Eu queria que o mundo fosse mais palpável, que fosse de montar.
Queria poder juntar A com B e uma pitada de C.
Ter aqui o apartamento B de chão de ardósia, móveis novos e luz suficiente. O interfone funcionava. A televisão ligava sozinha exibindo Placebo. Nada combinado, ela gostava de me surpreender.
De C eu traria as 38 polegadas e os dois colchões. A central de ar, os sofás, o carro. Conforto em todos os sentidos. Minha mãe e o inconveniente irmão. Ah! A vó de 10 anos atrás também.
A tem a chuva, o prédio que desaba, o doce caro. Caros, caros amigos. A vida bandida e barata. Inútil, esgotada. Os fantasmas…
Começo, meio e fim. Etapas. Minha vida montada seria dividida em peças absurdas e necessárias.
O amor delas, o meu afeto. Traria nossa felicidade de volta, passaria o filme de novo em sequências diferentes, pois nem de todas eu quis tudo. Extrairia o melhor e mergulharia nisso pra me permitir encontrar o novo ou o bom, pelo menos mais uma vez.
O medo eu fumaria, faria brasa da estupidez recorrente. Provavelmente prenderia o fôlego ao posar para fotos. Esperança de o tempo parar, sem chance de trocar as cartas.
Nessa invenção a peça fundamental seria eu, pois haveria contexto, moradia, conforto, pessoas e dramas suficientes. Eu bastaria e sustentaria… se fosse de montar, se fosse de escolher, se fosse de interferir.
J, M.
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