Montag, 9. Juli 2007

É assim mesmo



- Não quero sanduíche, quero comida.
- Sobe que eu te encontro assim que achar uma vaga.



Arroz branco. Ele comprou o jornal e quase esqueceu os óculos. Frango à milanesa. Ainda que tenha pena do dinheiro, manda pagar com a nota gorda. Filé com quatro queijos. Não há nada que compre a mais ínfima amizade por mim. Nem minha presença. Picadinho à jardineira. Parece amnésia de 17 anos, mas nem isso conseguiu apagar os traços da natureza. Seriedade dispersa, controle disfarçado, responsabilidade trivial. $10,08.



- Uma Coca-cola, por favor.



Alumínio gelado, plástico escorregadio, porcelana pesada. Ele brinca com os cadernos esportivos, policiais, mundiais. Jogo o troco como se não quisesse nada. Aquela mulher teima em comer um pão mais largo que a boca; eu só acho salgado. A fila para a pizza cresce; famílias acham-se confortavelmente acolhidas sob um teto burguês; eu só sinto-me imune. Todos tão feios, desformes. Hoje todos estão terrivelmente deselegantes, sem compostura que lhes caiba. É interessante dividir a mesa com ele, porque assim não transformo minha face em uma grande interrogação procurando a resposta certa para "É seu pai?".
A vida não é mais a mesma e isso basta para compreender o aconchego oculto de sua presença.



- Opa! Tem uma chave de carro caída no chão, senhor.
- É minha, obrigado.




Ele é impassível de movimentos, sabe fazer pose de pai importante e eu sei comer como filho legítimo. É sábado à noite, jornal do domingo seguinte, alimentos de buffet, gente demais.




- Pai, terminei.

Jucksch, Márcio.

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