Sempre soubemos que acabaria assim. Somos muito diferentes. Eu e você. Mas, de alguma forma, demos certo. Eu sei que você me fez tão feliz quanto podia. A culpa é minha. Assumo. Sempre fui um ingênuo ambicioso. E isso fez de mim um cínico. Qualquer coisa menor que minha idealização simplesmente não servia. O que não quer dizer que eu não tenha sido feliz.
Sempre fomos companheiros. Já tivemos nossas crises e as resolvemos. E eu, ao contrário de muitos, sempre te aceitei com todos os seus defeitos. Sua mente pequena, seu jeito meio disfuncional. Mas não é uma crise dessa vez. É o fim. De repente, me vi escrevendo esta carta mentalmente. Pensando em todas as frustrações, no tédio, no desânimo e na falta de tesão que sinto, percebi que estamos juntos há tempo demais e que as vezes só o amor não é suficiente. Numa noite solitária, vi, fiquei velho demais, frígido demais para você. Não quero nenhum amor tranqüilo. Nasci pro mundo. E quero a paixão do cinema. Em preto e branco, quem sabe.
Não desconfie de mim por essa tristeza que sinto. É saudade de mim. De saber que nunca mais te verei com os olhos que tenho hoje. Sim. Eu sei que esse rosto há de ser quebrado. Que esse olhar vai perder parte do brilho. E é por isso que preciso partir. Há em mim essa ânsia por crescer. E você quer ser você para sempre. Não vou me delongar. Não vou te ofender. Não mais. Apesar de tudo, nós nos divertimos muito. No entanto, “diversão é diversão e o que está feito está feito”.
Preciso que você saiba que eu te amei. Amei, como disse, “Um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. E vou-me embora sem arrependimentos. Agora é a hora da sorte. Mas não vou perder as lembranças. Você é como a primeira namorada, é mais que uma memória, é quase uma entidade. E ainda vai me influenciar por muito tempo. Mas devo ir. Em busca de grandes amores, que você não pode me dar. Adeus agora, minha pequena...
P.s.: É, eu podia ter rimado. Mas que se foda...
J, M.
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