Sonntag, 28. März 2010

Breve ócio paranóico de Petr

É um conceito estranho esse pelo qual se põe ordem numa escola. É a idéia de que, se você puser alunos em uma sala e impedi-los de fazer qualquer coisa que os agrade, eles prestaram atenção à aula e aprenderão, só para matar o tempo. Raymond Chandler diz que esse princípio funciona para escrever. Acho que concordo com ele. Para escrever, geralmente basta não me concentrar em coisa alguma, esperar o pensamento fluir e estar armado de bloquinho e lápis. Sim. Funciona para a escrita. E morre aí.
Escrever é prazeroso. A escola não é prazerosa. Devia ser. Mas não é. Já escrevi sobre isso. Torno a escrever, porque, como diria Nelson Rodrigues: “sou uma flor de obsessão”.
Existem dezenas, não, centenas de formas de não estudar. A idéia de estudar, na verdade, torna tudo mais atrativo, desde o formato do tênis até a quantidade de lajotas da sala. 395, aliás. Acho que é por isso que escrevo mais em sala de aula que em qualquer outro lugar. São poucos os lugares em que fico tão desconcentrado.
Certa vez, pensei em mandar uma carta ao ministério da educação. Contando até onde somos capazes de ir para fingir que o professor de física não existe. Mas então a paranóia me ocupou a cabeça. E se for melhor assim? E se, talvez, a única forma de proteger nossas mentes seja anular qualquer interesse que se possa ter em estudar? Afinal, francamente, mais absurdos que os princípios de aprendizagem aplicados pelo sistema, só os programas que o constituem. Alienação em massa. Pura lavagem cerebral. E como Rubem Alves já disse que a única forma de aprender alguma coisa depois de sair da escola é esquecendo tudo o que a mesma ensinou, melhor é nem deixar a coisa toda se entranhar em nossos cérebros (principalmente porque minha memória nunca pareceu estar a meu favor).
Estando a salvo das forças malévolas da educação, quase tenho pena da menina sentada, tão esforçada e compenetrada, lá na frente. Tão suscetível à falta de encanto e realidade das aulas. A mesma que acaba de me lançar um olhar de desprezo, possivelmente visualizando minha nota no infame vestibular. É como eu disse. Quase.


J, M.

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