Itália. Lá, ele se encontra agora. Neste exato momento, seja lá quem for, seja qual forem os seus problemas; lá, ele para sempre estará. No mesmo quarto onde nascera, antes florido e engraçado, agora morno e desencapado. Na mesma cama adornada de jóias raras. Por você ele larga tudo, mas continua sobre sua cama. Ao lado, um banheiro com um espelho. Do outro, a janela. Num meio, perdido naquele espaço oco e negro, a cama que reserva o sono eterno para quem nela deitar-se e se deixar levar pela inconsciência ao som de uma bela sinfonia perdida. O espelho, refletor difuso, neblina os olhos e ofusca a luz. A janela, espelho concavo, concentra os ares empoeirados ao lado do chão; não chega a tocar, apenas faz cocégas inebriantes, coisa de uns minutos, mero acesso de raiva. Estirado sobre a cama, analisa o teto vazio e sem medo, dizia palavras de amor, sonhava com o sexo sem pudor, estava preso no quarto havia sete anos. O tempo lá passa arrastado, sem ninguém ao seu lado. Se fechasse a janela acabaria consigo, não possui mais amigo e nem animigo. Dizia que se parasse defronte o espelho você seria sugado. Mas o que é a vida dentro de um espelho, que possa ser pior do que um mero cotidiano de reflexos sóbrios numa cama? Não há ganhos nem perdas quando você não sabe o que isto significa. E ele nem falar sabia. Não tinha nome nem vestido, era filho de Cristo, Gandhi e Dalai Lama; importante era a fé que este possuia em excesso. Nuances da lua ao iluminarem o teto, revelavam o afresco paradisiaco ali pintado há muito tempo, ou agora neste momento o importante é pintar. Uns ruídos vinham daquele banheiro estático, o que provocava arrepios. E se ainda provoca-os em você, é sinal de que seu planos são mais rotundos do que os olhos daqueles que lhe escrevem. Um corte lento e profundo corrompe os que pairam sobre a cama , o que no momento é pertence de um único homem (mulher?). Os pés rotos saem da cama para fora, o tamanho é algo que varia de acordo com a intensidade da lua. O homem, ali, sacrifica-se com a mais pura vontade de morrer. Vive. Dentro daquele enorme saco plástico sem ar, o ser sobre a cama nunca abrira os olhos, havia conquistado o dom da visão sem ter essa necessidade. As mãos são sempre frias e moles, que de vez em quando escorregam sobre os lençóis amassados. E um vento nunca antes visto, ouvido, sentido ou tocado balança na porta que nem sequer sabiam existir; o vento domina, é vazio, é cheio. Fecha as janelas, levanta os lençois e limpa o espelho. Aniquilado assim o dom da previsão. Você ver-se forçado a abrir os olhos. E aí, nota ser um cego; do banheiro silencioso sai um lobo negro que vai ao seu lado e repousa. Para consolar-lhe, a morbidez do quarto sempre tão estreito - agora flutuante. Dos negros pensamentos, criam-se obras de arte com o cão ao seu lado sempre a observar-lhe na espera pela sua entrega. Pronto para te devorar.
J, M.
1 Kommentar:
Marciooooooooo, eu não sabia que tu tinha um blog!! E que ele estava sendo atualizado com frequencia!!!!!!!!! Eu tenho um também!!!!!!! Me segue! www.mortoseferidos.blogspot.com
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