Dienstag, 15. Januar 2008

Guxando


Cena 1: A primeiridade do pavor

-Surdo:
O quanto eu pedi, pedi e pedi. Se não fosse por me mostrar o imbecíl que teimo ser, não havia de ganhar nada.

-Mudo:
Hora pos! Reclamas tanto. Quem dera se ao menos um de teus trapos eu tivesse. Me aprofundo na vontade ingnorante de ser teu resto.

-Surdo:
Não entendo. Pretendes ser algo mais que isso. O que te falta é algo que chamamos de contentamento. Tu nunca estás contente. Essa tua soberba te apodrece.

-Mudo:
Eu começo a sentir que é isso mesmo. O que seria de mim sem tuas palavras reconfortantes? Isso mesmo: nada.

Cena 2: O crescimento além da forma

-Surdo:
Eu sempre me considerei livre de qualquer preconceito. O que me condiciona a um estado de "crítica"; ser supremo sempre me convém. O minimalismo está na cabeça do próximo.

-Mudo:
Falar de mim é fácil. Falar de você é necessidade. Falar do mundo é falta de destreza. Somos mais que a definição sentencial de cabeças a esmo.

-Surdo:
Palavras bonitas, mas tenho que dizer: nunca tens razão em nada. Você fala do comportamento social, como se estivesse a bater uma bronha reprimida no banheiro olhando figuras disformes.

-Mudo:
Faz sentido. O orgasmo elevado à outros níveis. Sou inteiramente desproporcional ao magnanismo semiótico de tuas decisões. O mais próximo disso, só se eu me preocupasse a pensar mais com a cabeça do que com a boca.

Cena 3: Quase como um "pós-trauma"

-Surdo:
Quer tabaco? Tenho uma confissão a fazer: odeio, odeio, odeio! Tu nunca levas em consideração minha inteligência imprevisivel. Só te esforças na pouca criatividade para segregar o que nos cabe decisões secundárias; melhor, o que te apaga. Sou pobre de auxílio.

-Mudo:
Tabaco? Mais tarde. Talvez ainda por tentar uma reprimida bronha. Sempre te apoio, sempre te elevo. Mas tu só escutas o que não nos vale nada ou aquilo que pode, em menor escala, me denegrir. Um amigo nada mais justo!

-Surdo:
Me condenar por pouco é sempre mais prático. Agora tente algo menos inerente. Ações corruptas, falta de caráter. Sem culpas, sem concepções. Conjecturas pra que? O máximo que consegue é dor. Golpe aleatório; cinismo, entende? Você tem chances de se tornar algo importante pra mim. Preocupante!

-Mudo:
Ainda insisto na idéia que eu amo você. Você é pós e contra. Você se faz em alma. Eu sou o corpo, tenho limites. Você transcende o que jamais sonhei. Segura minha mão.

Jucksch, Márcio.

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