Eu habitava no Rio dentro de mim, o Janeiro. Estudava lá, como em todos os outros cantos da minha passagem. Estudar, é perceber. Sempre icerta da escolha, eu vivia.
Não tenho uma religião, mas a cruz me persegue. Não é um martírio carrega-la, apenas uma decepção baseada na igualdade. Todos a carregam. A diferença está na quantidade de espinhos na cabeça.
No caminho de sempre para a faculdade, um mendigo. Aquele mesmo despercebido do nunca. Sem ser notado, residia no mesmo que eu. E crescia na sua música dos trocados .
Nesse dia que "se quebrava como as ondas na rocha do arpoador", eu necessitava. O mendigo tocava sua gasta flauta sem habilidade alguma, acreditando ser música aquele estranho resultado. Nunca fui mestra em definir se aquilo era ou não, mas o que é música além do ouvido?
Coloquei-me defronte dele ainda com a cabeça no alto, sabendo ter de me ajustar para conquistar. Comecei a dançar no ritmo dele, sem notar que eu não possuía meu próprio ritmo.
Saí dalí sem palavras, movida pelo desespero do porquê. Tranquei a universidade. Talvez para evitar o mendigo, ou apenas pelo talvez da insatisfação. Um destino incentivado pela música de um desconhecido que ainda rufla nos meus pensamentos e pode ser escutada lá no esconderijo da percepção. Hoje, prossigo com uma interrogação sem nome ou moradia e frequentemente lembro do flutuar da flauta na estagnação do rompimento em vida.
Falando da vida alheia que eu nem conheço, mas deve existir. Falta do que dizer se resume em contar.
J, M.
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