Não posso nem dar mais um passo. Voltar nem seguir, impossível.
Ninguém entende o peso, nem as lágrimas, nem a pena. Até que sintam…
Não quero mexer nos armários e nos papéis, nos livros, nos presentes, nos objetos guardados ao longo dos últimos anos. O sentido de mudar é o oposto. Por isso quero queimar, destruir, desintegrar tudo isso.
Eu quero parar de chorar o tempo todo, em cada “tudo bem”.
Os olhos não fecham e o problema nunca é a falta de escuridão. Estou imersa nela o tempo todo. Aprendi a caminhar no nada.
Desde aquele sonho, o fatídico, o maldito, penso em como seria morrer. Quanto menos durmo, menos tempo tenho pra alimentar a idéia. Até o dia em que ela migrou para o real, passando a pintar minhas escolhas de dúvidas, de pesares.
O amor não resolve. Elas se foram e levaram minhas conversas de madrugada. Não ajudaram a trazer felicidade. Sempre continuei solitária mesmo inebriada de ilusões.
Sei bem como são os dias em que perco o que me sustenta aqui. Não durmo, não como, não amo, não nada. Deito no breu e encaro. É o mais perto que chego do âmago.
Me sinto doente da cabeça e isso é demasiadamente verdade. Não posso tomar um analgésico. Cada novo dia reitera o diagnóstico, basta acordar.
Quem finge ser feliz diz que é exagero, mas também não vem sequer conversar.
Quando me vi pendurada pelo pescoço finalmente entendi. Observei o pesar do corpo, de um lado ao outro. Sonhos tem dias certos pra se realizarem.
Os mais solitários são os melhores mentirosos. Disfarçam sua doença de espírito com diversas artimanhas. Cigarro, comida, sexo. Apenas o pranto é sincero. Não, menti de novo. É o silêncio.
Desisto solenemente.
J, M.
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