Dienstag, 30. März 2010

Breve ócio paranóico de Petr (Parte 2)

Me chamam Petr. Só uso ênclise quando tenho vontade. Sou um adolescente. É um fato. Talvez seja até uma doença, porque já ouvi falar de médicos especializados em “tratar” dessa fase da vida, e não eram meros psicólogos. É provável que não será a fase mais difícil, afinal, complicação não é, sempre, sinônimo de dificuldade. E talvez esteja mais para realidade do que para fato. Eu sou um adolescente. É inegável. Mas não me define.
Penso, invariavelmente, em definições. Sem muita filosofia, por hoje, e com algum clichê (que está sempre disposto a nos salvar das questões profundas demais), defino-me pelas escolhas. Não. Defino esse blog por uma escolha. Eu, que sempre me sinto culpado por não terminar o que comecei, mesmo quando não tenho a menor idéia do que foi começado, fiz a escolha de voltar para minha cidade natal. Em busca de que? - me perguntaram – De diversão? De estudo? De natureza e calma? De amor? – De nada. – É a reposta mais viável. Vim em busca de nada e não posso pensar em lugar mais propício para o nada ser encontrado.
Caí de bunda nessa Cidade depois de ter saído correndo dela há mais de dois anos atrás. Cai por escolha própria. Talvez por que não tivera escolha ao ir embora. E, depois de quase um ano, ainda não consigo achar um motivo para ter caído. Não que me arrependa. Nem de longe. Essa Cidade pode ser nociva para as ambições dos mais sonhadores, pode ser pequena a ponto de nos fazer acreditar que é possível cruza-la andando e quente o suficiente para nos fazer desistir da idéia. Eu falo mal dela todos os dias. Eu a adoro.
Adoro as pessoas que vivem aqui. De um jeito bem “Invasão de privacidade”. O lugar é um reino cheio dos personagens mais pitorescos que se pode imaginar. Desde a garota imaculada que é, na verdade, uma devassa, o neurótico que não sabe lidar com situações perfeitas e distribui conselhos amorosos, as “posers girls” que todos parecem conhecer ou já ter ouvido falar, o romântico incurável que trai por compulsão até a pretensa sexual libertária que, na verdade, tem muitos princípios sobre com quem dormir.
Essa Cidade é uma fonte de histórias. E, para mim, tudo é perdoável quando dá uma boa história. Mas não vou fingir que a cidade em si é realmente interessante. Os estonteantes personagens que se criam aqui não costumam ficar por muito tempo. E, quando ficam, viram notícia velha. Mesmo uma cidade pequena pode ser cruel. Provincianamente cruel. E da mesma forma que pode ser nociva para os ambiciosos, também pode avariar o senso de realidade das pessoas, inundando-as em um mundinho de personalidades caricaturais.
Fato é, portanto, que viver nessa Cidade pode ser de uma frustração absurda, intercalada por momentos de inigualável divertimento. E foi pela frustração que criei os meus espaços. Para me exaurir dela. Inspirado pelas musicas sertanejas, decidi que, se eu sofro de decepção, não vou a um bar curar minhas mágoas sozinho. Não. Farei com que todos cuja atenção eu possa atrair deveram sofrer comigo. Verdade o que disse o poeta. A dor é solitária e isolante. Mas o saber de que a dor existe deve ser compartilhado com todos.
Apresentação feita. Objetivo lançado. Que venha agora a angústia de um jovem, e cínico. Angústia essa que só a Cidade, a escola e a nova geração podem trazer. Sintam-se perdidos.





J, M.

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