascer herdado da irmã mais moça de sua mãe -, agora podia colocá-lo em prática. Enquanto isso apitos de trem ressoavam e gemendo perguntou ao táxista:

- Você já viu um cara morrer com gás?
- Não. Nem quero conversar.
- O quê?! - indagou indignado
- Olha, meu nome é Francês. Sou francês e meu nome traduzido significa CHUVA DE VERÃO, mas ninguém dá a mínima para a chuva quando se tem o so...
- Vamos direto ao ponto. Recebi uma carta hoje, é sobre você, aliás é sobre você (dizia isto com um gosto de domingo na boca). São notícias de amigos e talvez sobre teu ser.
- Estou assustado. (mesmo se não estivesse não saberia o que dizer)
- Qual a sua opinião ?
- Suponho ser este o momento para o perdão e a reconciliação - diz isso ajoelhando-se e fazendo suas preces.

A leitura da carta começa em tom epíscopal.

- Miriam oferece-lhe um mil reais se você usar o elefante como único meio de publicidade. Exige resposta imediata. O que devo dizer a ela ?
- Convide-a para participar de minha vida, ser minha família.

Entreolharam-se com um gosto de começo de ano nas ventas, que preocupavam-se em escrever a carta-resposta.

"CHUVA DE VERÃO,
 
Foi muito bom obter notícias suas, mando-lhe lembranças. Quanto ao seu convite, é um começo".
Com carinho. Miriam.

- Que alívio, fiz um começo. Diga a ela para extrair o fim agora... com uma pinça!
- Com luz também?
- Não tem luz.
- O que há?
- Não tem luz!
- Pois não tem mesmo.


J, M.

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