Estou com fome de verdade. Não encontro nem em mim.
Respeitar apenas os semelhantes é muito imbecil. Tratar decentemente alguém que você já conhece até do avesso é fugir do novo constantemente. Respeite aquele que parece um completo babaca e seu caminho vai começar a se abrir. É sempre bom ver uma nova saída, ainda que não seja usada.
Ando carente de tudo. De confete, de parabéns, de amigos, de acolhimento, de abraço, de sinceridade. Como fez falta aquela simples palavra. Teria poder de demonstrar o afeto, a amizade, a franqueza. Todas as vezes que ela foi esquecida pude enxergar o outro lado e desgostar do que via. O lado do descaso, da indiferença, da dúvida e da arrogância. Eu não sei o que mais incomodou. Acho que foi o ar de superioridade, apenas ar e mais nada. Por isso tão frágil e questionável. O ar se esvai, mas e a amizade? Onde fica?
Não fica… nada fica. Eles se transformam e querem que eu me iguale. Respeitar apenas os semelhantes é imbecil novamente. É um caminho que despreza os companheiros de outras estações. Reles amigos de outrora.
Noto que as pessoas têm dificuldade em me elogiar. Meu lado criticável deve ser um gigante irremediável. Tenho vontade de exterminá-lo, mas é ele que me sustenta afinal. Também percebo que não mostro meu lado bom, o valorizável e bonito. Não tem beleza na minha postura. Sou corcunda e impaciente. Só não vê quem me elogia, e quem o faz é um completo estranho na maioria absoluta das vezes. Acabo gostando mais deles que dos que se dizem meus amigos, porque os estranhos conseguem me elogiar sem inveja ou reticência. Sou carente de franqueza alheia, o que é incoerente, pois mais sinceridade é impossível exigir dos amigos. Se eles nunca dizem sentir saudade ou nunca ligam quando eu viajo, paira algo de muito verdadeiro nessas situações: tem silêncio que vale mais que mil palavras.
Tudo volta para respeito e semelhança. Não é que queira imprimir uma moral da história, mas minha rotina tem sido afastar os queridos. Desculpem, mas eu ando em círculos adulando vocês. Tenho a ilusão de respeitar quem eu devo, no entanto é apenas conforto emocional. Resolvi rechaçar as relações consolidadas por nelas enxergar morte. Vou fazer um buraco no chão e não conseguirei trazer nada novo. Nossa relação é permeada pelo oposto do que deveria ser. Somos amigos, mas odiamos o que os outros escutam, assistem e gostam de comer. Por que não nos divorciamos logo? Nossa arrogância nos sufoca, não as diferenças. Não somos capazes de respeitar quem pensamos ser semelhantes, imaginem o diferente. Que o litígio seja doloroso, mas que o verdadeiro respeito apareça.
J, M.
Keine Kommentare:
Kommentar veröffentlichen