Mittwoch, 16. März 2011

Véspera, medo, futuro

Eu amo nessa noite silenciosa. Aos prantos me recordo do beijo e do sussurro. Eles se perderam de mim em um amanhecer extasiante na fronteira.

À véspera de embarcar na viagem mais arriscada desde setembro, eu sinto o coração contrair em si mesmo; procura abrigo, procura fim. Se pudesse me virar do avesso e sumir no âmago, deixaria só esse amor intrépido de fora. Penso que ele andaria com as próprias pernas, finalmente.

Ele pesa tanto que percebo a impossibilidade de dar esse passo, de entregar esse cartão de embarque, sem buscar a resignação. Porque dói em silêncio a cada lapso de lembrança e, quando exerço o direito de verter lágrimas, nem me pergunto mais como vim parar aqui.

Amor de véspera, amor de medo, amor de futuro.


J, M.

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