Sento-me, às 15:00h, no centro da capital do país.Minha história começa mais ou menos à esquina do boteco de seu Zé. Sempre atonito, me conta as peripécias de seu filho, cuja única ambição na vida é ser aviador; Camila, sempre com aquele olhar atraente, me convida à uma saida a francesa.
Já no outro lado da rua, dona Carmem observa tudo com olhos de gavião. O sol castiga toda aquela comunidade. Mais adiante, nos sentamos na banca de jornais de seu Antônio - sempre simpático e com aquele jeito moleque de contar piadas e aproveitar a vida; dona Xica, sua esposa, prepara alguns quitutes para dar de lembrança aos turistas nordestinos.
Próximo à promotoria, seu Gurjão vende suas "bijous"; homem solitário que perdeu a mulher em um trágico incendio depois de 35 anos de casado. Na frente do antigo bordel, seu Carlindo e seu Maurício, divagam sobre a situação política ali ocorrida.
Gentilmente Camila me traz uma fatia de bolo de cenoura. Conversa assuntos da faculdade. Camila quer ser publicitária; seu irmão, Geovani, sempre sai às 17:00h para àquela tentadora pelada matinal. O pai deles, seu Bernardo, faz consultorias para alguns restaurantes; vontade de ter um próprio nunca lhe faltou.
Sempre à procura do futebol na tv estão kiko e pedrinho. Com apenas 10 anos, mas já afoitos pelo esporte; deve ser influência do tio Aguiar.
Abro o livro, mas não alcanço duas páginas; acomodo-o no colo, mas logo serve de proteção contra o sol. A poesia se esvai pelo ralo neural. Consumo o que é de propriedade do fictício. Neuroses observadas por frases desconexas; 3 minutos de ascenção negra. O plebíscito infernal. O glúten me é necessário. O jogo cruzado de pernas no vai e vem; o sapato aperta. O cheiro de tinta sufoca. Me faz crêr que sou de carne e osso; sou de plástico. O bruto lapidado na rubrica ríspida do algoz.
Assim passavam-se os dias além mar. A necessidade se diz ausente. Saudades do que um dia será. Verá?
Jucksch, Márcio.
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