Sonntag, 14. Februar 2010

O ateu e outras coisas que não sou

Na escola, estou aprovado em Inglês desde o terceiro bimestre. Não precisaria fazer mais nada. Nem mesmo as provas. Faço por culpa. Tenho esse complexo. Pelo menos o admito. Acontece o seguinte: Não estou aprovado por mérito próprio. Também não é por mérito alheio. Não nesse caso. Então por mérito de quem? Da providência. Sim, exatamente (é, eu também faço essa cara), da Providência Divina. Acontece que eu não acredito em deus.

Nunca falei sobre deus aqui. Mas acho que já devo ter escrito a palavra “deus” em algumas expressões até agora. Acontece que adoro expressões. Da mesma forma que gosto de palavrões. Uma palavra que vale por mil gestos, é o que eu costumo dizer. Me perdi. Retorno. Acontece que tenho complexo de culpa, como já disse. Tenho essa coisa por ter muita sorte. E sorte demais, dizia minha avó, dá azar. Nunca deixei de pensar que todos tem um estoque e fico me perguntando quando o meu vai acabar. Mas me perdi de novo (estou com sono e essa mente já é sem foco normalmente...).

No terceiro bimestre desse ano, decidi que estava com pressa demais para ler todos os textos das duas provas de língua estrangeira. Respondi, portanto, o que me veio à cabeça (leia-se: “chutei”). E, quando recebi as provas, já resignado pelo pior, só pude acreditar que era engano. Não era. Tirei a nota máxima em ambas. Foi o suficiente. O ano estava ganho para aquela matéria. Fiquei péssimo. Depois dessa e da pane no computador da secretaria que apagou todas as minhas faltas, não vai mais haver sorte para o resto da vida.


Um professor de redação ficaria possesso se me lesse agora. Isso porque vou dizer que só neste parágrafo vim encontrar meu tema. Lá vai: Quando recebi o teste, exclamei: “Obrigado senhor! Seja lá quem seja”. Nesse momento, uma amiga prontamente se espantou:

- Você não era ateu? – veio ela



- Não – respondi – Sou agnóstico, eu acho.


- Isso é ateu enrustido – satirizou


- Não, não é – levei a sério.

A diferença, penso, é que o ateu simplesmente não acredita em nada e nem quer acreditar. O agnóstico também não acredita, mas é um desconfiado. “Sei não, vá lá que exista!”. Acho que todo neurótico é um agnóstico, e a recíproca talvez seja verdadeira. O agnóstico quer provas. Não há fé nele, porque a fé exige a crença por si só e ele não quer acreditar, quer saber se existe. Ao ateu, essa existência não interessa. Sou um neurótico. Não entendo os ateus.

O ateísmo erudito costuma defender que a religião é a forma que a ignorância encontra para explicar o desconhecido. Isso está errado. Acho que não é muito respeitoso por dessa forma... Talvez eu devesse dizer que minha visão, embora considere com atenção os pontos contrários, interpreta a relação entre homem e crença de forma razoavelmente dessemelhante. Como eu estava dizendo, acho isso uma babaquice.

Os sentimentos que regem a fé são muito mais primais que a busca por respostas. Trata-se da esperança. E do medo. Medo do que pode acontecer. Esperança de que seja algo bom. Ou, ainda mais importante, esperança de que haja alguém para perdoar, quando os erros forem imperdoáveis. David Hume dizia que a religião é uma manifestação da natureza humana, não do pensamento racional. Eu concordo com ele. Isso explicaria porque ela tende a crescer em épocas que o futuro é incerto e a declinar quando se pensa que o amanhã será tão decadente quanto o hoje.

Sou bem diferente dos ateus, portanto. Na verdade, poderia ser como qualquer cristão. Às vezes me pego rezando inconscientemente para que as coisas dêem certo. E não foi menos de uma vez que já joguei tudo nas mãos da sorte. Meu problema é a maldita consciência. É saber que esse é só um instinto humano que surge quando se ignora o futuro. Mas isso também não significa que eu vá ignorar esse instinto sempre. Não quando é muito mais cômodo fazer o contrário. Afinal, especialistas dizem que são mais felizes os que se convencem das próprias mentiras. De qualquer forma, para mim, a religião não se trata de entender o mundo. Mas de viver nele.


P.s.: Não posso deixar de pensar que esse texto está inacabado. Mas tenho uma incapacidade de concluir, estou cansado demais para ir contra ela hoje. Meu estoque de músicas a conhecer chegou ao fim. Isso geralmente significa tédio homicida. Devo dizer, à guisa de conclusão, que detesto ser o ultimo a deixar uma festa ainda mais que ser o primeiro a chegar nela. Os entendidos entendem o que digo. Vou me isolar em livros. Alguém pode me emprestar “O Falcão maltês” ou “O sonho eterno”?



J, M.

1 Kommentar:

____ hat gesagt…

Alto.......vamos com calma, alemão.

Nem sempre se é ateu dessa forma pragmática (ignorante, diria arrogante......me ofendo, apesar de sê-lo.....as vezes)

Já pensou que isso pode ser um processo gradativo?

Cristão.....cristão reunificado......cristão ressurgido....agnóstico, e um dia se perde a paciência e é ateu. De acordo com a necessidade (também falo de viver). Mas de um dia pra noite, as vésperas da morte a gente pode se agarrar a uma biblia e pedir perdão e ser um um devoto sincero de cristo, acho (olha o cristo e não Cristo).

Rezar inconscientemente...é um mito holywoodiano...o que se aprende, o que se vê, no que se apega nas horas dificeis. Vez ou outra o faço, mas......me policio.


Obs: Um dia também me chamaram de ateu enrustido, lembro