Montag, 16. Juli 2007

Depoimentado 2


"Beijei um garoto. Me apaixonei, transei, senti saudades. Passamos os fins de semana sem sair da cama, sentindo aquele gosto de amor inesperado e jovem, exalando cheiro de meninice, dando risada do que não tinha a mínima graça. Tomamos banho quase juntos - eu tinha vergonha - e ele pedia pizza de atum. Ligava pedindo colo, fazia dengo 1:30h da madrugada. Íamos a festas íntimas, de conhaque a caipiroska improvisada. Quando me cansava de todos, sentava para observá-lo; aí ele se fazia mais bonito, assim de propósito mesmo, e eu me apaixonava de novo. Não de novo porque o de antes tinha acabado e, sim, paixão somada a paixão, sempre mais.
Ele morava com o pai por capricho, porque trabalhava e podia se manter muito bem. Eu não aceitei uma cópia da chave de seu apartamento, claro que não. Então ele também não aceitou uma chave do meu e ficamos assim à mercê das campainhas. E gostava de viajar aquele garoto! Quase sempre a trabalho, ligando de 2 em 2 dias. Sei que lembrava de mim constantemente. Certa vez foi à um programa famoso, foi entrevistado sem querer e não temeu falar do nosso romance. Me apaixonei de novo depois dessa e certifiquei que, definitivamente, seria foda me separar dele. Não que eu quisesse, mas aconteceria um dia...
Se dedicava muito ao trabalho. Com o notebook pra lá e pra cá criava coisas formidáveis. Tinha talento para Publicidade, ainda que eu nunca tenha sido muito chegado a esses estudantes lá na faculdade. Era quase três anos mais velho e tinha riso de adolescente, bumbum também. Os amigos perguntavam o que ele queria com esse namoro e ele respondia: "Ser feliz". Eu reconhecia aos poucos que era exatamente isto que eu era quando estava perto dele, apesar de seus esquecimentos (principalmente do seu supermercado do mês), das brigas por causa da abstinência sexual repentina, da implicância com meu jeito introspectivo das 6:00h às 7:03h da manhã.
Lembro de quando, num fim de semana anacrônico dentro do meu quarto sem cama, ele disse que queria um filho meu. O que podia dizer para um homem no auge da paixão, da juventude, plenamente amante e amado, que desejava um pouquinho mais? Pôde escolher entre homens e mulheres, porém enquanto homem pleno que era, jamais poderia fugir do instinto maior que é o sentimento de paternidade no futuro. E o que diria a quem eu amava e daria todos os filhos que quisesse, se fosse possível? Não foi preciso responder, pois ele leu em meus olhos de 17 anos que não havia o que dizer.
Nunca entendi como certas pessoas, entre elas minha mãe, enxergavam aquele universo como uma aberração. Aquela criatura que descansava lívido, lindo, vagando entre sonhos secretos, que se espalhava no meu leito de forma apetitosa e cálida, jamais poderia ser uma aberração.
Ele queria saber o que eu estava lendo, o que estava estudando, o que queria pro almoço do dia seguinte, o que é que curaria minha dor de consciência, o que é que eu sonhava em noites chuvosas. Gostava de dormir nos meus braços, de preferência com a mão no meu peito. Pode?! Claro que pode, podia...
De mim, tinha o que quisesse... e ele me queria.
Eu disse que um dia aconteceria de acabar, lembram? Pois acabou. Dava certo demais, era amor demais. Às vezes dava muito errado e isso era dar certo; me puxava, me tirava sarro, me degustava, me desprezava pra depois me querer muito mais. Isso me consumia, é verdade, e eu começava a querer dar um rumo pra vida quando ele batia na porta e dizia que me amava. Era um rumo e tanto! Mas não enxergava futuro pra mim; não atrapalhava, mas não garantia nada. O problema era tudo se encaixar e eu mergulhar de cabeça. Terminamos.
Não houve coisas a serem tiradas da casa do outro; só as lembranças e a dúvida de ter feito a coisa certa, mas recusaram-se a sair e é com elas que almoço agora. Hoje sei que ele não fuma mais, nem quer comprar o dvd de 'As Horas', justamente na época em que sobra nas lojas. Não rói mais as unhas, esquece as lentes de contato onde não deveria, voltou a desligar a TV antes de dormir. Semana passada, um respeitável e despeitado amigo seu, veio dizer que se namorar um garoto de 17 anos pareceu uma merda, separar-se dele foi merda maior ainda.
Não mais nos encontramos ao acaso. Pra ser mais exato nunca mais desde o último dia.
Hoje chegou de Porto Alegre (viajou com o pai) e ligou-me dizendo:
- Olá. O Orly me pediu pra avisar da festa na casa dele hoje às 21:00h. Ele não sabe que não estamos mais juntos, mas não custaria fazer esse favor. É isso.
Repetir o recado da secretária eletrônica várias vezes parece coisa de mocinha apaixonada de filme, mas eu fiz. Lembrei de quando nos conhecemos e reparei como esses momentos estão sendo parecidos, começo e fim de namoro. Não de amor, de namoro.
Ele tinha certa aversão a nos imaginar como um casal gay de simpáticos velhinhos e eu consolava-o dizendo que iríamos morrer antes disso. Mas não morreremos hoje, porque nos apaixonaremos pela milésima vez e dessa não teremos medo."

Jucksch, Márcio.

2 Kommentare:

Anonym hat gesagt…

*Eeeeeee, seu alemão de uma figa! Com assim? Não sabia que você tinha essa parada de blog; foi a Giulia que me disse.
Ela falou dos problemas que você está tendo com a documentação. Cara, sabe que nem eu entendi essa parada agora... fuck off!
Ela me disse que tem uma chance do que você está querendo fazer não acontecer e que pode ser que você comece o curso de Direito. Imagina, nós vamos ser colegas se isso acontecer... mas espero que o que você realmente quer aconteça, amigo...
E esse texto? Inegável o talento que você tem com as palavras. Jornalista é uma boa mesmo pra você. Sempre escrevendo o que deve e o que não deve rsrsrs...
Te amo muito, cara! Amo pra caralho... Saudades imensas!
Incrível como tu brinca com as palavras. E você sabe que quando quiser, eu vou estar a disposição pra experimentar o outro lado que eu não conheço... Tem que ser com você. Hhauahauhaua...

Falows, meu futuro empresário, jornalista ou juíz!

Marcelo Rueckl Henning.

Anonym hat gesagt…

eu tento tambem...!!


"passe em casa
to t'esperando...
to t'esperando..."

vanillecitrique