Abre parênteses (Somos todos meio desajeitados, meio duros demais ao lidar com a dor do choque com a realidade. Não temos prática para o que achamos que deve ser visto como comum. Mas todos queremos mostrar ter prática. Denota força. Não cai bem ficar indignado, assustado, dolorido. Parece fraco. Ninguém nunca quis ser fraco. Mas ninguém nunca teve muita certeza do que é ser fraco ou forte, tampouco.
E nossos sorrisos são meio forçados, a voz soa mais aguda, como se fingíssemos falar do comercial da TV. Os olhos ficam mais secos do que deveriam, ardem até. As mãos tentam ficar paradas, rente ao corpo, porque não há quem queira parecer nervoso) fecha parênteses.
Essa foi uma manhã normal de um dia normal. Nunca consigo dormir no horário que devo, por isso raramente acordo quando deveria acordar. Ouvi todas as censuras que deveria ouvir por não estar pronto no horário que deveria estar. Voltei para casa sem ter ido à escola, porque os portões fecharam-se no horário em que deveriam se fechar. Dormi.
Levantei-me atrasado novamente, mas havia tempo dessa vez. Fui à escola. Saí antes do que deveria por um problema técnico que não poderia ser previsto. Soube o que soube, portanto, sem que fizessem parecer um imprevisto.
J, M.
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